PERSPECTIVAS BIOTECNÓLOGICAS DO CONTROLE DO GREENING

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Transcrição:

PERSPECTIVAS BIOTECNÓLOGICAS DO CONTROLE DO GREENING Nelson A. Wulff Pesquisador Fundecitrus II Simpósio Internacional de Greening, 22 e 23/05/2018. Araraquara SP.

Qualidades benéficas do suco Planta repelente ao psilídeo Murta Letal Genes para o controle da bactéria Redução do limoneno no fruto

Perspectivas biotecnológicas no controle do greening (HLB) Manejo é oneroso ou impraticável em algumas situações; Ausência de resistência genética em citros contra o psilídeo e Liberibacterias; Resistência via transgenia: possibilidade de desenvolver resistência, menor custo, integração com manejo, menor impacto ambiental, sustentabilidade. Jul/2009 2010_2011 Mai/2012 Out/2013 Jan/201

Greening % % Repelência ao psilídeo em goiabeiras Vietnam Vizinho Sem goiaba Experimento Sem goiaba Interplantio com goiaba Interplantio com goiaba Jun 05 Dec 05 Jun 0 Citros Citros Citros Goiaba Citros Goiaba Ichinose et al., 2012 Pomar de citros em monocultura: ALTA incidência de psilídeos e de HLB Pomar com interplantio de citros e goiaba: MUITO BAIXA ocorrência de HLB e de psilídeos

Repelência ao psilídeo em goiabeiras

Repelência ao psilídeo em goiabeiras Bioensaio em olfatômetro de 4 vias AR PURO Temperatura da sala: 25 ± 2 C UR: 0 ± 10% 3000 lux (luzes de LED) PLANTA Olfatômetro de 4 vias AR PURO

Repelência ao psilídeo em goiabeiras

Goiabeira Citros Repelência ao psilídeo em goiabeiras Predomínio de monoterpenos Predomínio de sesquiterpenos Cariofileno

Repelência ao psilídeo com cariofileno

Área Repelência ao psilídeo com cariofileno Emissão de cariofileno em planta modelo Arabidopsis thaliana selvagem = WT, sem cariofileno = KO e cariofileno +++ = OE 3e+10 WT KO OE Cariofileno 2e+10 1e+10 0 2 28 30 32 34 3 38 40 min

Repelência ao psilídeo em Arabidopsis (planta modelo) Emissão 1 ± 2 ng.g 1 FW.h 1 Selvagem 0.01 ng.g 1 FW.h 1 Sem cariofileno 1.955 ± 197 ng.g1fw.h 1 Cariofileno +++

Repelência ao psilídeo em laranjeira doce Objetivo: tornar a laranja repelente ao psilídeo, pelo aumento da emissão de cariofileno, um volátil repelente e produzido pelas folhas da goiabeira. Citros Goiaba Isolar e inserir genes para produção do cariofileno [7 configurações dos genes de interesse] cariofileno Perfil de voláteis Citros Repelente Etapas do processo: Caracterização molecular Análises químicas Comportamento do Inseto

Repelência ao psilídeo em laranjeira doce Laboratório Campo Pera Valencia Molecular/ Olfatometria Emissão Crescimento e Repelência Química Voláteis Frutificação (HLB e psilídeos) Combinação genes A 17 23 5 Combinação genes MA 27 34 1 11 Combinação genes TA 11 20 31 Combinação genes FA 27 18 45 8 Combinação genes MFA 21 23 44 4 Combinação genes FTA 28 14 42 1 1 Combinação genes HB 10 10 20 7 10 20 3 2 plantas 2 34 24 5 plantas 4 plantas

Repelência ao psilídeo em laranjeira doce Laboratório Campo Pera Valencia Molecular/ Olfatometria Emissão Crescimento e Repelência Química Voláteis Frutificação (HLB e psilídeos) Combinação genes A 17 23 5 Combinação genes MA 27 34 1 11 Combinação genes TA 11 20 31 Combinação genes FA 27 18 45 8 Combinação genes MFA 21 23 44 4 Combinação genes FTA 28 14 42 1 1 Combinação genes HB 10 10 20 7 10 20 3 2 plantas 2 34 24 5 plantas 4 plantas

Repelência ao psilídeo em laranjeira doce Emissão de até 3.000 % mais cariofileno

Repelência ao psilídeo em laranjeira doce Emissão 40 ± 4 ng.g 1 FW.h 1 1.21 ± 83 ng.g 1 FW.h 1 850 ± 59 ng.g1fw.h 1 1.037 ± 244 ng.g1fw.h 1 2 ± 3 ng.g1fw.h 1 947 ± 144 ng.g1fw.h 1

Repelência ao psilídeo em laranjeira doce Bordadura de Biossegurança Pera Valência VGM1 PGM2 VGM3 VGM4 Incidência de HLB e de psilídeos em experimento de campo (5 anos)

Borda de murta (citros) letal ao psilídeo Objetivo: produzir planta letal ao psilídeo de forma que sua atração natural possa ser usada como planta isca, e que mate o psilídeo durante a alimentação nesta planta. Resultado preliminar: redução de 40% na população de psilídeos no pomar de laranjeiras Pomar de Laranja Borda de Murta

Borda de murta (citros) letal ao psilídeo Desenvolvimento do protocolo de regeneração de murta in vitro; Transformação genética da murta com Agrobacterium ou Biobalística; Seleção de genes eficazes para silenciamento gênico no psilídeo pela técnica de RNAi; Alternativa: Bergera koenigii ou M. koenigii Curry

Sobrevivência D. citri (%) Borda de murta (citros) letal ao psilídeo: Seleção de genes eficazes para silenciamento gênico no psilídeo pela técnica de RNAi; 100 90 80 70 Alvo 1 Alvo 2 Seleção de genes para testar alvos de RNAi; 0 50 Alvo3 40 30 20 10 0 24h 48h 72h 9h 120h Tempo dsrna Controle Controle (Água) A. Ninfas (2º estádio) mortas B. Ninfas (4º estádio) vivas

Borda de murta (citros) letal ao psilídeo: Obtenção de plantas com expressão da característica letal ao psilídeo Laranja (validação): Geração de plantas GM Vetor CTV: CTV Vector X X Citrus Tristeza Virus (CTV)

Seleção de genes antiliberibacter Objetivo: testar resistência contra Ca. Liberibacter asiaticus A inversão da proporção das bactérias Las e Lam, com o predomínio de Las em detrimento de Lam e o estudo do genoma destas bactérias, permitiu abordar estratégias para o controle da bactéria através de plantas geneticamente modificadas (GM); Seleção de genes com características antimicrobianas; Etapa atual: geração de plantas GM (testes com HLB em dois anos)

Perspectivas biotecnológicas no controle do greening (HLB) Laranjeira repelente Borda letal atraente Estratégia Push & Pull (+ Kill) = Repele, Atrai & Mata Genes antiliberibacter Manejo = 10 mandamentos do greening.

Resistência ao Huanglongbing (greening) O sistema de manejo do HLB (sanidade de mudas, controle de psilídeos e erradicação de plantas sintomáticas) como descrito aqui é apenas uma solução de curto prazo para manter a indústria de citros viva e ganhar tempo para que soluções de longo prazo, provavelmente baseadas em citros geneticamente modificados, cheguem dentro de cinco a dez anos. Enquanto isso, pesquisas sobre controle de psilídeos e identificação de árvores infectadas, mas ainda sem sintomas, podem melhorar o controle. Dr. J. M. Bové

Ana Claudia Novaes Andre Sanches Diva C. Teixeira Eder A. Souza Elaine C. Martins Fabricio J. Jaciani Haroldo X. L. Volpe Jennifer Delfino Juliano Ayres Marcelo P. de Miranda Marcia R. Almeida Mateus A. Santos Priscila A. da Silva Rafael Garcia Renato Freitas Rejane Luvizotto Rodrigo F. Magnani Rosangela I. Kishi Tatiana Mulinari Victória Esperança Victória Almeida Ana Rodríguez Berta Alquézar Elsa Pons Josep Peris Leandro Peña Harro Bouwneester Fernando Cônsoli Francisco Aragão Glaucia Cabral Edson Rodrigues Filho Luis Alberto B. de Moraes Roberto P. Parra Maurício Bento Dr. Joseph M. Bové Andréia Henrique André Signoretti Newton Noronha Roberta Borges Viviani V. Marques

OBRIGADO nelson.wulff@fundecitrus.com.br www.fundecitrus.com.br