do substrato gnáissico.



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Transcrição:

55

6.2 - Descrição de eventos locais Informações obtidas em campo possibilitaram a descrição de eventos locais que permitem caracterizar situações práticas relacionadas aos processos erosivos. A presença de solos rasos com material rochoso alterado exposto, coberto por pastagem suja foi um dos cenários observados na Serra de São Geraldo. Este é um ambiente típico formado por Cambissolos e Neossolos Litólicos, situado em terreno montanhoso e escarpado. Um dos problemas geológicos observados na estrada que passa pela referida serra é a movimentação de massa causada pela instabilidade do terreno, a qual foi provocada pelo corte de parte da encosta para sua construção. Nas fotos 01 e 02, observam-se encostas estruturais que compreendem áreas onde são freqüentes os declives iguais ou superiores a 30%, correspondendo a todo front da encosta (Valladares e Faria, 2004), as quais têm como uma de suas características a presença de solo litólico. Estas áreas são importantes devido a sua dinâmica pedogênese/erosão. Segundo Resende (1985), nos ambientes mais acidentados, a erosão, mesmo natural, é muito acentuada, mas a pedogênese também o é, pois há minerais facilmente intemperizados bem próximos a superfície, onde há uma intensa atividade biológica. O mesmo autor ressalta, ainda, com relação aos solos rasos que os mesmos são sistemas muito instáveis e que tendem a se desagregar com extrema facilidade, deixando muito solo exposto num processo semelhante a desertificação. Ambas as áreas, ilustradas a seguir, são, de fato, inspiradoras de cuidados especiais devido à predisposição natural por elas apresentadas à ocorrência de erosão e movimentação de massa. Foto 01 - Colapso de taludes em Neossolo Litólico. Foto 02 - Encosta estrutural com exposição do substrato gnáissico. 56

A paisagem da área em estudo apresenta grande número de elevações em forma de meias laranjas e presença de relevo montanhoso e escarpado (fotos 03 e 04). Com relação às meias Laranjas, Resende (1985) ressalta que na zona da mata e vale do Rio Doce de Minas Gerais houve, aparentemente, uma grande extensão de elevações na forma de meia-laranja. Essas pedoformas começaram a ser trabalhadas pelos processos de intemperismo, surgindo, então, feições ravinares anfiteátricas. Foto 03 - Vista da Paisagem de Monte Celeste Foto 04 - Vista da Paisagem de São Geraldo. As imagens a seguir ilustram a diferença entre os processos erosivos através da forma do relevo. Na foto 05, tem-se um relevo mais côncavo com convergência de água, o que gera erosões em sulcos. No relevo convexo, a medida em que o processo de erosão avança, a água pode adquirir caminhos preferenciais, assim começam a surgir erosões lineares que podem avançar para formas mais expressivas como as ravinas, é o que se observa na foto 06. Nas fotos 07 e 08, também são observadas feições convexas, onde ocorre divergência de água na superfície do terreno, ocasionando, então, erosões mais uniformes e laminares. 57

Foto 05 - Ravinamento Foto 06 - Meia laranja com incisão linear bem definida. Foto 07 - Erosão laminar Foto 08 - Erosão laminar com inicio de processos erosivos lineares Uma das paisagens mais freqüentes na região da zona da mata são as ravinas anfiteátricas, formadoras de grotas. Nas fotos a seguir (foto 09, 10 e 11), são observadas várias formas e tamanhos dessas feições. São áreas que inspiram cuidados, conforme exposto por Resende (1985) quando cita que as bordas das ravinas, bastante íngremes, constituem-se nas áreas mais instáveis de todo o planalto de Viçosa, MG, pois é aí onde há maior erosão. Essa típica feição é formada pela destruição progressiva das meias laranjas, Resende (1985) descreve o processo de formação dessa pedoforma da seguinte maneira: A concentração de água em alguns pontos do terreno, provocada por uma causa fortuita, é o suficiente para o inicio de um processo de erosão diferencial, mesmo sem a destruição da vegetação. A superfície vai se abaixando mais rapidamente num local que noutro, forma-se uma ravina que se expande substancialmente a montante e nas laterais. Por isso, a importância de se conhecer as dinâmicas geomorfológicas dessa feição de maneira a intervir no ambiente de forma correta. 58

Foto 09 - Laterais de ravinas anfi-teatricas com erosão. Foto 10 - Feições ravinares anfi-teatricas de diversas formas e tamanhos. Foto11 - Ravina anfi-teatrica com processo erosivo acelerado em sua base e laterais. As imagens à seguir ilustram plantações de café em duas pedoformas diferentes. Na foto 12 tem-se a plantação na parte inferior de uma encosta estrutural associada a solos litólicos com afloramento rochoso e com linhas de drenagem bem definidas e na foto 13 observa-se uma feição ravinar anfiteátrica, com a grota contendo a plantação de café e a parte 59