Relatório Preliminar O V Seminário Nacional do Crédito Fundiário, realizado no período de 11 a 14 de dezembro de 2012, em Pirenópolis-Go, teve por objetivos a avaliação de propostas e a construção de estratégias para implementar medidas de aprimoramento do Programa Nacional do Crédito Fundiário como instrumento de política pública, gerador da sustentabilidade da agricultura familiar, da sucessão e do combate à pobreza rural. O seminário foi realizado em um momento em que se discute um conjunto de medidas para aprimorar a execução e as condições de financiamento do programa. São medidas construídas a partir de um amplo processo de debates, que passou pela mobilização do MSTTR-AF e um Grupo de Trabalho, constituído por orientação da Presidenta Dilma Rousseff, com a participação do MDA, Ministério da Fazenda, CONTAG, FETRAF- BR, Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e a Pastoral da Juventude Rural (PJR). Nesta quinta edição, contamos com 230 participantes, representando as Unidades Técnicas Estaduais e governos estaduais, entidades representativas dos trabalhadores e trabalhadoras rurais e da agricultura familiar, agentes financeiros, entidades da rede de apoio prestadoras de serviços de ATER, Conselhos Estaduais de Desenvolvimento Rural Sustentável, Delegacias do MDA, Rede de Colegiados Territoriais, representantes de áreas do MDA (SERFAL, SDT e ASCOM) e dirigentes e técnicos da SRA e DCF. Contamos também com a presença de vários/as beneficiários/as do Programa, que compartilharam suas experiências e mudanças na qualidade de vida, após acessar o crédito fundiário. O Ministro do MDA, Pepe Vargas, a Secretaria Nacional de Juventude da Presidência da Republica, Severine Macedo e o líder da Frente Parlamentar da Agricultura Familiar, Dep. Federal Assis do Couto PT/PR, entre outras autoridades, também prestigiaram o evento. 1
Além do debate acerca das propostas para melhoramento das condições de financiamento, (veja Crédito Fundiário tem taxa de juros reduzida e novas condições para a juventude e a pobreza rural ), os participantes do seminário discutiram medidas para o aprimoramento da gestão e execução do programa e sua articulação com outros programas e políticas de apoio a agricultura familiar e o desenvolvimento rural. Na plenária de encerramento, após os debates ocorridos em plenário e durante os grupos de trabalhos, foram eleitos oito (08) temas para discussão, resolução e encaminhamentos, são eles: 1 - Meta de 10 mil novas famílias/beneficiários para 2013. Trocar a roda com o carro em movimento - Meta que reafirma o compromisso dos participantes em articular os esforços para garantir a sustentabilidade dos projetos financiados, com a ampliação do numero de famílias atendidas pelo programa. A definição da meta de 10 mil famílias levou em consideração as expectativas e um conjunto de critérios relativos a estrutura física, financeira e operacional de cada estado, níveis de inadimplência e média histórica de contratações, bem como desempenho da rede de ATER e Rede de Apoio. A proposta com as metas estaduais será submetida a análise e deliberação nas oficinas estaduais e nacional de elaboração dos Planos Operativos Anuais (POA). 2 - Universalizar a prestação dos serviços de ATER para os novos contratos e ampliar o atendimento aos contratos em andamento. O assessoramento técnico inicial, financiado com recursos do programa, será universalizado para todos os novos contratos e o período de atendimento ampliado para cinco (05) anos. Os contratos em andamento serão atendidos com recursos do PRONATER, sob a gestão da Secretaria de Agricultura Familiar (SAF), contratados por meio das chamadas gerais de sustentabilidade que podem atender famílias/beneficiários do programa, assim como a Chamada de Sustentabilidade direcionada ao Crédito Fundiário que beneficiará 22.600 famílias/beneficiários. Ambas selecionadas em 2012 e em fase de contratação para a prestação de serviços de ATER, por 03 anos. A ATER afirma-se como um elemento estruturante para consolidação das unidades produtivas do Crédito Fundiário, proporcionou a abertura de canais de comercialização 2
e acesso aos programas PAA, PNA, PRONAF, PROINF, Rede Brasil Rural, entre outros. Além de atuar no fortalecimento das organizações associativas, na geração de renda, na inclusão produtiva da juventude e das mulheres, integrando políticas públicas, respeitando os biomas e as culturas locais. Com o apoio dos CEDRS e do GT de ATER, criado no âmbito do Comitê do Fundo de Terras e Reforma Agrária, será possível construir novos instrumentos para a avaliação e o monitoramento dos serviços de ATER nos Estados, visando avaliar, monitorar e fiscalizar a qualidade do assessoramento prestado para os beneficiários/as do PNCF. 3 - Condicionar a aprovação de novos projetos a definição das estratégias para garantir o atendimento aos parâmetros de sustentabilidade. A plenária concordou com a necessidade de instituir parâmetros mínimos a serem observados no momento de elaboração e avaliação das propostas de financiamento. A ausência destas condições diminui, ou até compromete, as possibilidades de sucesso do projeto. São elas: a moradia; o abastecimento de água e energia; vias de acesso à propriedade; plano de ATER, comercialização e acesso aos mercados. São condições que, quando ausentes, devem ter o atendimento planejado no momento da elaboração da proposta. Por exemplo: na questão da moradia, deve ser previamente articulado o atendimento junto a entidade organizadora do programa Minha Casa Minha Vida ; para o abastecimento de água, articulado o atendimento pelo programa Água para todos ou a aquisição de infraestrutura com recursos do SIC/SIB; e assim com todos os demais parâmetros. Estes parâmetros não substituem os demais procedimentos previstos para a aprovação da proposta, como a análise de viabilidade agropecuária e socioeconômica, que permitam a sustentabilidade ambiental, social e econômica dos projetos. 4 Renegociar as dívidas e Reduzir a taxa de inadimplência a até 5 %. Os parceiros do PNCF saíram do seminário com o compromisso de concentrar os esforços no trabalho de mobilizar o orientar as famílias/beneficiários do programa para a adesão e renegociação das dividas, regularização do quadro social, individualização de contratos e revitalização de projetos. Pactuou-se a meta de 95% de contratos 3
renegociados, reduzindo a taxa de inadimplência para até 5%. Esta medida está articulada com a contratação de ATER e a realização de investimentos para a recuperação da capacidade de geração de renda dos projetos inadimplentes. 5 Instituir uma Matriz de Responsabilidades das organizações/atores envolvidos na execução, monitoramento e avaliação do programa. Também foi aprovada a sugestão de instituir uma Matriz de Responsabilidades, identificando e formalizando o papel de cada organização/ator envolvido na execução, monitoramento e avaliação do programa. A formalização deve se dar por meio da assinatura de instrumentos legais, como Termo de Cooperação, Convênio ou Contrato. A expectativa é que os papeis e responsabilidades tenham melhor definição e sirvam para aprimorar a gestão do programa, dando maior transparência e eficiência aos processos. Destacou-se o papel estratégico da REDE DE APOIO no controle social e monitoramento do Programa. 6 - Definir, junto aos governos estaduais, plano de ação para garantir a capacidade operacional das UTEs, com quadro de pessoal permanente e infraestrutura. A estruturação das Unidades Técnica Estaduais foi um tema bastante abordado durante os trabalhos em plenário e nos grupos. Em alguns estados, como é o caso da Bahia, Pernambuco e outros, o tema esta sendo enfrentado com a realização de concursos para a formação da equipe e a aquisição de equipamento e veículos, mas a regra geral ainda é de estruturas bastante deficitárias. Para enfrentar o problema será realizado um novo diagnóstico para subsidiar um processo de diálogo com os Governos Estadual e Federal, visando criar as condições ideais para a execução do programa. 7 - Definir fluxo diferenciado de tramitação de propostas para financiar a aquisição de pequenas propriedades. O seminário apontou sugestões para simplificar a elaboração de propostas e o fluxo de tramitação para financiamento de pequenas propriedades. A meta é simplificar, baratear e encurtar os tramites. Será organizada uma oficina técnica com a participação dos parceiros da região sul para a formulação das propostas; 4
8 - Instituir gatilho de inadimplência, a partir do qual as novas contratações ficam condicionadas a apresentação de plano de ação para enfrentar o problema. O sucesso do programa nacional de crédito fundiário esta associado à sustentabilidade ambiental, social e econômica dos projetos contratos. A taxa de inadimplência é um importante indicativo deste desempenho. A partir desta compreensão, os participantes da plenária entenderam a importância de instituir um gatilho para monitorar a taxa de inadimplência do programa em um estado. Sempre que atingida uma determinada taxa de inadimplência, as novas contratações serão suspensas para que os parceiros do programa identifiquem as causas e estabeleçam um plano de ação para aprimorar a execução do programa, evitando novos casos de insucesso e a recuperação dos projetos inadimplentes. Este relatório preliminar apresenta a sistematização dos oito (08) temas eleitos para debate na plenária de encerramento do V Seminário. As demais contribuições serão igualmente sistematizadas e trazidas no relatório final, quanto tentaremos registrar a riqueza de um evento deste porte. Brasília, 16 de janeiro de 2013 5