ANÁLISE CRÍTICA DO LICENCIAMENTO AMBIENTAL DA PISCICULTURA NO ESTADO DO AMAPÁ.



Documentos relacionados
Dúvidas e Esclarecimentos sobre a Proposta de Criação da RDS do Mato Verdinho/MT

POLÍTICA NACIONAL DO MEIO AMBIENTE. Instrumento preventivo de tutela do meio ambiente (art. 9º, IV da Lei nº /81)

O PREFEITO MUNICIPAL DE PORTO ALEGRE. Faço saber que a Câmara Municipal aprovou e eu sanciono a seguinte Lei:

Instrução Normativa nº 008, de 08 de agosto de 2014.

Licenciamento Ambiental na CETESB IV Aquishow

MANUAL DO LICENCIAMENTO AMBIENTAL DE ATIVIDADES POTENCIALMENTE POLUIDORAS Gerência de Controle da Poluição GCP : PASSO A PASSO

Resolução Conama 237/97. Resolução Conama 237/97. Resolução Conama 237/97. Resolução Conama 237/97 7/10/2010

ROTEIRO PARA ELABORAÇÃO DE PROJETOS

O ESTUDO DE IMPACTOS AMBIENTAIS COMO DECORRÊNCIA DA AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS

Regulamento dos Cursos da Diretoria de Educação Continuada

Lei n , de 17 de junho de 2014.

FACULDADE PROCESSUS REGULAMENTO DOS CURSOS DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU

RESOLUÇÃO CONAMA n o 379, de 19 de outubro de 2006 Publicada no DOU nº 202, de 20 de outubro de 2006, Seção 1, página 175 e 176

PUBLICADO EM 01/08/2015 VÁLIDO ATÉ 31/07/2020

LEI MUNICIPAL Nº 859/2009, de

GOVERNO DO ESTADO DO PARÁ SECRETARIA ESTADUAL DE MEIO AMBIENTE CONSELHO ESTADUAL DE MEIO AMBIENTE - COEMA

DOS CURSOS E SEUS OBJETIVOS

Cria e regulamenta sistema de dados e informações sobre a gestão florestal no âmbito do Sistema Nacional do Meio Ambiente - SISNAMA.

MINUTA DE PROPOSTA DE RESOLUÇÃO ABILUX 05/03/2010


POLÍTICA DE TREINAMENTO E DESENVOLVIMENTO

Pós-Graduação em Gerenciamento de Projetos práticas do PMI

Licenciamento Ambiental

NORMATIZAÇÃO DE ESTÁGIO PARA OS CURSOS TÉCNICOS E SUPERIORES DO IFSULDEMINAS

Resumo das Interpretações Oficiais do TC 176 / ISO

RESOLUÇÃO N o 38 de 30/12/ CAS

EDITAL DE COMPOSIÇÃO DO COMITÊ GESTOR DO PROGRAMA MUNICIPAL DE PAGAMENTO POR SERVIÇOS AMBIENTAIS

Processo de Implementação de um Sistema de Gestão da Qualidade

REGULAMENTO DA DISCIPLINA ESTÁGIO CURRICULAR SUPERVISIONADO DOS CURSOS SUPERIORESDE GRADUAÇÃO DO CEFET-PR. Capítulo I DO ESTÁGIO E SUAS FINALIDADES

2º Seminário AESAS Mercado Ambiental Brasileiro: o que mudou em 2013? São Paulo, 28 de novembro de 2013

VERDADES E MENTIRAS SOBRE O PROJETO DE LEI QUE ALTERA O CÓDIGO FLORESTAL

Estratégias para a implantação do T&V

CARTILHA INSCRIÇÃO MUNICIPAL E REDESIM

Minuta de Termo de Referência

PLANOS DE CONTINGÊNCIAS

ANÁLISE DOCUMENTAL (CHECK LIST) GERAÇÃO, TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA

Regulamento do Programa de Iniciação Científica Estácio FAMAP CAPÍTULO III. Da Natureza e Finalidades

MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE

FAMEC REGULAMENTO DO ESTÁGIO CURRICULAR SUPERVISIONADO

UNIVERSIDADE DE SANTA CRUZ DO SUL UNISC CURSO DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS

Dispõe sobre Certificação do Atuário Responsável Técnico e do Atuário Independente e sobre Eventos de Educação Continuada.

FACULDADE ADVENTISTA DA BAHIA REGULAMENTO DE MONITORIA DO CURSO DE PEDAGOGIA

I Compatibilização e integração de procedimentos; III Garantir a linearidade do processo, sob a perspectiva do usuário;

POLÍTICAS DE GESTÃO PROCESSO DE SUSTENTABILIDADE

Curso E-Learning Licenciamento Ambiental

M ERCADO DE C A R. de captação de investimentos para os países em desenvolvimento.

Política de Trabalho de Conclusão de Curso - TCC

Metodologia de Gerenciamento de Projetos da Justiça Federal

Promover um ambiente de trabalho inclusivo que ofereça igualdade de oportunidades;

UNIVERSIDADE DE SANTA CRUZ DO SUL UNISC CURSO DE ENGENHARIA DE COMPUTAÇÃO REGULAMENTO DO TRABALHO DE CONCLUSÃO CAPÍTULO I DA NATUREZA

11 de maio de Análise do uso dos Resultados _ Proposta Técnica

POLÍTICA DE INVESTIMENTOS

ANÁLISE DOCUMENTAL (CHECK LIST)

5º WORSHOP DO ALGODÃO AMPASUL NOÇÕES BÁSICAS DE SEGURANÇA DO TRABALHO RURAL

CARGOS E FUNÇÕES APEAM

Atribuições dos Tecnólogos

Orçamento Padrão. Introdução. Objeto

POLÍTICA CARGOS E SALÁRIOS

5.4. Programa de Comunicação Social. Revisão 00 NOV/2013. PCH Dores de Guanhães Plano de Controle Ambiental - PCA PROGRAMAS AMBIENTAIS

Publicada no Diário Oficial do Amapá Nº de 07/12/2009.

RESOLUÇÃO N o 53 de 28/01/ CAS RESOLVE: CAPÍTULO I DAS DEFINIÇÕES

1.1.1 SECRETARIA DE ESTADO DO MEIO AMBIENTE

das demais previsões relativas ao estágio previstas no Projeto Pedagógico do Curso, no Regimento Interno e na Legislação.

Regulamento Complementar do Trabalho de Conclusão de Curso do Curso de Engenharia de Computação UTFPR, campus Pato Branco

REGULAMENTO DO PROGRAMA DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA

14/05/2010. Sistema Integrado de Gestão Ambiental SIGA-RS. Sistema Integrado de Gestão Ambiental SIGA-RS. Niro Afonso Pieper. Diretor Geral - SEMA

O Banco Central do Brasil em 29/06/2006 editou a Resolução 3380, com vista a implementação da Estrutura de Gerenciamento do Risco Operacional.

UNIVERSIDADE DO OESTE PAULISTA CURSO DE ZOOTECNIA. Regulamento do Trabalho de Conclusão de Curso I e II

Portaria n.º 510, de 13 de outubro de 2015.

UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO Fundação Instituída nos termos da Lei de 21/10/1966 São Luís Maranhão

REGULAMENTO DO TCC - PROJETO EXPERIMENTAL OU MONOGRÁFICO DOS CURSOS DE BACHARELADO EM COMUNICAÇÃO SOCIAL JORNALISMO E PUBLICIDADE E PROPAGANDA

FACULDADES INTEGRADAS BARROS MELO REGULAMENTO DO ESTÁGIO SUPERVISIONADO - DIREITO

REGULAMENTO DO ESTÁGIO CURRICULAR SUPERVISIONADO FACULDADE SUMARÉ

FACULDADE RADIAL SÃO PAULO - FARSP CURSO DE DIREITO REGULAMENTO DAS ATIVIDADES COMPLEMENTARES DO CURSO DE DIREITO

MANUAL DE ATIVIDADES COMPLEME MENTARES CURSO DE ENFERMAGEM. Belo Horizonte

MMX - Controladas e Coligadas

REGULAMENTO DE ESTÁGIO CURRICULAR DO CURSO DE ENGENHARIA DE COMPUTAÇÃO ANEXO I. Regulamento para a realização do Estágio Curricular Obrigatório

Missão. Objetivos Específicos

FACULDADE DE TECNOLOGIA DE SÃO VICENTE

REGULAMENTO PROGRAMAS DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA DO CESUMAR

CURSO: GESTÃO AMBIENTAL

ATIVIDADES DE LINHA E DE ASSESSORIA

Art. 1º - Criar o Estatuto dos Núcleos de Pesquisa Aplicada a Pesca e Aqüicultura.

Regulamento das. Atividades Complementares

Manual de Atividades Complementares

CAPITULO I DISPOSIÇÕES PRELIMINARES

Regulamento do Trabalho de Conclusão de Curso Faculdade Unida de Vitória I - DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES

A SECRETARIA DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO, no uso de suas atribuições legais, e

DESCRIÇÃO DAS PRÁTICAS DE GESTÃO DA INICIATIVA

POLÍTICA DE SUSTENTABILIDADE

GOVERNO DO ESTADO DO PARÁ SECRETARIA DE ESTADO DE MEIO AMBIENTE DIRETORIA DE LICENCIAMENTO AMBIENTAL GERÊNCIA DE PROJETOS MINERÁRIOS

SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL ABNT NBR ISO 14001

ISO/IEC 12207: Gerência de Configuração

CÓPIA NÃO CONTROLADA. DOCUMENTO CONTROLADO APENAS EM FORMATO ELETRÔNICO. PSQ PROCEDIMENTO DO SISTEMA DA QUALIDADE

1º Encontro sobre Licenciamento Ambiental Municipal para Oficinas e Coligados. Fortaleza, 18 de Dezembro de 2015

4 Metodologia da Pesquisa

ecoturismo ou turismo. As faixas de APP que o proprietário será obrigado a recompor serão definidas de acordo com o tamanho da propriedade.

REGULAMENTO DO ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM PUBLICIDADE E PROPAGANDA

Transcrição:

GOVERNO DO ESTADO DO AMAPÁ UNIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAPÁ - UEAP PRO REITORIA DE GRADUAÇÃO - PROGRAD COORDENAÇÃO DO CURSO DE ENGENHARIA DE PESCA ANÁLISE CRÍTICA DO LICENCIAMENTO AMBIENTAL DA PISCICULTURA NO ESTADO DO AMAPÁ. JACKLINNE MATTA CORRÊA MACAPÁ 2011

JACKLINNE MATTA CORRÊA ANÁLISE CRÍTICA DO LICENCIAMENTO AMBIENTAL DA PISCICULTURA NO ESTADO DO AMAPÁ Monografia apresentada à coordenação do curso de Engenharia de Pesca da Universidade do Estado do Amapá para obtenção do título de bacharel em Engenharia de Pesca. Área de concentração: Administração e Legislação Pesqueira. Orientador: Prof. Dr. Marco Antonio Augusto Chagas MACAPÁ 2011

FOLHA DE AVALIAÇÃO Nome do Autor: CORRÊA, Jacklinne Matta. ANÁLISE CRITICA DO LICENCIAMENTO AMBIENTAL DA PISCICULTURA NO ESTADO DO AMAPÁ. Monografia apresentada à coordenação do Curso de Engenharia de Pesca da Universidade do Estado do Amapá para obtenção do título de Bacharel em Engenharia de Pesca. Data da aprovação: / /. Banca Examinadora Orientador e Presidente Prof. Dr. Marco Antonio Augusto Chagas Curso de Ciências Ambientais/Universidade Federal do Amapá Membro Titular Engenheira de Pesca. Ana Cristina Araújo Belline Curso de Engenharia de Pesca/Universidade do Estado do Amapá Membro Titular Engenheiro de Pesca. Francisco Pereira Canafístula Curso de Engenharia de Pesca/Universidade do Estado do Amapá

Dedico, in memori, aos meus avôs Nelcides Matta e Jair Corrêa, sem despedidas, porque vocês estão comigo. Saudades eternas!!!!

AGRADECIMENTOS À Deus, que me permitiu alcançar a conclusão dessa graduação com saúde e coragem para ultrapassar os obstáculos encontrados durante o caminho; A minha amada mãe Angélica, que sempre compreendeu as minhas escolhas, minha filha Camile, sua chegada completou o meu viver, ao meu irmão Jason, pelo conselhos e por ter dado meu querido sobrinho Jair; Aos meus amigos, Rafael e Bruno Ulisses, que me acompanharam durante todo o curso e hoje dividimos uma linda história de amizade e cumplicidade, amigos pra toda vida; Aos meus queridos amigos, que sempre incentivaram meus estudos e entenderam minhas ausências e hoje compartilham a minha alegria de concluir esse curso; Ao meu orientador, Marco Chagas, pela confiança e orientações fundamentais na conclusão dessa monografia; Aos piscicultores, em nome do senhor Nougueira, que gentilmente contribuíram na construção dessa monografia; Ao Instituto de Meio Ambiente e Ordenamento Territorial do Estado do Amapá, pela oportunidade de estágio, aos técnicos ambientais Paulo Couto e Felício Felix e minhas amigas de estagio Marilene e Uanne, pela ajuda nas entrevistas e elaboração dos mapas; A Universidade do Estado do Amapá, por proporcionar as condições mínimas para a conclusão do curso de Engenharia de Pesca; e a todos que direta ou indiretamente ajudaram na realização dessa pesquisa e conclusão do curso

RESUMO CORRÊA, J. M. Analise Critica do Licenciamento Ambiental da Piscicultura no Estado do Amapá. 2011. 49 f. Monografia (TCC em Administração e Legislação Pesqueira) - Coordenação do Curso de Engenharia de Pesca, Universidade do Estado do Amapá-UEAP. Esta monografia tem por objetivo principal demostrar alguns critérios de normatização que são aplicados nos processos de licenciamento ambiental da piscicultura no Estado do Amapá. A coleta de dados ocorreu através de consultas ao arquivo do Instituto do Meio Ambiente e de Ordenamento Territorial do Estado do Amapá-IMAP e questionários aplicados aos técnicos ambientais, e piscicultores dos municípios de Macapá, Santana e Porto Grande, pois, verificou-se significativo índice de piscicultores cadastrados A pesquisa fundamentou-se na Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente-CONAMA Nº 413/2009, para analisar o gerenciamento desse instrumento de gestão ambiental usada. Os Resultados da pesquisa demostraram a existência de vícios e questionamentos que devem ser dirimidos a partir de ações conjugadas entre o Poder Público Ambiental e a sociedade civil empreendedor, porque são procedimentos indispensáveis para consubstanciar e equacionar os problemas no âmbito administrativo da legislação aquícola, onde estão inseridas as normas e diretrizes estabelecidas no regimento do Licenciamento Ambiental da piscicultura. Nota-se que diante da dimensão da pesquisa, não se pode admitir tais vícios evidenciados no controle, monitoramento e manejo dos recursos ambientais sustentáveis e a sua consonância com as normas contextualizadas pela Resolução CONAMA 413/2009. Palavras chaves: Licenciamento Ambiental. Piscicultura. Amapá.

ABSTRACT CORRÊA. J. M. Critical Analysis of Environmental Licensing of fish farming in the state of Amapá. 2011. 49 f. Monograph (CBT Fisheries Administration and Legislation) - Course Coordination of Fishing Engineering, University of Amapá State-UEAP. This monograph aims to demonstrate some of the main criteria of regulations that are applied in the processes of environmental licensing of fish farms in the state of Amapá. The data were collected by consulting the file of the Institute of Environment and Spatial Planning of the State of Amapá,-IMAP, and interviews with the technical environment, fish farmers and the cities of Macapá, Santana, Porto Grande, because there was significant the index registered fish farm survey was based on the resolution of the National Environmental Council-CONAMA No. 413/2009, to analyze the management of this environmental management tool used. The survey results showed the existence of defects and questions that must be resolved from the combined action between government and civil society Environmental - entrepreneur, because procedures are needed to substantiate and solve the problems in the administrative law aquaculture, which are included the rules and guidelines set forth in the bylaws of the Environmental Licensing of fish. Note that on the scale of the research, we can not allow such vices evident in control, monitoring and sustainable management of environmental resources and in line with contextualized standards by CONAMA Resolution 413/2009. Keywords: Environmental Licensing. Fish farming. Amapá.

LISTA DE FIGURAS FIGURA 1: Aplicação dos questionários aos técnicos do IMAP...22 FIGURA 2: Entrevista com piscicultor licenciado...23 FIGURA: 3 Área de estudo da pesquisa...24 FIGURA 4: Localização das 10 pisciculturas estudadas...35

LISTA DE GRÁFICOS GRÁFICO 1: número de freqüência e tipo de formação profissional dos técnicos do IMAP...31 GRÁFICO 2: Os principais erros cometidos pelos piscicultores...33 GRÁFICO 3: Ano do licenciamento das pisciculturas entrevistadas...36 GRÁFICO 4: Pontos críticos do Licenciamento, segundo os piscicultores...37 GRÁFICO 5: Sugestões dos piscicultores para facilitar o licenciamento da piscicultura...38 GRÁFICO 6: Principais espécies cultivadas...39 GRÁFICO 7: Área de cultivo do empreendimento...40

LISTA DE TABELAS TABELA 1: Porte do empreendimento aquícola...17 TABELA 2: Potencial de severidade das espécies...17 TABELA 3: Potencial de impacto ambiental...18 TABELA 4: Principais condicionantes específicas por tipo de licença...29 TABELA 5: Classificação das pisciculturas analisadas...40

LISTA DE QUADROS QUADRO 1: Abertura de processos de Licenciamento- Piscicultura...26 QUADRO 2: Número de licenças emitidas (2005-2011)...28

LISTA DE SIGLAS CONAMA: Conselho Nacional do Meio Ambiente COEMA: Conselho Estadual do Meio Ambiente SEMA: Secretaria Estadual do Meio Ambiente SISNAMA: Sistema Nacional de Meio Ambiente IMAP: Instituto de Meio Ambiente e Ordenamento Territorial CEDRS: Conselho Estadual de Desenvolvimento Rural Sustentável LA: Licenciamento Ambiental LP: Licença Prévia LI: Licença de Instalação LO: Licença de Operação AA: Autorização Ambiental RLO: Renovação da Licença de Operação

LISTA DE TABELAS TABELA 1: Porte do empreendimento aquícola...16 TABELA 2: Potencial de severidade das espécies...17 TABELA 3: Potencial de impacto ambiental...17 TABELA 4: Principais Condicionantes Específicas por tipo de Licença...26 TABELA 5: Classificação das Pisciculturas Analisadas...29

SUMÁRIO RESUMO 1.INTRODUÇÃO... 10 2.REVISÃO DE LITERATURA... 12 2.1. LICENCIAMENTO AMBIENTAL E LICENÇAS AMBIENTAIS... 12 2.2 PISCICULTURA E O LICENCIAMENTO AMBIENTAL... 14 2.3 ORGÃO AMBIENTAL COMPETENTE PELO LICENCIAMENTO AMBIENTAL NO AMAPÁ... 18 3 OBJETIVOS... 20 3.1 GERAL... 20 3.2 ESPECÍFICOS... 20 4. MATERIAS, MÉTODOS E O UNIVERSO DA ENTREVISTA...... 21 4.1 METODOLOGIA... 21 4.2 SUJEITOS INVESTIGADOS... 21 4.3 INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS...... 22 4.4 ÁREA DE ESTUDO... 23 4.5 CRITÉRIOS DE INCLUSÃO...... 24 5. RESULTADOS E DISCUSSÕES...... 26 5.1 QUANTO AOS DADOS SECUNDÁRIOS...... 26 5.1.1 LEVANTAMENTO DA QUANTIDADE DE PROCESSOS DE PISCICULTURA...... 26 5.1.2 CONDICIONANTES DAS LICENÇAS AMBIENTAIS DA PISCICULTURA... 29 5.2. QUANTO AOS QUESTIONÁRIOS APLICADO AOS TÉCNICOS DO IMAP..... 30 5.3. QUANTO AOS QUESTIONÁRIOS APLICADO AOS PISCICULTORES...... 34 6.CONSIDERACÕES FINAIS... 42 7.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS... 44 ANEXOS... 47

1 INTRODUÇÃO O licenciamento ambiental é um dos instrumentos mais importantes da Política Nacional do Meio Ambiente instituída pela Lei Federal n 6938 de 31 de agosto de 1981, posterior a essa legislação está a Resolução do CONAMA n 237/97 que traz em seu bojo a definição do licenciamento ambiental como procedimento administrativo pelo qual o órgão ambiental competente licencia a localização, instalação, ampliação e a operação de empreendimentos e atividades utilizadoras de recursos ambientais, consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras ou que possam causar degradação ambiental. Para tanto a citada Resolução do CONAMA n 237/97, determina ainda que os empreendimentos e atividades devem ser licenciados em um único nível de competência (Federal, Estadual ou Municipal) dependendo da abrangência do impacto ambiental. No âmbito do Estado do Amapá, compete ao Instituto do Meio Ambiente e de Ordenamento Territorial (IMAP) as ações fiscalizadoras e de licenciamento Ambiental. Outra importante Resolução do CONAMA é a n 413/09 responsável por estabelecer as normas e critérios para o licenciamento ambiental da aquicultura, definindo o potencial de impacto ambiental dos empreendimentos, distinguindo em 09 (nove) classes, as quais especificam os procedimentos a serem adotados pelo órgão licenciador e o piscicultor para que a licença ambiental seja expedida. O grande potencial para o desenvolvimento da aquicultura no Estado atrai e estimula a instalação de novos empreendimentos nesse setor. No entanto, essa atividade ainda é incipiente, ou seja, não tem um lugar de destaque no desenvolvimento econômico do Estado, pois ainda atende apenas o mercado interno. Nesse panorama, o trabalho teve por objetivo analisar o licenciamento ambiental da piscicultura no Estado do Amapá, a partir dos processos protocolados junto ao órgão licenciador IMAP, e do estudo de campo realizado em três municípios do Estado. O trabalho está organizado em três seções. Na primeira seção está a revisão da literatura referente à história do licenciamento ambiental no âmbito brasileiro, além de dar ênfase a atividade de piscicultura e o licenciamento ambiental 10

fixado na Resolução do CONAMA 413/09, aborda também a respeito do órgão responsável pelo licenciamento ambiental no Estado do Amapá. Na segunda seção do estudo estão os procedimentos metodológicos adotados para fundamentá-lo. A terceira e última seção aponta a análise e a discussão dos resultados realizada in locu nos arquivos do IMAP e com os piscicultores dos municípios de Macapá, Porto Grande e Santana. 11

2 REVISÃO DA LITERATURA 2.1.- LICENCIAMENTO AMBIENTAL E LICENÇAS AMBIENTAIS A Constituição Federal brasileira, impõe ao Poder Público e à coletividade o dever de defender e preservar o meio ambiente para as presentes e futuras gerações. Dentre as obrigações de proteger e resguardar o meio ambiente, concernentes ao Poder Público, é cabível enquadrar o licenciamento ambiental, visto que este é um instrumento de gestão da Política Nacional de Meio Ambiente (Lei Nº 6.938/81). As principais diretrizes para a execução do licenciamento ambiental estão expressas na Lei 6.938/81 e nas Resoluções CONAMA nº 001/86 e nº 237/97. Segundo Machado (2001, p. 02) O Licenciamento ambiental é diferente dos licenciamentos tradicionais, pois possui um caráter complexo, formado por várias etapas, nas quais intervêm vários agentes públicos. Essas várias etapas compõem o procedimento administrativo, o qual visa a concessão de licença ambiental. Milaré (2009, p. 420), o licenciamento ambiental constitui importante instrumento de gestão do ambiente, por entender, que a partir dele, a Administração Pública busca exercer o necessário controle sobre as atividades humanas que interferem nas condições ambientais, de forma a compatibilizar o desenvolvimento econômico com a preservação do equilíbrio ecológico. Antunes (2004, p. 137) diz o que licenciamento ambiental é o mais importante dentre todos os mecanismos de controle das atividades econômicas potencialmente degradadoras do meio ambiente. É o que afirma Milaré (2009, p. 406) ao dizer que, por meio do licenciamento ambiental a Administração Pública exerce o necessário controle sobre as atividades humanas que interferem nas condições do meio ambiente. Para Fink (2000, p. 76), o procedimento de licenciamento ambiental, como serviço público, é 12

A atividade exercida pelo Poder Público, como vistas a satisfazer às necessidades dos administradores, seja na qualidade de usuários interessados na exploração de determinada atividade, seja na qualidade de interessados na preservação dos recursos naturais. A Resolução CONAMA n 237 de 19 de novembro de 1997 define o licenciamento como: Procedimento administrativo pelo qual o órgão ambiental competente licencia a localização, instalação, ampliação e a operação de empreendimentos e atividades utilizadoras de recursos ambientais, consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras ou daquelas que, sob qualquer forma, possam causar degradação ambiental, considerando as disposições legais e regulamentares e as normas técnicas aplicáveis ao caso.(art. 1º CONAMA 237/97) A obtenção do Licenciamento Ambiental é obrigatória para a localização, instalação, ampliação e operação de qualquer atividade objeto dos procedimentos de licenciamento ambiental. Portanto, sua obtenção é um meio de controle preventivo, cujo principal sentido é a prevenção do dano ambiental (GODOY, 2005). Quanto à licença ambiental, a referida resolução definiu, no artigo 1º como: Ato administrativo pelo qual o órgão ambiental competente, estabelece as condições, restrições e medidas de controle ambiental que deverão ser obedecidas pelo empreendedor, pessoa física ou jurídica, para localizar, instalar, ampliar e operar empreendimentos ou atividades utilizadoras dos recursos ambientais consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras ou aquelas que, sob qualquer forma, possam causar degradação ambiental. (CONAMA Nº237/97). A Licença Ambiental é um documento emitido pelo órgão licenciador, com prazo de validade definido, que autoriza o empreendedor a exercer a atividade e poderá ser cassada, caso não haja o cumprimento das condicionantes (FARIAS, 2006). Para Sirvinskas (2003, p. 80), licença ambiental é a outorga concedida pelo Poder Público a quem pretende exercer uma atividade potencialmente nociva ao meio ambiente. 13

Quanto às licenças ambientais, estão especificadas no CONAMA 327/97 Art. 8º, onde o Poder Público, no exercício de sua competência de controle, expedirá as seguintes licenças: I - Licença Prévia (LP) - concedida na fase preliminar do planejamento do empreendimento ou atividade aprovando sua localização e concepção, atestando a viabilidade ambiental e estabelecendo os requisitos básicos e condicionantes a serem atendidos nas próximas fases de sua implementação; II - Licença de Instalação (LI) autoriza a instalação do empreendimento ou atividade de acordo com as especificações constantes dos planos, programas e projetos aprovados, incluindo as medidas de controle ambiental e demais condicionantes, da qual constituem motivo determinante; III - Licença de Operação (LO) autoriza a operação da atividade ou empreendimento, após a verificação do efetivo cumprimento do que consta das licenças anteriores, com as medidas de controle ambiental e condicionantes determinados para a operação. Parágrafo único - As licenças ambientais poderão ser expedidas isolada ou sucessivamente, de acordo com a natureza, características e fase do empreendimento ou atividade. A licença ambiental é a última fase do procedimento, constituindo o real objetivo daquele que se submete ao procedimento de licenciamento ambiental de algum empreendimento, seja este da esfera pública ou particular (CAVALCANTE, 2008) Deve-se ressaltar que o licenciamento ambiental, apesar de estar dividido em três fases distintas, não deve ser feito isolando-se as mesmas, necessário se faz um estudo comum, uma abordagem única e completa de toda a obra a ser licenciada, analisando-a como um todo. Machado (2002) enfatiza ainda que a interpretação de que o Licenciamento ambiental deve abranger a obra como um todo, não devendo ser fragmentado, decorre da lógica do próprio licenciamento. O licenciamento só existe porque a atividade ou a obra podem oferecer potencial ou efetiva degradação ao meio ambiente. 2.2- PISCICULTURA E O LICENCIAMENTO AMBIENTAL 14

Em 2008 a produção mundial de pescado foi à maior da história com cerca de 158 milhões de toneladas (FAO, 2010). Contudo, caso se efetive a previsão de crescimento populacional projetada para as próximas duas décadas, estima-se que para manter o atual consumo per capita seja necessário um incremento de aproximadamente 40 milhões de toneladas nesse valor (FAO, 2006). Como nos últimos dez anos a produção oriunda da pesca tem se mantido relativamente estável, em torno de 90 milhões de toneladas, e a aquicultura segue crescendo mais rapidamente que qualquer outro setor da pecuária, recai sobre essa atividade a maior parte da responsabilidade de suprir essa demanda global por pescado (FAO, 2009; FAO, 2010). Neste contexto, o crescimento superior à média mundial registrado pela aquicultura brasileira e seu indiscutível potencial para o desenvolvimento das mais diversas modalidades de cultivo, habilitam o país a ser um dos poucos aptos a aumentar a oferta de pescado nos próximos anos (MPA, 2010). Em 2008, a produção pesqueira do Brasil foi de 1.156,4 mil toneladas, sendo a aquicultura responsável por 365,3 mil toneladas, o que rendeu ao país apenas a 16 a colocação no ranking mundial. A maior contribuição na produção aquícola nacional é dada pelo cultivo de peixes de água doce com cerca de 282 mil toneladas, com destaque para tilápias e carpas (MPA, 2010). Esses números ainda estão muito aquém do que o país pode produzir através da piscicultura. Valenti (2008) destaca que o aumento da produção nem sempre corresponde a desenvolvimento da atividade, sendo de suma importância analisar as características dos cultivos no que diz respeito aos princípios de sustentabilidade ambiental, social e econômica. Apesar dos potenciais benefícios proporcionados pela criação de peixes, como produção de alimento e geração de ocupação, emprego e renda. A piscicultura é considerada uma atividade potencialmente poluidora do meio ambiente, o que obriga o empreendedor a submeter o projeto a ser desenvolvido ao licenciamento ambiental. Para tanto, a urgência de se criar um documento legal para normatizar e estabelecer medidas ambientais a ser respeitado na criação de novos empreendimentos, O Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) Resolução Nº 413 de 26 de junho de 2009, que vem enfatizar os procedimentos estabelecidos 15

e, que aplicam-se, em qualquer nível de competência, ao licenciamento ambiental de atividades e empreendimentos de aquicultura, ou seja, valem também para Estados, Municípios e Distrito Federal.(BRASIL, 2011). De acordo com a cartilha emitida pelo SEBRAE (2010) sobre a aquicultura no Brasil, e mais especificamente relatando sobre a importância da Resolução CONOMA 413/09 a promulgação dessa medida teve o seguinte papel: A Resolução CONAMA nº 413/2009 inovou ao agrupar os conceitos de espécies alóctones ou exóticas e de nativas ou autóctones. Na prática foram observados os possíveis e mais comuns efeitos ambientais decorrentes da introdução de espécies, e concluiu-se que os antigos conceitos de nativa e exótica, que faziam referência àquelas que ocorriam dentro e fora das fronteiras nacionais, respectivamente, não davam conta das precauções ambientais necessárias (SEBRAE, 2010, p. 23) A regularização ou legalização dos empreendimentos da piscicultura é uma ferramenta importante para o direcionamento da atividade, pois visa à viabilidade econômica com sustentabilidade ambiental evitando conflitos no uso de recursos hídricos e promovendo o desenvolvimento regional (AYROZA et al,2008). Contudo, o que se percebe ainda, é que produtores exercem a atividade de forma irregular, devido: ao desconhecimento de como proceder para legalização dos seus projetos; ao próprio processo de legalização, considerado burocrático e lento; e por não perceberem claramente, o real alcance das suas ações sobre o meio ambiente (DELL ORTO e RODRIGUES, 2009). Dessa maneira, vale destacar aqui alguns pontos importantes da Resolução CONAMA 413/09, o primeiro deles diz respeito ao tamanho do empreendimento, estabelecido do Art. 3º que enfatiza. Para efeito desta Resolução são adotados os seguintes conceitos: VIII - Porte do empreendimento aquícola: classificação dos projetos de aquicultura utilizando como critério a área ou volume efetivamente ocupado pelo empreendimento, com definição de classes correspondentes a pequeno, médio e grande porte; No Art. 4 sobre o porte dos empreendimentos aquícolas será definido de acordo com a sua área ou volume, para cada atividade, conforme tabela 1. 16

Tabela 1- Porte do empreendimento aquícola Pequeno (P) Carcinicultura de água doce e Piscicultura em viveiros escavados Área (ha) Carcinicultura de água doce e Piscicultura em tanque-rede ou tanque-revestido Volume (m³) Atividade Ranicultura Área (m²) Malacocultura Área (ha) Algicultura Área (ha) < 5 < 1.000 < 400 < 5 < 10 Porte 400 a Médio (M) 5 a 50 1.000 a 5.000 5 a 30 10 a 40 1.200 Grande (G) > 50 > 5.000 > 1.200 > 30 > 40 Fonte: Resolução CONAMA 413/09, anexo I Quanto ao potencial de severidade o Art. 5º fixa que as espécies utilizadas pelo empreendimento será definida conforme a relação entre a espécie comercializada e o tipo de sistema de cultivo adotado pelo empreendimento, observando os critérios estabelecidos na tabela 2 dessa resolução. Tabela 2 - Potencial de severidade das espécies Autóctone ou nativa Não- Carnívora/onívora/ autotrófica Característica ecológica espécie Carnívora Alóctone ou exótica Não- Carnívora/onívora/ autotrófica Carnívora Extensivo B B M M Sistema Semide cultivo Intensivo B M M A Intensivo M M A A Fonte: Resolução CONAMA 413/09, anexo I Para a definição de procedimentos de licenciamento ambiental o Art. 6º estabelece que os empreendimentos de aquicultura serão enquadrados em uma das nove classes definidas no Anexo I da Resolução, conforme a relação entre o porte do empreendimento aquícola e o potencial de severidade da espécie utilizada no empreendimento. 17

Tabela 3 - Potencial de impacto ambiental Porte Potencial de severidade da espécie Baixo (B) Médio (M) Alto (A) Pequeno (P) PB PM PA Médio (M) MB MM MA Grande (G) GB GM GA Fonte: Resolução CONAMA 413/09, anexo I PB=pequeno porte com baixo potencial de severidade da espécie; PM=pequeno porte com médio potencial de severidade da espécie; PA=pequeno porte com alto potencial de severidade da espécie; MB=médio porte com baixo potencial de severidade da espécie; MM=médio porte com médio potencial de severidade da espécie; MA=médio porte com alto potencial de severidade da espécie; GB=grande porte com baixo potencial de severidade da espécie; GM=grande porte com médio potencial de severidade da espécie; GA=grande porte com alto potencial de severidade da espécie. A Resolução CONAMA 413/09 no Art. 7º, trata da possibilidade dos empreendimentos de pequeno porte serem dispensados do licenciamento, a critério do órgão licenciador, mediante cadastro no órgão. Art. 7o Os empreendimentos de pequeno porte e que não sejam potencialmente causadores de significativa degradação do meio ambiente poderão, a critério do órgão ambiental licenciador, desde que cadastrados nesse órgão, ser dispensados do licenciamento ambiental. Contudo, os empreendimentos em operação que não possuem licença ambiental deverão regularizar sua situação em consonância com o órgão ambiental licenciador. A regularização da situação se fará mediante a obtenção da Licença de Operação LO, licença única (para procedimentos simplificados) ou apenas com o cadastramento, para os casos em que é possível a dispensa da licença. 2.3 ORGÃO AMBIENTAL COMPETENTE PELO LICENCIAMENTO AMBIENTAL NO ESTADO DO AMAPÁ 18

No âmbito estadual o órgão responsável pelos grandes empreendimentos que requerem licenciamento ambiental é a Secretaria Estadual do Meio Ambiente (SEMA), em parceria com o Instituto do Meio Ambiente e Ordenamento Territorial (IMAP), em seu Art. 8º, enfatiza: Deverão submeter-se a licenciamento ambiental os empreendimentos e atividades utilizadoras de recursos ambientais considerados efetivos ou potencialmente poluidores, bem como capazes, sob qualquer forma, de causar degradação ambiental. Através de um decreto publicado no dia 04 de janeiro de 2008 a Assembléia Legislativa do Amapá aprovou Projeto de Lei Nº. 0044/07 dispondo de algumas alterações no Instituto de Terra do Amapá (TERRAP), passando a se chamar Instituto do Meio Ambiente e de Ordenamento Territorial do Estado do Amapá - IMAP e sua vinculação fica transferida para a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SEMA). Art. 2º. O Instituto do Meio Ambiente e de Ordenamento Territorial do Estado do Amapá - IMAP tem por finalidade executar as políticas de meio ambiente, de gestão do espaço territorial e dos recursos naturais do Estado do Amapá, a emissão de autorização de desmatamento, concessão de manejo florestal e de uso alternativo de solo e exercer outras atribuições correlatas na forma de seu Estatuto. Parágrafo único. O Instituto do Meio Ambiente e de Ordenamento Territorial do Estado do Amapá IMAP juntamente com o Órgão Estadual do Meio Ambiente OEMA poderão celebrar Termo de Cooperação Técnica ou convênios para outorgar ao IMAP a competência para licenciamentos ambientais de projetos de baixa a média impactação ambiental. Considerando que atualmente, o processo de licenciamento ambiental está centrado sob a responsabilidade do IMAP, a atividade de piscicultura e seu licenciamento perpassam diretamente por esse órgão, o que acarreta uma série de problemas para ao piscicultor, pois este nem sempre consegue cumprir com todos os documentos que são exigidos para renovar ou iniciar seu empreendimento, ou seja, para construirão de um tanque escavado medindo 10x10m ou 10x20m, o produtor tem que pagar taxa no Instituto Estadual do Meio Ambiente e do Ordenamento Territorial (IMAP), além de pagar um profissional para elaborar um projeto. 19

3 OBJETIVOS 3.1 GERAL Analisar o licenciamento ambiental da piscicultura no Estado do Amapá, a partir dos processos protocolados junto ao Instituto de Meio Ambiente e Ordenamento Territorial (IMAP). 3.2 ESPECÍFICOS Realizar o levantamento das quantidades de abertura de processos de licenciamento ambiental da piscicultura por ano; Identificar quais as principais condicionantes exigidas por tipo de licenças; Identificar as principais dificuldades enfrentadas pelos piscicultores para obtenção do licenciamento ambiental. 20

4 MATERIAL, MÉTODOS E O UNIVERSO DAS ENTREVISTAS 4.1 METODOLOGIA O primeiro método utilizado no presente trabalho foi o descritivo, onde se faz um relato do levantamento bibliográfico que se deu ao longo dos 12 (doze) meses de elaboração desse estudo, considerando que a todo instante são atualizadas as notícias e novas resoluções ou portarias são sancionadas pelos órgãos governamentais sobre a questão do licenciamento ambiental, o que foi fundamental para manter as pesquisas atuais até o mês de julho de 2011. O segundo método empregado foi o comparativo, que consiste basicamente em duas comparações: a) uma correspondente à conferição das respostas dos questionários entre os técnicos do IMAP e dos piscicultores dos municípios de Macapá, Porto Grande e Santana; b) outra comparação refere-se à análise documental realizada nos arquivos do IMAP com os dados obtidos através da entrevista realizada com os piscicultores sobre a documentação solicitada por esse órgão para que tenham a Licença Ambiental do seu empreendimento. Os dados primários foram obtidos através de entrevistas semiestruturadas e observações de campo. Os dados secundários através da pesquisa documental na consulta aos projetos de piscicultura protocolados junto ao IMAP para obtenção do licenciamento ambiental. 4.2 SUJEITOS INVESTIGADOS Técnicos responsáveis pelos licenciamentos no órgão estadual, haja vista que são estes os profissionais que, a partir da analise documental, avaliação do tipo de empreendimento e do local e aplicação da norma regulamentadora do licenciamento ambiental, elaboram parecer técnico deferindo pela emissão ou não da licença solicitada pelo empreendedor. 21

Do mesmo modo fez-se entrevista com os piscicultores, buscando diagnosticar as dificuldades enfrentadas para cumprimento da legislação e realização do procedimento de licenciamento ambiental. 4.3 INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS A Observação Direta Extensiva foi realizada através de entrevista e da aplicação de questionário estruturado. No que tange especificamente à coleta de dados, a pesquisa de campo iniciou-se com a aplicação de questionários a todos os técnicos responsáveis pelos licenciamentos ambientais do IMAP. Para tanto, elaborou-se perguntas estruturadas para serem respondidas pelos profissionais competentes pela análise dos processos de licenciamento ambiental, a fim de se conhecer a realidade do trabalho destes técnicos diante da legislação e da problemática ambiental atual. Para tanto, na coleta dos dados primários, utilizou-se a técnica de entrevista semiestruturada e questionários com os técnicos ambientais e empreendedores da atividade aquicolas. (SEVERINO, 2007). a b Figura 1- Aplicação dos questionários aos técnicos do IMAP (a); Consulta dos processos da piscicultura no arquivo (b). Fonte: CORRÊA, J. M. (2011) 22

Figura 2- Entrevista com piscicultor licenciado. Fonte: CORRÊA, J. M. (2011) Quanto aos locais de coleta de informações aos técnicos ambientais, os questionários foram respondidos no próprio órgão ambiental em que desempenham suas funções laborais; já para os piscicultores a coleta foi nas propriedades rurais dos mesmos, para ser possível coletar as coordenadas geográficas, para elaboração do mapa de localização das pisciculturas. 4.4 ÁREA DE ESTUDO A área de estudo compreendeu três municípios do Estado do Amapá: a Capital Macapá, o município de Santana e o município de Porto Grande. Conforme está representado na Figura 03. 23

Figura 3 Área de estudo da pesquisa. Em estudo realizado por Dias (2011), foram identificadas as seguintes concentrações de pisciculturas nos municípios investigados, Macapá (55,4%), Santana (10%) e Porto Grande (7,43%) 4.5 CRITÉRIOS DE INCLUSÃO A escolha dos três locais de estudo deu-se pela proximidade geográfica entre os municípios, além do aspecto relevante que é a locomoção de uma área para 24

outra, pois ao se levar em consideração o fator precário das estradas Estadual e Federal não haveria possibilidades de percorrer um quantitativo maior de municípios que possuem empreendimentos de aquicultura em parte da extensão territorial do Amapá. Outro fator importante foi a possibilidade de comunicação estabelecida através de ligações telefônicas com os piscicultores pedido-lhes autorização para realizar a entrevista e a observação in locu de seu empreendimento. Também a opção pelo estudo das pisciculturas dessas 03 (três) cidades deve-se ao ano do licenciamento ambiental, assim como as condições em que se encontra a situação legal desses piscicultores junto ao órgão licenciador IMAP. 25

5 RESULTADOS E DISCUSSÕES 5.1 QUANTO AOS DADOS SECUNDÁRIOS Os dados obtidos a partir da pesquisa documental realizada no IMAP/Setor de Registro e Licenciamento Ambiental estão organizados em forma de quadros, tabelas e gráficos. Foram levantados dados desde o ano de 1999, mas, para a analise quantitativa e qualitativa delimitou-se processos do período de Janeiro de 2005 à Julho de 2011, tendo como foco investigatório, o levantamento da quantidade de abertura de processos para o licenciamento da piscicultura e identificação das principais condicionantes exigidas em cada tipo de licença (LP, LI, LO e AA) É fundamental esclarecer que até a data de pesquisa desse trabalho não existia no órgão ambiental qualquer sistema informatizado de gerenciamento dos processos (rede intranet). Desse modo, a pesquisa documental se deu através da contabilização manual dos processos dentro do arquivo do setor de licenciamento. 5.1.1LEVANTAMENTAMENTO DA QUANTIDADE DE PROCESSOS DE PISCICULTURA Por meio da pesquisa documental no arquivo do setor de registro e licenciamento ambiental do IMAP foram contabilizados todos os processos de piscicultura (Quadro 1), esse são organizados em ordem alfabética do arquivo. Quadro 1- Abertura de processo de Licenciamento- Piscicultura (1999-2011) ANO DE ABERTURA N DO PROCESSO PEDIDO DE LICENÇA MUNICÍPIO 1999 32000-824/99 A.A TARTALRUGALZINHO 1999 32000-0061/99 L.O TARTALRUGALZINHO 1999 32000-0134/99 R.L.O MACAPÁ 2001 32000-1207/01 L.I TARTALRUGALZINHO 26

2002 32000-1238/02 L.P MAZAGÃO 2003 32000-2700/03 L.I MACAPÁ 2003 32000-0210/03 L.I MACAPÁ 2004 32000-2349/04 A.A FERREIRA GOMES 2004 32000-2487/04 L.O PORTO GRNDE 2004 3200-2351/04 L.I MACAPÁ 2004 32000-2566/04 A.A MACAPÁ 2004 32000-0221/04 A.A SERRA DO NAVIO 2004 32000-2121/04 A.A SERRA DO NAVIO 2004 32000-0209/04 A.A SERRA DO NAVIO 2004 32000-0211/04 A.A SERRA DO NAVIO 2004 32000-0216/04 A.A SERRA DO NAVIO 2004 32000-0219/04 A.A SERRA DO NAVIO 2004 32000-0217/04 A.A SERRA DO NAVIO 2004 32000-0214/04 A.A SERRA DO NAVIO 2004 32000-0220/04 A.A SERRA DO NAVIO 2004 32000-0210/04 A.A SERRA DO NAVIO 2005 32000-0520/05 LO PORTO GRADE 2005 32000-0967/05 L.O PORTO GRADE 2005 3200-0851/05 A.A MACAPÁ 2006 32000-2017/06 L.I PEDRA BRANCA 2006 32000-0027/06 A.A MAZAGÃO 2006 32000-0339/06 L.O SANTANA 2006 32000-2027/06 L.O MACAPÁ 2006 32000-0504/06 L.O MACAPÁ 2006 32000-1041/06 L.O MACAPÁ 2007 32000-019/07 L.I CUTIAS 2007 32000-0101/07 L.I FERREIRA GOMES 2007 32000-0071/07 L.O PEDRA BRANCA 2007 32000-0045/07 L.I PEDRA BRANCA 2007 32000-0383/07 L.O PORTO GRANDE 2007 32000-0385/07 L.O SANTANA 2007 32000-0117/07 A.A MACAPÁ 2007 32000-1095/07 L.I MACAPÁ 2008 32000-0197/08 L.I FERREIRA GOMES 2008 32000-1548/08 L.O FERREIRA GOMES 2008 32000-0990/08 L.I PRACÚUBA 2008 32000-0460/08 L.O SANTANA 2008 32000-1171/08 L.I MACAPÁ 2008 32000-1123/08 L.O MACAPÁ 2009 4000-297/09 L.I MAZAGÃO 2009 4002-122/09 R.L.O SANTANA 2009 4002-2030/09 L.P MACAPÁ 2009 4002-948/09 L.I MACAPÁ 27

2009 4000-292/09 L.O MACAPÁ 2009 4000-298/09 L.I/L.O MACAPÁ 2009 4002-973/09 L.O MACAPÁ 2009 4003-170/09 L.I MACAPÁ 2009 4002-441/09 L.I MACAPÁ 2009 4002-948/09 L.I MACAPÁ 2010 4003-247/10 L.I CALÇOENE 2010 4003-574/10 L.P MAZAGÃO 2010 4004-884/10 R.L.O MACAPÁ 2010 4002-877/10 L.P/L.I MACAPÁ 2010 4004-884/10 R.L.O MACAPÁ 2010 4002-779/10 L.O MACAPÁ 2010 4003-574/10 L.P MAZAGÃO 2011 4001-064/11 L.P MACAPÁ 2011 4001-076/11 L.I/L.O MACAPÁ 2011 4001-037/11 L.I MACAPÁ Fonte: Dados da pesquisa Conforme demonstra o quadro 1, foram identificados no total 64 processos de piscicultura no arquivo do órgão ambiental licenciador, com destaque para o município de Macapá que apresentou 28 processos de piscicultura. Segundo o CEDRS (2008), Estima-se que exista no Estado do Amapá entre 400 a 500 piscicultores, no qual, apenas 30 estavam registrados no órgão ambiental. Esse número pode ser bem mais abrangente por existir empreendimento de piscicultura não registrado e licenciado no IMAP, conforme será discutido mais adiante. Quadro 2- Número de licenças emitidas (2005-2011*) TIPOS DE LICENÇAS AMBIENTAIS ANO A.A L.P L.I L.O R.L.O 2005 1 1 1 2006 1 1 1 2007 1 4 3 2008 3 2009 1 3 3 2 2010 3 5 4 3 2011 1 1 3 TOTAL 3 5 16 13 8 Fonte: Dados da pesquisa. * até o mês de Julho. 28

No Quadro 2 estão os tipos de licenças e suas respectivas quantidades que foram emitidas durante os anos de 2005 à Julho de 2011 no IMAP. Verifica-se que o tipo de licença mais emitida em todos os anos é a Licença de Instalação (LI), seguida pela Licença de Operação (LO) e Renovação de LO, e o tipo de licença ambiental menos concedida é a Autorização Ambiental. Importante ressaltar que para o pedido de renovação de licenças, via de regra, não é aberto um novo processo, apenas arquiva-se o pedido ao processo já existente do empreendimento. Isso explica o fato que até julho de 2011, foram abertos três processos com o pedido de renovação de LO e no mesmo período foram emitidos 8 (oito) licenças do mesmo tipo. 5.1.2 CONDICIONANTES DAS LICENÇAS AMBIENTAIS DA PISCICULTURA Para levantamento das condicionantes específicas exigida nas licenças ambientais emitidas pelo IMAP/SEMA para a piscicultura, foram consultados os projetos de piscicultura que tinham as copias das licenças (LP, LI, LO e AA). Essas foram organizadas conforme a Tabela 4. Tabela 4- Principais Condicionantes Específicas por tipo de Licença Tipo de Condicionantes Licença A.A L.P L.I L.O Não poderá introduzir espécies exóticas (Tilápias e outros) Plantar arvores frutíferas entorno do talude Manutenção periódica dos tanques Não poderá introduzir espécies exóticas (Tilápias e outros) Apresentar mapa com geo-referenciamento do empreendimento Iniciar a criação dos alevinos após a concessão da L.O Apresentação de relatório fotográfico da área a ser manejada Programar ações mitigadoras da poluição e da recuperação ambiental Não comercializar o material retirado dos tanques Monitoramento semestral dos parâmetros: temperatura da água, ph, oxigênio dissolvido, turbidez, sólidos totais, DBO, fósforo e nitrogênio O material proveniente das escavações dos tanques não poderá ser utilizado para fins de aterros em áreas de ressaca Seguir o projeto apresentado em número de tanques e espécies cultivadas Fonte: Dados da pesquisa. 29

O resultado apresentado na Tabela 4 caracteriza as principais exigências feitas em cada tipo de licença dos empreendimentos de piscicultura existente no Estado do Amapá. Observa-se a especificidade e os critérios que devem ser seguidos pelo piscicultor para obter a próxima etapa do licenciamento. Esses são justamente os pontos de embate entre o órgão licenciador e o piscicultor, pois nem sempre o IMAP oferece uma logística de transporte para que o técnico desloque-se até o interior do estado para fiscalizar se o empreendimento de piscicultura atende tais exigências. Com a aprovação da Resolução 413/09 pelo CONAMA que uniformiza as regras para a concessão de licenças, atualmente elas ficam a critério dos estados e, em alguns casos, são cobradas taxas abusivas e há a exigência de renovação anual. Tem-se como desafio incentivar os estados a adequar suas legislações à resolução. Sendo que outro problema diz respeito ao quantitativo de pessoal existente nos órgãos responsável pelo licenciamento ambiental. (BRASIL, 2010). 5.2 QUANTO AOS QUESTIÓNARIOS APLICADOS AOS TÉCNICOS DO IMAP A aplicação do formulário de entrevista englobou todos os técnicos responsáveis pelos licenciamentos ambientais no IMAP, o que implica dizer que 15(quinze) profissionais ao todo responderam os questionários. A seqüência de 10 (dez) questões teve o propósito de angariar informações uniformizadas. Para tanto, elaborou-se perguntas estruturadas (ANEXO A), a fim de ser conhecer a realidade do trabalho destes técnicos competentes pela análise dos processos de licenciamento de diversas atividades, dentre elas a piscicultura, foco dessa pesquisa. Com relação à formação dos profissionais que atuam no licenciamento ambiental, 8 (oito) possuem o curso superior em Engenharia, mas em especialidade diferenciadas, desses 4 técnicos apresentam formação de engenheiros florestais, sendo que existem outros profissionais como arquiteto, agrônomo, geólogo, economista, sociólogo e gestor ambiental, totalizando a somatória de 15 (quinze) profissionais responsáveis pelo licenciamento ambiental no IMAP. Sobre a formação profissional, Macedo (1994) discorre que somente a capacitação adequada do 30

Número de Profissionais CORRÊA, J. M. Análise Critica do Licenciamento Ambiental da Piscicultura no Estado do Amapá. quadro técnico permitirá cumprir as funções da gestão ambiental nos processos de tomada de decisão acerca dos projetos ambientais implantados, bem como numa análise técnico-científica fundamentada dos projetos que visam licenciamento. 4 3,5 3 2,5 2 1,5 1 0,5 0 1 1 1 4 Formação Profissional 1 1 1 1 1 1 1 1 Gráfico 1 número de freqüência e tipo de formação profissional dos técnicos do IMAP. Fonte: Dados da pesquisa. É importante lembrar, que o processo administrativo de licenciamento ambiental sempre é avaliado por no mínimo dois técnicos de especialidades diferentes. Para Cavalcante (2008) isso permite uma visão interdisciplinar do empreendimento e suas consequências, e os considera como fator positivo no procedimento de obtenção da licença. Indagou-se a respeito de como ocorrem às análises do procedimento administrativo do licenciamento, depois de formalizada a abertura do pedido de licenciamento, os técnicos foram unânimes ao descrever as seguintes etapas: 1º Passo (análises documentais e projeto ambiental): são analisados, por no mínimo dois técnicos ambientais do IMAP. 2º Passo (vistoria): técnicos do IMAP realizaram visita técnica, a fim de verificar as condições do empreendimento e o cumprimento das determinações ambientais. 31

3º Passo (laudo técnico): após o cumprimento das exigências o IMAP, emitirá parecer técnico deferindo ou não a licença requerida. 4º Passo (pagamento da taxa ambiental): após deferido, é emitido um boleto referente ao calculo do valor do licenciamento da atividade, sendo responsabilidade do empreendedor trazer o comprovante de pagamento, para esse se arquivado junto ao processo. 5º Passo (publicação): deferida a licença ambiental o empreendedor deve publicar nota sobre seu recebimento em jornal de grande circulação local e no Diário Oficial do Estado do Amapá, num prazo de 30 dias. O modelo e formato do texto a ser publicado são fornecidos pelo órgão. Sobre as vistorias técnicas, RABI (2000), enfatiza; É através desse instrumento que se irá decidir sobre a possibilidade da implantação de novos empreendimentos e/ou empreendimento já em operação, pois as vistorias também são a forma utilizada para verificar se as condicionantes ambientais estão sendo cumpridas pelo empreendedor. Com relação ao tempo necessário para a emissão das licenças, todos os técnicos responderam que são no mínimo 06 (seis) meses para a obtenção das mesmas, sendo que, esse prazo pode ser ainda maior caso o empreendedor deixe de entregar todas as documentações exigidas pelo IMAP. Perguntou-se também aos técnicos qual a Resolução do CONAMA adotada pelo IMAP/SEMA para licenciar os empreendimentos de piscicultura. Os 15 (quinze) técnicos responderam seguiremos parâmetros das resoluções CONAMA 237/97 e CONAMA 413/09, além do Código de Proteção ao Meio Ambiente do Estado (DECRETO Nº 3.009/98). Sobre os erros mais freqüentes cometidos pelos piscicultores para a aquisição da licença, os técnicos deram destaque para o item que diz respeito à implantação da atividade aquícola sem o licenciamento ambiental, isto é, o total 70% dos piscultores não possuem a LA, seguido de 35%que colocam efluentes não tratados e, 24% estão entre aqueles que insistem na criação de espécies exóticas. 32

Erros Cometidos pelos Piscicultores Iniciar a piscicultura sem L A 70% Criação de espécies exóticas 24% Efluentes não tratados dos tanques 35% Gráfico 2 Principais erros cometidos pelos piscicultores, segundo os Técnicos do IMAP. Fonte: Dados da pesquisa. Em estudo feito por GAMA (2008), mostrou um numero significativo de pisciculturas (54%) no Estado do Amapá cultivando tilápias, com tanques construídos em ambientes frágeis como áreas de várzea, ressacas e nascentes de rios. Castellani & Barrella (2005), ressaltam que empreendimentos localizados próximos aos corpos d água e nascentes, áreas de proteção causam impactos negativo nos recursos hídricos. O desconhecimento ou a não preocupação da agressão ao meio ambiente por parte dos piscicultores evidencia a falta de informação sobre o impacto ambiental de qualquer empreendimento que vá utilizar recursos naturais. Esse fator pode ser reflexo das dificuldades apontadas pelos técnicos do IMAP para o andamento do processo de licenciamento ambiental da piscicultura. Os 15 (quinze) técnicos ambientais pontuaram outros fatores que colaboram para a lentidão do licenciamento: ausência de um sistema informatizado (intranet), e escassez de recursos materiais como: carros para realizar as vistorias nos municípios mais distantes da capital Macapá, o não pagamento das diárias a que eles têm direito quando é exigido o seu deslocamento para fora da sua área de trabalho. Um sistema de dados para os documentos licenciatórios emitidos é importante para o seu melhor controle, permitindo verificar mais facilmente os seus prazos de validade, bem como as informações relevantes sobre o empreendimento. De acordo com Campos et al. (2000), destacam-se como principais vantagens dos 33

bancos de dados administrativos o grande volume de casos registrados e o reduzido tempo entre a ocorrência do evento e seu registro no sistema Quanto às ações que poderiam contribuir para facilitar o processo de licenciamento da piscicultura, os técnicos informaram que a mais viável seria a adoção do licenciamento simplificado para os pequenos piscicultores, além da descentralização desse licenciamento para as prefeituras de cada município em que o empreendimento estejam instalado, mas principalmente a troca de informações entre os órgãos envolvidos na piscicultura. A cartilha distribuída pelo SEBRAE (2010) existe a seguinte informação: Todo gestor público sabe que as políticas públicas só são realmente eficazes quando planejadas com embasamento em informações consistentes. É fato, também, que é possível orientar a política e a atuação dos órgãos de meio ambiente quando sabemos: quantos são, onde estão, quais as características dos empreendimentos e dos empreendedores. O Estado aproxima-se do produtor e o meio ambiente ganha, já que a informalidade propicia ambiente favorável apenas aos que degradam. 5.3 QUANTO AOS QUESTIÓNARIOS APLICADOS AOS PISCICULTORES O total de piscicultores envolvidos na pesquisa de campo foram 10 (dez), divididos por municípios: 06 (seis) em Macapá, 02 (dois) em Santana e 02(dois) em Porto Grande. O questionário abordava perguntas gerais sobre as condições de cultivo, área do empreendimento, e na segunda parte constituída por 7 (sete) perguntas que tratava do licenciamento ambiental, buscando informações sobre: ano de licenciamento, principais dificuldades enfrentas e sugestões (ANEXO B) A aplicação dos questionários ocorreu nas instalações do empreendimento, para que fosse possível coletar as coordenadas geográficas das pisciculturas, o qual possibilitou a elaboração de um mapa de localização, identificando-as conforme situação das licenças, ou seja, pisciculturas que apresentam licenças na validade 34

(cor verde), fora de validade (cor vermelha) e aguardando licenciamento (cor laranja) (Figura 4). Figura 4: Localização das 10 pisciculturas pesquisadas Perguntou-se aos piscicultores a respeito do ano que estes buscaram o licenciamento ambiental para seu empreendimento, obteve-se os seguintes dados (Gráfico 3). 35

Número de Piscicultores CORRÊA, J. M. Análise Critica do Licenciamento Ambiental da Piscicultura no Estado do Amapá. 3 Ano que buscou Licenciamento 2 2 1 1 1 Licenciado em 2005 Licenciado em 2006 Licenciado em 2007 Licenciado em 2008 Licenciado em 2009 Licenciado em 2010 Gráfico 3- Ano do licenciamento das pisciculturas entrevistadas. Fonte: Dados da pesquisa. Verifica-se que no total de 10 (dez) piscicultores entrevistados, três pisciculturas tiveram seu licenciamento no ano de 2005, 1 (um) no ano de 2006, 1 (um) em 2007, 1 (um) no ano de 2008, o total de 2 (dois) no ano de 2009 e outros 2 (dois) em 2010. Contudo, vale ressaltar que 9 (nove) desses piscicultores primeiro iniciaram seu empreendimento para que posteriormente dessem entrada no licenciamento ambiental junto ao IMAP. A busca por esse licenciamento deve-se fatores importantes como a exigência do mercado cada vez mais rigoroso quanto ao respeito para com o ambiente, e, não menos importante, a segurança quanto à atuação da fiscalização ambiental e a consequente punição com a advertência, multa ou embargo (suspensão da operação). Outro fator importante está na condição imposta pelo Governo Federal para o acesso do piscicultor às políticas públicas de fomento, tais como o crédito agrícola, incentivos, isenções, programas de aquisição de alimentos do governo, se estiverem regulares do ponto de vista ambiental (BRASIL, 2010). Como pontos críticos para obter o licenciamento ambiental os piscicultores apontam uma série de dificuldades para que seu empreendimento seja regularizado junto ao IMAP (gráfico 4). 36

Pontos Críticos do Licenciamento 10% Alto custo das taxas ambientais 20% 40% Lentidão na emissão das licenças Renovação anual das licenças 30% Estrutura do IMAP Gráfico 4 - Pontos críticos do Licenciamento, segundo os piscicultores. Fonte: Dados da pesquisa. Verifica-se que 33% dos piscicultores apontam o alto custo das taxas ambientais como o principal entrave para que venham legalizar de imediato seu empreendimento junto ao IMAP. O próprio Ministro da Pesca e Aquicultura, Altemir Gregolin, em uma entrevista concedida a uma publicação do SEBRAE (2010) informou que esse é um dos principais pontos negativos para o avanço do setor aquícola no Brasil, ou seja, os elevados valores das taxas de custos ambientais colocam dezenas de piscicultores na ilegalidade. Outras dificultadas das pisciculturas são apontadas por Furlaneto (2008), está relacionada à escassez de assistência técnica, morosidade para a legalização dos projetos aquícola, problemas na comercialização (inadimplência) e restrição de acesso ao crédito rural estadual e federal. Quanto aos aspectos ambientais, sabe-se que a regularização dos projetos de piscicultura é ferramenta importante para o desenvolvimento da atividade, pois busca compatibilizar a viabilidade econômica com a sustentabilidade ambiental evitando conflito do uso do recurso hídrico e promover o desenvolvimento regional. Porém, atualmente, os procedimentos para a legalização da atividade junto aos órgãos competentes, principalmente, para os sistemas de tanques-rede em águas públicas, não tem sido eficiente. Outros fatores apontados pelos piscicultores é a lentidão na emissão das licenças 29%, a renovação anual das licenças apontada por 24%, outros 14% 37