Métodos de restauração de APP e RL



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Transcrição:

Métodos de restauração de APP e RL

Diagnóstico ambiental: exame minucioso da área a ser recuperada e de seu entorno imediato, bem como de seu histórico e de todos os outros fatores que possam interferir no sucesso de recuperação. Visa definir os métodos mais adequados para cada situação ambiental com base na resiliência do ecossistema e na aptidão produtiva da área.

Estágio sucessional Resiliência: habilidade de um ecossistema natural em, após distúrbio, retornar à condição anterior sem intervenção humana (Westman, 1978). floresta madura destruição do ecossistema ou degradação intensa limiar Uso do solo H1: sucessão normal H2: sucessão lenta/atrasada H3: degradação permanente Tempo Uso de métodos para restaurar o ecossistema

A restauração ecológica consiste da intervenção humana intencional em ecossistemas alterados para desencadear, facilitar ou acelerar o processo natural de sucessão ecológica. Brancalion, Rodrigues & Gandolfi

Um bom diagnóstico ambiental permite um melhor aproveitamento dos processos naturais de regeneração do ecossistema, reduzindo assim a demanda de intervenções humanas no processo, o que reduz os custos da restauração e aumenta sua eficiência sucessão florestal floresta conservada área abandonada por 1 ano área de cultivo de soja na entressafra

Planejamento de projetos de restauração ISOLAMENTO CONDUÇÃO DA REGENERAÇÃO IMPLANTAÇÃO DE MUDAS MANEJO DA REGENERAÇÃO NATURAL E ENRIQUECIMENTO

1. O papel dos distúrbios na definição do potencial de resiliência do ecossistema destruição da vegetação

Os ecossistemas apresentam diferentes níveis de resiliência

destruição da vegetação, com modificação do substrato A B E C D

degradação da vegetação remanescente ou regenerante

Instalação de aceiros 1 2

Zona tampão para colheita de cana

Pecuária

Levantamento do histórico de degradação da área

2. Uma vez isolados os distúrbios, como definir se a resiliência do ecossistema conseguirá retomar uma trajetória ambiental que leve à sua recuperação? - LIMITAÇÃO DE DISPERSÃO - LIMITAÇÃO DE ESTABELECIMENTO - LIMITAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO

Cobertura florestal nativa e conectividade da paisagem

Limitação de estabelecimento

Operacionalização do diagnóstico ambiental

Fotointerpretação

Situações duvidosas que não puderam ser diagnosticadas na imagem

Checagem de campo

Densidade de indivíduos regenerantes de espécies nativas Regeneração insatisfatória: < 1.500 indivíduos por ha Regeneração moderada: entre 1.500 e 2.500 indivíduos por ha Regeneração elevada: mais de 2.500 indivíduos por ha

elevada moderada insatisfatória

Resiliência e resistência - favorecimento dos regenerantes enriquecimento favorecimento dos regenerantes adensamento enriquecimento Implantação completa da comunidade vegetal nativa reflorestamentos semeadura direta transposição de topsoil apenas favorecimento dos regenerantes Condução da regeneração natural + Restauração passiva - isolamento da área Potencial de aproveitamento da regeneração natural +

Fases da restauração florestal no Brasil Fase 1: Ausência de critérios ecológicos para a escolha de espécies Fase 2: Plantios de árvores nativas brasileiras com base na sucessão florestal Fase 3: Uso de remanescentes florestais como modelo para o planejamento (fitossociologia) Fase 4: Ampliação das estratégias de restauração e foco nos processos ecológicos (ecologia de comunidades) Fase 5: Inclusão de aspectos socioeconômicos na restauração (a nova onda!)

Filtro ecológico: fator biótico ou abiótico atuante em alguma das diferentes etapas da sucessão ecológica, que resulta na seleção de espécies que podem ingressar, estabelecer-se e deixar descendentes na comunidade.

Indução da regeneração natural: ações de manejo que podem desencadear os processos de regeneração natural.

Indução da regeneração natural: ações de manejo que podem desencadear os processos de regeneração natural.

Controle de gramíneas - mecânico

Controle de gramíneas - químico

Só na coroa

Em área total

Adubação de cobertura

Morte de eucalipto por envenenamento cortes com machadinha e/ou facão, na altura do peito do tronco, de forma que fique uma fenda na casca e no lenho, onde será depositado o herbicida. A aplicação será realizada com um pulverizador (01 litro a 02 litros), aplicando-se dentro da fenda 2 ml de calda com herbicida Glifosate (15% de concentração) ou Triclopir (10% de concentração). O número de fendas a ser aberto é dependente do diâmetro da árvore, conforme recomendações abaixo: - 4 a 8 cm de diâmetro: 2 fendas (4 ml de calda) - 8,1 a 18 cm de diâmetro: 4 fendas (8 ml de calda) - 18,1 a 40 cm de diâmetro: 6 fendas (12 ml de calda) - Acima de 40 cm de diâmetro: 8 fendas (16 ml de calda) Cerca de 20 dias após a aplicação, as árvores de eucalipto ficarão com todas suas folhas secas e, a partir de então, começam a perder folhas lentamente. Em três meses só restará o tronco e os galhos, desprovidos das folhas. A queda dos galhos e ramos, e da árvore toda, é um processo muito lento, que poderá levar anos.

Plantio de enriquecimento: conjunto de técnicas de plantio de espécies desejáveis sob vegetação já existente. Visam aumentar a biodiversidade em direção aos níveis naturalmente encontrados nos ecossistemas de referência.

Adensamento induzido da regeneração: introdução de indivíduos de espécies nativas do grupo de preenchimento nos trechos onde não ocorreu a regeneração natural de árvores e arbustos nativos

Nucleação: formação de pequenos núcleos de vegetação em uma área degradada, visando promover o restabelecimento da vegetação nativa.

Semeadura direta: uso de sementes, em vez de mudas ou plântulas, para estabelecer populações vegetais em áreas em processo de restauração.

Reflorestamento: plantação de árvores, nativas ou não, em povoamentos puros ou não, para formação de uma estrutura florestal.

Concentração de espécies tardias da sucessão

Concentração de espécies iniciais da sucessão

Plantios de alta diversidade

A restauração sustentada pela exploração de bens e serviços florestais

Transposição de solo florestal

Distribuição de topsoil

4 meses (Fotos: João Guimarães)

10 meses (Fotos: João Guimarães)

28 meses (Fotos: João Guimarães) 85

36 meses (Fotos: Pedro Brancalion)

Branco de sementes Dezembro de 2001 Fevereiro de 2004 Março de 2002 Setembro de 2002

Modelos de restauração florestal voltados para a exploração econômica da Reserva Legal

Exemplo de espécies potenciais Jequitibá-rosa (Cariniana legalis) 6 anos (ANB) 24 anos (IRC) 40 anos (CM2) 57 anos (COS)

Exemplos de ciclos de produção de espécies nativas madeireiras em plantações mistas Ciclos de produção esperados para as espécies diante de um cenário mais favorável ao crescimento. DMC = diâmetro mínimo de corte; A = alta produtividade; M = produtividade moderada; B = baixa produtividade; SF = espécie fator ambiental influente Espécie Fator ambiental DMC (cm) Idade (anos) A M B SF Anadenanthera colubrina var. colubrina * 35 * * * 13,07 Anadenanthera colubrina var. cebil ph 35 10,52 17,05 26,78 * Aspidosperma polyneuron MO 35 83,15 89,76 92,00 * Astronium graveolens * 35 * * * 29,17 Cariniana estrellensis Ca 35 12,67 22,55 28,77 * Cariniana legalis Arg 35 16,91 22,28 30,93 * Cedrela fissilis Mg 35 22,52 50,23 100,29 * Centrolobium tomentosum CTC 35 24,84 40,39 54,48 * Enterolobium contortisiliquum SB 35 6,06 8,56 20,02 * Esenbeckia leiocarpa Arg 35 40,00 89,22 176,71 * Gallesia integrifolia Ca 35 12,14 19,84 34,52 * Handroanthus heptaphyllus * 35 * * * 40,18 Hymenaea courbaril * 35 * * * 45,57 Myroxylon peruiferum Areia 35 24,75 45,84 88,83 * Peltophorum dubium Mg 35 17,92 22,65 41,49 * * Espécie não apresenta fator ambiental mais influente no crescimento

(24 anos) Problemas com qualidade de fuste Guarantã sombreado por espécie de crescimento mais rápido (60 anos) Guarantã na borda do reflorestamento (24 anos) Necessidade de condução

Jatobá na borda do reflorestamento (MG1 10 anos) Jatobá plantado a 5 m da borda MG1 (10 anos) Jatobá COS (57 anos)

Exemplos de projetos de recomposição da Reserva Legal já registrados e aprovados pelos órgãos ambientais

Projeto Guariroba A B C

MODELOS ECONÔMICOS DE RESTAURAÇÃO Espécies nativas madeireiras

Modelo de grupos de madeiras nativas

Modelo de grupos de madeiras nativas

Tese - Maria do Carmo Ramos Fasiaben RESULTADOS TABELA 17 VARIAÇÃO NAS MARGENS BRUTAS DAS ATIVIDADES DO TIPO 4, MICROBACIA DO RIO ORIÇANGA, ESTADO DE SÃO PAULO (EM R$/HA) Período Laranja Milho Alta Tecnologia Reserva Legal Manejada 2002/03 3.465,39 1.595,66 188,59 2003/04 2.163,24 668,37 237,58 2004/05-91,82 244,29 285,71 2005/06 1.021,37 125,04 423,78 2006/07 2.131,27 504,75 440,34 2007/08 1.806,64 871,52 435,23 2008/09 17,91-64,52 470,16 Média 1.502,00 563,59 354,49 FONTE: Dados da pesquisa, utilizando-se de séries de preços listadas no Banco de Dados do IEA (2010) para insumos e para os produtos laranja e milho, e do IPT para madeira (FLORESTAR ESTATÍSTICO, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008) Valor médio da madeira considerada para as 4 classes = R$ 40,00/m3 da madeira em pé na propriedade

Uso de pioneiras comerciais Proposta: usar faixas de espécies de rápido crescimento, tanto nativas como exóticas (eucalipto, paricá, aroeirinha, etc.), intercaladas com madeiras nobres, para permitir o aproveitamento econômico da floresta em restauração já nos primeiros 5 anos.

2 área em processo de restauração com 1 ano, na qual está sendo testado o uso do eucalipto como espécie pioneira comercial consorciado com espécies nativas para produção de madeira. Ituberá-BA.

Plantios de enriquecimento com espécies de madeireiras e frutíferas em matas residuais da Amazônia Oriental

Intensificação da produção pecuária, e restauração de áreas marginais Pecuária intensificada Implantação de modelos de restauração voltados para a geração de produtos florestais madeireiros e não madeireiros

Matas residuais abertas e fechadas Passo 1. Abertura das faixas de enriquecimento 1) faixas de 2 m de largura; 2) faixas espaçadas 8 m entre si; desbaste de liberação de copas (envenenamento com herbicida de árvores indesejadas). 2 m 8 m

Floresta Aberta Floresta Fechada

Passo 2. Abertura de coroas, preparo das covas e plantio 1) Coroas com 1,5 m de raio (controle de toda a regeneração); 2) adubação de base (200 g de fertilizante N:P:K 06:30:06 por planta); 3) plantio. 2 m 8 m Espécies madeireiras: espaçamento de 8 m entre plantas na faixa; Espécies frutíferas: espaçamento de 4 m entre plantas na faixa;

Produção comercial de espécies nativas para madeira EMBRAPA Amazônia Oriental (Imagens: Silvio Brienza Júnior). Belterra-PA 30 anos de plantio Castanheira Quaruba Fava-bolota Mogno Freijó