Florestas de Chocolate * por Durval Libânio Netto Mello A região cacaueira do Sul da Bahia é reconhecida internacionalmente pela produção de cacau e pela sua densa cobertura ;lorestal, formado por áreas de cacau - cabruca e de remanescentes do bioma mata atlântica. O Sistema cacau cabruca ou cabruca, presente há mais de 260 anos no Sul da Bahia, deriva de uma forma de plantio do cacau que utiliza as árvores da mata atlântica no sombreamento do mesmo e com isso conserva uma série de espécies raras, endêmicas e em extinção do bioma. Sistema Cacau Cabruca, no destaque uma árvore de jequitibá (Cariniana legalis) em plena ;loração. Após um período de crise da lavoura muito intensa vivida a partir do ;inal da década de 80, o Sul da Bahia está redescobrindo suas vocações, formada por um rico capital humano e por paisagens belíssimas onde a mata atlântica e a cabruca associada a praias, estuários, rios, cachoeiras, grandes árvores e cidades históricas são o pano de fundo para uma vigorosa mudança.
Baia do Pontal região estuarina de Ilhéus ao fundo o Morro de Pernambuco A região percebe que a sua história, seu povo e suas belezas podem criar uma nova economia, pautada na integração da produção de cacau, do chocolate gourmet e do ecoturismo. Uma das ações mais importantes é o processo de reconhecimento da indicação de procedência Cacau Sul da Bahia, que traz muito fortemente o conceito de sua história e sustentabilidade. Por prever a proteção de um território e dos produtos e serviços associados ao mesmo, poderá ser uma importante ferramenta de marketing territorial, como outras regiões como Champagne na França e Vale dos Vinhedos no Sul do Brasil. Tanto o cacau e o chocolate, como também os serviços ambientais promovidos pela cabruca podem ser motivos de proteção, a conservação da biodiversidade da água e do solo. A indicação de procedência Sul da Bahia se baseia na fama do cacau Bahia Superior que no passado obtinha prêmios pela sua qualidade em bolsas internacionais e no reconhecimento de sua origem imortalizada pela obra de Jorge Amado. Atualmente o acúmulo e a logística criada para o pré- processamento, para a qualidade Bahia Superior, é utilizada na produção de amêndoas ;inas para o mercado nacional e internacional, sendo utilizado por chocolateiros franceses, belgas, argentinos e norte americanos. Chocolate francês feito com amêndoas da Variedade Maranhão (Maragnan) típica do Sul da Bahia No campo do chocolate a região já possui uma série de pequenas fábricas localizadas em fazendas produzindo chocolates gourmets de alta qualidade,
destacando- se a AMMA Chocolate, Sagarana, Bahia Superior, Bahia Cacau, Magia do Cacau, Chocolates Itacaré, Terra Vista e as inciativas de algumas Cooperativas como a COOFASULBA, COOPAG, Cooperativa Cabruca e APC Cooperativa. Destaca- se também a formação de um polo moveleiro sustentável, baseado na utilização de móveis de madeira morta, ;ibras naturais, móveis de demolição, árvores exóticas e o plantio de árvores associada a cultura do cacau. Árvore de Vinhático (Pathymenia foliolosa) tombada naturalmente Árvore de Pau Brasil (Caesalpinia echinata) crescendo em área de agricultor familiar em Itacaré Em relação a movelaria ;ina a região possui apenas um empreendimento de madeira morta, a Camacã Design, licenciado mais que já se destaca internacionalmente pela sua produção. No entanto o potencial da região é muito maior representado pelos 565.000 ha de cacau plantados em sistema Cabruca e outros sistemas agro;lorestais.
Base de mesa da Camacã Design feita de madeira morta ou desvitalizada Na área de ecoturismo além da atração de turistas de todo o mundo e de empreendimentos turísticos, que utilizam- se das belezas naturais e cênicas, destacam- se algumas inciativas de ecoturismo de base comunitária como a trilha Janela da Gindiba em Itacaré associada a uma chocolataria e uma tapiocaria, além de restaurantes rurais, outras trilhas e pousadas. Veri;ica- se ainda o potencial das unidades de conservação e RPPN s (Reservas Particulares do Patrimônio Natural) de se estruturarem para a visitação de acordo seus planos de manejo estabelecidos. Já existindo também uma rede de RPPN s com foco em Ecoturismo e algumas que já recebem turistas como a Mãe da Mata, Alto da Esperança, Serra do Teimoso e Serra Bonita. Por todo este potencial e por formar o maior bloco de ;lorestas contínuas do Nordeste brasileiro, pelo mosaico cabruca mata atlântica que historicamente foi mantido pela economia do cacau e que agora poderá se manter por uma nova economia pautada no cacau, chocolate, movelaria ;ina e ecoturismo é que se propõe a ideia e o conceito de Florestas de Chocolate. Inicialmente desenvolvido pela AGIIR Associação de Gestores de Ibirataia, Ipiaú e Região, o conceito Florestas de Chocolate, agora se propõe discutir em um Seminário para agregar outros conceitos e visões com o objetivo de integrar a cadeia produtiva do cacau e chocolate ao trade turístico da Costa do Cacau. * Durval Libânio Netto Mello é Coordenador do Projeto CACAU CABRUCA BAHIA: HISTÓRIA, ORIGEM E QUALIDADE DE UM PRODUTO LIGADO A MATA ATLÂNTICA. Professor do Instituto Federal Baiano Campus Uruçuca e Presidente do Instituto Cabruca.
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