4 Bancada Experimental e Aquisição de Dados

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Transcrição:

4 Bancada Experimental e Aquisição de Dados Com o objetivo de avaliar e complementar a análise das equações matemáticas desenvolvidas no capítulo 2, faz-se necessário realizar práticas experimentais. Com os dados experimentais comprovar-se-á se os fundamentos teóricos e numéricos empregados descrevem a dinâmica do sistema real. Para o trabalho experimental, utiliza-se uma bancada equipada com diferentes dispositivos e instrumentos necessários para medições e aquisição de dados. A bancada é composta de elementos mecânicos, elétricos e eletrônicos e está montada no Laboratório de Dinâmica e Vibrações da PUC-Rio. Nesta parte do trabalho, além de apresentar a descrição da bancada e instrumentos, mostram-se as curvas características do motor elétrico assim como as curvas de calibração dos sensores. 4.1. Características Construtivas da Bancada A Fig. 24 apresenta uma foto da vista geral da bancada, que consta de um rotor em balanço num eixo, o estator (anel) e os diferentes equipamentos para aquisição de dados. Nesta foto, destacam-se: a montagem do motor elétrico; os sensores de deslocamento e os dispositivos eletrônicos. A bancada é constituída pelos seguintes componentes: Eixo de aço inoxidável retificado, comprimento 1000mm e diâmetro 8mm. Disco de aço 1020, diâmetro 100mm e espessura 40mm. O disco está localizado a 620mm do acoplamento entre o eixo do motor e o eixo do rotor. Anel de aço 1020, diâmetro interno 101.8mm, e diâmetro externo 113.8mm. Uma estrutura base que suporta o estator. Motor elétrico com inversor de freqüência. Sensores e dispositivos elétricos.

Bancada Experimental e Aquisição de Dados 50 Figura 24 Vista geral da bancada e equipamentos O estator está fixo numa estrutura de base, como se mostra na Fig. 25, através de quatro parafusos dispostos simetricamente. O acoplamento motor eixo é feito através de uma pequena mangueira flexível, este acoplamento é simples e tem a vantagem de absorver os desalinhamentos da montagem. Um motor elétrico AC controlado por um inversor de freqüência aciona o conjunto eixo-rotor. Figura 25 Fixação do estator à estrutura e sensores de deslocamento

Bancada Experimental e Aquisição de Dados 51 O esquema final com o qual foram feitas as medições está mostrado na Fig. 26. Figura 26 Disposição final do sistema eixo-rotor-estator 4.2. Equipamento Para Aquisição de Dados Foram usados diversos equipamentos e instrumentos para uma adequada captação dos dados. Alguns dos dispositivos precisaram ser calibrados na própria bancada para se obter uma relação adequada das grandezas necessárias. 4.2.1. Motor Elétrico com Inversor de Freqüência Para acionar o conjunto eixo-rotor, é necessária uma fonte de energia. Esta fonte de energia é elétrica que, através de um motor elétrico, gera um torque sobre o rotor do motor. Este motor elétrico é comandado por um inversor de freqüência,

Bancada Experimental e Aquisição de Dados 52 cuja faixa de operação vai de 0 até 60Hz. O motor é de 4 pólos e sua velocidade máxima de rotação é de 1800 rpm. As características gerais do motor elétrico são: Motor de indução bifásico de 4 pólos. Carcaça fechada com ventilação externa. Potência: 1/6CV (0.12 kw) Tensão e corrente nominal: 220V e 1.1A, respectivamente. Rotação variável comandada por um inversor de freqüência. Pelo fato do motor ser de 4 pólos, a freqüência apresentada no inversor e a freqüência de rotação real do motor estão na relação de 2:1, por exemplo: se o inversor mostra uma freqüência de 20Hz, a rotação real do eixo do motor elétrico é de 10Hz. Curva Característica do Motor Elétrico: O torque do motor elétrico é função da velocidade de giro do motor. Uma maneira de encontrar o torque é através de uma formulação matemática, usando as equações da eletricidade e da mecânica em conjunto. O estudo analítico para o motor elétrico empregado é um pouco complicado, já que, ele é comandado por um inversor de freqüência, cuja dinâmica é complexa. Uma outra maneira de obter a curva característica do motor é mediante experimentação, e foi desta forma que se encontraram as curvas do torque para diferentes velocidades de giro do motor. Considerou-se o motor já unido ao sistema eixo-rotor medindo-se a velocidade para torques de frenagem aplicados nesta. No apêndice A mostra-se o desenho esquemático onde realizou-se o ensaio de fricção mecânica. Os dados experimentais para obter as curvas características do motor estão na tabela 3, estes dados foram obtidos do ensaio de fricção mecânica, Crandall [23]. Na Fig. 27 mostram-se três curvas do torque do motor para diferentes freqüências do inversor; uma para 2x12.0Hz, outra para 2x9.0Hz e outra obtida como a média das duas curvas anteriores. Nas equações de movimento desenvolvidas no capítulo 2, representou-se com T m ao torque de acionamento do sistema eixo-rotor. Para as simulações numéricas, o T m será a curva média (encontrada acima) multiplicada por uma

Bancada Experimental e Aquisição de Dados 53 constante adequada C. Esta constante C é proporcional à freqüência imposta no inversor, e irá mudando conforme se mude a freqüência do inversor. Para encontrar as curvas características do motor empregaram-se polinômios de terceira ordem. Estes polinômios foram obtidos através do método dos mínimos quadrados. É possível usar polinômios de ordem maior, que ajustem melhor os dados colhidos, mas, estes polinômios geram erros muito grandes quando são usados na solução numérica das equações de movimento, já que, os erros cometidos nas operações de potenciação são maiores à medida que a ordem do polinômio aumenta. Freqüência do inversor = 2x12.0Hz Freqüência do inversor = 2x9.0Hz Vel., Hz Vel., rad/s Torque, N-mm Vel., Hz Vel., rad/s Torque, N-mm 0.00 0.00 360.37 0.00 0.00 229.31 0.20 1.26 346.75 0.50 3.14 225.51 0.50 3.14 313.29 0.60 3.77 211.89 1.50 9.42 283.77 1.00 6.28 213.91 3.08 19.35 264.66 1.30 8.17 217.06 5.00 31.42 248.98 2.50 15.71 204.51 6.20 38.96 229.86 4.00 25.13 201.36 6.50 40.84 229.31 4.30 27.02 185.40 7.50 47.12 210.19 4.40 27.65 191.28 7.90 49.64 210.31 5.00 31.42 177.53 8.00 50.27 196.57 5.20 32.67 182.25 8.10 50.89 193.36 5.60 35.19 165.86 8.75 54.98 167.05 5.90 37.07 160.58 8.80 55.29 172.75 6.10 38.33 150.18 9.25 58.12 153.30 6.40 40.21 162.71 9.33 58.62 157.34 7.00 43.98 131.06 9.50 59.69 143.60 7.10 44.61 147.03 9.65 60.63 133.76 7.50 47.12 127.91 9.67 60.76 131.06 8.30 52.15 94.45 10.50 65.97 100.30 8.50 53.41 80.83 10.60 66.60 84.63 8.70 54.66 60.22 11.00 69.12 69.22 8.80 55.29 46.47 11.10 69.74 52.27 8.90 55.92 29.52 11.25 70.69 39.73 9.00 56.55 0.00 11.50 72.26 19.11 12.00 75.40 0.00 Tabela 3 Dados do ensaio de fricção mecânica

Bancada Experimental e Aquisição de Dados 54 Figura 27 Curva do motor elétrico com inversor: +++ experimental, --- curva ajustada, (FI=Freqüência do inversor) Figura 28 Curvas do motor elétrico com inversor para diferentes freqüências do inversor: FI=2x10,2x20,..., 2x80 rad/s (FI=Freqüência do inversor)

Bancada Experimental e Aquisição de Dados 55 A Fig. 28 mostra várias curvas do torque do motor para diferentes freqüências do inversor (diferentes velocidades de rotação, constantes, do eixo do motor elétrico). As curvas foram obtidas a partir da equação da curva média (cuja freqüência do inversor é 2x10.5Hz=2x66.0rad/s): 3 2 ( ) ( ) ( ) Tm C 0.002441 Ω 0.177 Ω 5.608 Ω = + + 290.65 C C C N-mm (4.1) Na Eq. (4.1), C é uma constante e Ω a velocidade de rotação do rotor em rad/s. Por exemplo, para uma freqüência do inversor de 2x80rad/s, o valor da constante será: C = 80. Os valores da constante C, para diferentes freqüências do 66 inversor, estão mostrados na Fig. 28. Para o torque de acionamento usado, Eq. (4.1), a Fig. 28 mostra que a velocidade máxima que o rotor pode alcançar depende do numerador da constante C. Por exemplo, para C = 150 a velocidade de rotação máxima é 150rad/s 66 (23.8Hz), e, nesta situação o torque T m faz-se nulo. Se o torque é nulo, indica que o rotor movimenta-se com velocidade de rotação constante e máxima, no entanto, se o torque for diferente de zero, o rotor encontra-se acelerando até chegar à sua velocidade máxima. Na prática sempre haverá um torque resistivo e o sistema entrará em um regime de equilíbrio quando ambos se igualarem. 4.2.2. Sensores de Deslocamento e Velocidade Nos ensaios experimentais foram medidos o deslocamento, no plano horizontal, do centro do rotor e sua velocidade de rotação. Para este fim, foram utilizados quatro sensores de deslocamento, dois para cada eixo, e um sensor de rotação. Sensores de Deslocamento: O sensor usado é do tipo indutivo, este sensor fornece uma voltagem de saída, segundo o sensor se aproxima ou se afasta de uma superfície metálica. Na montagem dos sensores tomou-se cuidado especial para que a voltagem fornecida

Bancada Experimental e Aquisição de Dados 56 fique na faixa linear. Os sensores de deslocamento foram montados em pares para cada eixo (x e y), de tal forma que a diferença de voltagem de dois sensores opostos seja zero quando o rotor e estator são concêntricos. Para fazer a diferença de voltagem, foi usado um circuito eletrônico com amplificadores operacionais, como se mostra na Fig. 29. Nesta figura, V i1 e dois sensores opostos, e, a diferença entre elas é representado por V i2 são as saídas de voltagem de V out. Figura 29 Amplificador diferencial e circuito associado O amplificador é alimentado com ± 15V e as resistências elétricas são de 50k Ohms. Este valor escolhido para a resistência elétrica garante que não haja problemas de ruído nem de corrente muito alta no circuito. Para valores de resistência muito alta (R>1M Ohms) existem problemas de ruído na aquisição de dados, e, se for muito baixo (R<10k Ohms) a corrente no circuito é muito alta. Para determinar a posição do centro do rotor em unidades de comprimento, é necessário ter uma curva que possa converter as grandezas de voltagem em grandezas de comprimento: a esta curva a chamamos curva de calibração. O sensor de deslocamento fornece voltagem como sinal de saída, e, para se ter grandezas de comprimento, foram feitas duas curvas de calibração, uma para cada eixo. As Figs. 30 e 31 mostram as curvas de calibração que foram obtidos a partir dos dados da tabela 4.

Bancada Experimental e Aquisição de Dados 57 Eixo x Eixo y V mm V mm 3.192-0.900 1.275-0.900 2.274-0.555 1.121-0.775 1.922-0.465 0.869-0.695 1.391-0.345 0.273-0.515 1.106-0.275-0.168-0.395 0.358-0.115-0.582-0.275-0.071-0.025-0.951-0.175-0.229 0.000-1.541-0.025-0.519 0.055-1.663 0.000-0.990 0.165-1.931 0.075-1.634 0.305-2.940 0.325-1.810 0.345-3.855 0.575-2.824 0.565-4.129 0.675-3.786 0.805-4.350 0.735-3.810 0.900-4.687 0.900 Tabela 4 Dados para a calibração dos sensores de deslocamento Curva Experimental Ajuste Linear Folga Radial d, mm. 1.0 0.8 0.6 0.4 0.2 0.0-5 -4-3 -2-1 -0.2 0 1 2 3 4-0.4-0.6-0.8-1.0 V = -0.2311d - 0.053 Voltagem V, Volts Figura 30 Curva de calibração dos sensores: eixo x

Bancada Experimental e Aquisição de Dados 58 Curva Experimenta Ajuste Jinear Folga Radial d, mm. 1.0 0.8 0.6 0.4 0.2 0.0-5 -4-3 -2-1 -0.2 0 1 2-0.4-0.6-0.8-1.0 V = -0.2774d - 0.4614 Voltagem V, Volts Figura 31 Curva de calibração dos sensores: eixo y As curvas de calibração encontradas mostram claramente que os sensores trabalham na faixa linear. As características principais dos sensores de deslocamento são: Marca: Balluf Modelo BAW 018-PF-1-K Principio de Medição: Corrente indutiva Sensor de Rotação: Na Fig. 26 se vê a localização do sensor de rotação e um elemento metálico (imã). O imã está colado sobre um disco não metálico que gira solidário com o eixo. O circuito eletrônico do sensor de rotação emite um pulso elétrico cada vez que o imã passa pelo sensor. Estes pulsos são obtidos no domínio do tempo e se faz uma Transformada de Fourier para obter a freqüência de rotação. 4.2.3. Sistema de Aquisição de Dados Para a aquisição de sinais foi utilizado um analisador de Fourier HP 3566A. O analisador consiste de um computador pessoal, um software aplicativo e um sistema de medição. O sistema permite a medição de até oito canais com uma taxa de aquisição máxima de até 12.8 khz.