Laços Fortes e Fracos

Documentos relacionados
Fenômeno do Mundo-Pequeno

GRAFOS. Prof. André Backes. Como representar um conjunto de objetos e as suas relações?

PADRÕES LOCAIS DA REDE. Prof. Fabrício Olivetti de França

DATA MINING & MACHINE LEARNING (I) Thiago Marzagão

Árvores Árvores Geradoras de Custo Mínimo 0/16

O próximo passo é aprender a medir o comprimento de um segmento. Para este fim emprega-se diversos instrumentos de medição, dos quais a régua

Grafos I. Figura 1: Mapa de Königsberg

Redes Complexas Aula 2

CONCEITOS BÁSICOS EM GRAFOS

Matemática Combinatória Gabarito Lista 7 Artur Souza, Bruno Leite e Marcos Castro

XIX Semana Olímpica de Matemática. Nível 2. Grafos. Matheus Secco

XXV OLIMPÍADA BRASILEIRA DE MATEMÁTICA TERCEIRA FASE NÍVEL 1 (5 ª ou 6 ª Séries)

Teoria dos Grafos. Teoria dos Grafos. Profa. Sheila Morais de Almeida DAINF-UTFPR-PG. agosto

Grafos: conceitos básicos e métricas

Reduções de Problemas Difíceis

Redes Complexas Aula 2

2 Relação entre soma dos graus e número de arestas

4.1 Preliminares. No exemplo acima: Dom(R 1 ) = e Im(R 1 ) = Dom(R 2 ) = e Im(R 2 ) = Dom(R 3 ) = e Im(R 3 ) = Diagrama de Venn

Redes Complexas: teoria, algoritmos e aplicações em computação. Virgilio A. F. Almeida DCC UFMG 02/ /10/2009. SOLUÇÕES Propostas

Sugestão: Use papel transparente para copiar as figuras e comparar os lados e os ângulos.

No triângulo formado pelos ponteiros do relógio e pelo seguimento que liga suas extremidades apliquemos a lei dos cossenos: 3 2

B B C O A B 8 A C B. Sugestão: Use papel transparente para copiar as figuras e comparar os lados e os ângulos.

Teoria dos Grafos Aula 2

Teoria dos Grafos. Valeriano A. de Oliveira, Socorro Rangel, Silvio A. de Araujo. Capítulo 5: Grafos Conexos. Departamento de Matemática Aplicada

Ângulos entre retas Retas e Planos Perpendiculares. Walcy Santos

Avaliação 2 - MA Gabarito

Questões. 2ª Lista de Exercícios (Geometria Analítica e Álgebra Linear) Prof. Helder G. G. de Lima 1

UNIP - Ciência da Computação e Sistemas de Informação. Estrutura de Dados. AULA 8 Grafos. Estrutura de Dados 1

Probabilidade combinatória

Conceitos Básicos da Teoria de Grafos

Teoria dos Grafos. Valeriano A. de Oliveira Socorro Rangel Departamento de Matemática Aplicada.

Teoria dos Grafos. Valeriano A. de Oliveira, Socorro Rangel, Silvio A. de Araujo. Departamento de Matemática Aplicada

Introdução à Teoria dos Grafos

Módulo de Elementos básicos de geometria plana. Condição de alinhamentos de três pontos e a desigualdade triangular. Oitavo Ano

UMA QUESTÃO DE ABSTRAÇÃO. Prof. André Vignatti DINF - UFPR

3 O Teorema de Ramsey

As Pontes de Königsberg

Elementos de Lógica Matemática. Uma Breve Iniciação

Teoria dos Grafos Aula 1 - Introdução

1 SEMELHANÇA EM TRIÂNGULOS RETÂNGULOS DICA DO MINGUADO. Matemática 2 Pedro Paulo. Semelhança entre e :

XXVII OLIMPÍADA BRASILEIRA DE MATEMÁTICA TERCEIRA FASE NÍVEL 1 (5ª e 6ª séries - Ensino Fundamental)

01 Grafos: parte 1 SCC0503 Algoritmos e Estruturas de Dados II

GAAL /1 - Simulado - 3 exercícios variados de retas e planos

Área: conceito e áreas do quadrado e do retângulo

O Teorema da Amizade

x y Grafo Euleriano Figura 1

Noções da Teoria dos Grafos. André Arbex Hallack

OBMEP ª FASE - Soluções Nível 1

Chama-se poliedro a uma figura geométrica, a três dimensões, cujas faces são polígonos. Um poliedro regular é aquele em que as faces são polígonos

Teoria dos Grafos. Valeriano A. de Oliveira, Socorro Rangel, Silvio A. de Araujo. Departamento de Matemática Aplicada

1 Trajeto Euleriano. > Trajeto Euleriano 0/20

MA14 - Unidade 1 Divisibilidade Semana de 08/08 a 14/08

Teoria dos Grafos: Teorema de Turán e Teoria Extremal

A Reta no Espaço. Sumário

Lista 1 com respostas

Instituto de Computação Universidade Federal Fluminense. Notas de Aula de Teoria dos Grafos. Prof. Fábio Protti Niterói, agosto de 2015.

Sumário. 2 Índice Remissivo 9

Matemática. 3-3) As diagonais do cubo medem x / ) As diagonais da face do cubo medem 2 y 1/3. Resposta: VFFVV.

O PRINCÍPIO DAS GAVETAS Paulo Cezar Pinto Carvalho - IMPA

Prova Didática Grafos: Árvores Geradoras e Caminhos Mínimos, Análise de Complexidade

Primeiro Exercício programa: Como o Google ordena páginas. MAP-2121 para EPUSP

Análise de Redes Sociais Introdução ao Gephi

Equação fundamental da reta

Teoria dos Grafos Aula 2

GRAFOS Aula 07 Algoritmos de Caminho Mínimo: Bellman-Ford / Floyd-Warshall Max Pereira

Transcrição:

Laços Fortes e Fracos Redes Sociais e Econômicas Prof. André Vignatti

Motivação Estudo nos anos 60: pessoas que mudaram recentemente de emprego Como elas encontraram o novo emprego? Resposta: através de contatos pessoais Resposta mais precisa: atráves de conhecidos, ao invés do amigos próximos Como explicar isso? Conclusão do autor: relacionar estrutura de redes e contatos mais/menos próximos

Fechamento Triádico A maioria das redes não é estática Devemos pensar como uma rede evolui ao longo do tempo: nós chegam e partem arestas se formam e desaparecem

Fechamento Triádico O fechamento triádico é um princípio básico de formação de novas arestas ao longo do tempo Fechamento Triádico: Se duas pessoas em uma rede social têm um amigo em comum, então há uma maior probabilidade deles se tornarem amigos também

Fechamento Triádico A formação da aresta entre B e C ilustra o fechamento triádico, formando um triângulo. B e C têm um incentivo para se tornar amigos (forma uma aresta BC) O termo fechamento triádico vem do fato de que a aresta BC tem o efeito de fechar o terceiro lado desse triângulo

O Coeficiente de Clustering O fechamento triádico motiva a definição de métricas simples em redes sociais Um deles é o coeficiente de clustering O coeficiente de clustering de um nó A é uma probabilidade de que dois vizinhos de A selecionados aleatoriamente sejam amigos uns dos outros

O Coeficiente de Clustering Exemplo: o coeficiente de clustering de A antes de novas arestas se formarem = 1/6. (A tem 4 vizinhos, e teria no máximo 6 arestas entre eles, mas só tem uma) após novas arestas = 1/2

O Coeficiente de Clustering O coeficiente de clustering varia de 0 a 1 Quanto mais forte é o fechamento triádico que opera na vizinhança de um nó, maior o coeficiente de clustering tende a ser.

A Força dos Laços Fracos Vamos apresentar outras duas definições úteis Na figura, A tem quatro amigos Um dos amigos de A é qualitativamente diferente dos outros A amizade de A com C, D e E conecta A a um grupo amigos bem unidos, que conhecem uns aos outros A amizade de A com B parece conectar A com uma parte diferente da rede

A Força dos Laços Fracos Vamos definir de maneira mais precisa o fato da aresta AB ser diferente Dizemos que uma aresta ligando dois nós A e B é uma ponte se ao removê-la faria A e B ficarem em componentes diferentes Em outras palavras, essa aresta (de ponte) é o único caminho entre A e B

A Força dos Laços Fracos Vamos lembrar a discussão sobre os componentes gigantes e fenômeno de mundo pequeno: Pontes são extremamente raras em redes sociais do mundo real Na verdade, pode haver um caminho alternativo mais comprido que liga dois vértices

A Força dos Laços Fracos Em outras palavras, se olharmos a rede da figura anterior inserida numa rede maior, provavelmente veremos uma imagem como essa:

A Força dos Laços Fracos A aresta AB não é o único caminho que liga A a B A e B também estão ligados por um caminho mais longo através de F, G e H Dizemos que uma aresta ligando dois nós A e B em um grafo é uma ponte local se A e B não têm vizinhos em comum Em outras palavras, se a exclusão da aresta aumentar a distância entre A e B para um valor > 2

A Força dos Laços Fracos Uma ponte local fornece acesso a seus dois vértices que, de outra forma, seria um acesso muito mais distante Assim, pontes locais tem mais ou menos o mesmo papel que as pontes, embora sejam menos restritivas Pontes locais explicam parte da motivação inicial: as informações de emprego vem de amigos conectados a pontes locais (obtém informações externas ao grupo de amigos)

Propriedade do Fechamento Triádico Forte Devemos distinguir entre diferentes níveis de força nas ligações de uma rede social Distinguir entre amigos e conhecidos no estudo dos anos 60 Não vamos ser precisos ao definir o que é força Apenas categorizar as arestas de uma rede em um de dois tipos: laços fortes: as ligações mais fortes, o que corresponde aos amigos laços fracos: as ligações mais fracas, o que corresponde a conhecidos

Propriedade do Fechamento Triádico Forte Agora, é útil pensar novamente sobre o fechamento triádico, mas em termos dessa classificação das arestas Isto sugere a seguinte hipótese qualitativa: Se A tem laços fortes para B e C, então a aresta BC é muito provável de se formar Dizemos que um nó A viola a propriedade de Fechamento Triádico Forte se tem laços fortes com dois outros nós B e C, e não há nenhuma aresta (forte ou fraca) entre B e C Dizemos que um nó A satisfaz a propriedade Fechamento Triádico Forte se não violar

Propriedade do Fechamento Triádico Forte Figura: nenhum nó viola o Fechamento Triádico Forte Mas se AF fosse um laço forte, em vez de fraco, então os nós A e F violariam a propriedade: A agora têm laços fortes com E e F sem que haja uma aresta EF F agora têm laços fortes com A e G sem que haja uma aresta AG

Pontes Locais e Laços Fracos Afirmação: se um nó A satisfaz a propriedade do Fechamento Triádico Forte e está envolvido em pelo menos dois laços fortes, então qualquer ponte local em que A está envolvido deve ser um laço fraco Se isso for verdade, explica o fato de obtermos informações de conhecidos, ao invés de amigos Vamos demonstrar isso matematicamente

Pontes Locais e Laços Fracos A demonstração procede por contradição Considere o nodo A que (por contradição) tem uma ponte local forte para um nodo B Pela hipótese, A também tem um outro laço forte, digamos, com C Pela hipótese, A satisfaz a propriedade do FTF, assim a aresta BC deve existir Mas se a aresta BC existe, então AB não pode ser uma ponte local! (pois A e B não deveriam ter amigos em comum, mas ambos tem C)