Habitação mínima e qualidade de vida

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Transcrição:

Jornadas LNEC Engenharia para a Sociedade Investigação e Inovação Cidades e Desenvolvimento Lisboa, LNEC, 18 a 20 de junho de 2012 Habitação mínima e qualidade de vida J. Branco Pedro, J. Jorge Boueri, Leonor Vasconcelos, Mara Monteiro, Catarina Jerónimo, Rute Gomes e Rafael Scoaris Laboratório Nacional de Engenharia Civil Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo Faculdade de Arquitetura da Universidade Técnica de Lisboa Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo

Parte I Introdução

Enquadramento Vivemos numa situação paradoxal: Por um lado, ambicionamos habitações com espaços amplos que proporcionem «desafogo» e «bem estar». Por outro lado, é reconhecido que para promover a sustentabilidade, as habitações não devem ser maiores que o estritamente necessário.

Objetivo Neste contexto, tem vindo a ser desenvolvida no LNEC uma linha de investigação sobre a dimensão adequada de uma habitação, nas suas vertentes: espaciais e funcionais, tecnológicas e económicas, sociais e culturais.

Parte II Resultados obtidos

1. Exigências de espaço aplicáveis à habitação As exigências de espaço estabelecidas na regulamentação portuguesa datam de 1975 (Decreto-Lei 650/75) Não estão definidas exigências de área especificas para obras de alteração ou reconstrução de habitações existentes.

1. Exigências de espaço aplicáveis à habitação As exigências de espaço estabelecidas na regulamentação portuguesa datam de 1975 (Decreto-Lei 650/75) Não estão definidas exigências de área especificas para obras de alteração ou reconstrução de habitações existentes.

1. Exigências de espaço aplicáveis à habitação Foi conduzido um estudo que visou definir as exigências de área útil mínima do fogo, adequadas à situação portuguesa atual.

1. Exigências de espaço aplicáveis à habitação Concluiu-se que: Devia existir um aumento entre 5 a 15% da área útil do fogo estabelecida para os novos edifícios na regulamentação em vigor. No caso de intervenções em habitações existentes, a regulamentação devia estabelecer uma área útil mínima do fogo que pode ser inferior entre 15 e 20% ao atualmente definido para a nova habitação. Área útil Moradores

1. Exigências de espaço aplicáveis à habitação Concluiu-se que: Devia existir um aumento entre 5 a 15% da área útil do fogo estabelecida para os novos edifícios na regulamentação em vigor. No caso de intervenções em habitações existentes, a regulamentação devia estabelecer uma área útil mínima do fogo que pode ser inferior entre 15 e 20% ao atualmente definido para a nova habitação. Área útil Moradores

2. Dimensões do mobiliário e equipamento utilizado na habitação As dimensões e forma dos espaços/compartimentos devem ser determinadas tendo em consideração, entre outros fatores, o mobiliário e o equipamento necessários ao desenvolvimento das funções domésticas.

2. Dimensões do mobiliário e equipamento utilizado na habitação As dimensões do mobiliário e do equipamento são portanto informação técnica essencial para a conceção e a análise de projetos de edifícios habitacionais.

2. Dimensões do mobiliário e equipamento utilizado na habitação Foram analisadas as dimensões de uma amostra de mais de 6000 modelos de mobiliário e equipamento comercializado em Portugal em 2005 e 2006. Como resultado foram estabelecidas as dimensões físicas e de uso de 256 elementos frequentemente utilizados na habitação.

2. Mobiliário e equipamento utilizado na habitação Foram analisadas as dimensões de uma amostra de mais de 6000 modelos de mobiliário e equipamento comercializado em Portugal em 2005 e 2006. Como resultado foram estabelecidas as dimensões físicas e de uso de 256 elementos frequentemente utilizados na habitação.

3. Comparação das exigências de espaço aplicáveis à habitação Com vista a situar as exigências de espaço definidas em Portugal no panorama internacional, foi comparada a HIS em Portugal e no Brasil.

3. Comparação de exigências de espaço aplicáveis à habitação Portugal: Programa HCC Concluiu-se que a área bruta de uma habitação no Brasil é aproximadamente metade da área bruta estabelecida para uma habitação com o mesmo número de quartos em Portugal. Brasil: Programa MCMV

3. Mobiliário e equipamento utilizado na habitação Esta diferença é justificada algumas especificidades da situação brasileira: a existência de um elevado deficit habitacional; as deficiente condições de salubridade em que vive a população mais carenciada. o reduzido rendimento da população carenciada; a vontade política de construir rapidamente um grande volume de fogos; a opção política de vender habitação fortemente subsidiada;

Parte III Linhas de investigação futura

Linhas de investigação futura 1. Exigências de espaço aplicáveis na habitação: Estudar as repercussões de aumentos nas exigências de espaço sobre o custo de construção. Determinar as exigências de espaço na habitação de pessoas com mobilidade condicionada.

Linhas de investigação futura 2. Mobiliário e equipamento utilizado na habitação: Investigar soluções de mobiliário e equipamento que potenciem a flexibilidade e o aproveitamento máximo de espaço doméstico.

Linhas de investigação futura 3. Comparação das exigências de espaço aplicáveis à habitação: Comparar as exigências de espaço aplicáveis à habitação em Portugal com as exigências aplicáveis em outros países.

Linhas de investigação futura 3. Comparação das exigências de espaço aplicáveis à habitação: Comparar as exigências de espaço aplicáveis à habitação em Portugal com as exigências aplicáveis em outros países.

Linhas de investigação futura 3. Comparação das exigências de espaço aplicáveis à habitação: Comparar as exigências de espaço aplicáveis à habitação em Portugal com as exigências aplicáveis em outros países.

Linhas de investigação futura 3. Comparação das exigências de espaço aplicáveis à habitação: Comparar as exigências de espaço aplicáveis à habitação em Portugal com as exigências aplicáveis em outros países.

Jornadas LNEC Engenharia para a Sociedade Investigação e Inovação Cidades e Desenvolvimento Lisboa, LNEC, 18 a 20 de junho de 2012 Muito obrigado pela atenção J. Branco Pedro, J. Jorge Boueri, Leonor Vasconcelos, Mara Monteiro, Catarina Jerónimo, Rute Gomes e Rafael Scoaris Laboratório Nacional de Engenharia Civil Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo Faculdade de Arquitetura da Universidade Técnica de Lisboa Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo