CONCEITOS E DEFINIÇÕES
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- Fernanda Pacheco Godoi
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1 CONCEITOS E DEFINIÇÕES Patologia da Construção Anomalia Degradação Inoperacionalidade Envelhecimento Tempo de vida útil Sintoma Diagnóstico Reabilitação Estudo das anomalias das construções, dos seus elementos ou dos seus materiais Redução do desempenho previsto Alteração progressiva do estado das construções que pode conduzir à ocorrência de anomalias Estado das construções que deixam de satisfazer às exigências de desempenho Redução do desempenho que ocorre gradualmente no tempo, em condições normais de utilização Período de vida durante o qual as construções mantêm desempenho compatível com as exigências estabelecidas, sem necessidade de intervenções para além da sua manutenção Forma de manifestação de degradação ou anomalias Processo de identificação duma anomalia com base nos respectivos sintomas Intervenção destinada a proporcionar desempenho compatível com as exigências ou condicionalismos actuais Requalificação Avaliação ou intervenção destinadas a proporcionarem desempenho adequado, em consequência de redefinição de funções, de exigências funcionais, de utilização ou de ocupação Beneficiação (Reforço) Reparação Demolição Reconstrução Manutenção (Conservação) Limpeza Reabilitação destinada a proporcionar desempenho superior ao inicial Intervenção destinada a corrigir anomalias Destruição planeada das construções ou parte delas Acção de reedificar construções ou parte delas, que se encontrem destruídas ou em risco de destruição Intervenção periódica destinada à prevenção ou à correcção de pequenas degradações das construções para que estas atinjam o seu tempo de vida útil, sem perda de desempenho. Intervenção destinada a remover a sujidade ou materiais indesejáveis depositados na superfície das construções 1
2 ILUSTRAÇÃO DOS CONCEITOS DE CONSERVAÇÃO E REABILITAÇÃO P 0 P 1 P 2 (a) (b) - padrão de qualidade correspondente à inoperacionalidade (limiar de demolição) - padrão de qualidade inicial - padrão de qualidade superior ao inicial - manutenção dos padrões de qualidade no tempo - evolução dos padrões de qualidade no tempo C B R CONSERVAÇÃO BENEFICIAÇÃO RECUPERAÇÃO REABILITAÇÃO 2
3 ENQUADRAMENTO LEGAL E REGULAMENTAR Regime jurídico geral RJUE (Regime Jurídico da Urbanização e da Edificação) Sec. IV Utilização e conservação do edificado Artº 89º - Dever de conservação 1. Periodicidade mínima de 8 anos 2. Obras coercivas de conservação ordenada pela CM 3. Demolição total ou parcial coerciva ordenada pela CM 4. Notificação ao proprietário Artº 90º - Vistoria prévia 1. Vistoria por três técnicos nomeados pela CM 2. Notificação da vistoria ao proprietário 3. Direito do proprietário em nomear um perito 4.,5. Auto de Vistoria 6. Impugnação da deliberação pelo proprietário 7. Caso de risco iminente de desmoronamento ou grave perigo para a saúde pública Artº 91º - Obras coercivas 1. Posse administrativa pela Cmpara execução imediata de obras 2. Aplicação com adaptações dos artºs 107º (posse administrativa e execução coerciva) e 108º (despesas com a execução coerciva) Regulamentação geral RGEU Artº 1º A execução de novas edificações ou quaisquer obras de construção civil, a reconstrução, ampliação, alteração, reparação ou demolição das edificações e obras existentes subordinar-se-ão às disposições do presente regulamento Isolamento térmico e economia de energia RCCTE Artº2 Âmbito de aplicação 1. O presente Regulamento aplica-se a todas as zonas independentes dos edifícios sujeitos a 3
4 licenciamento no território nacional, com excepção das situações previstas nos n. os 6 e 7 deste artigo. 5. Ficam ainda sujeitas a este Regulamento as remodelações ou alterações em edifícios que representem mais de metade do valor destes e que careçam de licenciamento municipal ou estejam nas condições previstas no número anterior. 7. Excluem-se ainda do âmbito deste Regulamento as remodelações de edifícios em zonas históricas e de edifícios classificados, sempre que se verifiquem incompatibilidades com as exigências deste Regulamento. Segurança contra incêndio RSIEH (Edifícios de habitação) Artº 1º - Objecto e campo de aplicação 1. O presente Regulamento tem por objecto definir as condições a que devem satisfazer os edifícios destinados a habitação, com vista a limitar o risco de ocorrência e de desenvolvimento de incêndio, a facilitar a evacuação dos ocupantes e a favorecer a intervenção dos bombeiros. 4. O presente Regulamento aplica-se, com as necessárias adaptações, aos edifícios existentes sempre que estes sofram remodelações profundas de que resulte a ultrapassagem dos limiares de 9 m ou de 28 m na altura do edifício. Projecto de Regulamento Geral das Edificações Urbanas RGE (2004) Artº 1º - Âmbito de aplicação Execução de novas obras, de obras de intervenção em edificações existentes e de obras que impliquem alteração da topografia local Excepção: Obras de intervenção em edificações classificadas ou localizadas em áreas históricas, salvaguardadas as exigências de segurança e salubridade estipuladas neste regulamento e em regulamentação específica Art.º 2º - Intervenções em edificações Classificação das intervenções em níveis: I: Q 5% III: 25% < Q 50% II: 5% < Q 25% IV: Q >50% Sendo: Q = (C i /C n ) 100 4
5 em que: C i custo da intervenção * C n custo da construção do edifício com a mesma área bruta do edifício original (calculado com base nos preços unitários definidos em tabelas oficiais) * acrescido dos custos acumulados das intervenções realizadas nos 5 anos anteriores ou desde a última intervenção Artigos do RGE que se referem a intervenções por níveis Artº 21º - Espaços interiores das edificações Artº 26º - Espaços para estacionamento de viaturas Artº 49º - Intervenções em edificações / Segurança estrutural Artº 54º - Exigências gerais de salubridade Artº 63º - Conforto termo-higrométrico Artº 64º - Conforto visual Artº 67º - Disposições gerais de qualidade e economia da construção Artº 68º - Qualidade do projecto Artº 69º- Qualidade da execução Artº 98º - Instalações de água quente sanitária Artº 117º- Vida útil Artº 118º -Concepção com durabilidade 5
6 DISPOSIÇÕES AMERICANAS SOBRE REABILITAÇÃO DE EDIFÍCIOS Regra dos 25 50% PADRÃO DE QUALIDADE REGULAMENTAR (para construção nova) 25 50% As partes alteradas devem obedecer à regulamentação em vigor > 50% Todo o edifício deve obedecer à regulamentação em vigor < 25% A alteração deve repor a construção pelo menos na sua condição original As percentagens traduzem a relação entre o custo da reabilitação e o valor actual da construção antes essa operação 6
7 CAUSAS DAS ANOMALIAS EM EDIFÍCIOS Defeitos de projecto 40 45% Defeitos de execução 25% Defeitos de materiais 15 20% Defeitos de utilização 10% Outros 5% CUSTOS DA NÃO-QUALIDADE Custo médio da correcção de anomalias 5 Custo adicional para a execução correcta à primeira vez Custos da não qualidade = 10% dos Custos totais da construção O modo mais eficaz e económico de fazer qualquer coisa é fazê-la bem à primeira. Harold Werner- 7
8 CLASSIFICAÇÃO DAS OBRAS DE CONSERVAÇÃO E REABILITAÇÃO Critérios de Classificação 1. Profundidade das intervenções Intervenções profundas Intervenções ligeiras 2. Partes do edifício objecto de intervenção (diferenciadas segundo soluções construtivas e materiais constituintes Fundações Paredes e respectivos revestimentos Pavimentos e respectivos revestimentos Coberturas e respectivos revestimentos Componentes (caixilharia, portas, etc.) Instalações Equipamentos fixos 3. Exigências de desempenho Segurança estrutural (reabilitação estrutural) Segurança contra incêndio Segurança na utilização Salubridade (higiene e saúde) Protecção do ambiente Protecção contra o ruído (reabilitação acústica) Isolamento térmico e economia de energia (reabilitação térmica e energética) 8
9 4. Tipo de intervenção correctiva Anomalias estruturais - Aumento das dimensões das secções - Adição de elementos de outra natureza - Melhoria das propriedades dos materiais - Substituição de elementos defeituosos - Alteração da distribuição de esforços Anomalias não-estruturais (elementos construtivos) - Ocultação das anomalias - Eliminação das anomalias - Eliminação das causas das anomalias - Protecção contra os agentes agressivos - Substituição de elementos e materiais defeituosos - Reforço das características funcionais Anomalias não-estruturais (instalações) - Eliminação das anomalias - Eliminação das causas das anomalias - Protecção contra os agentes agressivos - Substituição de elementos e materiais defeituosos - Reforço das características funcionais 9
10 FICHA DE REPARAÇÃO DE ANOMALIAS (LNEC) Esquema-tipo FICHA DE REPARAÇÃO DE ANOMALIA ELEMENTO DE CONSTRUÇÃO ANOMALIA Ficha Sintomas Fenómenos observados 2. Exame Inspecção visual Medições e ensaios expeditos Cálculo de características 3. Diagnóstico das causas Causas presumíveis da anomalia 4. Reparação Solução ou soluções correctivas, com discriminação das respectivas operações FICHA -TIPO 1. Introdução 2. Terminologia e definições 3. Sintomas 4. Causas 5. Meios de diagnóstico 6. Técnicas de Reparação 7. Estratégias de intervenção 8. Bibliografia 10
11 ESTADO DE CONSERVAÇÃO DO PARQUE HABITACIONAL PORTUGUÊS DISTRIBUIÇÃO PERCENTUAL DOS EDIFÍCIOS POR ÉPOCA DE CONSTRUÇÃO Ref.ª: CENSOS 2001 Época de Construção Época < % 8,0 10,9 11,3 12,5 17,5 20,5 19,2 CARACTERIZAÇÃO QUANTO À IDADE Edifícios antigos (até 1955) ~ 25% Paredes de alvenaria resistente e ~15% pavimentos de madeira (até 1935) Paredes de alvenaria resistente e ~10% pavimentos de betão ( ) Edifícios recentes (após 1955) ~75% Estrutura de betão preponderante Edifícios com idade até 5 anos 10% Edifícios com idade até 10 anos 20% Edifícios com idade até 20 anos 40% Edifícios com idade até 30 anos 57% Edifícios com idade até 40 anos 70% Edifícios com idade até 45 anos 75% 11
12 ESTRUTURA DA PRODUÇÃO DA CONSTRUÇÃO POR SECTORES A NÍVEL EUROPEU E NACIONAL VALORES PERCENTUAIS (1997) Tipos de Obras Países Habitação Não- Engenharia Conservação e nova residencial Civil Reabilitação EU valores extremos 5,2 35,8 14,9 25,3 5,7 30,5 23,1 45,9 EU - média 22,6 20,9 23,2 33,3 Portugal 30,3 26,8 38,9 4,0 12
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