EQ651 Operações Unitárias I

Documentos relacionados
LABORATÓRIO DE ENGENHARIA QUÍMICA

ASPECTOS TEÓRICOS DA SEDIMENTAÇÃO ASPECTOS TEÓRICOS DA SEDIMENTAÇÃO ASPECTOS TEÓRICOS DA SEDIMENTAÇÃO ASPECTOS TEÓRICOS DA SEDIMENTAÇÃO

SEDIMENTAÇÃO. Tipos de Decantação

12 e 13. Sedimentação e Filtração

Operações Unitárias: Sedimentação. Profª. Camila Ortiz Martinez UTFPR Campo Mourão

PROJETO DE SEDIMENTADOR CONTÍNUO A PARTIR DE ENSAIOS DE PROVETA COM SUSPENSÃO DE CARBONATO DE CÁLCIO UTILIZANDO O MÉTODO DE TALMADGE E FITCH

Operações Unitárias: Centrifugação. Profª. Camila Ortiz Martinez UTFPR Campo Mourão

PROJETO E CONSTRUÇÃO DE UM SEDIMENTADOR EM ESCALA DE LABORATÓRIO RESUMO

SEPARAÇÃO SÓLIDO LÍQUIDO NO BENEFICIAMENTO DE MINÉRIO DE FERRO.

Estabilização CENTRIFUGAÇÃO

PROCESSO SELETIVO DE MESTRADO PROVA DE CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 27/06/2019 ÁREA DE CONCENTRAÇÃO: TRATAMENTO DE MINÉRIOS CHAVE DE RESPOSTAS

Decantação. João Karlos Locastro contato:

Saneamento Ambiental I. Aula 15 Flotação e Filtração

Caracterização de suspensões floculentas com base em modelagem matemática da sedimentação em proveta

O USO DE ESPESSADORES DE LAMELAS NA RECUPERAÇÃO DE ÁGUA DE PROCESSO NA MINERAÇÃO

ESTUDO DA SEDIMENTAÇÃO PARA O TRATAMENTO DE ÁGUA DE PROCESSO DE INDÚSTRIA BENEFICIADORA DE ARROZ

Saneamento Ambiental I. Aula 14 Sedimentação e Decantação

INSTITUTO SUPERIOR TÉCNICO

Aula: Processo de Filtração

DIMENSIONAMENTO DE ADENSADORES POR GRAVIDADE

Coluna x célula mecânica. Geometria (relação altura: diâmetro efetivo). Água de lavagem. Ausência de agitação mecânica. Sistema de geração de bolhas.

Sumário. Introdução Conceitos Básicos de OPU Processos de Separação Secagem Evaporação Filtração

VERIFICAÇÃO DOS MÉTODOS DE DIMENSIONAMENTO DE ESPESSADORES

USO DO SEDIMENTADOR LAMELADO APLICADOS AO TRATAMENTO DE EFLUENTE DA INDÚSTRIA DE TINTAS RESUMO

ANALISE E PROJETO DE HIDROCICLONES PARA O PROCESSAMENTO DE LODO PROVIDO DA INDÚSTRIA TÊXTIL

Centrifugação. Profa. Marianne Ayumi Shirai. Centrifugação

Filtração. João Karlos Locastro contato:

AULA 5 Físico-Química Industrial. Operações Unitárias Na Indústria Farmacêutica

Decantação. Processo de separação sólido-líquido que tem como força propulsora a ação da gravidade

AVALIAÇÃO DA RAZÃO DE LÍQUIDO E DO DIÂMETRO DE CORTE DE UM HIDROCICLONE CONCENTRADOR DE BAIXO GASTO ENERGÉTICO

APLICAÇÃO DE TÉCNICAS CLÁSSICAS PARA POLPAS NÃO FLOCULADAS DE DIMENSIONAMENTO DE ESPESSADORES APLICADAS A SUSPENSÕES DE SALMOURA E LODO BIOLÓGICO

Operações Unitárias Experimental II Filtração. Professora: Simone de Fátima Medeiros

Soluções para otimização de espessadores

Profa. Dra. Milena Araújo Tonon Corrêa. Turma Farmácia- 4º Termo

UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO DECIV DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL

Aula 4: Decantação. Introdução. Decantação

Esgoto Doméstico: Sistemas de Tratamento

Prof. Benito Piropo Da-Rin

TRATAMENTO DE ÁGUAS RESIDUÁRIAS (LOB1225) G Aula 7 Tratamento preliminar de esgotos

Purificação do caldo: Aquecimento, decantação e filtração.

Definição Processo físico no qual as partículas são colocadas em contato umas com as outras, de modo a permitir o aumento do seu tamanho;

Frequentemente é necessário separar os componentes de uma mistura em frações individuais.

13 Sistemas de lodos ativados

Operações de separação mecânica Filtração

PROCESSO DE SEPARAÇÃO BIFÁSICO USANDO SEDIMENTADOR CONTINUO: MODELAGEM E SIMULAÇÃO

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO ENGENHARIA QUÍMICA LOQ 4017 OPERAÇÕES UNITÁRIAS EXPERIMENTAL II

5 CURVAS CARACTERÍSTICAS OU DE SUCÇÃO

Beneficiamento gravimétrico

Coeficiente do dia de maior consumo (K1)... 1,20 Coeficiente da hora de maior consumo (K2)... 1,50. n =... 1,522 K =... 0,690

CAIXA SEPARADORA ÁGUA/ÓLEO DIMENSIONAMENTO HIDRÁULICO Memória de Cálculo

Ciências do Ambiente

EQUIPAMENTOS EQUIPAMENTOS

EQUIPAMENTOS EQUIPAMENTOS EQUIPAMENTOS OPERAÇÕES UNITÁRIAS TECNOLOGIA DE PROCESSOS QUÍMICOS II MECÂNICA DOS FLUÍDOS TRANSMISSÃO DE CALOR

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO ENGENHARIA QUÍMICA LOQ4085 OPERAÇÕES UNITÁRIAS I

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO ENGENHARIA QUÍMICA LOQ4085 OPERAÇÕES UNITÁRIAS I

Modelos de Dispersão

Filtração. Operações Unitárias. Colégio Técnico de Lorena - COTEL. Prof. Lucrécio Fábio. Departamento de Engenharia Química

PARTÍCULAS SÓLIDAS PARA AS OPERAÇÕES ABAIXO, O CONHECIMENTO DAS PROPRIEDADES DAS PARTÍCULAS SÓLIDAS É FUNDAMENTAL:

ESTUDO DE UMA GEOMETRIA DE HIDROCICLONE FILTRANTE COM MÍNIMA RAZÃO DE LÍQUIDO

CENTRO UNIVERSITÁRIO DE FORMIGA UNIFOR-MG CURSO DE ENGENHARIA QUÍMICA LETÍCIA DE SOUSA SALLES

Estabilização. 1.Estabilidade coloidal 2.Clarificação natural. Trasfegas. 3 de Março de Fernanda Cosme 1

Viscosidade Viscosidade

16 Tratamento e disposição de lodos

Escoamentos em Superfícies Livres

Dimensionamento de Colunas

Operações Unitárias Experimental I PENEIRAMENTO

OPERAÇÕES UNITÁRIAS II AULA 9: EVAPORAÇÃO EM SIMPLES EFEITO. Profa. Dra. Milena Martelli Tosi

Rem: Revista Escola de Minas ISSN: Escola de Minas Brasil

UMIDADE E TEMPERATURA DO SOLO

DIMENSIONAMENTO DE TRATAMENTO PRELIMINAR COMPLETO. Vazão da captação, estação elevatória e adutora até a ETA (L/s)

ESCOLA POLITÉCNICA DA USP DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA HIDRÁULICA E SANITÁRIA PHD SANEAMENTO I. Floculação

Capítulo 08 - TRANSFERÊNCIA DE CALOR POR CONDUÇÃO EM REGIME TRANSIENTE

AVALIAÇÃO DE UM HIDROCICLONE DE GEOMETRIA RIETEMA OPERANDO COM DIFERENTES RAZÕES DE LÍQUIDO

PONTIFICIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE GOIÁS DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CURSOS DE ENGENHARIA CIVIL E AMBIENTAL HIDROLOGIA APLICADA.

1º TESTE DE TECNOLOGIA MECÂNICA I Licenciatura em Engenharia e Gestão Industrial I. INTRODUÇÃO AOS PROCESSOS DE FABRICO

Sistemas de Esgotamento Sanitário. Ernani de Souza Costa Setembro de 2016

CLARIFICAÇÃO DA ÁGUA DE LAVAGEM DE FILTROS DE SISTEMAS DE FILTRAÇÃO DIRETA ASCENDENTE E DESAGUAMENTO DO LODO POR CENTRIFUGAÇÃO

ESTUDO DA INFLUÊNCIA DO DIÂMETRO DE UNDERFLOW E DO COMPRIMENTO DE VORTEX FINDER NO HIDROCICLONE OTIMIZADO HCOT1

Transcrição:

EQ65 Operações Unitárias I Capítulo V Sedimentação

Sedimentação O processo de sedimentação mais comum consta da separação sólidofluido, sob ação da gravidade, em geral efetuada em tanques de secção cilíndrica ou retangular denominados de sedimentadores. A operação consiste em concentrar suspensões de sólidos em líquidos ou purificar o líquido. Pode ser realizada em batelada (um simples tanque) ou em equipamento contínuo. alimentação Extravasante (overflow) lodo ou lama (underflow) - slurry Filtração ou centrifugação 2

Finalidades A depender do objetivo, essa operação é denominada: Clarificação Espessamento obtenção de um extravasante limpo Ex: tratamento d'água e lodo com baixas concentrações envolvidas obtenção de uma suspensão mais concentrada Ex: indústrias químicas e as concentrações envolvidas são moderadas. 3

Imagens de um Sedimentador (http://www.enq.ufsc.br/disci/eqa533/topicos.html) 4

Unilever Arg. - Buenos Aires AR Camara de aeração - Sed. secundaria. (http://www.lockwood-ar.com.ar/equipamiento.htm) 5

Greater Nile Petroleum - Muglad Sudan Republic. Celda IAF PETROBRAS - Amazonas - BR Tratamento de salmora oleosa. (http://www.lockwood-ar.com.ar/equipamiento.htm) 6

Projeto do Sedimentador Cálculo da Área (ou capacidade) e Altura do Sedimentador Esses cálculos baseiam-se classicamente nos testes de proveta. Se a solução for bem comportada (partículas de tamanho uniforme) aparecem na proveta 4 regiões distintas. Região clarificada Região concentrada constante Região de concentração variável Região de sedimento Distância da interface à base da proveta Região 3 Região 2 Região 4 Pto crítico Região tempo sedimentação * Região 3 ausente em sedimentador contínuo 7

Variáveis no Sedimentador Valores típicos das variáveis no sedimentador: Conc. sólidos na alimentação: a 0% em peso Conc. sólidos no lodo: 5 a 70% em peso Raio do sedimentador: até 00m Altura do sedimentador: até 0m Número de rotações do raspador: 2 a 30rot/h Dimensão partículas sólidas: > 50 µm 8

Cálculo da Área do Sedimentador F vazão de alimentação, [L 3 /θ] L vazão de suspensão descendente, em um nível qualquer do sedimentador, [L 3 /θ] V vazão de líquido ascendente, em um nível qualquer do sedimentador, [L 3 /θ] U vazão de lama que deixa o sedimentador, [L 3 /θ] c concentração de sólidos, [L 3 sólido/l 3 suspensão] c 0 na alimentação c e na lama espessa A área da seção transversal do sedimentador, [L 2 ] 9

Admite-se que o extravasante (overflow) não contenha sólidos. Balanço de massa de sólidos: F. c 0 L.c U. c e U L (c/c e ) () F.c 0 L.c U.c e 0

Balanço de líquido entre um nível qualquer e a saída do sedimentador: L(-c) V U(-c e ) L( L(-c) V + U(-c e ) (2) aplicando o balanço de massa de sólidos: c c) L..( ce ) V (3) c e V L.c. + L.c. (4) c ce c c e

2 e 0 0 c c. F.c V F.c.c L (5) (6) e 0 c c. A F.c A V v A V ( velocidade de ascensão do líquido ) e 0 c c v F.c A e 0 c c A F.c v (8) (7) ou

Para que o overflow seja límpido é necessário que a velocidade de ascensão do líquido, v, não exceda a velocidade de sedimentação do sólido. Os valores de A devem ser calculados para toda a gama de concentrações presentes e o projeto deve se basear no maior valor de A obtido. Classicamente, c x v é determinado através de teste de proveta em duas versões, ambas empregando a interface da região clarificada e a de concentração constante. 3

Sedimentação em Proveta 4

Zona D: partículas mais pesadas: sedimentação mais rápida Zona C: distribuição variável de tamanho e concentração não uniforme Zona B: concentração uniforme proporcional a concentração inicial (divisão nítida, quando as partículas são uniformes) Zona A: Líquido límpido. Após o ponto de sedimentação crítico: o processo é de uma compressão lenta dos sólidos com a expulsão do líquido retido para a região límpida. * Num equipamento contínuo, as mesmas zonas estão presentes 5

Métodos O dimensionamento pode ser feito por vários métodos: a) COE e CLEVENGER b) KYNCH c) TAHMADGE E FITCH d) ROBERTS a) Versão Coe e Clavenger Testes de provetas a diferentes concentrações iniciais, c, medindo-se a velocidade de sedimentação, v. 6

Altura da interface b)versão Kynch Um único teste com concentração inicial igual à alimentação do sedimentador, medindo-se θ, ze z i.. z o z i z θ tempo c v c 0 z z i.z i θ 0 z 7

Cálculo da Altura do Sedimentador A altura do sedimentador está intimamente relacionada com a capacidade de compactação. É feita uma estimativa da região de compactação do sedimentador contínuo. H H volume sólidos + volume líquidos A A [ Fc t Fc tx] onde o + o x volume líquido volume sólido médio (na região de compactação) t tempo de residência do sólido na região de compactação 8

Desse modo: Fc t H o + A Pode-se provar facilmente que: y + x + vol. líq. vol. sól. [ x] vol. sól. + vol. líq. vol. sól. vol. líq. vol. suspensão + x + vol. sól. vol. sól. vol. sól. vol. suspensão y onde y fração volume sólida 9

ρ y ρ y. ρ s + ρ f ρ f y y ( ρ s ρ f ) + ρ f susp. ρ s + ( y ). f ρ y susp ρ s ρ ρ f f Então: + x ρ ρ s susp ρ f ρ f H Fc 0 A t ρ ρ s susp ρ f ρ f 20

ρ susp é de difícil determinação Na realidade, H > H calc, pois H 4. 3 Fc A 0 fator de correção t ρ ρ s lodo ρf ρ f ρsusp ρ lodo compactado ρ susp. < ρ lodocomp. Resta obter o tempo de residência t, desde o início da compactação até que se atinja a concentração final. 2

Procedimento sugerido por Coulson & Richardson: (sedimento com a composição desejada) A altura total do sedimentador é normalmente tomada como sendo 2H. (Coulson e Richardson, Tecnologia Química - Operações Unitárias, 968 ) 22

Determinação do ponto crítico através do gráfico logz x logθ 23