LOGÍSTICA REVERSA E OS IMPACTOS DA PNRS



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Transcrição:

LOGÍSTICA REVERSA E OS IMPACTOS DA PNRS Autora: PATRICIA GUARNIERI i para o Portal Direito Ambiental 1. Introdução A extração desenfreada dos recursos naturais, o pensamento errôneo de que os mesmos são infinitamente renováveis e inacabáveis, além de outros fatores como: aumento da escala de produção, constantes inovações e redução do ciclo de vida dos produtos elevaram a quantidade gerada de resíduos e seu descarte no meio ambiente. Tendo em vista este problema ambiental, a sociedade cobra do Poder Público soluções para a relação, muitas vezes conflitante, entre desenvolvimento tecnológico e meio ambiente. Sendo assim, surgiram diversas legislações com o intuito de regular o desenvolvimento econômico e tecnológico e garantir a preservação do meio ambiente. Este é o caso da Lei Federal 12.305/2010 da Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS), sancionada em agosto de 2010 e regulamentada pelo Decreto Federal 7.404/2010, os quais dispõem sobre os princípios, objetivos e instrumentos, bem como sobre as diretrizes relativas à gestão integrada e ao gerenciamento de resíduos sólidos, incluindo os perigosos; as responsabilidades dos geradores e do poder público e aos instrumentos econômicos aplicáveis, que este mês completa um ano de existência. O artigo 30 da PNRS inova quando estabelece a responsabilidade compartilhada entre os atores envolvidos no processo de geração dos resíduos sólidos, os quais são os fabricantes, atacadistas, varejistas, importadores, Poder Público e consumidores finais. Além disso, estabelece a necessidade de criação de canais reversos para equacionar a necessidade de gerenciamento dos resíduos e para isso há a necessidade premente da constituição de acordos setoriais, visando tornar a gestão dos resíduos sólidos e a implementação da logística reversa de forma viável economicamente e também sustentável. A próxima seção se dispõe a esclarecer o conceito de logística reversa. 2. Logística Reversa A logística reversa é e o processo de planejamento, implementação e controle do fluxo de matérias-primas, estoque em processamento e produtos acabados e seu fluxo de informação do ponto de consumo até o ponto de origem, com o objetivo de recuperar valor ou realizar um descarte adequado (Rogers & Tibben-Lembke, 1999). O processo logístico reverso e sua ligação com o processo logístico direto em uma cadeia de suprimentos pode ser entendido, observando-se a Figura 1.

Fonte: Guarnieri (2006, p. 49) Figura 1 Processo logístico direto versus processo logístico reverso na cadeia de suprimentos As atividades logísticas funcionais, conforme demonstradas na Figura 1, que envolvem desde o processamento de pedidos, compra da matéria-prima, sua transformação e distribuição até o consumidor final, muitas vezes podem ser repetidas uma vez mais, quando os produtos usados e descartados são reciclados e voltam ao canal logístico. A vida de um produto, do ponto de vista logístico, não termina com a sua entrega ao cliente. Os produtos tornam-se obsoletos, danificam-se ou deterioram-se e são levados para seus pontos de origem para reparo ou descarte. A cadeia de suprimentos termina com o descarte final de um produto e o canal reverso deve estar no escopo do planejamento e do controle logístico, esta prática se torna ainda mais premente quando as necessidades da logística reversa também decorrem do crescente número de leis que proíbem o descarte indiscriminado e incentivam a reciclagem de recipientes de bebidas e materiais de embalagem, como é o caso da recente Lei 12.305/2010 que trata da Política Nacional dos Resíduos Sólidos. A logística reversa tem sido amplamente reconhecida como uma das importantes fontes de vantagem competitiva para as empresas no ambiente atual. A crescente disputa por mercados, curtos ciclos de vida de produtos, pressões legais, a conscientização ecológica pela difusão do conceito de desenvolvimento sustentável,

taxas de retorno relevantes em alguns segmentos de mercado são exemplos de fatores que determinam a necessidade do desenvolvimento do processo da logística reversa nos sistemas logísticos (Rodrigues et al., 2003) Porém, as atividades relacionadas ao gerenciamento do retorno dos bens de pósconsumo e pós-venda não são tratadas, pelas empresas, como um processo regular no âmbito da cadeia de suprimentos. Não há um planejamento e controle desse retorno, o que dificulta melhorias para esse fluxo reverso. As empresas vêem o fluxo reverso de mercadorias como um entrave ao processo de negócios, que demanda pessoal, estrutura física e conseqüentemente aumenta os custos da empresa. Não consideram o retorno econômico, legal, ecológico e de imagem corporativa que o gerenciamento do fluxo reverso de mercadorias na cadeia de suprimentos pode proporcionar. A logística reversa pode ser ainda dividida em duas áreas de atuação: logística reversa de pós-venda e logística reversa de pós-consumo. A logística reversa de pósconsumo caracteriza-se pelo planejamento, controle e disposição final dos bens de pósconsumo, que são aqueles bens que estão no final de sua vida útil, devido ao uso. A vida útil de um bem pode ser entendida como o período de tempo que vai desde a fabricação do produto até o momento em que seu primeiro possuidor não vê mais utilidade nele, essa vida útil pode ser prolongada se outras pessoas virem neste mesmo bem, outras utilidades o mantendo em uso por um determinado tempo, após isso esse bem é destinado à coleta de lixo urbano, podendo ser reciclado ou simplesmente depositado em aterros sanitários, causando sérios impactos ao meio ambiente (Guarnieri, 2005). A caracterização da logística reversa de pós-venda ocorre quando há a reutilização, a revenda como subproduto ou produto de segunda linha e a reciclagem de bens que são devolvidos pelo cliente a qualquer ponto da cadeia de distribuição por erros comerciais, expiração do prazo de validade e devolução por falhas na qualidade, ao varejista, atacadista ou diretamente à industria. O recall de produtos refere-se justamente, aos problemas com validade de produtos ou a problemas observados após a venda, que são devolvidos por motivos legais ou por diferenciação de serviço ao cliente, um exemplo evidente do recall de produtos no Brasil, é das montadoras de veículos, que por vezes, solicitam aos seus clientes o retorno às concessionárias para a reposição de determinada peça (Guarnieri, 2011)

3. Impactos da PNRS para as empresas De acordo com o art. 33 da PNRS, são obrigados a estruturar e implementar sistemas de logística reversa, mediante retorno dos produtos após o uso pelo consumidor todos os atores envolvidos no processo de geração dos resíduos de: 1) pilhas e baterias; 2) pneus; 3) óleos lubrificantes, seus resíduos e embalagens; 4) lâmpadas fluorescentes, de vapor de sódio e mercúrio de luz mista e; 5) produtos eletroeletrônicos e seus componentes. Cabe ressaltar que alguns destes resíduos já possuem iniciativas bem estruturadas da criação de canais reversos, como é o caso de pneus, embalagens de agrotóxicos e óleos lubrificantes, este fato deve-se ao surgimento anterior à Lei de resoluções do CONAMA que regulamentam estes setores. Um aspecto importante e essencial para o sucesso da estruturação destes canais reversos já criados e bem estabelecidos no Brasil é exatamente a constituição de acordos setoriais, que abranjam as iniciativas necessárias para a viabilização destes retornos aos ciclos produtivos e de negócios e prevêem o compartilhamento de recursos e custos envolvidos nestas atividades. A responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, a ser implementada de forma individualizada e encadeada, abrange os fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes, os consumidores e os titulares dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos. Neste contexto, são também destacadas as ações a serem priorizadas, que de acordo com a lei são: I - compatibilizar interesses entre os agentes econômicos e sociais e os processos de gestão empresarial e mercadológica com os de gestão ambiental, desenvolvendo estratégias sustentáveis; II - promover o aproveitamento de resíduos sólidos, direcionando-os para a sua cadeia produtiva ou para outras cadeias produtivas; III - reduzir a geração de resíduos sólidos, o desperdício de materiais, a poluição e os danos ambientais; IV - incentivar a utilização de insumos de menor agressividade ao meio ambiente e de maior sustentabilidade; V - estimular o desenvolvimento de mercado, a produção e o consumo de produtos derivados de materiais reciclados e recicláveis; VI - propiciar que as atividades produtivas alcancem eficiência e sustentabilidade;

VII - incentivar as boas práticas de responsabilidade socioambiental. Para o gerenciamento dos resíduos, destinando-os a aterros, fazendo-os retornar aos fabricantes, vendendo-os ao mercado secundário, reciclando-os ou reutilizando-os, há a necessidade de criação de canais logísticos reversos, os quais serão de responsabilidade dos atores envolvidos (Guarnieri, 2011). Assim, a constituição de parcerias entre os atores, na implementação da logística reversa, coleta e manejo dos resíduos sólidos, bem como na sua revalorização se torna extremamente necessária. O artigo 33 da PNRS, em seu O 1 o ainda acrescenta que em regulamento ou em acordos setoriais e termos de compromisso firmados entre o poder público e o setor empresarial, os sistemas de logística reversa serão estendidos a produtos comercializados em embalagens plásticas, metálicas ou de vidro, e aos demais produtos e embalagens. No 3 o, consta que sem prejuízo de exigências específicas fixadas em lei ou regulamento, em normas estabelecidas pelos órgãos do Sisnama e do SNVS, ou em acordos setoriais e termos de compromisso firmados entre o poder público e o setor empresarial, cabe aos fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes dos produtos e embalagens, tomar todas as medidas necessárias para assegurar a implementação e operacionalização do sistema de logística reversa sob seu encargo, podendo, entre outras medidas: I - implantar procedimentos de compra de produtos ou embalagens usados; II - disponibilizar postos de entrega de resíduos reutilizáveis e recicláveis; III - atuar em parceria com cooperativas ou outras formas de associação de catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis, nos casos de que trata o 1 o. Além disso, o 4 o estabelece que os consumidores devam efetuar a devolução após o uso, aos comerciantes ou distribuidores, dos produtos e das embalagens a que se referem os incisos I a VI do caput, e de outros produtos ou embalagens objeto de logística reversa. No 5 o deixa claro que também os comerciantes e distribuidores deverão efetuar a devolução aos fabricantes ou aos importadores dos produtos e embalagens reunidos ou devolvidos. NO 6 o, a Lei estabelece que os fabricantes e os importadores deem destinação ambientalmente adequada aos produtos e às embalagens reunidos ou devolvidos, sendo o rejeito encaminhado para a disposição final ambientalmente adequada, na forma

estabelecida pelo órgão competente do SISNAMA e, se houver, pelo plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos. Se o titular do serviço público de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos, por acordo setorial ou termo de compromisso firmado com o setor empresarial, encarregar-se de atividades de responsabilidade dos fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes nos sistemas de logística reversa dos produtos e embalagens a que se refere este artigo, o 7 o estabelece que as ações do poder público sejam devidamente remuneradas, na forma previamente acordada entre as partes E por fim, o 8 o define que com exceção dos consumidores, todos os participantes dos sistemas de logística reversa manterão atualizadas e disponíveis ao órgão municipal competente e a outras autoridades, informações completas sobre a realização das ações sob sua responsabilidade. Portanto, um sistema de gestão ambiental que inclua a logística reversa deve colaborar no mínimo, para que a empresa atenda à legislação ambiental num primeiro momento e através do desenvolvimento de melhorias possibilite o atingimento de benefícios financeiros e econômicos (Guarnieri, 2011). No caso das empresas, é altamente necessária a constituição de acordos setoriais, envolvendo toda a cadeia de suprimentos, desde fabricantes, distribuidores, varejistas e também associações para planejar os canais reversos de seus produtos e também embalagens geradas neste processo. Assim, a constituição de parcerias é indicada, visto que o aproveitamento de veículos de transporte e estrutura já existente em determinados elos da cadeia de suprimentos pode ser aproveitado, para reduzir os custos deste processo e proporcionar alternativas rentáveis para a revalorização dos resíduos, o que é perfeitamente possível (Guarnieri, 2011). Com a sanção da lei, surge a necessidade de que as empresas produzam e organizem os dados e informações ambientais gerados nos seus processos, com o intuito de disponibilizá-los aos departamentos responsáveis pela implantação de projetos de logística reversa e também para o poder público quando requisitado. Atualmente, muitas empresas desconhecem totalmente o fluxo reverso de suas operações, o que dificulta consideravelmente a tomada de decisões neste contexto e o atendimento à legislação (Guarnieri, 2011). Sendo assim, as empresas podem ter sérios prejuízos tais como: perdas financeiras e econômicas e também de imagem corporativa, além de estarem em alguns casos serem proibidas de exercer sua atividade principal, e consequentemente, perder considerável parcela de mercado.

Na maioria das vezes, procedimentos simples no gerenciamento de resíduos constituem a diferença entre ser uma empresa ambientalmente responsável ou não. É notório que toda mudança nos procedimentos, muitas vezes incorrem em custos e que as empresas procuram investir mais recursos em suas competências essenciais, ou seja, no foco de seu negócio, porém, a longo prazo o retorno logístico, econômico, legal e de imagem corporativa tornam a logística reversa perfeitamente viável e factível no ambiente empresarial. A terceirização do gerenciamento do fluxo reverso é cada vez mais utilizada, o novo nicho de mercado das empresas retroprocessadoras, especializadas em resíduos, cresce visivelmente e se estabelece como a solução para o descarte responsável dos resíduos. Neste caso é necessário que se estabeleçam os limites de responsabilidade legal de cada envolvido nos processos logísticos reversos. Ainda é importante ressaltar que existe uma forte tendência de que nos próximos anos a logística reversa seja também incorporada como parte do processo normal das empresas, de forma a atender o disposto na PNRS. REFERÊNCIAS BRASIL. Lei 12.305/2010 Política Nacional de Resíduos Sólidos. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm, acesso em 12/03/2011. GUARNIERI, PATRICIA. Logística Reversa: em busca do equilíbrio econômico e ambiental. Recife: Editora Clube de Autores, 2011. GUARNIERI, P. et. al. A logística reversa de pós-venda e pós-consumo agregando valor econômico, legal e ecológico às empresas. In: ADM 2005 Congresso de Administração, Ponta Grossa: UEPG, 2005. RODRIGUES, D. F. et al. Logística Reversa: conceitos e componentes do sistema. XXII Encontro Nacional de Engenharia de Produção. Curitiba, PR, ENEGEP 2003. Disponível em: http://www.abepro.org.br/biblioteca/en ROGERS, D. S. & TIBBEN-LEMBKE, R. S. Going backwards: reverse logistics trends and practices. Universidade de Nevada. Reno, 1999. i PATRICIA GUARNIERI é doutoranda em Engenharia de Produção pela UFPE, Mestre em Engenharia de Produção pela UTFPE, especialista em Gestão Empresarial pela Univel/Inbrape, especialista em Docência no Ensino Superior pela Unipan. Atua como professora, pesquisadora, palestrante e consultora nas áreas: Logística Reversa, Logística de Suprimentos, Gestão de Fornecedores no Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos, Contabilidade Ambiental e Análise Financeira de Projetos de Logística Reversa. É autora do livro Logística Reversa: em busca do equilíbrio econômico e ambiental e editora do Blog Logística Reversa e Sustentabilidade (http://www.patriciaguarnieri.blogspot.com/)