MODELO DA PEÇA: ENUNCIADO: Na cidade de Belo Horizonte, existe um grande bairro chamado Venda Nova. O bairro é afastado do centro urbano e mesmo não obtendo nenhum investimento por parte do governo municipal passou por grande desenvolvimento e crescimento. Os moradores do bairro de Venda Nova indignados com a falta de investimentos públicos, constituíram Associação com o propósito de apoiar a criação da cidade de Venda Nova, tornando-a independente de Belo Horizonte. Todavia, em razão da não regulamentação da lei complementar federal, a criação do Município de Venda Nova restou prejudicada. A APMV - Associação Pró Município de Venda Nova, associação criada pelos moradores do bairro de Venda Nova, constituída há 3 anos, cuja finalidade é o apoio ao desenvolvimento da futura cidade de Venda Nova MG, procura seus serviços advocatícios para que seja dado início aos demais procedimentos necessários à criação do Município de Venda Nova. Na qualidade de advogado da Associação elabore a peça cabível. EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR MINISTRO PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (espaço de cinco linhas) ASSOCIAÇÃO PRÓ MUNICÍPIO DE VENDA NOVA, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o n..., ato constitutivo em anexo, com endereço..., endereço eletrônico..., por meio de seu advogado que a esta subscreve, com endereço..., endereço eletrônico..., conforme procuração anexa, nos termos do artigo 287 do Código de Processo Civil, vem, respeitosamente, perante Vossa Excelência, com fulcro no artigo 5º, LXXI da Constituição Federal, artigo 2º, artigo 12, III da Lei 13.300/16 e artigo 319 do Código de Processo Civil, impetrar MANDADO DE INJUNÇÃO COLETIVO em face do Congresso Nacional, pessoa jurídica, inscrita no CNPJ sob o n..., com endereço..., endereço eletrônico..., NOME..., estado civil..., brasileiro, Presidente da República, inscrito no CPF sob o n..., RG sob o n..., com endereço... e endereço eletrônico..., pela não edição de norma regulamentadora inviabilizadora de direito constitucional, conforme demonstrado a seguir. I DOS FATOS
Os associados da Impetrante pretendem dar início aos procedimentos para que o bairro Venda Nova venha a se tornar um município independente, desmembrando-o do município de Belo Horizonte. Todavia, tal direito não pode ser exercido em razão de ausência de lei complementar federal, não editada pelo Congresso Nacional. II DO FORO COMPETENTE E DA LEGITIMIDADE A competência para julgamento e processamento da presente ação se dá pelo legitimado passivo em consonância com o artigo 102, I, q, da Constituição Federal que diz: cabe ao Supremo Tribunal Federal processar e julgar o Mandado de Injunção quando a norma regulamentadora for atribuição do Presidente da República e do Congresso Nacional. É o caso. Há uma omissão legislativa de competência de lei complementar federal nos termos do artigo 48, VI, da Constituição Federal de 1988. De tal modo, cabe ao Congresso Nacional, com sanção do Presidente da República, não exigida esta para o especificado nos arts. 49, 51, 52, dispor sobre todas as matérias de competência da União, especialmente sobre a incorporação, subdivisão ou desmembramento de áreas de territórios ou Estados, ouvidas as respectivas Assembleias Legislativas. No tocante à legitimidade ativa, a Impetrante é associação que atua em substituição processual de seus associados. A Impetrante obedece aos requisitos inseridos no artigo 12, III, da Lei 13.300 de 2016, pois está constituída e em funcionamento há três anos e possui finalidade ligada ao direito de seus associados conforme seu estatuto, sendo desnecessária autorização especial e, portanto, legitimada ativa. No tocante à legitimidade passiva, o artigo 3º, da lei 13.300 de 2016 impõe que pode ser impetrado o Poder, órgão ou a autoridade com atribuição para editar a norma regulamentadora, que no caso em tela é o Congresso Nacional e o Presidente da República, conforme atribuição legislativa prevista no artigo 48, VI, Constituição Federal de 1988. III DO CABIMENTO Conforme preleciona o artigo 5º, LXXI da Constituição Federal, conceder-se-á Mandado de Injunção sempre que a falta de norma regulamentadora inviabilize o exercício de um
direito, liberdade ou prerrogativa constitucionais inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania. Nesse mesmo sentido, o artigo 2º, da Lei 13.300 de 2016, preleciona que conceder-se à mandado de injunção sempre que a falta total ou parcial de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania. Cumpre ressaltar que já para o Mandado de Injunção Coletivo, o remédio constitucional é cabível, nos termos do artigo 12, III, da Constituição Federal, para assegurar o exercício de direitos, liberdades e prerrogativas em favor da totalidade ou de parte de seus membros ou associados. Logo, cabível a presente ação. IV DA FALTA DA NORMA REGULAMENTADORA No presente Mandado de Injunção Coletivo, temos que os associados da Impetrante estão impedidos de exercer o seu direito previsto no artigo 18, parágrafo 4º da Constituição Federal que prevê o desmembramento de município, em razão da não edição de lei complementar federal. É tão somente isto que esperam para que seja dado início os demais procedimentos consoantes do artigo 18, parágrafo 4º, da Constituição Federal para que o bairro Venda Nova venha a se tornar uma cidade autônoma. Tem-se que o direito pendente de regulamentação é norma de eficácia limitada, fato que impede a sua completa efetividade enquanto não sobrevier a norma integrativa. Cumpre ainda ressaltar que o artigo 12, parágrafo único da Lei 13.300 de 2016 prevê que os direitos, as liberdades e as prerrogativas protegido pelo Mandado de Injunção Coletivo são os pertencentes, indistintamente, a uma coletividade indeterminada de pessoas ou determinada por grupo, classe ou categoria. Logo, os cidadãos, associados da Impetrante pertencem a uma coletividade indeterminada e, portanto, gozam da proteção do direito constitucional que não podem exercer em razão da ausência de regulamentação.
V DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS Diante do exposto, requer deste Egrégio Tribunal, que se digne pela: a) Notificação dos impetrados, o Presidente do Congresso Nacional e o Presidente da República, bem como seus respectivos órgãos e pessoas jurídicas que estão vinculados, para prestarem informações no prazo legal, em 10 dias, enviando-lhes a cópia da segunda via da inicial, nos termos dos artigos 4º e 5º, I, da Lei 13.300/16; b) Ciência do ajuizamento da ação aos órgãos de representação judicial das pessoas jurídicas interessadas, com as cópias da petição inicial, para querendo, ingresse no feito, nos termos do artigo 5º, II da Lei 13.300 de 2016; c) Oitiva do Ministério Público, para apresentar o seu parecer, dentro de 10 dias, nos termos do artigo 7º, da Lei 13.300 de 2016; d) Procedência do Pedido para concessão do efeito concreto garantindo aos associados da Impetrante o exercício do direito previsto no artigo 18, parágrafo 4º da Constituição Federal, e) Reconhecimento da mora legislativa com a fixação de prazo razoável para que os impetrados promovam a edição da norma regulamentadora, nos termos do artigo 8º, I, da Lei 13.300 de 2016; f) Estabelecimento das condições em que se dará o exercício dos direitos, das liberdades ou das prerrogativas reclamados, ou se for o caso, as condições em que poderá o interessado promover ação própria visando a exercê-los, caso não seja suprida a mora legislativa no prazo determinado, nos termos do artigo 8º, II, da Li 13.300 de 2016; g) Recebimento das cópias da petição inicial e documentos que a instruem, nos termos do artigo 4º, Parágrafo primeiro, da Lei 13.300 de 2016; h) Produção de provas em direito admitidas. Dá-se à causa o valor de R$ 1000,00 (mil reais) Termos em que, Pede e espera deferimento. Local... data...
Advogado... OAB...