BOLETIM TÉCNICO SAFRA 2014/15



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1 04 ENSAIO EM REDE - AVALIAÇÃO DE FUNGICIDAS NO CONTROLE DE MANCHA ALVO (Corynespora cassicola) NA SAFRA 2014-2015 EM LUCAS DO RIO VERDE -MT Introdução Com a expansão da cultura da soja para novas fronteiras agrícolas, a intensificação da monocultura, a adoção de práticas inadequadas de BOLETIM TÉCNICO SAFRA 2014/15 Lucas do Rio Verde, MT Agosto, 2015 Autores Luana M. de Rossi Belufi, M. Sc. Engenheira Agrônoma Fundação Rio Verde, MT luana@fundacaorioverde.com.br Fabio Kempim Pittelkow, D. Sc. Engenheiro Agrônomo Fundação Rio Verde, MT fabio@fundacaorioverde.com.br Rodrigo Marcelo Pasqualli Engenheiro Agrônomo Fundação Rio Verde, MT rodrigo@fundacaorioverde.com.br manejo e a mudança do quadro de cultivares, têm aumentado o número de doenças e os níveis de danos causados por fungos, bactérias, vírus e nematoides (YORINORI et. al., 2009). Uma doença que sempre esteve presente nas lavouras de soja e que apenas ocasionalmente causava danos importantes é a mancha-alvo, causada pelo fungo Corynespora cassiicola Berk. & Curt (Wei). Nos últimos anos essa doença tem sido responsável por crescentes prejuízos em diversas regiões, sendo mais severa nos Cerrados, especialmente em cultivares resistente ou tolerante ao nematoide de cisto da soja (YORINORI et. al., 2009). A mancha-alvo ocorre em praticamente todas as regiões de cultivo de soja do Brasil. Aparentemente o fungo é nativo e infecta um grande número de plantas nativas e cultivadas. Nos cerrados, frequentemente, exige o controle químico ou o uso de variedades resistentes/tolerantes (ALMEIDA et al., 2005; SILVA et. al., 2008). Cultivares suscetíveis pode sofrer completa desfolha prematura, apodrecimento das vagens e intensas manchas nas hastes. Através da infecção na vagem, o fungo atinge a semente e, desse modo, pode ser disseminado para outras áreas. A infecção, na região da sutura das vagens em desenvolvimento, pode resultar em necrose, abertura das

2 vagens e germinação ou apodrecimento dos grãos ainda verdes (ALMEIDA et al., 2005; EMBRAPA, 2006). O uso de variedades resistentes, dentro do manejo integrado de doenças, é a forma mais segura e econômica na manutenção de baixos níveis de severidade e de altos índices de produtividade. As variedades de soja recomendadas para o cerrado possuem níveis diferenciados de resistência à antracnose. Porém, nenhuma delas apresenta resistência completa a Corynespora cassiicola, devendo, portanto ser uma tecnologia integrada a outras técnicas de controle disponíveis. Novas variedades de soja lançadas com promissora resistência à ferrugem asiática, comportam-se como altamente susceptíveis à mancha-alvo, sendo necessária à aplicação de programas de controle químico. Considerando a necessidade da recomendação de programas de aplicação no controle de mancha alvo na cultura da soja este trabalho tem como objetivo avaliar eficiência de fungicidas no controle de mancha alvo na cultura da soja. Objetivo Este trabalho tem como objetivo avaliar a eficiência fungicidas no controle de mancha alvo na cultura da soja em Lucas do Rio Verde, MT. Material e Métodos Local e Data: O ensaio foi realizado na área experimental da Fundação Rio Verde, em Lucas do Rio Verde, Mato Grosso, na safra 2014/2015. A cultura foi semeada dia 24 de outubro de 2014 e a colhida no dia 09 de março de 2015. Coordenadas Geográfica: As coordenadas geográficas no local do experimento foram obtidas com GPS (Global Positioning System). Os valores foram de 13 00 02.1 S (latitude), 55º 57 55.3 O (longitude) e 394 m (altitude). Cultura/Cultivar: Soja, Monsoy 9144 RR, semeada no espaçamento de 0,45 m entre fileiras e densidade de 11 sementes metro -1. As características descritivas da reação das variedades quanto às doenças estão descritos na Tabela 1.

3 TABELA 1. Características descritivas da reação da variedade de soja Monsoy 9144 RR, quanto às principais doenças. DOENÇAS REAÇÃO A DOENÇA Cancro da haste Resistente Mancha olho de rã Resistente Mancha alvo Moderadamente Suscetível Oídio Moderadamente Suscetível Pústula bacteriana Resistente Míldio Moderadamente Resistente Heterodera glycines (raça 1 e 3) Suscetível Meloidogyne javanica/ incognita Suscetível Tratamentos: Os tratamentos utilizados neste experimento, bem como as doses visando o controle de mancha alvo na cultura da soja encontram-se descritos na Tabela 2. TABELA 2. Tratamentos, doses dos produtos e época de aplicação na avaliação do controle de mancha alvo na cultura da soja. Fundação Rio Verde, 2015. Tratamentos Doses (ml/ha) Aplicação* Testemunha Carbendazim NTX + Nitrofix (0,1%) 1 L-kg/ha ACD Fox + Aureo (0,25%) 0,4 L-kg/ha ACD BAS 702 F EC + Assist (0,5 L/ha) 0,8 L-kg/ha ACD Orkestra SC + Assis (0,5 L/ha) 0,35 L-kg/ha ACD BIX+PTZ+TFS 450 SC + Aureo (0,25%) 0,5 L-kg/ha ACD Elatus + Nimbus (0,6 L/ha) 0,2 L-kg/ha ACD Unizeb Gold + Aureo (0,25%) 1,5 L-kg/ha ABCD Unizeb Gold + Aureo (0,25%) 2 L-kg/ha ACD Priori Xtra + Nimbus (0,6 L/ha) 0,3 L-kg/ha ACD * Época das aplicações: A: R1(15/12); B: R1+10(26/12); C: R1+21(07/01); D:R1+35(21/01) Tamanho da parcela e delineamento estatístico: Foram delimitadas parcelas de 8 linhas por 6 m, onde foram semeados as sementes tratadas conforme descrito na Tabela 1. Utilizou-se o delineamento em blocos ao acaso (DBC), com 4 repetições. Dados meteorológicos: Através da estação meteorológica instalada na área experimental, foram obtidos os dados das condições climáticas no momento das aplicações (Tabela 3) e durante a condução do experimento encontra-se nos Anexos (Quadro 1).

4 TABELA 3. Condições climáticas durante a aplicação dos tratamentos em Lucas do Rio Verde, MT. Fundação Rio Verde, 2015. Aplicações R1(15/12) R1+10 (26/12) R1+21 (07/01) R1+36 (21/01) Início Fim Início Fim Inicio Fim Inicio Fim Horário (h) 8:00 8:30 16:45 17:15 8:30 9:00 7:45 8:15 Temperatura ( o C) 23,2 24 26,7 26,3 23,2 23,6 23,5 23,8 Umidade relativa (%) 89 89 79 85 87 87 88 88 Vel. média vento (km h -1 ) 0,0 3,2 3,2 6,4 1,6 4,8 1,6 3,2 Forma de aplicação dos tratamentos: os tratamentos foram aplicados através de pulverizações com CO2 costal de pressão constante (50 psi), com barra de 2 m e 4 bicos Jacto tipo cone vazio J5-2 (disco J5, diâmetro externo 15 mm) com volume de calda de 120 L ha -1. As condições climáticas no momento das pulverizações estão descritas na tabela 3. Parâmetros avaliados: foram avaliados em cada parcela a porcentagem de tecido infectado (severidade) pela mancha alvo no terço inferior e médio da planta seguindo escala diagramática proposta por Soares, et al 2009. A partir da média da severidade das doenças foi calculada a AACPD* (área abaixo da curva de progresso da doença) Campbell & Madden (1990), desfolha em R6 (%) e produtividade da cultura. *AACPD = Σ [(yi + yi+1)/2] x (ti+1 ti) onde: yi = severidade inicial da doença yi+1 = severidade final da doença ti+1 - ti intervalo de tempo entre as leituras inicial e final Análise estatística dos dados: O contraste de médias para comparar os tratamentos para os dados de severidade foram submetidos ao Teste de Tukey a 5% de probabilidade, assim como os dados originais de AACPD, desfolha e produtividade. Resultados e Discussão Os primeiros sintomas de tecido infectado por Corynespora cassiicola foram observados em R2, com severidade de 3,5% na parcela sem nenhum tratamento (testemunha) como pode ser observado na Tabela 4.

5 Nesta fase, o processo patogênico provocado por C. cassiicola refletia-se em sintomas de lesões circulares e necróticas, circundadas por halo amarelado proeminente, menores que 0,5 cm nas folhas mais velhas. Na avaliação no estádio R5.2, momento do enchimento de grãos, todos os tratamentos já haviam sido aplicados, sendo possível observar que os tratamentos com BAS 702 F EC (800 ml ha -1 ), Orkestra (350 ml ha -1 ) e BIX+PTZ+TFS 450 SC (500 ml ha -1 ) apresentaram maior controle. Confirmando a importância da redução do inoculo inicial de C. cassiicola em cultivares de soja suscetíveis, esse efeito positivo de controle pode ser observado a partir do final do enchimento de grãos. Considerando a área abaixo da curva de progresso da doença (AACPD), que apresenta todas as avaliações de severidade de mancha alvo, observa-se que os menores valores foram proporcionados por BAS 702 F EC (800 ml ha -1 ), Orkestra (350 ml ha -1 ) e BIX+PTZ+TFS 450 SC (500 ml ha -1 ), tratamentos estes que até a avaliação em R6 proporcionava controle superior a 71%(Tabela 4). TABELA 4 - Severidade (% de tecido infectado) de mancha alvo (Corynespora cassicola), AACPD e desfolha na cultura da soja submetida à aplicação de fungicidas no município de Lucas do Rio Verde MT. Fundação Rio Verde, 2015. TRATAMENTOS DOSES SEVERIDADE (L-kg ha -1 ) R2 R5.2 R6 AACPD DESFOLHA Testemunha 3,5 d 25,8 f 36,3 e 903,8 f 85,8 c Carbendazim NTX + Nitrofix 1+0,1% 2,4 c 24,3 ef 33,8 e 834,4 ef 81,3 bc Fox + Aureo 0,4+0,25% 0,3 a 8,5 bc 10,5 bc 273,8 b 58,8 a BAS 702 F EC + Assist 0,8+0,5 0,0 a 5,8 ab 9,3 ab 198,8 a 66,3 abc Orkestra SC + Assist 0,35+0,5 0,0 a 5,0 a 6,0 a 157,5 a 61,3 ab BIX+PTZ+TFS 450 SC + Aureo 0,5+0,25% 0,0 a 6,0 ab 7,0 ab 187,5 a 52,5 a Elatus + Nimbus 0,2+0,6 1,4 b 10,5 cd 13,5 c 358,1 c 66,3 abc Unizeb Gold + Aureo 1,5+0,25 2,1 bc 13,5 d 17,8 d 468,8 d 57,5 a Unizeb Gold + Aureo 2,0+0,25 2,0 bc 12,0 d 14,3 cd 406,9 cd 60,0 ab Priori Xtra + Nimbus 0,3+0,6 2,8 cd 22,5 e 33,8 e 800,6 e 70,0 abc Coeficiente de Variação (%) 25,6 9,87 9,54 6,39 13,7 Médias seguidas de mesma letra na coluna não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. Para os dados de produtividade houve diferença estatistica entre os tratamentos sendo que os tratamentos com BAS 702 F EC (800 ml ha -1 ), Orkestra (350 ml ha -1 ), BIX+PTZ+TFS 450 SC (500 ml ha -1 ), Fox (400 ml ha -1 ) e Elatus (200 ml ha -1 ) nas condições que o experimento foi conduzido proporciona maior ganho em produtividade em relação à parcela sem nenhum tratamento e aos demais tratamentos com ganhos superiores a 10% (Tabela 5).

6 TABELA 5. Produtividade e massa de mil grãos (MMG) e desfolha na cultura da soja submetida à aplicação de fungicidas no município de Lucas do Rio Verde MT. Fundação Rio Verde, 2015. TRATAMENTOS DOSES PRODUTIVIDADE Ganhos (L-kg ha -1 ) Kg ha -1 Sacas ha -1 (%) MMG Testemunha 2.529,6 ab 42,2 ab 117,7 a Carbendazim NTX + Nitrofix 1+0,1% 2.578,7 ab 43,0 ab 1,8 125,4 a Fox + Aureo 0,4+0,25% 2.807,6 b 46,8 b 10,9 126,3 a BAS 702 F EC + Assist 0,8+0,5 2.872,1 b 47,9 b 13,4 121,0 a Orkestra SC + Assist 0,35+0,5 2.842,8 b 47,4 b 12,3 125,0 a BIX+PTZ+TFS 450 SC + Aureo 0,5+0,25% 2.822,5 b 47,0 b 11,5 129,3 a Elatus + Nimbus 0,2+0,6 2.840,3 b 47,3 b 12,2 124,9 a Unizeb Gold + Aureo 1,5+0,25 2.655,3 ab 44,3 ab 4,9 121,4 a Unizeb Gold + Aureo 2,0+0,25 2.579,7 ab 43,0 ab 1,9 122,5 a Priori Xtra + Nimbus 0,3+0,6 2.432,5 a 40,5 a -3,9 117,8 a Coeficiente de Variação 5,46 5,46 4,62 Médias seguidas de mesma letra na coluna não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. Considerações Finais Com base nos resultados obtidos e nas condições em que foram conduzidos este experimento podemos concluir que: Os tratamentos BAS 702 F EC (800 ml ha -1 ), Orkestra (350 ml ha -1 ) e BIX+PTZ+TFS 450 SC (500 ml ha -1 ) proporcionam maior controle de mancha alvo; Os fungicidas BAS 702 F EC (800 ml ha -1 ), Orkestra (350 ml ha -1 ), BIX+PTZ+TFS 450 SC (500 ml ha -1 ), Fox (400 ml ha -1 ) e Elatus (200 ml ha -1 ) avaliados proporcionaram ganhos em produtividade para a cultura da soja. Os fungicidas não provocaram sintomas de fitotoxidez na cultura da soja nas condições de Cerrado de Mato Grosso. Referências Bibliográficas ALMEIDA, A.M.R.; FERREIRA, L.P.; YORINORI, J.T.; SILVA, J.F.V.; HENNING. A.A. GODOY, C.V.; COSTAMILAN, L.M; MEYER, M.C. Doenças da Soja. In: KIMATI, H.; AMORIM, L.; REZENDE, J.A.M.; BERGAMIN FILHO, A.; CAMARGO, L.E.A. (eds.) Manual de Fitopatologia Volume 2: Doenças das plantas cultivadas. São Paulo, 4 ed. Agronômica Ceres. 2005. p. 569-588. ANDRADE JÚNIOR, E.R. et al. Mistura de fungicidas no controle de ferrugem e de mancha-alvo em soja no Mato Grosso. Fitopatologia Brasileira, Brasília, v. 31, p. 270. 2006. (Suplemento). ANESE, D.; CASSETARI NETO, D; MACHADO, A.Q.; KUNZ JUNIOR, F.P. Comparação de fungicidas no controle de alta pressão de doenças em soja no Mato Grosso. Tropical Plant Pathology, 34 (suplemento): 111. 2009.

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