Família Exercício do amor

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Transcrição:

Família Exercício do amor Herdamos o modelo de família dos nossos pais, com todos os padrões equivocados de como a família deve ser. Os nossos pais, por sua vez, herdaram dos nossos avós, bisavós, etc. quanto mais recuamos no tempo, mais vamos perceber uma série de tabus, de crenças e mitos que trazemos no seio da família. Com raras exceções, o modelo dos padrões familiares que herdamos de nossa família de origem e aquela que constituímos, é de uma casa toda defeituosa. Somos convidados pela vida a desconstruir e reconstruir essa casa. Não dá para dizer Vou passar um tempo em outra e depois volto com tudo reconstruído, porque essa casa é a nossa própria família em funcionamento, e não é possível mudar de família para outra mais equilibrada, para depois voltar. A lei maior do Universo é a lei do Amor, que engloba todas as demais Leis Divinas. Essa Lei está gravada na nossa consciência, pois é o Amor Divino presente em nós. Por que construímos a nossa família como uma casa desajeitada? Isso acontece em razão do desamor e do pseudoamor, que é uma tentativa de ocultar o desamor que ainda cultivamos. A vida nos convida a nos educar, cumprindo a Lei, pela prática do amor. Quando nos optamos pelo desamor ou pseudoamor, a vida nos convida a nos reeducar pela dor. Como a Lei do Amor está em nossa consciência, cedo ou tarde vamos ao encontro dessa energia que existe em nós. O problema não é a dor que nos convida à reeducação, porém a intensificação do orgulho no sentimento de culpa. Onde já se viu eu sair do padrão do Universo. Eu não podia ter feito isso. Agora tenho que sofrer. O sofrimento é um movimento de tentar substituir os atos de desamor, com outros atos de desamor. Sair do extremo da crença da impossibilidade e entrar na crença de necessidade que expressa uma obrigação, é uma falsa ressignificação.

Perdoar não significa liberar o outro dos erros cometidos por ele, mas nos libertar do resultado desses erros em nós. Não se ressignifica, verdadeiramente, um padrão formado por crenças, simplesmente reagindo contra ele, ou negando esse padrão. Para reconstruir é preciso, primeiro, desconstruir. Ao refletirmos sobre a verdade que fica brilhando em nossa consciência, ela nos convida a fazer o trabalho de desconstrução desses modelos e a reconstrução com o material das intenções positivas direcionando adequadamente para um novo modelo. A ansiedade de consciência gera uma repressão do ódio e do ressentimento que é dado o nome de perdão de plástico. É um ato de pseudoamor tentando esconder o desamor. É impossível sair do desejo para a realização do desejo, sem passar pelo esforço para a realização desse desejo. Perdoar não é libertar o outro dos erros cometidos, é se libertar das feridas que o outro causou em sua criança interna. Alguns mitos familiares O dever é fruto da consciência humana, é uma virtude da nossa essência divina. O dever consciencial, que é diferente da simples obrigação, começa no interior da criatura e diz respeito à sua própria consciência. Trazemos muitos mitos familiares centrados nas crenças de obrigação que se tornaram, para muitos de nós, verdades absolutas, que a maioria das pessoas tem até medo de contestar. Se quisermos construir o amor por obrigação vamos desenvolver o pseudoamor, que encobre o desamor. Mito de amar todos os filhos de forma igual Esse amor equânime existe em mundos felizes. Uma mãe ama todos os filhos iguais. Se estamos vivendo em família para aprendermos a nos amar como irmãos, como é possível uma mãe trazer como filhos, somente espíritos amigos do passado? Isso seria exceção e não regra.

Mentimos para nós mesmos, para nos adequar às nossas crenças, fazendo de conta que a realidade é adequada a ela. Ao mentir para nós mesmos, adiamos a oportunidade de resolver a dificuldade que trazemos. O que a vida pede é para utilizarmos a família para aprendermos a nos amar de verdade, Mito de que todos os filhos têm obrigação de cuidar dos pais Conviver com pessoas com as quais já temos o amor construído é muito mais fácil. O martírio gera uma relação doentia, porque provém da ansiedade de consciência. Somos convidados a transformar, tanto a tendência à indiferença e crueldade que cultivamos no passado, quanto a ansiedade de consciência resultante desse cultivo, que nutrimos no presente. O caminho para isso é a renúncia. A renúncia só é possível a partir do sentimento de amor que na verdade, é o amor sendo colocado em prática. As Leis Divinas não são aleatórias. Tenho que cuidar dela porque é minha mãe, é minha obrigação e se eu não fizer, a minha consciência cobrará, mas, lá no fundo, a consciência continua cobrando, porque não é um movimento amoroso de fato. É fundamental que desenvolvamos sentimentos que são a base do movimento de renúncia que está centrada no amor: autoamor, autoaceitação, autovalorização, autorrespeito e autoconfiança. Mito da obrigação de conviver para manter a harmonia familiar Ninguém vai, verdadeiramente, ter uma relação saudável, por obrigação. A alternativa conveniente é, quando percebemos os padrões equivocados, buscarmos a autoconsciência, geradora do padrão equilibrado. Algumas opções: a primeira, negativa, é a acomodação toda família é assim mesmo. A segunda, também negativa, é a indiferença a pessoa diz: Não! Eu não quero esse padrão doentio. Quero um padrão mais saudável, porém substitui por outro padrão também doentio, o isolamento. A opção positiva é aquela em que unimos as intenções positivas de cada movimento equivocado, dando uma direção adequada. É preciso nem forçar e nem abandonar a convivência. É necessário se esforçar para conviver o mais

saudavelmente possível. Forçar é conviver por obrigação, esforçar é conviver por conscientização, optando pelo afastamento pela autopreservação. O afastamento pela autopreservação é o processo de afastamento da convivência física, sem haver um afastamento psíquico-emocional. A pessoa está o tempo todo ligada a família e preservada pelo distanciamento que é físico e não emocional, ela se desliga das disfunções familiares para se manter saudável. Quando entramos no terreno da obrigação, optamos pelo pseudoamor. Os outros não têm obrigação de seguir o nosso exemplo de mudança, mas a nossa mudança convida os outros a mudarem. Mito de que, para que haja uma relação familiar harmoniosa é preciso aceitar tudo o que os familiares fazem As mulheres têm que se sacrificar para manter o lar em harmonia. Confundimos aceitação com autoanulação. Autoanulação significa anular a pessoa que somos para conviver com o outro. Aceitação é uma virtude e as virtudes não são desenvolvidas por obrigação, por uma imposição, mas por escolha consciente. No caso de violência física ou psicológica, é necessário um distanciamento para autopreservação. Se por amor fôssemos forçados a nos submetermos à crueldade de alguém, estaríamos fingindo exercitar o amor. O amor que traz sofrimento não é amor e sim pseudoamor. Nós somos espíritos irmãos uns dos outros. Não podemos fazer com que uma pessoa cruel deixe de ser cruel, mas podemos colocar limites para que essa pessoa nos respeite. Estamos reencarnados na mesma família para exercitar o amor. Podemos exercitar o amor a um familiar cruel, respeitando-o. Essa é uma atitude de autoconsciência e não de fingimento, que é derivada da obrigação de aceitar tudo que o outro faça, de aceitar o familiar da forma como ele é, simplesmente por ser seu familiar. É importante saber que não temos o poder de mudar o outro. Se nos amamos, nos valorizamos, nos respeitamos, não vamos aceitar as agressões que vem do outro, porque não nos pertencem.

Quando as pessoas tentam nos prejudicar de alguma maneira, seja verbalmente, seja através de atitudes, se não as aceitarmos, não nos contaminaremos com essas atitudes e, por isso, elas não nos afetarão. A obrigação de aceitar é conivência com a atitude do outro, é pseudoamor. É importante que busquemos sempre tornar o relacionamento o mais saudável possível, e o mínimo que podemos dar para um relacionamento saudável é o respeito. É fundamental fazer todo o possível agora, mesmo que consigamos apenas uma relação de neutralidade. Numa outra oportunidade, começaremos da relação de neutralidade e não mais da relação de inimizade. Será muito mais fácil numa próxima existência, se começarmos aqui e agora. CERQUEIRA FILHO, Alírio de. Saúde das Relações familiares. 1ª Edição- Editora Bezerra de Menezes: Santo Andrés SP, 2007 Resumo do cap. 4 A Verdade em Família: A Libertação de Mitos pela Prática do Amor elaborado em 06/11/2016, por Tania Marcia Barbosa.