MSc. Romeu Moreira dos Santos

Documentos relacionados
Discente: Priscila Diniz Lopes Docente: Hélio José Montassier Disciplina de Imunologia

Vacinas e Imunoterapia

Ditos sobre vacinas. Vacinas são boas ou Ruins?

Prevenção e controle das viroses. Silvia Cavalcanti Universidade Federal Fluminense Departamento de Microbiologia e Parasitologia 2016

IMUNOLOGIA. Prof. Fausto de Souza Aula 10: Imunização Passiva e Ativa Vacinas

Imunizações Prof. Orlando A. Pereira FCM - Unifenas

Imunologia. Propriedades das Respostas imunes e órgãos linfóides. Bibliografia Básica. Introdução. Tipos de imunidade. Histórico 12/03/2012

FARMACOPEIA MERCOSUL: VACINAS PARA USO HUMANO

Imunoterapia - tumores. Material de apoio: Anderson (2009)

(Reações de hipersensibilidade mediadas por células ou reações de hipersensibilidade tardia- DTH, Delayed-type hypersensitivity)

Imunidade aos microorganismos

Infecções congênitas. Prof. Regia Lira

ATUALIZAÇÃO EM SALA DE VACINA

TÓPICOS BÁSICOS DE IMUNOLOGIA

vacina tétano Sanofi-Aventis Farmacêutica Ltda. Suspensão Injetável

CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE PATOLOGIA DE ORGANISMOS AQUÁTICOS

Mecanismo de Resistência do Hospedeiro

PROPRIEDADES GERAIS DOS VIRUS. Charlotte Marianna Hársi

ANEXO I RESUMO DAS CARACTERÍSTICAS DO MEDICAMENTO 1/17

ANEXO I RESUMO DAS CARACTERÍSTICAS DO MEDICAMENTO

ZAFRA, 20 E 22 DE SETEMBRO DE 2007 D.S.VETERINÁRIA

vacina hepatite B (recombinante)

Heterologous antibodies to evaluate the kinetics of the humoral immune response in dogs experimentally infected with Toxoplasma gondii RH strain

Retrovírus Felinos. Fernando Finoketti

11. - NCEE UFRJ). S.P.L.,

Tetanogamma. (imunoglobulina humana antitétano) CSL Behring Comércio de Produtos Farmacêuticos Ltda. Solução injetável 250 UI/mL

Jean Berg Alves da Silva HIGIENE ANIMAL. Jean Berg Alves da Silva. Cronograma Referências Bibliográficas 09/03/2012

IMUNOLOGIA. Felipe Seixas

RESUMO DAS CARACTERÍSTICAS DO MEDICAMENTO

Tópicos de Imunologia Celular e Molecular (Parte 2)

Vacinas. Tecnologias de Informação e Comunicação na Educação. Professora Ana Paula Peconick Tutor Karlos Henrique Martins Kalks.

FORMA FARMACÊUTICA E APRESENTAÇÃO

ANEXO I RESUMO DAS CARACTERÍSTICAS DO MEDICAMENTO

RESUMO DAS CARACTERÍSTICAS DO MEDICAMENTO. 0,05% m/v

Dra. Tatiana C. Lawrence PEDIATRIA, ALERGIA E IMUNOLOGIA

PLANO DE ENSINO. OBJETIVOS ESPECÍFICOS DA DISCIPLINA Possibilitar a compreensão das respostas imunológicas do organismo humano.

Processo Inflamatório e Lesão Celular. Professor: Vinicius Coca

RESUMO DAS CARACTERÍSTICAS DO MEDICAMENTO

IDENTIFICAÇÃO DOS RISCOS BIOLÓGICOS DE ACORDO COM A NR 32

CONTROLE DE MICRORGANISMOS. Prof. João Batista de Almeida e Silva

Ontogenia do Linfócito T

Profilaxia Anti-rábica GVE Ribeirão Preto (parte 2) Ribeirão Preto, junho de 2013

Universidade Federal de Pelotas Medicina Veterinária Zoonoses. Diagnóstico laboratorial Brucelose TESTE DO 2-MERCAPTOETANOL

RESUMO DAS CARACTERÍSTICAS DO MEDICAMENTO

Mastite ou mamite é um processo inflamatório da glândula mamária causada pelos mais diversos agentes. Os mais comuns são as bactérias dos gêneros

ADACEL. Sanofi-Aventis Farmacêutica Ltda. Suspensão Injetável

IMUNIZAÇÃO NA CRIANÇA E NO ADOLESCENTE

RESUMO DAS CARACTERÍSTICAS DO MEDICAMENTO

Universidade Federal de Pelotas Medicina Veterinária Zoonoses. Diagnóstico laboratorial Brucelose TESTE DO ANEL DO LEITE (TAL)

PROCESSO SELETIVO 2017/1 Mestrado Ciência e Tecnologia de Alimentos Campus Rio Pomba

VACINAS UTILIZADAS NO MANEJO SANITÁRIO DE BOVINOS

CALENDÁRIO VACINAL Superintendência de Vigilância em Saúde Gerência de Imunizações e Rede de Frio

de laboratório em pesquisas Segurança dos animais Segurança do experimentador

USO RACIONAL DOS ANTIBIÓTICOS. Prof. Dra. Susana Moreno

Propriedades gerais dos vírus

BIOLOGIA BIO = VIDA LOGOS = ESTUDO

Biologia. Questão 1. Questão 2. Avaliação: Aluno: Data: Ano: Turma: Professor:

Doenças Infecciosas / Transmissíveis

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), nas últimas décadas. houve um crescimento da dengue em nível mundial de 30 vezes,

Nimenrix GlaxoSmithKline Brasil Ltda. Pó liofilizado 0,5mL

UDESC 2015/2 BIOLOGIA. Comentário

Múmia de Ramsés V com marcas sugestivas de varíola

Álcool Etílico 70º INPM Desinfetante e Anti-séptico Hospitalar

Programa de Retomada de Conteúdo - 1º ano 3º bimestre BIOLOGIA

MECANISMOS DE AGRESSÃO E DEFESA NAS PARASITOSES

RESUMO DAS CARACTERÍSTICAS DO MEDICAMENTO

Professor: David Vieira Valadão. Biologia

FLEBITE E N F ª L U A N A Z A G O T I M E D E T E R A P I A I N F U S I O N A L H C / U F T M

Células e propriedades gerais do sistema imune

Pestvirus. Msc. Anne Caroline Ramos dos Santos

BIOLOGIA LISTA DE EXERCÍCIOS DE BIOLOGIA DE VIRUS E BACTÉRIA

O MUNDO MICROSCÓPICO VÍRUS, BACTÉRIAS E PROTOZOÁRIOS. Professora: Edilene, Janaina e Ana Laura

MODULAÇÃO DA RESPOSTA IMUNE

Homo sapiens CLASSIFICAÇÃO BIOLÓGICA, VÍRUS E BACTÉRIAS 23/02/2016 IMPORTÂNCIA DA CLASSIFICAÇÃO. Unidade do sistema de classificação

ESCOLA SECUNDÁRIA DE CASQUILHOS BARREIRO

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS VETERINÁRIAS HEPATITES VIRAIS. Adriéli Wendlant

Prefeitura do Município de Bauru Secretaria Municipal de Saúde

[ERLICHIOSE CANINA]

ANEXO I RESUMO DAS CARACTERÍSTICAS DO MEDICAMENTO

ESCOLA SECUNDÁRIA DE CASQUILHOS BARREIRO

Vacinação e sistema imunológico. Maria Isabel de Moraes Pinto Disciplina de Infectologia Pediátrica Universidade Federal de São Paulo

Modelo de Bula Pneumo23 Página 1 de 7. vacina pneumocócica 23-valente (polissacarídica)

Processos de interação vírus célula. e replicação viral

Conceitos Gerais Relação Parasita Hospedeiro. Prof. Cor

EPIDEMIOLOGIA DAS INFECÇÕES VIRAIS L A B V I R - I C B S U F R G S 2015

IMUNOLOGIA DOS TUMORES Monitor: Osvaldo

Desafios no desenvolvimento de uma vacina contra dengue. Expedito Luna Instituto de Medicina Tropical Universidade de São Paulo

HOSPITAL UNIVERSITÁRIO LAURO WANDERLEY. Convocação dos empregados EBSERH para apresentação do Cartão de Vacina

Imunizações FUNSACO 2009

LISTAGEM VACINAS ANTIRÁBICAS AUTORIZADAS PARA CÃES, GATOS E FURÕES

Vírus. - Não possui estruturas celulares (membrana plasmática, citoplasma, etc.).

Transcrição:

MSc. Romeu Moreira dos Santos 2017 2015

INTRODUÇÃO Imunizar: tornar imune (o organismo) ou resistente a determinada doença infecciosa. Passiva (Transferência de Acs da Mãe p/ o feto / neonato ou Soroterapia) Proteção imediata Imunidade temporária (não é induzida memória nas RIs) Ativa (Após Doenças Infecciosas ou Após o Uso de Vacinas) Proteção não é conferida imediatamente Proteção prolongada (é induzida memória nas RIs) 2

Imunidade Passiva Imunidade Passiva Natural Transferência de Acs maternos:- Transferência placentária (difteria, tétano, estreptococos, rubéola, sarampo) / (seres humanos*) Colostro e leite materno (seres humanos e animais*) Imunidade Passiva Artificial:- Imunoterapia / Soroterapia - Transferência de ACs pré-formados Espécie homóloga ou heteróloga 3

4

Imunidade Passiva Artificial Produção de soros imunes / hiperimunes no Instituto Butantan Soros hiperimunes heterólogos Intoxicações causadas por venenos de animais, toxinas ou infecções por vírus 13 tipos de soros em um sistema produtivo que se tornou referência nacional e internacional 5

Vacinas e soros imunes produzidos pelo Instituto Butantan 6

Imunidade Passiva 7

Imunidade Passiva Artificial Problemas? Utilização das imunoglobulinas em espécies heterólogas Indução de Hipersensibilidade do tipo III (doença do soro) Interferência na proteção ativa contra o mesmo antígeno 8

Natural 9

Imunidade Ativa Artificial Vacinas Edward Jenner varíola (1796) Louis Pasteur Vacina (cólera) 1879 Revolta das vacinas 1904 - RJ 10

Imunidade Ativa Artificial Vacina ou exposição a infecção Vacina ideal: barata, estável, segura e adaptável. Não apresente efeitos colaterais Antígeno apresentado de forma eficiente Estimular tanto céls B quanto as céls T Estimular células de memória 11

Vacinas Vacina viva ou inativada Imunogenicidade elevada colaterais Diferentes resposta Vacinas viva x inativada x ausência de efeitos Vírus vivo: (+) respostas Th1 (celular) Vírus inativado: (+) respostas Th2 (humoral) 12

Vacinas Vacinas vivas: Virulência residual Contaminação por microrganismos indesejados Exigem + cuidados na preparação, armazenamento e manuseio custo da vacina 13

Vacinas Vacinas vivas: Vacina B19: B. abortus lisa Imunidade em vacas durante a vida toda e preveniam o aborto Reações sistêmicas: Edema local, febre, anorexia, apatia e queda na produção de leite Pode causar aborto em vacas prenhes, orquite e febre oscilante em humanos Não diferencia no teste sorológico: Animais Vacinados x Animais Infectados 14

Vacinas Vacinas vivas: Vacina RB51 (EUA): cepa rugosa da B. abortus Menos patogênica Diferencia no teste sorológico (não produz o antígeno O do lipopolissacarídeo) 15

Atenuação (Vac. Atenuadas) Grau de atenuação é um ponto crítico Cultivar o microrganismos em condições incomuns, para perder a adaptação ao seu hospedeiro comum, ex: carência nutricional Não garante a estabilidade genética Manipulação genética, ex: estreptomicina Cultivo em céls ou espécies às quais os agentes infecciosos não sejam adaptados 16

Atenuação (Vac. Atenuadas) Objetivo? Microrganismo perca sua capacidade de causar infecção, porém mantenha a sua capacidade para multiplicar de maneira Transitória no organismo hospedeiro 17

Vacinas Vacinas inativadas: Utilização de adjuvantes pode causar inflamação toxicidade sistêmica quantidades de antígenos ou doses múltiplas custo da vacina e 18

Inativação (Vac. Inativadas) Calor (Não é tão recomendado, pois tende a desnaturar Ags proteicos) ou substâncias químicas (são + usadas) Garantir que o Agente Infeccioso não se multiplique no hospedeiro Manter íntegro os epítopos dos antígenos Ex: formalina, beta-propiolactona, raios X, radiação gama e UV 19

Vacinas de subunidades antigênicas Constituídas por macromoléculas purificadas específicas derivados de patógenos Exotoxina ou toxoide, polissacarídeo capsular e antígenos proteicos recombinantes 20

Toxóide Bactérias Gram + produzem exotoxina Desnaturadas com formaldeído tornando-se atóxica Mas conserva-se a imunogenicidade TOXÓIDE Vacina induz a produção de anticorpos antitoxina, que fixa na toxina e neutraliza seus efeitos Produção controlada para evitar a modificação excessiva da estrutura do epítopo. 21

Peptídeos sintéticos Sequenciamento completo dos antígenos de interesse, seguido pela identificação de seus epítopos importantes Sintetizados quimicamente Ex: vacina contra a leishmaniose e babesiose bovina (experimental) Produzem certo grau de proteção imunológica 22

Vacinas de DNA Vacina é composta de DNA que codifica o antígeno O gene é inserido em um plasmídeo Incorporado pelas céls do hospedeiro, o DNA é transcrito em mrna e convertido em uma proteína endógena Não se replica nas céls 23

Vacinas de DNA 24

Vacinas com vetores recombinantes Genes que codificam antígenos de patógenos são inseridos em bactérias ou vírus atenuados (vetor) Multiplica no hospedeiro e expressa o produto gênico Ex: vírus da Febre amarela que expressa o antígeno do vírus do Nilo Ocidental Vírus da Cinomose (cães) 25

Vacinas com vetores recombinantes 26

27

Estratégias de sensibilização e reforço Empregar reforço com uma vacina igual ou diferente da primeira imunização Estratégia de sensibilização (prime) e reforço (boost) Melhora significativa da eficácia da vacina 28

Adjuvantes Aumenta a resposta imune humoral ou celular, ou ambas, contra o antígeno Permiti reduções na quantidade do antígeno ou no nº de doses Estabelece memória prolongada 29

Adjuvantes Adjuvantes de depósito Adjuvantes particulados Adjuvantes imunoestimulantes Aumento da apresentação dos antígenos Estímulos de TLRs Eliminação antigênica lenta Aumento da produção de citocinas pelas céls apresentadoras de Ags Aumento das respostas de céls T Aumento da Prod. De Acs IgA nas mucosas 30

O uso das vacinas Segurança Utilizar vacinas para controlar qualquer doença Grau de risco associado a doença x procedimentos de controle e tratamento Eficácia Imunidade protetora fraca ou ausente Resposta transitória e ineficaz 31

Administração Antissepsia local da aplicação e cuidados na aplicação Doses padrão Via intramuscular e subcutânea Aplicação da vacina na via de invasão do patógeno Manipulação individual Lote grande: vacinação em massa (Nasal e oral) 32

Vacinas multi-antigênicas Vários microrganismos em uma única vacina Proteger contra vários agentes com economia de esforços Competição entre os microrganismos Fabricante realiza testes 33

Cronograma de vacinação Série inicial Anticorpos maternos interferem na vacinação Progenitora é vacinada: anticorpos no colostro Imunidade ativa quando ocorre o esvanecimento da imunidade passiva Doenças sazonais: vacinação no momento estratégico, antes dos surtos 34

Cronograma de vacinação Revacinação e duração da imunidade Cronogramas de vacinação depende da duração da proteção efetiva Depende do teor do antígeno, do tipo do organismo e da via de administração Variabilidade entre indivíduos e entre os diferentes tipos de vacina Revacinação anual Níveis séricos de Acs baixos ou indetectáveis podem estar protegidos?! 35

Cronograma de vacinação 36

Cronograma de vacinação 37

Estratégia de vacinação Selecionar a população animal correta Proporção de vacinados e da eficácia da vacina Proteção profilática X resposta a um surto existente 38

Falhas na vacinação Administração incorreta Armazenamento inadequado, uso de antibióticos, agentes químicos na esterilização de seringas e antissepsia com álcool de forma exagerada Vias não convencionais de aplicação Distribuição desuniforme da vacinação em massa Infecção prévia: insucesso da vacina 39

Ausência de resposta Produção: destruiu epítopos Quantidade insuficiente de antígeno Processo biológico Influenciada fatores genéticos e ambientais Resposta imunológica normal está suprimida Elevada carga parasitaria ou desnutrição 40

Efeitos Indesejáveis das Vacinas Elas podem ser locais, sistêmicos ou anafiláticos. Reações locais Reações sistêmicas Reações Anafiláticas 41

Toxicidade Reação inflamatória no local de aplicação Dor, rubor e edema Sarcomas de aplicação (gatos) 42

Obrigado! romeumdsantos@hotmail.com REGULAÇÃO DA RESPOSTA IMUNE 43