O digital no serviço da fé

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Transcrição:

L. M. FIGUEIREDO RODRIGUES O digital no serviço da fé Formar para uma oportunidade

Índice Abreviaturas 11 Prefácio de João Manuel Duque 13 Introdução 15 PARTE I Leitura Teológica 27 1. Dinâmicas da traditio fidei 27 1.1. Credo Deo, Credo in Deum 29 1.2. Dimensão comunitária 32 1.3. Dimensão pessoal 38 1.4. Testemunho 43 1.5. Tradição Dinâmica: relação entre comunidade e sujeito 48 2. Transmissão e educação da fé 55 2.1. Pedagogia divina 56 2.2. O processo da fé hoje: a experiência cristã 65 2.3. Iniciar à fé 72 PARTE II Leitura Cultural 88 3. Sociedade em rede 88 3.1. Informacionalismo 88 3.2. Rede 90 3.3. A cultura digital 96 3.4. Ferramentas e recursos 109 4. A mediologia 114 4.1. Comunicar e transmitir 120 4.2. O médium e a mensagem 132 4.3. Do médium à mediação: a mediasfera 136 4.4. A eficácia do símbolo 140 5. Conectivismo 144 5.1. Teoria de aprendizagem 147 5.2. Liberalização do conhecimento 150

8 O digital no serviço da fé 5.3. Contextos de aprendizagem 153 5.4. Conhecimento como processo 159 5.5. Princípios do Conectivismo 161 PARTE III Evangelização 164 6. Os média digitais ao serviço da evangelização 164 6.1. Religião online 169 6.2. Antropologia 172 6.3. Inculturação cristã 179 7. Formar para a transmissão da fé 187 7.1 Rede aberta, sujeito e comunidade 187 7.2. A textualidade da rede 191 7.3. Identidade narrativa 194 7.4. Testemunhar: o emissor e o recetor na rede 199 7.5. Texto infinito: novas textualidades de referência 205 8. Análise do lugar da Web na formação dos catequistas 211 8.1. Protocolo de investigação 213 8.2. Análise dos Questionários 229 8.3. Análise das presenças na Web 250 8.4. Interpretação sistémica 263 Conclusões 284 Bibliografia 305 1. Do Magistério 305 1.1. Concílios 305 1.2. Papas 305 1.3. Cúria Romana 307 1.4. Conferências Episcopais 308 2. Em livros 309 3. Obras coletivas 321 4. Em publicações periódicas 333 5. Webgrafia 346

Índice 9 Tabelas Tabela 1 Diferença entre Iniciação, Educação e Ensino 75 Tabela 2 Faculdades do ser humano 79 Tabela 3 Relação entre Comunicação e Transmissão 131 Tabela 4 Médium o viático de um símbolo 143 Tabela 5 Síntese das fases da evolução das presenças 226 Tabela 6 Frequência das presenças na Web, dos secretariados 229 Tabela 7 Presença dos secretariados na Web 230 Tabela 8 Perceção da importância da Internet 231 Tabela 9 Características sociodemográficas (N=1660) 233 Tabela 10 Distribuição diocesana da amostra 234 Tabela 11 Âmbitos onde se faz catequese 235 Tabela 12 De onde acede à Internet 236 Tabela 13 Dispositivos de acesso à Internet 236 Tabela 14 Frequência de conexão 237 Tabela 15 Tempo de conexão 237 Tabela 16 Competências em TIC 238 Tabela 17 Atividades realizadas na Internet 239 Tabela 18 Como adquirem conhecimentos 240 Tabela 19 Como se lida com a dúvida 241 Tabela 20 Literacia mediática dos catequistas 241 Tabela 21 Formação em TIC 242 Tabela 22 Relação entre literacia mediática e formação em TIC 243 Tabela 23 Presença na Internet 244 Tabela 24 Redes Sociais 244 Tabela 25 Atualização da presença na Internet 245 Tabela 26 Hábitos de partilha 245 Tabela 27 A Internet na preparação do encontro de catequese 246 Tabela 28 Perceção da importância da Web 2.0 para a catequese 247 Tabela 29 Frequência com que se recorre à Internet 248 Tabela 30 A utilização dos recursos Web 2.0 248 Tabela 31 Endereços das presenças institucionais 251 Tabela 32 Índice de AccessMonitor das presenças institucionais 253

10 O digital no serviço da fé Tabela 33 Alpha de Cronbach Q27 273 Tabela 34 Percentagem das respostas ao questionário sobre o modelo preditivo (%) 278 Tabela 35 Percentagem de reprovação e aprovação do modelo preditivo (%) 279 Figuras Figura 1 Número total de websites (Fonte: Netcraft) 15 Figura 2 Ciclo do Fluxo do Conhecimento 151 Figura 3 Conectivismo: processo de criação de uma rede 158 Figura 4 Indicadores de qualidade de um sítio educativo 227 Figura 5 Pirâmide demográfica 232 Figura 6 Presenças mais referenciadas 249 Figura 7 ABC da Catequese 256 Figura 8 Material de Catequese 258 Figura 9 Catequese de Rendufinho 259 Figura 10 Relação entre idade e frequência de acesso à Internet 267 Figura 11 Distribuição etária da amostra 267 Figura 12 Importância da Web 2.0 por nível de escolaridade 268

Prefácio Prefácio Segundo a perspetiva cristã, ao conceito de «fé» pertence, intrinsecamente, o processo da sua transmissão. A fé não é simplesmente uma atitude subjetiva, eventualmente relacionada com as convicções pessoais e com o seu significado para a salvação individual (tradicionalmente denominada fides qua creditur); nem simplesmente um conjunto de afirmações sobre Deus e sobre o sentido do mundo, que devem ser aceites como verdadeiras (denominada fides quae creditur). Sendo tudo isso, na atitude subjetiva e no conteúdo a crer está incluída constituindo mesmo o seu núcleo fundamental a responsabilidade pelos outros humanos, nomeadamente a responsabilidade pela fé dos outros humanos. Assim, a colaboração na gestação e no crescimento da fé do outro humano é vocação inerente à vida crente, e a ninguém é alheia. Ora, os cristãos são humanos que acreditam no Deus dado e revelado em Jesus Cristo. Enquanto humanos, partilham as características de todos os humanos, nomeadamente o facto de a sua identidade se construir sempre num contexto de pertença, que genericamente costumamos denominar «cultura». A cultura acontece em processos muito complexos, manifestando-se desde dimensões fortemente globais até aspetos particulares muito variados. É no interior desses processos globais e locais que cada sujeito vai sendo aquilo que é. É assim também com cada cristão, nomeadamente quanto à sua vida de fé, que não é separada do resto da vida. Nesse sentido, a atitude crente e mesmo a formulação dos conteúdos a acreditar não pode ser pensada nem compreendida independentemente dos processos culturais, na sua variedade diacrónica e sincrónica. Contemporaneamente, o peso da dimensão global desses processos culturais é reconhecidamente muito forte. Sem que se tenham diluído por completo as diferenças locais, que originam inevitavelmente diversas compreensões do mundo, é evidente que a sua força identificante é muito menor, frente aos recursos globais que cada vez mais determinam o horizonte cultural. Ao mesmo tempo, é sabido que essa tendência globalizante da cultura contemporânea está intrinsecamente ligada aos mecanismos tecnológicos que lhe dão suporte. É nesse contexto que, cada vez mais, se vai identificando a cultura global atual com a denominada cibercultura. Estamos perante uma modalidade de cultura que possui nos processos cibernéticos o seu centro, não apenas do

14 O digital no serviço da fé ponto de vista instrumental, mas em todas as dimensões, também na dimensão simbólica, que é a mais significativa na elaboração das identidades pessoais. Seguindo a lógica do que foi dito anteriormente, a fé cristã não pode ser vivida sem levar em consideração a pertença do crente a esta modalidade cultural predominante não por uma questão de moda, mas porque é aí que se moldam as identidades. O que se aplica, também, à dimensão da transmissão ou acompanhamento da fé do outro. Assim, a cibercultura poderá ser concebida como o contexto mais vasto, em que predominantemente se realizam os processos de transmissão da fé. Mesmo que esses processos não recorram, muitas vezes, aos meios tecnológicos cibernéticos, não deixam de estar marcados por um ambiente cultural por eles influenciado. Se mantivermos, no que se refere às formas organizadas dessa transmissão, como referência ainda significativa as diversas modalidades de catequese, então a questão teológica e a questão sociocultural concentram-se numa questão pedagógica própria: o que significa, para os processos catequéticos, o seu enquadramento na cultura medial da sociedade em rede? E que implicações terá isso no perfil e na formação do catequista, formal e informalmente? Partindo deste desafio, e trabalhando de forma desenvolvida o seu enquadramento teológico e cultural, este trabalho de Luís Miguel Figueiredo Rodrigues conduz a reflexão teológico-pastoral para paisagens ainda pouco exploradas. Mas são campos fundamentais, se queremos colocar a teologia ao serviço da fé realmente vivida ou seja, ao serviço de humanos incarnados no seu tempo. Ao mesmo tempo, a abordagem aqui apresentada não é ingénua, mas suficientemente crítica, como é próprio de uma teologia saudável autocrítica, antes de tudo, mas também atenta aos problemas antropológicos inerentes ao universo cibercultural. Penso que, com este trabalho, estão traçados os principais marcos orientadores, que permitirão à investigação pastoral aprofundar o conhecimento da realidade e, ao mesmo tempo, propor caminhos criativos, numa situação em permanente e rápida mudança, como é a nossa. João Manuel Duque