AULA 5 SOCIEDADE LIMITADA



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Transcrição:

AULA 5 SOCIEDADE LIMITADA Introdução A sociedade decorre de um contrato entre pessoas que contribuem com bens e serviços para o exercício de determinada atividade visando a partilha de resultados. A Sociedade Limitada surgiu na Alemanha em 1892 para possibilitar a limitação da responsabilidade dos empreendedores dispensando-os das formalidades das sociedades anônimas. Anteriormente, a Sociedade Limitada regia-se pela Lei n.º 3.708/1919, pelo Código Comercial e, nos casos omissos, pela lei das sociedades anônimas. Cerca de 95% das sociedades empresariais no Brasil são limitadas. As pessoas dos sócios são fundamentais na constituição de uma limitada que é baseada na affectio societatis *. Legislação atual A entrada em vigor do Código Civil fez com que a regulação das Sociedades Limitadas fosse feita por esse diploma. O Código Civil trata dessa matéria nos artigos 1.052 a 1.087. O artigo 1.053 estabelece que esse tipo de sociedade rege-se pelas normas da sociedade simples* em caso de omissões, mas o contrato social pode prever a aplicação supletiva das normas da sociedade anônima. Responsabilidade dos sócios Apenas os sócios têm a responsabilidade limitada. A sociedade é ilimitadamente responsável por todas as suas obrigações. O capital social da Sociedade Limitada é dividido em quotas distribuídas pelos sócios.

Cada sócio tem a obrigação de integralizar a sua parte e uma vez integralizado o capital social o patrimônio particular dos sócios não responde pelas obrigações da sociedade. Assim, a primeira obrigação do sócio é a integralização do capital social que subscreveu. Os sócios, ao assinarem o contrato, adquirem obrigações e créditos em relação á sociedade. Esses sócios criam uma nova pessoa jurídica com este ato. O sócio que não cumpre a integralização da quota conforme acordado é chamado de remisso e deve indenizar a sociedade pelo inadimplemento que incorreu. Art. 1.004. Os sócios são obrigados, na forma e prazo previstos, às contribuições estabelecidas no contrato social, e aquele que deixar de fazê-lo, nos trinta dias seguintes ao da notificação pela sociedade, responderá perante esta pelo dano emergente da mora. 1 Os demais sócios podem deliberar pela expulsão do remisso em lugar de cobrar indenização citada, devendo restituir-lhe o quanto já pago. Parágrafo único. Verificada a mora, poderá a maioria dos demais sócios preferir, à indenização, a exclusão do sócio remisso, ou reduzir-lhe a quota ao montante já realizado, aplicando-se, em ambos os casos, o disposto no 1 o do art. 1.031. Os sócios respondem, uma vez integralizado o capital social, apenas pelo valor das quotas com que se comprometeram. Art. 1.052. Na sociedade limitada, a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas, mas todos respondem solidariamente pela integralização do capital social. Não havendo a integralização do capital social os sócios são solidariamente responsáveis pelo total do capital social subscrito. No caso de prática de atos ilícitos a limitação da responsabilidade dos sócios não lhes exclui a responsabilidade, nos termos do artigo 1.080 do Código Civil. 1 Código Civil - 2002

O sócio responde direta, pessoal e ilimitadamente pela irregularidade que incorrer. Cessão de quotas É no contrato social que será estabelecida a natureza da Sociedade Limitada: se de pessoas ou de capital. Esta definição terá influência na definição da cessão de quotas: a) Sociedade de pessoas a cessão de quotas depende da autorização dos demais sócios; b) Sociedade de capital a venda de quotas não é condicionada à anuência dos demais sócios. No silêncio do contrato presume-se que a Sociedade Limitada é de pessoas, nos termos do art. 1.057 do Código Civil. Art. 1.057. Na omissão do contrato, o sócio pode ceder sua quota, total ou parcialmente, a quem seja sócio, independentemente de audiência dos outros, ou a estranho, se não houver oposição de titulares de mais de um quarto do capital social. Nome empresarial O nome empresarial identifica o sujeito de direito que oferece ao mercado produtos e serviços. Portanto, esse nome deve ser registrado para garantir a reputação do empresário entre fornecedores e financiadores. A proteção a este nome está vinculada à veracidade do mesmo (deve refletir uma informação veraz sobre o empresário) e à novidade do nome (não pode ser adotado nome igual ou semelhante a outro empresário). Isto garante exclusividade da utilização do nome (art. 1.166 do CC). Tais disposições estão contidas nos artigos 33 e 34 da Lei n.º 8.934/94. O registro dos nomes é feito nas Juntas Comerciais.

A firma ou razão social e a denominação social são duas espécies de nome empresarial e suas utilizações são distintas. O empresário individual só pode usar a firma. A firma deve ser sempre baseada em um nome civil (nome atribuído à pessoa física), acompanhado ou não por indicação da atividade: Carla, Comércio de Roupas, por exemplo. Se for uma sociedade a utilizar a modalidade firma, esta será formada pelo nome dos sócios em que se admite a substituição de nome pela expressão & Cia se forem muitos: Carla e Maria & Cia. Ltda. Já a denominação independe da base de nome civil, usando-se de qualquer expressão que se queira. As sociedades anônimas não podem adotar o nome na modalidade firma. A denominação social é mais vantajosa para a Sociedade Limitada por não implicar obediência ao princípio da veracidade**. Administração A administração é o órgão da limitada cujas atribuições são administrar a empresa e manifestar a vontade da pessoa jurídica. Todos os sócios podem ser administradores, mas isso deverá estar designado no contrato social. É possível que haja administrador não sócio que deve ser escolhido da seguinte forma: 1) Unanimidade dos sócios se o capital social não estiver inteiramente integralizado; 2) 2/3 (dois terços) do capital social após sua total integralização. Art. 1.061. Se o contrato permitir administradores não sócios, a designação deles dependerá de aprovação da unanimidade dos sócios, enquanto o capital não estiver integralizado, e de dois terços, no mínimo, após a integralização.

O administrador sócio nomeado no contrato social só pode ser substituído por 2/3 do capital social, ou outro quorum menor, se previsto no contrato social. Art. 1.063. O exercício do cargo de administrador cessa pela destituição, em qualquer tempo, do titular, ou pelo término do prazo se, fixado no contrato ou em ato separado, não houver recondução. Entre os deveres do administrador estão o de diligência e lealdade na condução dos negócios sociais. Quanto ao dever de lealdade o administrador, e de resto os demais sócios, não podem agir com conflitos de interesses, divulgar informações sigilosas, praticar concorrência desleal com a sociedade, etc. Nas sociedades limitadas é facultada a criação, no contrato social, de um Conselho Fiscal, nos termos do artigo 1.066 e parágrafos do Código Civil. Art. 1.066. Sem prejuízo dos poderes da assembléia dos sócios, pode o contrato instituir conselho fiscal composto de três ou mais membros e respectivos suplentes, sócios ou não, residentes no País, eleitos na assembléia anual prevista no art. 1.078. 1 o Não podem fazer parte do conselho fiscal, além dos inelegíveis enumerados no 1 o do art. 1.011, os membros dos demais órgãos da sociedade ou de outra por ela controlada, os empregados de quaisquer delas ou dos respectivos administradores, o cônjuge ou parente destes até o terceiro grau. 2 o É assegurado aos sócios minoritários, que representarem pelo menos um quinto do capital social, o direito de eleger, separadamente, um dos membros do conselho fiscal e o respectivo suplente. Affectio societatis Consiste na intenção dos sócios de constituir uma sociedade. É a declaração de vontade expressa e manifestada livremente pelo(s) sócio(s) de desejar(em), estar(em) e permanecer(em) juntos na sociedade, eis que se a vontade de qualquer deles estiver viciada não há affectio societatis. SOCIEDADE SIMPLES A sociedade simples define-se como forma de exclusão das outras características societárias, o art. 982 do código civil trata desta maneira: Considera-se empresária a sociedade que tem por objeto o exercício de

atividade própria de empresário sujeito a registro (art. 967); e, simples, as demais. Assim sendo uma a sociedade simples não exerce atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens e serviços, destina-se principalmente a cooperativas (força de lei), atividades intelectuais, científicas, literárias ou artísticas que unem capitais e criam uma pessoa jurídica sem a adoção de uma organização empresarial. PRINCÍPIO DA VERACIDADE Este princípio requer que a firma individual contenha o nome do empresário e a social, o nome, pelo menos de um dos sócios da sociedade empresária, revelando, tanto como firma ou denominação, seus sócios, sua responsabilidade, a atividade prevista no contrato social e a estrutura empresarial; não pode conter dados inverídicos. Portanto, o nome empresarial deve estar de acordo com a realidade da atividade empresarial exercida IN n. 104 do DNRC, art. 5º, 2º: O nome empresarial não poderá conter palavras ou expressões que denotem atividade não prevista no objeto da sociedade - (Ex: não há como colocar o nome Drogal em uma padaria, pois não corresponderia à realidade do tipo de atividade que é explorado). Por força desse princípio, não é permitido que se mantenha na firma social (em caso de falecimento, expulsão ou retirada de algum dos sócios), o nome deste, que não mais poderá mais figurar na composição do nome empresarial (CC art. 1165). Se ocorrer óbito, exclusão ou retirada do fundador de uma sociedade anônima, seu nome não precisará ser suprimido da firma social, desde que ele não se oponha e que a sociedade resolva manter inalterado o seu nome empresarial. CC art. 1165: O nome de sócio que vier a falecer, for excluído ou se retirar, não pode ser conservado na firma social. Em decorrência do princípio da veracidade, conforme dispõe o art. 1164, parágrafo único do Código Civil: O adquirente de estabelecimento, por ato entre vivos, pode, se o contrato o permitir, usar o nome do alienante, precedido do seu próprio, com a qualificação de sucessor.