Aula #3 Filme Ensaio Filme Ensaio: A subjetividade no audiovisual Nasce no Novo Documentário Francês: Chris Marker, Agnès Varda. Jean Rouch Ensaio nasce da impossibilidade de um não julgamento. Eu vos escrevo de uma país distante (Chris Marker) - Lettre de Sibérie (1957) Estive em Cuba e trouxe essas imagens desordenadas. Para classificá-las, fiz esse filme homenagem (Agnès Varda) - Salut les cubains (1963) Não depende de um registro imaculado do real, mas de um processo de busca e indagação conceitual. Inflexões subjetivas, livre associação de idéias e sentimentos. Do político ao afetivo. Do banal ao significativo Uma liberdade de pensamento que até então o documentário (objetividade) não permitia. O filme é uma tentativa de organizar (desorganizar) esse olhar, de chegar em alguma coisa ou lugar. O filme é sobre essa trajetória e tentativa. (Subjetividade x Objetividade) Misturar experiências do mundo, da vida e de si: confusão entre viver e filmar, o que se olha e o que filma A subjetividade nasce no cinema quando o aparato (dispositivo) permite uma espontaneidade.
Je Vous Salue Sarajevo (1993) - Jean-Luc Godard Subjetividade Explícita: Não é imparcial, tem uma carga afetiva/ativista/política bastante definida. Natureza não-inocente do enquadramento (Susan Sontag) Transforma material bruto e inerte (a foto) em experiência de vida e pensamento. Passa do figurativo ao abstrato, do visível ao invisível (em seu discurso), trabalhando apenas com o recorte da fotografia, guiando o nosso olhar em novos enquadramentos, a busca que se transforma em indagação e depois em manifesto-ensaio. Letter to Jane: An Investigation About a Still (1972) - Jean-Luc Godard, Jean-Pierre Gorin Godard: Inaugura-se o Pensamento Audiovisual. Cinema, VÍdeo, Godard - Philippe Dubois
JLG/JLG - autoportrait de décembre (1995) - Jean-Luc Godard Um ensaio sobre si mesmo. Autoretrato: Não é autobiografia. Primeiro Plano: Imagem Jovem + Sombra + Câmera Suspiros iniciais revelando questionamentos íntimos. Sala escura = Sala de cinema? Minha única e solitária companheira = Câmera na mesa? Vemos o real e o enquadrado = Imagem que ele vê. O movimento da câmera traça uma geografia afetiva pela casa. Fogo guiando o nosso olhar, como o reenquadramento guiava em Sarajevo. Agregar todo gênero de material estético. Quando nos expressamos, expressamos mais do que pensamos. Não expressamos o individual, mas o universal Ato de pertencer a todos. Universalidade. Eu disse que eu amo, essa é a promessa Mantra do filme e a chave pra sua auto-definição Como um prêmio, no fim dessa longa tarefa, eu chegarei ao fim sendo aquele que ama. É isso, eu merecerei o nome que dei a mim mesmo (JLG)
A Maior Conclusão O pensador de agora já não se senta mais à sua escrivaninha, diante de seus livros, para dar forma ao seu pensamento, mas constrói as suas idéias manejando instrumentos novos a câmera, a ilha de edição, o computador, invocando ainda outros suportes de pensamento: sua coleção de fotos, filmes, vídeos, discos sua midioteca, enfim. Arlindo Machado Nova fase para o pensamento contemporâneo em si. Godard nos ensinou a pensar em imagens (e não mais em linguagem verbal). Uma filosofia unicamente audiovisual. Histoires (s) du Cinéma (1989): Na mesa de edição, Godard associa lembranças, amarra idéias, enfrenta suas obsessões, combina, dissocia, recombina materiais audiovisuais, na tentativa de fazer um balanço de sua paixão e de seu ódio pelo cinema. Nada que se possa resgatar ou entender verbalmente: Histoire(s) é uma radical investida em direção a um pensamento audiovisual pleno, construído com imagens, sons e palavras que se combinam numa unidade indecomponível.
Sem Sol (1983) - Chris Marker Multi artista francês, origem misteriosa, data dos filmes misteriosa. Trabalha em todo tipo de mídia: filme, video, fotografia, cd room, novas mídias, internet, etc. Primeiro Filme-Ensaio: Cartas da Sibéria. (1957) Eu vos escrevo de uma país distante Ápice da Subjetividade: Do afetivo ao político, do banal ao intelectual. De um extremo (África) a outro (Japão) Narração de cartas de um camera man (Sandor Krasna, alter ego), que viaja o mundo O filme é a tentativa de fazer o filme (colhendo as imagens) A trajetória, os questionamentos estéticos e políticos. Após dar voltas ao mundo: só a banalidade me interessa Interesse pela banalidade que vai além, uma imagem que vá definir um estado A Imagem da Felicidade? Dentro disso ele se questiona sobre a função da lembrança, possibilidades e impossibilidades da lembrança. Como as pessoas lembram daquilo que não filmaram? Recriamos a memória-imagem, assim como recriamos a história. Filme Imaginário: Uma memória total é uma memória anestesiada: O viajante do futuro compreende que todos esses sentimentos causados pela lembrança, vestígios dolorosos de uma préhistória, é que fazem a beleza trágica da humanidade.
No Sex Last Night (1996) - Sophie Calle e Greg Shepard Aparecimento do vídeo causa nova explosão da subjetividade. Devido a facilidade de seu manuseio, artistas que não são cineastas ou video artistas, utilizam o vídeo de uma nova forma. Sophie Calle: A maior artista conceitual viva, usa o vídeo como uma das várias formas de se expressar. Fotografia, instalação, literatura, performance, cross media. Principais Temas: Fragilidade humana, Público x Prviado, Autoficção Obsecada pelo interface, pela distância entre a vida pública e a vida privada. OBRAS: Suite Venitienne (1979) / Address Book (1983) / Douleur Exquise" (2003) T Take Care of Yourself (2007)
Walden (1969) - Jonas Mekas Filmes Diários: Não se considera um filmmaker, e sim um filmer, apenas filma instintivamente para depois ordenar ou desordenar suas memórias, de acordo com a ordem afetiva do todo. Imagens insignificantes (banais) mas que trazem para o autor um significado e uma lembrança de algo maior, na montagem desse material cria-se um sentimento de todo. Lost, Lost, Lost (1976) Chegada de Mekas na América, filme mais melancólico e um dos mais pessoais. Walden (1969) - Homenagem ao escritor americano Henry Thoreau (1817-1862), conservando o mesmo espírito de narrativa livre de sua obra. Assim como Thoreau se sensibilizou às margens do lago Walden com a natureza ao seu redor, Mekas registra no seu filme as divagações de um exilado lituano que descobre a poesia enclausurada na rotina cotidiana. Constrói impressões e notas sobre o banal, traçando uma geografia de afeto, perda e melancolia. 365 SHORT VIDEOS (web project): Lançava um vídeo por dia em seu website, projeto em parceria com a Apple (Ipod)