Território e Transposição

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Transcrição:

Anna Juni Enk te Winkel Gustavo Delonero Portfolio Território e Transposição Rua Catequese, 77 Butantã SP 05502 020 contato@vao.arq.br

Território e Transposição Local Jaguaré, SP - Brasil Ano 2011 Área construída 10.000 m 2

Memorial Os sólidos são partículas que se formam em torno do fluxo. Com essa frase de Robert Smithson pretende-se colocar em questão a situação do território escolhido enquanto vazio e fronteira em contrapartida à cidade consolidada. Neste caso as linhas de transmissão, corredores vazios dentro de uma malha urbana edificada, demonstram a porosidade a ser ocupada; ocupação esta que não se dá apenas por meio de construções, mas também através de respiros que ofereçam uma vivência de espaço público com qualidade. Desta forma temos que pensá-los como construtores de cidade, não barreiras ou serviço apenas, mas rugosidades que venham a ativar áreas lindeiras ociosas. O projeto enquanto espaço público busca, através de suas conexões, proporcionar encontros de diferentes pessoas e interesses, ou seja, atender tanto àqueles que estão somente de passagem quanto àqueles que desejam usufruir do programa oferecido pela midiateca. É ao mesmo tempo um espaço motriz de interação entre públicos diferentes e uma nova possibilidade de travessia e abrigo, a fim de gerar um meio para alcançar resultados coletivos de diferentes experimentações, o espaço da diferença, daquilo que podemos prever e do que não podemos da convivência. Basicamente, a midiateca se organiza em duas estruturas longitudinais e paralelas: a grande lâmina suspensa na parte superior e o túnel na parte inferior. Os principais acessos dos diferentes níveis são criados a partir da geografia existente, como um desvio acidental em meio ao parque, fazendo com que o público seja recebido pela midiateca de uma maneira sútil e natural. A lâmina superior funciona como uma grande viga oca implantada sobre o assoalho natural. Este ponto de contato de 100m associado à solução técnica-construtiva em concreto armado permite que existam balanços de 25m em suas extremidades. Na parte inferior optou-se por um método construtivo apelidado de tatuzão, o mesmo utilizado para realizar as obras do metrô na cidade de São Paulo. Esse aparelho tem como característica a perfuração do solo ao mesmo tempo em que é realizada a concretagem do tubo, acelerando a obra por se tratar de um sistema único e mecanizado. Este túnel se caracteriza também por ser, junto à lâmina e ao conector vertical, um dos eixos principais de distribuição do programa na midiateca. Além de servir como uma infraestrutura urbana de circulação, o espaço tem flexibilidade e capacidade técnica para abrigar exposições e eventos temporários segundo às demandas do centro. Aquele que deseja adentrar a midiateca o faz pelo eixo central que conecta o túnel à lâmina superior por meio de mezaninos intermediários, que ora são mais generosos para propiciar estações de leitura e ora se estreitam somente para organizar o acervo, onde é possível encontrar tanto livros impressos quanto arquivos digitais em diversas mídias (músicas, vídeos, textos, imagens, etc.). Ao ascender por estes níveis é possível obter diferentes visuais do espaço que é banhado pela luz que adentra pela abertura zenital. No nível superior encontram-se áreas de convivência, mesas para estudo em grupo, computadores de livre acesso e um auditório com capacidade para 150 pessoas que, em dias de evento, pode abrir-se para o parque transformando-se em um grande palco aberto. Apesar de abrigar diversas atividades simultaneamente, a midiateca não está fragmentada em pequenas salas enclausuradas, ao contrário, as atividades estão dispostas em um percurso contínuo, tal qual as partículas em torno de um fluxo citadas por Smithson.

corte urbano

plantas da lâmina

corte longitudinal planta térreo