Lição 5. Formação dos Contratos



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Transcrição:

Lição 5. Formação dos Contratos Seção II Da Formação dos Contratos Art. 427. A proposta de contrato obriga o proponente, se o contrário não resultar dos termos dela, da natureza do negócio, ou das circunstâncias do caso. Art. 428. Deixa de ser obrigatória a proposta: I - se, feita sem prazo a pessoa presente, não foi imediatamente aceita. Considera-se também presente a pessoa que contrata por telefone ou por meio de comunicação semelhante; II - se, feita sem prazo a pessoa ausente, tiver decorrido tempo suficiente para chegar a resposta ao conhecimento do proponente; III - se, feita a pessoa ausente, não tiver sido expedida a resposta dentro do prazo dado; IV - se, antes dela, ou simultaneamente, chegar ao conhecimento da outra parte a retratação do proponente. Art. 429. A oferta ao público equivale a proposta quando encerra os requisitos essenciais ao contrato, salvo se o contrário resultar das circunstâncias ou dos usos. Parágrafo único. Pode revogar-se a oferta pela mesma via de sua divulgação, desde que ressalvada esta faculdade na oferta realizada. Art. 430. Se a aceitação, por circunstância imprevista, chegar tarde ao conhecimento do proponente, este comunicá-lo-á imediatamente ao aceitante, sob pena de responder por perdas e danos.

Art. 431. A aceitação fora do prazo, com adições, restrições, ou modificações, importará nova proposta. Art. 432. Se o negócio for daqueles em que não seja costume a aceitação expressa, ou o proponente a tiver dispensado, reputar-se-á concluído o contrato, não chegando a tempo a recusa. Art. 433. Considera-se inexistente a aceitação, se antes dela ou com ela chegar ao proponente a retratação do aceitante. Art. 434. Os contratos entre ausentes tornam-se perfeitos desde que a aceitação é expedida, exceto: I - no caso do artigo antecedente; II - se o proponente se houver comprometido a esperar resposta; III - se ela não chegar no prazo convencionado. Art. 435. Reputar-se-á celebrado o contrato no lugar em que foi proposto. Em regra, a causa do contrato, ou seja, o motivo que leva a pessoa a celebrar o contrato é irrelevante, a não ser que o motivo do contrato esteja nele expresso. Lembrar do que dispõe o CC/02 a respeito da reserva mental: a manifestação de vontade prevalece, mesmo que o autor tenha, internamente, desejado algo diferente (a não ser que o destinatário saiba dessa reserva mental): Art. 110. A manifestação de vontade subsiste ainda que o seu autor haja feito a reserva mental de não querer o que manifestou, salvo se dela o destinatário tinha conhecimento.

Contrato sério é o contrato real. Existe a figura do contrato não sério: duas pessoas, por exemplo, numa encenação (teatral, mesmo... não com o intuito de fraude) declaram vontades, celebrando um contrato. Mas pode acontecer de alguém, não seriamente, manifestar uma vontade de contratar algo, sem que outra pessoa saiba que não é sério. Se essa outra pessoa realiza despesas, imaginando realizar o contrato que pensou que a outra pessoa realmente queria, esta terá obrigação de indenizar. Não confundir isso com o contrato com falsa causa: este é um contrato sério, mas sua motivação é falsa (ex.: simular uma doação, sendo que na realidade era uma compra e venda, com intenção de evitar pagar tributos). TRATATIVAS Em geral, antes de um contrato ser celebrado, ocorrem as tratativas, que são as negociações preliminares. Se as tratativas não forem além da superficialidade, não há consequências para as partes (ou seja, tratativas superficiais não são vinculativas). Mas pode ocorrer de as negociações causarem certo comprometimento das partes (tomam providências para celebrar o contrato; efetuam despesas, etc). Quando for possível se comprovar que as tratativas evoluíram a tal ponto, e uma das partes desiste de contratar, a outra parte pode ter direito a indenização. Observação: a licitação, em regra, não obriga a administração a contratar, mas se o licitante vencedor tiver incorrido em gastos decorrentes do contrato que celebraria com a administração, eventualmente poderá ser indenizado.

Portanto, não só o contrato gera obrigação, mas também as tratativas, caso estas levem a maiores comprometimentos. PROPOSTA Em geral, o contrato surge de uma proposta, que obriga o proponente, salvo se o contrário decorrer das circunstâncias, natureza ou dos termos da própria proposta. No Brasil vige o sistema que fixa que o contrato se aperfeiçoa no momento em que a resposta à proposta feita é expedida, conforme o art. 434 do CC/02. A leitura do art. 435 do CC/02, c/c art. 9º, 2º, da LICC seria incompatível com o art. 434 do CC/02? Não, pois residir, no sentido da LICC, deve ser tomado no sentido etimológico (estar). PRÉ-CONTRATO Figura também importante é a do pré-contrato ou contrato preliminar, que tem relevância jurídica e gera obrigação. Serve para que as partes se vinculem na celebração de um contrato principal posteriormente (a não ser que do preliminar conste cláusula de arrependimento). É muito comum nas negociações de imóveis: as partes celebram um compromisso (ou promessa) de compra e venda; a compra e venda propriamente dita ocorre posteriormente.

O contrato preliminar deve conter todos os elementos do contrato definitivo, exceto a forma. Se o contrato preliminar for descumprido, o juiz faz as vezes da manifestação de vontade quanto ao contrato principal (ou seja, o preliminar passa a ser definitivo). Seção VIII Do Contrato Preliminar Art. 462. O contrato preliminar, exceto quanto à forma, deve conter todos os requisitos essenciais ao contrato a ser celebrado. Art. 463. Concluído o contrato preliminar, com observância do disposto no artigo antecedente, e desde que dele não conste cláusula de arrependimento, qualquer das partes terá o direito de exigir a celebração do definitivo, assinando prazo à outra para que o efetive. Parágrafo único. O contrato preliminar deverá ser levado ao registro competente. Art. 464. Esgotado o prazo, poderá o juiz, a pedido do interessado, suprir a vontade da parte inadimplente, conferindo caráter definitivo ao contrato preliminar, salvo se a isto se opuser a natureza da obrigação. Art. 465. Se o estipulante não der execução ao contrato preliminar, poderá a outra parte considerá-lo desfeito, e pedir perdas e danos. Art. 466. Se a promessa de contrato for unilateral, o credor, sob pena de ficar a mesma sem efeito, deverá manifestar-se no prazo nela previsto, ou, inexistindo este, no que lhe for razoavelmente assinado pelo devedor.

CONTRATO COM PESSOA A DECLARAR É comum que uma pessoa queira celebrar um contrato mas manter sigilo a respeito, evitando com que aquele com quem ela contratará, ou terceiros, saibam de sua intenção antes que o contrato seja concluído (evitando, por exemplo, especulações que possam aumentar o preço, caso ela deseje comprar algo). Essa possibilidade é prevista pelo CC/02: Seção IX Do Contrato com Pessoa a Declarar Art. 467. No momento da conclusão do contrato, pode uma das partes reservar-se a faculdade de indicar a pessoa que deve adquirir os direitos e assumir as obrigações dele decorrentes. Art. 468. Essa indicação deve ser comunicada à outra parte no prazo de cinco dias da conclusão do contrato, se outro não tiver sido estipulado. Parágrafo único. A aceitação da pessoa nomeada não será eficaz se não se revestir da mesma forma que as partes usaram para o contrato. Art. 469. A pessoa, nomeada de conformidade com os artigos antecedentes, adquire os direitos e assume as obrigações decorrentes do contrato, a partir do momento em que este foi celebrado. Art. 470. O contrato será eficaz somente entre os contratantes originários: I - se não houver indicação de pessoa, ou se o nomeado se recusar a aceitá-la; II - se a pessoa nomeada era insolvente, e a outra pessoa o desconhecia no momento da indicação.

Art. 471. Se a pessoa a nomear era incapaz ou insolvente no momento da nomeação, o contrato produzirá seus efeitos entre os contratantes originários.