UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA MICHELE FERNANDA MARQUES DE BRITO A FAMÍLIA CHRYSOBALANACEAE R. BR. NO ESTADO DA PARAÍBA, BRASIL João Pessoa, PB 2010
MICHELE FERNANDA MARQUES DE BRITO A FAMÍLIA CHRYSOBALANACEAE R. BR. NO ESTADO DA PARAÍBA, BRASIL Monografia apresentada ao Curso de Graduação em Ciências Biológicas da Universidade Federal da Paraíba, como parte dos requisitos para obtenção do título de Bacharel em Ciências Biológicas. Orientação: Prof. Dra. Rita Baltazar de Lima João Pessoa, Paraíba 2010
MICHELE FERNANDA MARQUES DE BRITO A FAMÍLIA CHRYSOBALANACEAE R. Br. NO ESTADO DA PARAÍBA, BRASIL Monografia submetida e aprovada pela banca examinadora: Aprovado em: / / Profa. Dra. Rita Baltazar de Lima Universidade Federal da Paraíba (Orientadora) Profa. Dra. Ana Maria Giulietti Universidade Estadual de Feira de Santana Dra. Rita de Cássia Araújo Pereira Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária (IPA) Profa. Dra. Eliete Lima de Paula Zárate Universidade Federal da Paraíba Profa. Maria do Céo Rodrigues Pessoa Universidade Federal da Paraíba/Campus IV João Pessoa, PB 2010
Dedico este trabalho a Deus, Fiel amigo e Senhor de minha vida.
AGRADECIMENTOS Agradeço... À Universidade Federal da Paraíba, à Coordenação do Curso de Ciências Biológicas e ao Departamento de Sistemática e Ecologia e seu Corpo Docente e Funcionários pela contribuição na minha formação. À Professora Rita Baltazar de Lima, por seus cuidados, sua orientação, confiança e pelo exemplo de profissional e pessoa que é. Sua dedicação e competência acompanharão, a cada dia, a minha caminhada profissional. Aos examinadores, pela contribuição no enriquecimento das informações contidas neste trabalho. Ao Carlos Santiago, por participar das coletas e nos incentivar com o seu entusiasmo e conhecimento. À turma 2005.2, onde encontrei amigos tão achegados quanto irmãos, os quais estarão sempre em meu coração. A todos os amigos-botânicos do TAXÓN, pelo acolhimento, pelas boas risadas e pelo companheirismo. À Cínthia Menezes, grande amiga, pela paciência e carinho com que me ajudou a caminhar na botânica, por sua amizade sincera e tão grande colaboração no desenvolvimento de meu trabalho. Ao Ariclenes Almeida, pela amizade, pelo sorriso e pelo apoio dado em o todo tempo. Á minha família, em especial minha mãe, que sempre apoiou as minhas decisões, não medindo esforços para me ajudar na caminhada acadêmica. À todos os meus amigos, especialmente Fabiana, Dany e Rita, que, apesar de não entenderem muito sobre botânica, estavam sempre pacientes ao meu lado compartilhando dos momentos mais importantes da minha vida.
Tapeceiro, Grande artista vai fazendo o seu trabalho Incansável, paciente no seu tear Tapeceiro, Não se engana Sabe o fim desde o começo Traça voltas, mil desvios sem perder o fio Minha vida é obra de tapeçaria É tecida de cores alegres e vivas Que fazem contraste no meio das cores nubladas e tristes Se você olha do avesso Nem imagina o desfecho No fim das contas tudo se explica,tudo se encaixa tudo coopera pro meu bem Quando se vê pelo lado certo Muda-se logo a expressão do rosto Obra de arte Pra honra e glória do Tapeceiro João Alexandre O Tapeceiro
RESUMO A família Chrysobalanaceae, caracterizada principalmente por plantas lenhosas, com folhas alternas, gineceu apresentando estilete basal ou lateral e óvulo ereto, com distribuição pantropical, abrangendo 18 gêneros e cerca de 530 espécies. Destas, cerca de 250 espécies ocorrem no Brasil, principalmente na Amazônia. No estado da Paraíba pouco se conhece sobre este grupo, uma vez que os estudos taxonômicos são escassos. Portanto, este trabalho foi proposto a fim de informar sobre as espécies da família com ocorrência no Estado. O estudo foi realizado a partir da análise de material coletado e das coleções dos herbários JPB, INPA e UFP. O trabalho contem chaves para identificação de gêneros e espécies, descrições, ilustrações, informações sobre a distribuição geográfica das espécies e comentários sobre as mesmas. Na Paraíba, a família Chrysobalanaceae está representada por quatro gêneros, oito espécies e duas variedades: Chrysobalanus icaco L., Couepia impressa Prance, Hirtella ciliata Mart. & Zucc., H. racemosa var. racemosa Lam., H. racemosa var. hexandra (Willd. ex Roem. & Schult.) Prance, Licania apetala (E. Mey.) Fritsch, L. littoralis Warm., L. octandra (Hoffmanns. ex Roem. & Schult.) Kuntze., L. rigida Benth e L. tomentosa (Benth.) Fritsch. Palavras-chave: Chrysobalanaceae, Sistemática, Paraíba.
ABSTRACT The family Chrysobalanaceae, mainly characterized by woody plants with alternate leaves, gynoecium showing basal or lateral stylus and egg upright, with a pantropical distribution, covering 18 genera and about 530 species. Of these, about 250 species occur in Brazil, mainly in the Amazon. In the state of Paraiba, little is known about this group, since the taxonomic studies are scarce. Therefore, this work was proposed in order to inform the family about the species occurring in the state. The study was conducted based on the analysis of collected material and herbarium collections of the JPB, INPA and UFP. The paper includes identification keys for genera and species, descriptions, illustrations, information on the geographic distribution of species and comments on them. In Paraíba, the family Chrysobalanaceae is represented by four genera, eight species and two varieties: Chrysobalanus icaco L., Couepia impressa Prance, Hirtella ciliata Mart. & Zucc., H. racemosa var. racemosa Lam., H. racemosa var. hexandra (Willd. ex Roem. & Schult.) Prance, Licania apetala (E. Mey.) Fritsch, L. littoralis Warm., L. octandra (Hoffmanns. ex Roem. & Schult.) Kuntze., L. rigida Benth. and L. tomentosa (Benth.) Fritsch. Keywords: Chrysobalanaceae, Systematic, Paraíba.
SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO....01 2. OBJETIVOS...02 3. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA...02 4. METODOLOGIA...06 5. RESULTADOS...07 5.1 MANUSCRITO A SER SUBMETIDO EM REVISTA CIENTÍFICA Resumo...09 Introdução...10 Material e Métodos...11 Resultados...12 Família Chrysobalanaceae...12 1. Chrysobalanus L...13 1.1 C. icaco L...14 2. Couepia Aubl...17 2.1 C. impressa Prance...17 3. Hirtella L...19 3.1 H. ciliata Mart. & Zucc...19 3.2 H. racemosa var. hexandra (Willd. ex Roem. & Schult.) Prance...22 3.3 H. racemosa var. racemosa Lam...23 4. Licania Aubl...27 4.1 L. apetala (E. Mey.) Fritsch...28 4.2 L. littoralis Warm...30 4.3 L. octandra (Hoffmanns. ex Roem. & Schult.) Kuntze...32 4.4 L. rigida Benth...34 4.5 L. tomentosa (Benth) Fritsch...36 Discussão...39 Agradecimentos... 39 Referência Bibliográfica...40 6. CONCLUSÕES...41 7. REFERÊNCIAS...42
Lista de Figuras Figura 1. Chrysobalanus icaco L.: A- flor; B fruto; C hábito...25 Figura 2. Chrysobalanaus icaco L.: A hábito; B estames; C- flor...26 Figura 3. Couepia impressa Prance: A Hábito; B folha, face abaxial; C flor...28 Figura 4. Hirtella ciliata Marc. & Zucc.: A Hábito; B Detalhe do tronco; C flor...31 Figura 5. Hirtella racemosa var. hexandra (Willd. ex Roem. & Schult.) Prance. A e B inflorescência...33 Figura 6. Hirtella racemosa var. racemosa Lam.: A hábito; B inflorescência...35 Figura 7. A-D: Hirtella ciliata Mart. & Zucc. A-folha; B- bractéolas; C-inflorescência; Dfruto. E-G: H. racemosa var. hexandra (Willd. ex Roem. & Schult.) Prance. Efolha, face abaxial; F-folha, face adaxial; G-flor. H-L: H. racemosa var. racemosa Lam. H-hábito; I-folha, face abaxial; J-folha, face adaxial; L-flor...36 Figura 8. Imagem digital do Isótipo de Licania apetala (E. Mey.) Fritsch...39 Figura 9. Imagem digital do Isótipo de Licania littoralis Warm...41 Figura 10. Imagem digital do Holótipo de Licania octandra (Hoffmanns. ex Roem. & Schult.) Kuntze...43 Figura 11. Imagem digital do Isótipo de Licania rigida Benth...45 Figura 12. Imagem digital do Isótipo de Licania tomentosa (Benth.) Fritsch...47 Figura 13. A: Licania apetala (E. Mey.) Fritsch; flor. B-D: L. littoralis Warm.; B-hábito, Cbotões, D-flor. E-F: L. octandra (Hoffmanns. ex Roem. & Schult.) Kuntze; E-folha - face abaxial, F-flor.G: L. rigida (Benth); flor. H-L: L. tomentosa (Benth.) Fritsch.; H-flor e botão, I-pétala, J-estames, L-gineceu...48
1. Introdução Chrysobalanaceae é uma família com distribuição pantropical, sobretudo americana, incluindo 18 gêneros e aproximadamente 531 espécies (PRANCE, 2007). No Brasil ocorrem sete gêneros e cerca de 250 espécies, a maioria na Amazônia, região que pode ser considerada o maior centro de distribuição da família (DALY & PRANCE, 1989 apud SILVA & ALMEIDA Jr, 2009). Na Mata Atlântica são encontrados seis gêneros e 59 espécies, sendo cerca de 80%, endêmicas. Para as áreas costeiras do Brasil, considerando as formações de Restinga e a Floresta Atlântica, ocorrem 39 espécies endêmicas (PRANCE, 1987 apud TABARELLI & MANTOVANI, 1999). Tradicionalmente as Chrysobalanaceae estavam associadas às Rosaceae, mas a partir do século XX a maioria dos autores passou a tratar estas famílias como distintas (SILVA & ALMEIDA Jr, 2009). Robert Brown (1818) foi o primeiro a descrever o grupo como uma família e a partir de então, muitos autores têm colocado Chrysobalanaceae em posição próxima à Rosaceae, embora a maioria dos sistemas de classificação tratem o grupo como uma tribo ou subfamília de Rosaceae (PRANCE, 1972). Segundo Barroso (1991), as duas famílias distinguem-se principalmente pela presença, de estilete lateral e pelos óvulos eretos em Chrysobalanaceae. Economicamente, as Chrysobalanaceae têm sido pouco exploradas. Porém, algumas espécies da região amazônica destacam-se pela utilização da madeira na fabricação de barcos, devido à grande resistência à ação de microrganismos. Há registro da utilização da madeira de Licania e Paranari na construção civil (SILVA & ALMEIDA Jr, 2009). Contudo, o uso mais amplo da madeira é inviabilizado pelas altas concentrações de sílica (WELLE, 1986 apud PRANCE, 2007). Na Paraíba, o registro do uso da madeira de Licania na fabricação de materiais de uso agrícola como roda para carro-de-boi, consiste em informações de herbário. Do fruto de Licania tomentosa (Benth.) Fritsch, conhecida como oiti, é extraída a poupa para consumo e da semente, é retirado o óleo que é usado na produção de sabão e verniz. Esta espécie, destaca-se ainda por ser uma árvore bastante comum na arborização de ruas e praças (DANTAS & SOUZA, 2004). Outra espécie conhecida por produzir frutos comestíveis é Chrysobalanus icaco L., a maçanzinha-de-praia ou guajirú, muito comum ao longo da costa litorânea. 1
Na Paraíba, a família Chrysobalanaceae tem sido apenas citada em levantamentos florísticos e ainda não havia recebido um tratamento sistemático mais completo. As primeiras informações sobre as espécies, que aqui a representam, estão sendo disponibilizadas a partir deste trabalho. 1.1 Objetivos O presente trabalho foi realizado com o objetivo de produzir informações e reunir as já existentes sobre as espécies de Chrysobalanaceae que integram a flora do Estado da Paraíba, a fim de disponibilizar um diagnóstico sobre esse grupo, buscando subsidiar futuras pesquisas em outras áreas do conhecimento. 2. Revisão Bibliográfica Com distribuição pantropical, principalmente americana, a família Chrysobalanaceae abrange 18 gêneros 531 espécies, sendo sete destes, neotropicais (PRANCE, 2007). É uma das famílias mais representativas na Amazônia em número de espécies (DALY & PRANCE, 1989 apud SILVA & ALMEIDA Jr, 2009). Na Mata Atlântica, são encontrados seis gêneros e 59 espécies, destas, 39 endêmicas (PRANCE, 1987 apud TABARELLI & MANTOVANI, 1999). Tradicionalmente as Chrysobalanaceae estiveram associadas às Rosaceae, mas muitos autores modernos passaram a tratar as duas famílias como distintas (SILVA & ALMEIDA Jr, 2009). Linneaus (1753), em Spicies Plantarum, estabeleceu duas espécies da família: Chrysobalanus icaco L. e Hirtella americana L. Posteriormente, Aublet (1775) ampliou os conhecimentos sobre as Chrysobalanaceae, descrevendo seis gêneros. Destes, quatro: Acioa, Couepia, Licania e Parinari, continuam atualmente aceitos. E mais tarde, Jussieu (1789) incluiu todos os gêneros reconhecidos na família Rosaceae. Algumas décadas depois, Robert Brown (1818), reconheceu o grupo como uma família distinta de Rosaceae, pela presença de estilete basal, embrião erecto e tendência ao
zigomorfismo (PRANCE, 1972). Mas, De Candolle (1825) preferiu tratar as Chrysobalanaceae como uma tribo das Rosaceae, a qual chamou Chrysobalaneae. Ao longo dos estudos dedicados ao grupo, Chrysobalanaceae também foi considerada como uma família entre Rosaceae e Leguminosae. Essa posição foi corroborada por trabalhos, que abordaram anatomia do lenho, da folha e o crescimento primário, considerando assim, a família mais próxima à Rosaceae. (FRITSCH, 1888; HALLIER, 1903; JUEL, 1915; WETTSTEIN, 1933 apud PRANCE, 1972). De acordo com a proposta de APG III (2009), as Chrysobalanaceae pertencem à ordem Malpighiales e estão mais próximas às famílias Achariaceae e Clusiaceae. No Brasil, o primeiro tratamento taxonômico da família foi feito por Hooker (1867) na Flora Brasiliensis, que sob o nome de Chrysobalaneae, a considerou uma tribo de Rosaceae. Em sua monografia, este autor tratou os gêneros Chrysobalanus, Couepia, Hirtella, Lecostermon, Licania, Moquilea (atualmente incluído em Licania) e Parinarium (atualmente Parinari). Das espécies reconhecidas por Hooker (1867) naquela oportunidade, Chrysobalanaus icaco L., Hirtella ciliata Mart. & Zucc., Licania rigida Benth. e Moquilea tomentosa Benth. (atualmente Licania tomentosa) têm ocorrência na Paraíba. Além destes, poucos foram os trabalhos taxonômicos, publicados no Brasil, para a família. Entretanto, Prance (1972, 1974, 1983, 1987, 1988, 2003) muito tem contribuído com a taxonomia do grupo, principalmente na região Amazônica, sendo o seu mais recente trabalho a Flora da Reserva Ducke (2007). Em Minas Gerais, Assis (2003) descreveu a família para a Flora de Grão Mogol. E mais recentemente, Hemsing & Romero (2010) trabalharam com a família no Parque Nacional da Serra da Canastra. Para a região Nordeste, os estudos sobre a família são escassos, merecendo citação o de Silva & Almeida Jr. (2009) que descreveram a família para a Flora de Mirandiba, em Pernambuco. Além destes estudos taxonômicos, há apenas registros da ocorrência da família em levantamentos florísticos, realizados na Mata Atlântica, na Amazônia, na Caatinga e no Cerrado. Peixoto et al. (1995), construindo um diagrama do perfil da cobertura de um trecho de floresta de tabuleiro em Linhares no Espírito Santo, registrou as espécies Couepia schottii Fritsch e Licania arianeae Prance integrando uma formação vegetal em crescimento. Tabarelli & Mantovani (1999) listam dez espécies para o Estado de São Paulo, destacando as Chrysobalanaceae dentro de um grupo de famílias responsáveis pela diferença em riqueza 2
entre a floresta atlântica de encosta e as demais florestas analisadas no estudo. Sanchez et al. (1999) registram os gêneros Hirtella e Couepia em um trecho de floresta ripária no município de Ubatuba. Nesse mesmo Estado, Weiser & Godoy (2001), registraram Couepia grandiflora (Mart. & Zucc.) Benth. ex Hook. f. e Licania humilis Cham. & Schltdl. no município de Santa Rita do Passa Quatro e informaram sobre, o período de floração e de frutificação das mesma, e sobre o padrão de dispersão, que é zoocórica. Santos & Kinoshita (2003) documentaram os gêneros Couepia e Hirtella para a flora arbórea-arbustiva do município de Campinas. E Catharino et al. (2006) registrou o gênero Hirtella em um estudo sobre a composição e a diversidade do componente arbóreo no município de Cotia. No Espírito Santo, Pereira & Assis (2000) citam Couepia sp. habitando numa região de mata seca. No Estado do Rio de Janeiro, a ocorrência do gênero Licania foi documentada por Kurtz & Araújo (2000) na Estação Ecológica Estadual do Paraíso, em Cachoeiras de Macacu e por Pardo et al. (2007), no município de Teresópolis. Em Minas Gerais, Carvalho et al. (2000) relatam a ocorrência de Couepia meridionalis Prance, Licania gardneri (Hook f.) Fritsch e Licania hypoleuca Benth. em um fragmento de floresta semidecidual; Van Den Berg & Oliveria-Filho (2000) registram uma espécie do gênero Hirtella em floresta ripária; e Costa & Araújo (2001), numa comparação entre a vegetação de cerrado e de cerradão, citam as espécies Licania humilis Cham. ex Schlecht. ocorrendo em cerrado e as espécies Couepia grandiflora (Mart. & Schmidt) Lundel e Hirtella gracilipes (Hook. F.) Prance ocorrendo em cerradão e ainda a espécie Hirtella glandulosa Spreng. ocorrendo em cerradão de solo distrófico. No Mato Grosso, Marimon & Lima (2001) registraram oito espécies no trabalho sobre a caracterização fitofisionômica e levantamento florístico dos rios Mortes-Arguaia e Cocalinho. Lugnani et al. (2007) registram a ocorrência de espécies da família para o Mato Grosso do Sul, a partir de um estudo comparativo entre duas formações vegetais arbóreas. Em Tocantins, Brito et al. (2006) reconheceram Hirtella racemosa L. como a espécie de maior densidade e dominância relativa por em áreas de cerrado, no município de Lagoa da Confusão, Tocantins. O gênero Parinari foi registrado em uma área de Campo Sujo no Distrito Federal (MUNHOZ & FELFILI, 2006). 3
Trabalhos de levantamentos florísticos realizados na região Nordeste também registram espécies da família, na Flora Fanerogâmica das dunas e lagoas do Abaeté, Salvador, Bahia (BRITTO et al., 1993), em áreas da Mata Atlântica baiana (SAMBUICHI, 2003), na Chapada do Araripe, Ceará (MATIAS & NUNES, 2001; COSTA et al., 2004), na Mata do Toró em Pernambuco (ANDRADE & RODAL, 2004), em fragmentos de Mata Atlântica no Recife (BARRETO et al., 2004), na zona litorânea pernambucana (SILVA & ANDRADE, 2005), particularmente em Restinga (SACRAMENTO et al., 2007; ZICKEL et al., 2007), onde Hitella racemosa Lam. tem sido coletada. No estado do Maranhão, Aquino et al. (2007) registraram os gêneros Hirtella, Exellodendron e Couepia em Reservas Legais de Cerrado, através de uma listagem que inclui a potencialidade econômica desses gêneros e Medeiros et al. (2008) verificaram a presença dos gêneros Hirtella e Couepia no município de Carolina. Na Paraíba, a família apenas tem sido citada em trabalhos florísticos, como o de Xavier (1979), em levantamento fitogeográfico no Altiplano Cabo Branco, João Pessoa; Barbosa (1996), que registrou as espécies Licania tomentosa (Benth.) Fritsch. e Hirtella racemosa Lam. em um fragmento de Mata Atlântica na cidade de João Pessoa; Lourenço & Barbosa (2003), que realizaram o levantamento da flora da Fazenda Ipuarana, município de Lagoa Seca; Pessoa (2003), que realizou estudos florísticos no Parque Estadual da Pedra da Boca; Barbosa (2004) em estudos na Mata do Pau-Ferro, um remanescente de brejo de altitude no município de Areia; Agra et al. (2004), que registram a ocorrência de Licania rigida (Benth.) num levantamento florístico do Pico do Jabre, município de Maturéia; Amazonas (2006), que inventariou um remanescente de Mata Atlântica em João Pessoa; Pereira & Alves (2006), que trabalharam na APA da Barra do Rio Mamanguape, Litoral Norte do Estado. Mais recentemente, Freitas (2008), em levantamento florístico da aldeias indígenas também no Litoral Norte, registrou a ocorrência de Hirtella. Três gêneros e cinco espécies da família foram registrados para o Litoral Sul do Estado, a partir de um Relatório Técnico para a Área de Proteção Ambiental Tambaba (BARBOSA et al., 2008). Trabalhos ressaltando a importância econômica das espécies da família de ocorrência na Amazônia foram realizados por Welle (1986) apud Prance (2007) e Silva & Almeida Jr, (2009). No Nordeste são raros os trabalhos que tratam da importância econômica do grupo. Santos (2006) considerou Licania littoralis Warm. e Licania rigida (Benth.) Fritsch. como espécies arbóreas ameaçadas de extinção na Mata Atlântica, particularmente em área considerada centro de endemismo em Pernambuco. Contudo, muitas são as informações, em etiquetas de exsicatas, citando a extração de madeira de algumas espécies para vários fins. 4
3. Metodologia O Estado da Paraíba, localizado entre as coordenadas 34 45'54''E, 38 45'45''W, 6 02'12''N e 8 19'18''S, faz divisa ao sul com Pernambuco, ao Norte com o Rio Grande do Norte, a leste com o oceano Atlântico e a oeste com o Ceará. Possui uma área cerca de 56 milhões de quilômetros quadrados, o que corresponde a 0,66% do território brasileiro e a 3,63% da região Nordeste. O clima predominante na região é o quente e úmido, com chuvas de outono e inverno; semi-árido quente com chuvas de verão e quente úmido com chuvas de verão a outono, tendo temperatura média entre 22 C e 28 C (FELICIANO & MÉLO, 2003). A vegetação apresenta-se bastante variada, ocorrendo vegetação de praias e dunas, manguezais, cerrados, mata de restinga e mata de tabuleiro ao longo da zona costeira. Ainda ocorre, na região do planalto da Borborema, uma vegetação de transição, semi-decídua, cujos fragmentos constituem valorosas riquezas. A porção mais oeste deste mesmo planalto é formada pelo domínio caatinga, cobrindo metade do território paraibano (FELICIANO & MÉLO, 2003). As pesquisas de campo foram desenvolvidas em dois anos e consistiram no estudo das espécies, utilizando os métodos usuais praticados em taxonomia. Coletas foram realizadas aleatoriamente no período de Setembro de 2008 a Julho de 2010, na Área de Proteção Ambiental Tambaba, localizada no Litoral Sul do Estado e no Cariri Paraibano, na RPPN Fazenda Almas, municípios de Sumé e de São José dos Cordeiros. Todo o material coletado foi devidamente processado e incorporado ao acervo do herbário JPB/UFPB. As identificações das espécies foram realizadas com o auxilio da literatura especializada e por comparação com materiais previamente identificados por especialistas. Também foram analisadas, as coleções dos Herbários JPB, UFP e INPA. Também foram consultados herbários virtuais para obtenção de imagens digitais de tipos nomenclaturais como o Herbário Virtual (http://sciweb.nybg.org/science2/vii2.asp), New Journal York Storage Botanical - Garden JSTOR (http://plants.jstor.org/search?searchtext=) e o Herbário Virtual Royal Botanical Garden, KEW (http://apps.kew.org/herbcat/navigator.do). Todas as espécies foram descritas e ilustradas e para facilitar o seu reconhecimento, foram elaboradas chaves dicotômicas, com base no material examinado. As ilustrações de estruturas de interesse taxonômico foram elaboradas ao longo do trabalho, com o auxílio de 5
câmara clara, e organizadas em pranchas para cada gênero. Além disso, comentários e informações a cerca de área de ocorrência e de floração são disponibilizados. 3. Resultados Manuscrito a ser submetido à Revista Científica. 6
A FAMÍLIA CHRYSOBALANACEAE R. BR. NO ESTADO DA PARAÍBA, BRASIL. Michele Fernanda Marques de Brito & Rita Baltazar de Lima Universidade Federal da Paraíba/Centro de Ciências Exatas e da Natureza/Departamento de Sistemática e Ecologia/Laboratório de Taxonomia, Cidade Universitária, 58051-970, João Pessoa-PB. (micheleg7@gmail.com) 7
A família Chrysobalanaceae R. Br. no Estado da Paraíba, Brasil Resumo A família Chrysobalanaceae, caracterizada principalmente por plantas lenhosas, com folhas alternas, gineceu apresentando estilete basal ou lateral e óvulo ereto, com distribuição pantropical, abrangendo 18 gêneros e cerca de 530 espécies. Destas, cerca de 250 espécies ocorrem no Brasil, principalmente na Amazônia. No estado da Paraíba pouco se conhece sobre este grupo, uma vez que os estudos taxonômicos são escassos. Portanto, este trabalho foi proposto a fim de informar sobre as espécies da família com ocorrência no Estado. O estudo foi realizado a partir da análise de material coletado e das coleções dos herbários JPB, INPA e UFP. O trabalho contem chaves para identificação de gêneros e espécies, descrições, ilustrações, informações sobre a distribuição geográfica das espécies e comentários sobre as mesmas. Na Paraíba, a família Chrysobalanaceae está representada por quatro gêneros, oito espécies e variedades: Chrysobalanus icaco L., Couepia impressa Prance, Hirtella ciliata Mart. & Zucc., H. racemosa var. racemosa Lam., H. racemosa var. hexandra (Willd. ex Roem. & Schult.) Prance, Licania apetala (E. Mey.) Fritsch, L. littoralis Warm., L. octandra (Hoffmanns. ex Roem. & Schult.) Kuntze., L. rigida Benth e L. tomentosa (Benth.) Fritsch. Palavras-chave: Chrysobalanaceae, Sistemática, Paraíba. The family Chrysobalanaceae R. Br. the state of Paraiba, Brazil Abstract The family Chrysobalanaceae, mainly characterized by woody plants with alternate leaves, gynoecium showing basal or lateral stylus and egg upright, with a pantropical distribution, covering 18 genera and about 530 species. Of these, about 250 species occur in Brazil, mainly in the Amazon. In the state of Paraiba, little is known about this group, since the taxonomic studies are scarce. Therefore, this work was proposed in order to inform the family about the species occurring in the state. The study was conducted based on the analysis of collected material and herbarium collections of the JPB, INPA and UFP. The paper includes identification keys for genera and species, descriptions, illustrations, information on the geographic distribution of species and comments on them. In Paraíba, the family Chrysobalanaceae is represented by four genera, eight species and two varieties: Chrysobalanus icaco L., Couepia impressa Prance, Hirtella ciliata Mart. & Zucc., H. racemosa var. racemosa Lam., H. racemosa var. hexandra (Willd. ex Roem. & Schult.) Prance, Licania apetala (E. Mey.) Fritsch, L. littoralis Warm., L. octandra (Hoffmanns. ex Roem. & Schult.) Kuntze., L. rigida Benth. and L. tomentosa (Benth.) Fritsch. Keywords: Chrysobalanaceae, Systematic, Paraíba. 8
Introdução A família Chrysobalanaceae abrange 531 espécies, distribuídas em 18 gêneros, destes, sete são neotropicais, sendo a Amazônia a região mais representativa em número de espécies (Daly & Prance 1989 apud Silva & Almeida Jr 2009). Na Mata Atlântica, são encontrados seis gêneros e 59 espécies, destas 39 endêmicas (Prance 1987 apud Tabarelli & Mantovani 1999). Seus representantes caracterizam-se pelas folhas simples e alternas, flores pentâmeras, com hipanto, pétalas livres ou raramente ausentes, ovário súpero, estilete lateral ou inserido na base do ovário e óvulos eretos (Prance 2007). Na Mata Atlântica, considerando as áreas costeiras e restingas, são encontrados seis gêneros e 59 espécies, destas, 39 são endêmicas (Prance 1987 apud Tabarelli & Mantovani 1999). Tradicionalmente as Chrysobalanaceae estavam associadas à Rosaceae, mas a partir do século XX a maioria dos autores passou a tratar estas famílias como distintas (Silva & Almeida Jr 2009). Robert Brown em 1818 circunscreveu o grupo como uma família, porém muitos autores preferiram considerá-la em Rosaceae (Prance 1972). De acordo com a proposta de APG III (2009) Chrysobalanaceae pertence à ordem Malpighiales, estando mais próxima das famílias Achariaceae e Clusiaceae. Economicamente, as Chrysobalanaceae têm sido pouco exploradas, embora muitas espécies tenham grande potencial, pelo uso da madeira para vários fins como na construção civil e de frutos que podem ser introduzidos na alimentação. Antes apenas citada em levantamentos florísticos, na Paraíba, a família ainda não havia recebido um tratamento taxonômico mais completo, sendo esta a primeira contribuição sobre a sistemática do grupo, a partir da qual ficam disponibilizadas todas as informações que puderam ser reunidas sobre os gêneros e espécies de ocorrência no Estado. 9
Material e Métodos O Estado da Paraíba, localizado entre as coordenadas 34 45'54''E, 38 45'45''W, 6 02'12''N e 8 19'18''S, faz divisa ao sul com Pernambuco, ao Norte com o Rio Grande do Norte, a leste com o oceano Atlântico e a oeste com o Ceará. Possui uma área cerca de 56 milhões de quilômetros quadrados, o que corresponde a 0,66% do território brasileiro e a 3,63% da região Nordeste. O clima predominante na região é o quente e úmido, com chuvas de outono e inverno; semi-árido quente com chuvas de verão e quente úmido com chuvas de verão a outono, tendo temperatura média entre 22 C e 28 C (Feliciano & Mélo 2003). A vegetação apresenta-se bastante variada, ocorrendo vegetação de praias e dunas, manguezais, cerrados, mata de restinga e mata de tabuleiro ao longo da zona costeira. Na região do planalto da Borborema, ocorre uma vegetação de transição, semi-decídua, cujos fragmentos constituem valorosas riquezas. E na parte mais oeste deste planalto encontra-se o domínio caatinga, cobrindo metade do território paraibano (Feliciano & Mélo 2003). As pesquisas foram desenvolvidas em dois anos e consistiram no estudo das espécies, utilizando os métodos usuais da taxonomia. Coletas aleatórias foram realizadas no período de Setembro de 2008 a Julho de 2010, na Área de Proteção Ambiental Tambaba, Litoral Sul do Estado e na RPPN Fazenda Almas, municípios de Sumé e de São José dos Cordeiros. Todo o material foi incorporado ao acervo do herbário JPB/UFPB. A identificação das espécies foram realizadas com o auxilio da literatura especializada e por comparação com materiais previamente identificados por especialistas. Foram analisadas, as coleções dos Herbários JPB, UFP da Universidade Federal de Pernambuco e INPA do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia. Também foram consultados herbários virtuais para obtenção de imagens digitais de tipos nomenclaturais, como o Herbário Virtual (http://sciweb.nybg.org/science2/vii2.asp), New o site York do Journal Botanical Storage Garden - JSTOR (http://plants.jstor.org/search?searchtext=) e o Herbário Virtual Royal Botanical Garden, KEW (http://apps.kew.org/herbcat/navigator.do). Todas as espécies foram descritas e ilustradas e para facilitar o seu reconhecimento, foram elaboradas chaves dicotômicas, com base no material examinado. As ilustrações de estruturas de interesse taxonômico foram elaboradas e organizadas em pranchas para cada 10
gênero. Comentários e informações a cerca de área de ocorrência e de floração são disponibilizados. Resultados A partir deste trabalho, são reconhecidos para o Estado da Paraíba, quatro gêneros, oito espécies e duas variedades de Chrysobalanaceae: Chrysobalanus icaco L., Couepia impressa Prance, Hirtella ciliata Mart. & Zucc., H. racemosa var. racemosa Lam., H. racemosa var. hexandra (Willd. ex Roem. & Schult.) Prance, Licania apetala (E. Mey.) Fritsch, L. littoralis Warm., L. octandra (Hoffmanns. ex Roem. & Schult.) Kuntze, L. rigida Benth. e L. tomentosa (Benth.) Fritsch, ocorrendo principalmente na Mata Atlântica. Chrysobalanaceae R. Br. Árvores ou arbustos. Folhas simples, alternas, pecioladas, elípticas a oblongas com margem inteira, coriáceas, peninérveas. Estípulas caducas ou persistentes. Inflorescências axilares ou terminais, racemosas em panículas ou racemos, ou cimosas em dicásios ou tirsos. Brácteas e bractéolas frequentemente glandulares. Flores pediceladas, diclamídeas ou raramente monoclamídeas, 5-6-meras, actinomorfas ou zigomorfas, andróginas; cálice imbricado, gamossépalo, raro dialissépalo; corola imbricada, dialipétala; androceu polistêmone, dialistêmone ou gamostêmone, estames com disposição cíclica ou unilateral, anteras bitecas, dorsefixas, deiscência longitudinal; disco nectarífero presente; gineceu 1-2carpelar, ovário súpero, 1-2-locular, 1-2 óvulos eretos por lóculo; estilete ginobásico. Fruto drupa. 11
Chave para separação dos gêneros de ocorrência na Paraíba 1. Flores zigomorfas; estames unilaterais. 2. Folhas discolores, lâmina com tricomas lanosos; nervuras mediana e laterais proeminentes na face abaxial; estípulas decíduas; bractéolas sem glândulas...couepia 2. Folhas não discolores, lâmina com tricomas não lanosos; nervuras mediana e laterais não proeminentes na face abaxial; estípulas persistentes; bractéolas com glândulas...hirtella 1'. Flores actinomorfas, estames num círculo completo. 3. Ramos glabros; folhas obovadas; inflorescência em dicásio; flores diclamídeas......chrysobalanus 3'. Ramos com indumento; folhas elípticas a oblongas; inflorescências em panículas ou racemos, flores diclamídeas ou monoclamídeas... Licania 1. Chrysobalanus L. Arbustos, ramos glabros. Folhas obovadas, base obtusa, ápice obtuso, coriáceas, glabras. Estípulas decíduas. Inflorescências axilares, cimosas, em dicásios. Flores pentâmeras, diclamídeas, heteroclamídeas, actinomorfas, hipóginas; cálice gamossépalo, marcescente, lobos lanuginosos nas duas faces; corola com pétalas alvas, glabras; androceu poliadelfo, estames heterodínamos, filetes subulados, exsertos, densamente pilosos, anteras ovais; ovário unicarpelar, unilocular, placentação basal; estilete cilíndrico, piloso exceto no ápice. Fruto drupa. O nome genérico dado por Linneaus (1753) deriva do grego e significa bola dourada, em atribuição ao fruto que quando jovem tem esse aspecto (Prance 2007). 12
1.1 Chrysobalanus icaco L., Sp. Pl. 1: 513, 1753. Nigéria, 1860, fl, Mann. 498 (Isótipo K, imagem digital!). Figs: 1 e 2. Arbustos ca. 1,5 m alt. Folhas obovadas, lâmina com base obtusa, ápice obtuso, 4,06,5 cm compr., 3,5-5,2 cm larg., pecíolo 3,0-4,0 mm compr., cilíndrico, levemente piloso. Flores ca. 8,0 mm comp; lobos do cálice com ápice agudo, ca. 4,0 mm compr.; corola com pétalas alvas, sagitadas, base truncada, ápice acuminado, glabras, ca. 2,0 mm de compr.; cerca de 30 estames, 5,0-8,0 mm compr., anteras ovais; ovário unicarpelar, unilocular, placentação basal; estilete cilíndrico; estigma indiviso, piloso até quase o ápice. Fruto drupa, globosa, glabra, vinácea na maturação. Material Examinado: BRASIL, PARAÍBA: Conde, Área de Proteção Ambiental Tambaba, 09.X.2009, fl., fr., Brito et al. 339 (JPB); 11.XII.2009, fl., fr., Brito et al. 340 (JPB);18.VI.2010, fl., fr., Brito et al. 341 (JPB); 28.VII.2005, fl. e fr., Gadelha Neto et al. 1457 (JPB); Praia de Jacumã, 27.IV.2006, fl. e fr., Agra et al 6.746 (JPB); Tabatinga, 09.I.1992, fl. e fr., Moura 774 (JPB). Mamamguape, Tarama, 26.IV.1990, fl. e fr., Felix et al. 2.872 (JPB). João Pessoa, Praia do Sol, 20.IX.1987, fr., Miranda (JPB 7.365); Jacarapé, 01.V.1988, fl., Moura 411 (JPB); 20.III.1984, fl., Moura 175 (JPB); Praia do Bessa, 30.X.1966, fl., Alves (JPB 2.930); 20.V.1981, fl., Agra (JPB 4.308); Praia de Tambaú, 18.IX.1947, fl., Xavier (JPB 1525). Lucena, 06.XI.1998, fl., Moura 70 (JPB). Cabedelo, Intermares, 12.I.2005, fl., Sena Filho 01 (JPB). Material Adicional Examinado: BRASIL, BAHIA: Salvador, 05.II.1998, Costa et al. 113 (INPA). PARÁ: Belém, 07.II.1981, fl., Monteiro 45 (INPA). PERNAMBUCO: Goiana, 28.VII.2001, fl., Lima et al. (UFP 31.049); Tamandaré, Fazenda Estivas, 21.I.2000, fl., Oliveira & Andrade 526 (UFP). Nome Vernacular: guajirú, maçãzinha-de-praia (em exsicatas). 13
A espécie ocorre predominantemente ao longo de todo litoral paraibano, em solo arenoso, florescendo e frutificando durante todo o ano. O fruto é comestível e apreciado, principalmente, por pequenos animais. É nativa, mas não endêmica do Brasil, ocorrendo ao longo da costa Brasileira nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste, nos domínio Mata Atlântica e Amazônia (Prance & Sothers 2010). A B C Figura 1. Chrysobalanus icaco L.: A - hábito; B flor; C fruto. 14
B A C Figura 3. Chrysobalanaus icaco L. A-hábito; B-flor; C-estames (Brito 339). 15
2. Couepia Aubl. Árvores com ramos glabros. Folhas elípticas, base obtusa, ápice mucronado, pilosas somente na face abaxial, peninérveas, nervuras proeminentes na face abaxial; pecíolo cilíndrico, piloso. Inflorescências terminais em racemos. Flores pediceladas, pentâmeras, diclamídeas, zigomorfas, polistêmones; cálice tubuloso, gamossépalo, piloso nas duas faces; corola com pétalas oblongas, base truncada, ápice acuminado, glabras; 16 estames, livres, exsertos, glabros, cilíndricos; anteras bitecas, dorsefixas, deiscência longitudinal; ovário súpero, unicarpelar, unilocular, placentação basal, 2 óvulos, estilete ginobásico, piloso. 2.1 Couepia impressa Prance, Fl. Neotrop. 9: 255, 1972. Brasil, Pernambuco, Mata Dois Irmãos, 1897, fl, Lima 54 (Holótipo IPA). Fig. 3. Árvore 15-20 m alt. Folhas pilosas na face abaxial, 12,0-16,0 cm compr., 5,0-7,0 cm larg., nervura mediana e nervuras laterais proeminentes na face abaxial; pecíolo cilíndrico, 3,0-6,0 mm compr. Inflorescência ca. 8,0 cm compr. Flores 8,0-11,0 mm compr., lobos do cálice com ápice agudo, pilosos; pétalas oblongas, base truncada, ápice acuminado, glabras, 3,0-4,0 mm compr., 2,0-3,0 mm larg.; 14-16 estames, glabros, ca. 10 mm compr.; ovário com 2 óvulos, placentação basal, estilete ginobásico, revestido até a metade do comprimento por tricomas longos, hialinos. Frutos não vistos. Material Examinado: BRASIL, PARAÍBA: Cabedelo, Mata do Amém, 10.XI.1999, fl., Pontes & Gadelha Neto 265 (JPB). Material Adicional Examinado: BRASIL, ALAGOAS: Ibateguara, Coimbra, 06.V.2002, Oliveira & Grillo 1583 (UFP); 04.VIII.2004, Oliveira & Santos 1.597 (UFP). Maceió, Parque do Catolé, 16.IX.1979, fl., fb., Fernandes & Castro (UFP 4474); Usina Serra Grande, 21.VI.2003, Oliveira & Grillo 1.613 (UFP). SERGIPE: Areia Branca, Parque Nacional Serra de Itabaiana, 05.I.2009, fl., Mendes et al. 269 (UFP). 16
Nome Vernacular: goiti de morcego, oiti-mirim, oiticica (em exsicatas). A espécie foi estabelecida por Prance (1972) para Pernambuco. É endêmica do Brasil, com registro de ocorrência nos Estados de Pernambuco, Bahia, Alagoas e Paraíba, ocorrendo na Mata Atlântica (Sothers 2010). Na Paraíba foi coletada florida em novembro. A B C Figura 3. Couepia impressa Prance: A Hábito; B folha, face abaxial; C flor (Gadelha Neto 265). 17
3. Hirtella L. Árvores ou arbustos, ramos pilosos. Folhas oblongas a elípticas, coriáceas, peninérveas. Estípulas laterais. Inflorescências em panículas, dicásios ou racemos; brácteas e bractéolas glandulares. Flores pentâmeras, diclamídeas, actinomorfas ou zigomorfas; cálice gamossépalo; corola dialipétala; estames 6-10, exsertos, filetes subulados ou laminares; ovário súpero, unicarpelar, unilocular; estilete ginobásico com ápice truncado, às vezes piloso. Fruto drupa. Chave de identificação para as espécies do gênero Hirtella 1. Árvores com folhas orbiculares; bractéolas com muitas glândulas......h. ciliata Mart. & Zucc. 1. Arbustos com folhas elípticas; bractéolas com poucas glândulas...h. racemosa Lam. 3.1 Hirtella ciliata Mart. & Zucc. Abh. Math.-Phys. Cl. Königl. Bayer. Akad. Wiss. 1: 378380. 1832. Brasil, 1849, fl., R. Spruce, (Holótipo F, Imagem digital!). Figs. 4 e 7; A-D Árvores 3-4m alt. Folhas orbiculares, base truncada, ápice obtuso, lâmina pilosa nas duas faces, 3,0-6,0 cm compr., 2,0-4,0 cm larg.; pecíolo cilíndrico, piloso, 1,0-2,0 mm compr. Estípulas curtas, pilosas. Inflorescências axilares, cimosas em panícula, ca. 17,0 cm compr. Flores pediceladas, hipóginas, 1,0-2,0 cm compr.; sépalas com margem glandular, pilosa na face externa, 3,0-2,0 mm compr.; pétalas orbiculares, marcescentes, rosáceas, ca. 3,0 mm compr., ca. 2,0 mm larg.; androceu dialistêmone, heterodínamo, exsertos, filetes glabros, ca. 4,0 mm compr.; ovário com dois óvulos, placentação basal, estilete glabro, 4,0-5,0 mm compr., estigma truncado. Fruto drupa. 18
Material Examinado: BRASIL, PARAÍBA: Conde, APA Tambaba, 09.X.2009, fl., Brito, et al. 342 (JPB); 06.XI.2009, fl., Brito et al. 343 (JPB); APA Tambaba,28.V.2010, fl., Brito et al. 344 (JPB); ). Jacumã, 12.XI.1991, fl., Moura 696 (JPB); 18.XII.1991, fl. e fr., Moura 688 (JPB). Mamanguape, ReBio Guaribas, 30.X.2001, fl., Camarotti 67 (JPB). João Pessoa, Mata do Buraquinho, 21.X.2003, fl., Gadelha Neto 1020 (JPB). Material Adicional Examinado: BRASIL, AMAPÁ: Porto Grande, 06.VIII.1993, fl., Bridgewater et al. 124 (INPA). AMAZONAS: Marabá, 15.IX.1973, fl., Pires (INPA 83.815); (INPA 13,342). BAHIA: São Desidério, Sítio Rio Grande, 05.X.2010, fl., Marcondes 3038 (UFP). PARÁ: Marajó, 18.IX.1976, fl., Rosa et al. 961 (INPA). Oeiras do Pará, 17.VIII.2000, fl., Fereira et al. 12.083 (INPA). PERNAMBUCO: Mateiros, Jalapão, 04.V.2001, fl., Sampaio et al. 407 (JPB). RORAIMA: Igarapé do Rebenque, 03.X.1995, fl., Miranda 1118 (INPA). TOCANTINS: Mateiros, 04.V.2001, fl., Sampaio et al. 407 (UFP). Nome Vernacular: azeitona do mato (em exsicatas). No Brasil, a espécie ocorre na Amazônia, Caatinga e Cerrado, tendo registro para os Estados de Pernambuco, Ceará, Bahia, Sergipe, Piauí e Maranhão (Prance & Sothers 2010). A ocorrência desta espécie na Paraíba, está sendo documentada a partir deste trabalho. Na Paraíba, a espécie ocorre em formações de tabuleiro, em solo arenoso, preferencialmente em locais mais abertos e ensolarados, comumente formando grandes populações. 19
B A C Figura 4. Hirtella ciliata Marc. & Zucc.: A Inflorescência com bractéolas glandulosas; B Detalhe do tronco; C hábito. Chave de identificação para as variedades de Hirtella racemosa 2. Folhas com lâminas 5-8 cm compr., com tricomas apenas ao longo da nervura mediana e nas margens; bractéolas com 2-3 glândulas arredondadas...h. racemosa var. racemosa 2. Folhas com lâminas 3-4 cm compr., densamente pilosa nas duas faces; bractéolas com 1-2 glândulas obtusas...h. racemosa var. hexandra (Willd. ex Roem. & Schult.) Prance 20
3. 2 Hirtella racemosa var. hexandra (Willd. ex Roem. & Schult.) Prance, Fl. Neotrop. 9: 328, 1972. Hirtella hexandra Willd. ex Roem. & Schult. Syst. Veg. 5: 274. 1819. Fig. 5 e 7; E-G Arbustos 1,5-2,0 m alt. Folhas elípticas, base obtusa, ápice agudo, 6,0-9,0 cm compr., 3,0-4,0 cm larg., pecíolo cilíndrico, piloso, 1,0-2,0 mm compr. Estípulas lanceoladas, pilosas. Inflorescências axilares ou terminais, racemos; bractéolas com 1-2 glândulas planas. Flores zigomorfas, 6,0-7,0 mm compr.; lobos do cálice levemente pilosos, ápice agudo; pétalas elípticas, glabras, rosáceas, ca. 3,0 mm compr.; androceu isodínamo, estames-6, filetes em forma de fita, 6,5-7,5 mm compr.; estigma truncado, estilete em forma de fita, piloso na base, 7,5 mm compr. Drupas. Material Examinado: BRASIL, PARAÍBA: Conde, APA Tambaba,15.I.2010, fl., Brito et al. 345 (JPB). João Pessoa, Mata do Buraquinho, 18 abril 1993, fl., Barbosa 1336 (JPB); 11 out 1992, fl., Barbosa 1304 (JPB); 10.III.1992, fl., Barbosa 1262 (JPB). Material Adicional Examinado: BRASIL, AMAZONAS: Balbina, 14.VIII.2008, fl., Melo 541 (INPA). Manaus, 12.VII.2000, fl., Kinupp 1404 (INPA); 15.III.1959, fl., Chagas (INPA 7218); Estrado do Aleixo, 11.IV.1978, fl., Nascimento 571 (INPA). PARÁ: Santarém, 23.II.1986, fl., Ackerly 161 (INPA). PERNAMBUCO: Cabo, 02.XII.1971, fl., Barros 161 (UFP). Cabo de Santo Augustinho, 15.IX.1984, fl., Barbosa (UFP 4210); 10.X.1970, Mariz 571 (UFP). Aldeia, 19.X.1970, Oswaldo Lima 2263 (UFP); 07.X.1969, Xavier Filho (UFP 1970). RORAIMA: Boa Vista, 20.X.1977, fl., Coradim (INPA 76.197). Nome Vernacular: macucu e macucu peludo (em exsicatas). 21
Apesar de não ser uma espécie endêmica do Brasil, tem distribuição nos domínios Mata Atlântica, Amazônia e Cerrado. No Nordeste, apenas não há registro da espécie para os Estados de Alagoas e Rio Grande do Norte (Prance & Sothers 2010). Na Paraíba, ocorre no litoral, em áreas de Mata de Tabuleiro, tendo sido coletada florida nos meses de outubro a abril. A B Figura 5. Hirtella racemosa var. hexandra (Willd. ex Roem. & Schult.) Prance. A e B detalhe da inflorescência. 3.3 Hirtella racemosa var. racemosa Lam., Encycl. 3: 133, 1789. Tipo: Peru, no date, H. Ruiz & J. Pavon, s.n. (Holótipo MO, Imagem digital!) Figs. 6 e 7; H-L Arbustos 1,5-2,0 m alt. Folhas elípticas, base obliqua, ápice acuminado, glabras, 3,54,5 cm compr., 1,5-2,5 cm larg., pecíolo cilíndrico, piloso, 1,0-2,0 mm compr. Estípulas lanceoladas, pilosas, ca. 5,0 mm compr. Inflorescência axilar ou terminal, racemo, 7,0-8,0 cm compr.; bractéolas com 2 ou mais glândulas arredondadas. Flores zigomorfas, pediceladas, ca. 2,0 cm compr.; sépalas com ápice agudo, 2,5-3,0 mm compr., marcescente; pétalas obovadas, glabras, 2,5-3,0 mm compr.; estames(6-8), filete em forma de fita, ca. 10 mm compr.; ovário súpero, placentação basal, com 2 óvulos, um desenvolvendo-se mais que outro; estilete glabro, ca. 10 mm compr., estigma truncado. Frutos drupa, levemente piloso externamente. 22
Material Examinado: BRASIL, PARAÍBA: Conde, APA Tambaba, 23.IX.2009, fl., Brito et al. 346 (JPB); 11.XII.2009, fl., fr., Brito et al.. 347 (JPB); 28.V.2010, fl., Brito et al. 347 (JPB). Areia, Mata do Pau-ferro, 02 Fev 1998, fl., fr., Barbosa 1692 (JPB); 03 Mar 1998, fl., Schindwein 890 (JPB). Araruna, Parque Pedra da Boca, 02 Jun 2003, fl., Lima 1781 (JPB). Bananeiras, Campus da UFPB, 23 Nov 1997, fl., fr., Barbosa 1660 (JPB). Cabedelo, 27 Out 1993, fl., fr., Moura 1123 (JPB). Lagoa Seca, Fazenda Ipuarana, 01 Jul 2001, fl., fr., Lourenço et. al 218 (JPB); 04 Fev 2001, fl., Lourenço et. al 107 (JPB). João Pessoa, Costa do Sol, 10 Out 1997, fl., Barbosa et. al, 1590 (JPB); 10 Out 1997, fl., Matos 04 (JPB); Mangabeira, 29 Mar 1984, fl., Moura 207 (JPB); Falésia do Cabo Branco, 01 Out 1995, fl., Gadelha Neto 262 (JPB); 01 Dez 1986, fl., Miranda 210 (JPB). Mamanguape, Cabeça de Boi, 06 Mar 1990, fl., Felix et. al 2782 (JPB); Reserva biológica Guaribas, 13 Dez 1998, fl., Pereira 124 (JPB); 04 Abr 1989, fl., Felix et. al 3600 (JPB); 24 Abr 1990, fl., Felix et. al, 2886 (JPB); 04 Abr 1999, fl., Aguiar (JPB 24.592); 26 Nov 1999, fl., fr., Grisi 40 (JPB); Torama, 08 Mar 1990, fl., Felix et. al 2858 (JPB); 01 Nov 1989, fl., Felix & Santana (JPB 14.005); 04 Abr 1989, fl., Felix (JPB 14.648); Estação Ecológica Pau-brasil, 21 Out 2008, fl., Satyro & Pereira 100 (JPB); 17 Ago 1988, fl., Felix & Miranda (JPB 15.664). Rio Tinto, Mata do Oiteiro, 03 Mar 2003, fl., fr., Barbosa et. al 2775 (JPB). Santa Rita, 12 Dez 1992, fl., fr., Agra 1546 (JPB). Sapé, RPPN Fazenda Pacatuba, 06 Out 2000, fl., Dionísio 36 (JPB). Material Adicional Examinado: BRASIL, ACRE: Caripé, 12.IX.1997, fl., fr., Miranda et al. 1682 (INPA). ALAGOAS: Pereiro Velho, Coité do Nóia, 26 Nov 1982, fl., Staviski & Lyra 438 (JPB). AMAZONAS: Itapiranga, 18.VII.1979, fl., Cid. et al. 489 (INPA). Porto de Manaus, 10.VI.1970, fl., Rodrigues 8885 (INPA). Rio Uatumã, 13.VIII.1979, fl., Cid et al. 317 (INPA). GOIÁS: Aragarças, Caipônia, 03 Out 1968, fl., Chaves 39 (JPB). MARANHÃO: São Luis, Ajurú, 25 Set 1983, fl., Chaves (JPB 5700); 13.VIII.1992, fl., Muniz 143 (INPA). MATO GROSSO: Alta Floresta, 17.VII.2006, fl., Sasaki et al. 13 (INPA); 27.IX.2006, fl., fr., Sasaki et al. 437 (INPA). PARÁ: Breu Branco, 10.V.1978, fl., Silva 3496 (INPA). Carajás, 31.V.1983, fl., Silva 1404 (INPA). Marajó, 05.XI.1987, fl., G. T. Prance et al. 30.293 (INPA). PERNAMBUCO: São José da Mata, Usina Tiéma, Nov 1971, fl., Xavier (JPB 3.053); Itaperema, Estação Experimental, 19 Set 1941, fl., Xavier. (JPB 283); Ipojuca, Maracaípe RPPN Nossa Senhora do Oiteiro de Maracaípe, 13.I.1999, fl., Marcondes Oliveira 2647 (UFP). Bezerros, Distrito de Sapucarana, 18.XI.2005, fl., Gomes et al. 176 (UFP). Cabo de Santo Agostinho, Engenho Megahype, 08.V.2009, fr., Sobral-Leite 693 (UFP). 23 Cabo, 20.X.2003, fl., Oliveira et al. 32 (UFP). Igarassu, 30.X.2008, fl., Sousa 263 (UFP).
Nome Vernacular: azeitona do mato (em exsicatas). No Estado, ocorre frequentemente em áreas de Mata de Tabuleiro e outras formações da Mata Atlântica, como brejos de altitude, em áreas abertas ou fechadas de mata e em solo argiloso. Floresce entre novembro e abril e frutifica entre abril e maio. Segundo a Lista de Espécies da Flora do Brasil (Prance & Sothers 2010), esta não é uma espécie endêmica e ainda não havia sido documentada para a região Nordeste, ocorrendo predominantemente no domínio Amazônia. A B Figura 6. Hirtella racemosa var. racemosa Lam.: A hábito; B inflorescência. 24
A BB C C D D E E 3cm F I H J G G L L Figura 7. A-D: Hirtella ciliata Mart. & Zucc. A-folha; B- bractéolas; C-inflorescência; D-fruto (Brito 342). E-G: H. racemosa var. hexandra (Willd. ex Roem. & Schult.) Prance. E-folha, face abaxial; F-folha, face adaxial; Gflor (Brito 345). H-L: H. racemosa var. racemosa Lam. H-hábito; I-folha, face abaxial; J-folha, face adaxial; L25 flor (Brito 346).
4. Licania Aubl. Árvores, ramos glabros ou lanosos. Folhas elípticas ou oblongas, coriáceas, peninérveas, glabras ou lanosas; estípulas decíduas ou persistentes, pilosas ou não. Pecíolo cilíndrico. Inflorescências terminais em racemo, pubescentes. Flores diclamídeas, raramente monoclamídeas, actinomorfas, polistêmones, dialistêmones, pentâmeras, gamossépalas, pilosas ou glabras; estames curtos não ultrapassando o cálice ou excertos, livres ou adnatos as sépalas, filetes cilíndricos ou em forma de fita; anteras ditecas, dorsefixas, deiscência longitudinal; ovário bicarpelar, bilocular com freqüente aborto de um dos óvulos, placentação basal, estilete cilíndrico ou em forma de fita, ginobásico. Frutos drupas de epicarpo rígido, pilosos internamente. Chave de identificação de espécies para o gênero Licania 1. Flores diclamídeas. 2. Folhas elípticas; estípulas decíduas; flores pentâmeras; até 10 estames; frutos cilíndricos...licania rigida Benth. 2. Folhas elípticas a oblongas; estípulas lineares e pilosas; flores pentâmeras a hexameras; mais de 30 estames; frutos elípticos...l. tomentosa (Benth.) Fritsch. 1. Flores monoclamídeas. 3. Ramos glabros, folhas orbiculares...l. littoralis Warm. 3. Ramos lanosos, folhas elípticas. 4. Folhas glabras, estípulas lanceoladas...l. octandra (Hoffmanns. ex Roem. & Schult.) Kuntze 4. Folhas lanosas, estípula lineares...l. apetala (E. Mey.) Fritsch 26
4.1 Licania apetala (E. Mey.) Fritsch, Ann. K.K. Naturhist. Hofmus. 4: 54, 1989. Tipo: Guiana, 1939, Schomburgk 593 (Isótipo BM, Imagem digital!). Figs. 8 e 13. A Árvore 25-30 m alt., ramos jovens lanosos. Folhas elípticas, base arredondada, ápice acuminado, 5,5-8,0 cm compr., 3,0-4,0 cm larg. Estípulas laminares, decíduas, ca. 1,0 mm compr. Pecíolo cilíndrico, glabro, 3,0-6,0 mm compr. Inflorescências terminais em panícula, brácteas e bractéolas lanceoladas. Flores monoclamídeas, 5,0-6,0 mm compr.; cálice campanulado, pubescente interna e externamente, lobos com ápice cuspidado, ca. 2,0 mm compr.; estames-12, livres, formando um círculo fechado, adnato as sépalas, filete em forma de fita, exsertos, ca. 4,0 mm compr.; ovário bicarpelar, bilocular, com o desenvolvimento de apenas um óvulo, placentação basal; estilete em forma de fita, levemente piloso até a metade de seu comprimento, ca. 4,0 mm compr. Frutos drupas, fusiformes, levemente piloso externamente, 1,0-1,5 cm compr., piloso internamente. Material Examinado: BRASIL, PARAÍBA: João Pessoa, Mata do Buraquinho, 12.XI.2003, fl. e fr., Gadelha Neto 1043 (JPB). Material Adicional Examinado: BRASIL, PIAUÍ: Serra das Confusões, Caracol, 19.XI.1981, fl., Fernandes & Nunes (INPA 4481). Nome Vernacular: caripé-vermelho, macucu chiador (em exsicatas) Licania apetala (E. Mey.) Fritsch, no Brasil, ocorre predominantemente nos biomas do Cerrado e Amazônia (Prance &Sothers 2010). Na Paraíba, até o momento, é conhecida apenas a partir de um exemplar de herbário, coletado florido e frutificado em novembro, sendo este o seu primeiro registro no Estado. A carência de material em coleções de herbário, reflete a necessidade de mais pesquisas, que possam reunir mais informações sobre a mesma. 27
Figura 8. Imagem digital do Isótipo de Licania apetala (E. Mey.) Fritsch 28
4.2 Licania litoralis Warm., Vidensk. Meddel. Dansk Naturhist. Foren. Kjøbenhavn 1874: 67, 1874. Tipo: Rio de Janeiro, 1872, fl, Glaziou 6168 (Isótipo, K, imagem digital!) Figs, 9 e 13. B-D Arbustos, 2,0-2,5m alt. Folhas orbiculares, base obtusa, ápice obtuso, 3,0-7,0 cm compr., 2,0-4,0 cm larg., glabras, nervura central mais proeminente na face abaxial, lanosas quando jovens. Estípulas laminares, pilosas, decíduas. Pecíolo cilíndrico, glabro, 3,0-4,0 mm compr. Inflorescências terminais, racemosas, bractéolas pilosas. Flores monoclamídeas; cálice campanulado, piloso internamente, lobos pilosos em ambas as faces, ápice acuminado, ca. 2,0 mm compr.; estames-10, reduzidos e inseridos dentro do cálice, adnatos a face interna das sépalas; ovário bicarpelar, bilocular, com o desenvolvimento de apenas um óvulo, placentação basal. Drupas, globosos, 2,0-2,5 cm compr. Material Examinado: BRASIL, PARAÍBA: Conde, APA Tambaba, 26.IX.2008, fr., Araújo et al.118 (JPB); 09.VII.2010, fr., Araújo & Gomes-Costa 235 (JPB). João Pessoa, UFPB Campus I, 20.VIII.1993, fl., Moura 1065 (JPB); Praia do Arraial, 15.I.1988, fr., Miranda 514 (JPB). Nome vernacular: cascudo (em exsicatas). Esta espécie é endêmica do Brasil, predominantemente no domínio Mata Atlântica, e no Nordeste, além da Paraíba, também ocorre nos Estados de Pernambuco, Bahia e Sergipe (Prance & Sothers 2010). Na Paraíba, foi encontrada florida e frutificada entre Julho e Janeiro, habitando áreas com solos argilosos próximos ao litoral. 29
Figura 9. Imagem digital do Isótipo de Licania littoralis Warm. 30
4.3 Licania octandra (Hoffmanns. ex Roem. & Schult.) Kuntze, Revis. Gen. Pl. 1: 217, 1891. Tipo: Pará, 1850, fl, Spruce, (Holótipo, K, imagem digital!) Hirtella octandra Hoffmanns. ex Schult., Syst. Veg. 5: 274. 1819. Figs. 10 e 13. E-F Árvores 3,0-4,0 m alt. Folhas elípticas, base acunheada, ápice agudo, 3,0-8,0 cm compr., 1,5-2,5 cm larg., nervura central mais proeminente na face adaxial, todas as nervuras proeminentes na face adaxial. Estípulas lanceoladas, pilosas, às vezes persistentes. Pedúnculo cilíndrico, glabro, 2,0-4,0 mm compr. Inflorescências terminais ou axilares, racemos, congestas. Flores monoclamídeas, ca. 6,0 mm compr.; cálice campanulado, piloso por dentro e por fora, estames-9, glabros, exsertos, formando um círculo fechado, ca. 5,0 mm compr.; ovário bicarpelar, bilocular, placentação basal, estigma piloso. Frutos não vistos. Material Examinado: BRASIL, PARAÍBA: João Pessoa, Mata do Buraquinho, 08.X.2003, fl., Gadelha Neto 988 (JPB); 29.VII.1979, fl., Agra 162 (JPB); Mandacaru, 11.IX.1946, fl., Xavier (JPB 1294); Fazenda Mangabeira, 17.X.1994, fl., Moura (JPB 22.662); Falésia do Cabo Branco, Mata de Tabuleiro, 15.II.2008, fl., fb., Lima et al. 2.397 (JPB); Costa do Sol, 10.X.1997, Barbosa & Pereira 1595 (JPB); 11.X.1998, fl., Barbosa 1305 (JPB); 20.IX.1958, fb, Coutinho (JPB 1866); Nascente do Rio Cabelo, Mangabeira, 14.XI.1993, fl., fr., Moura 1138 (JPB); Fazenda Mangabeira, 17.VII.1994, fl., fr., Moura 1361 (JPB); Mangabeira, 04.IX.1993, fl., fr., Moura 1092 (JPB); 08.X.1992, fl., fr., Moura 855 (JPB); 16.VIII.1991, fl., fb, Moura 650 (JPB); UFPB, Campus I, 1.X.1980, fl., fr., Moura (JPB 4.615); 18.V.1993, fl., Gadelha Neto 26 (JPB); 24.IX.2001, fl., Pessoa (JPB 27.470); 25.V.1981, fl., fr., Moura (JPB 4.614); 1993, fl., fr., Moura 674 (JPB); 10.III.1995, fr., Barbosa & Moura 1454 (JPB); Rio Tinto, Aldeia do Jacaré, 12.XI.1988, fr., Agra et. al 718 (JPB); Aldeia do Jacaré, fr., 12.XI.1988, Agra et al. 718 (JPB); Mamanguape, Reserva Ecológica, 06.VII.1997, fr., Miranda & Félix (JPB); Tarama, SEMA II, 26.VI.1990, fl., Félix 2883 (JPB). Material Adicional Examinado: BRASIL, CEARÁ: Crato, 12.XII.1977, fl., Fernandes (UFP 4480); 17.II.2006, fl., Oliveira 2128 (UFP). PERNAMBUCO: Jaqueira, 03.XI.2000, fl., Siqueira-Filho 1123 (UFP). PIAUÍ: Teresina, 13.XII.2005, fl., Olieveira et al. 1927 (UPF); 13.VI.2005, fl., Oliveira et al. 1939 (UFP); 16.I.2006, fl., fr., Oliveira 2086 (UFP). 31
Nome vernacular: pau-cinza, tatarema (em herbário) É nativa, mas não endêmica do Brasil, ocorre em quatro domínios fitogeográficos brasileiros, Cerrado, Caatinga, Amazônia e Mata Atlântica, em grande parte dos estados, exceto na região Sul do Brasil (Prance e Sothers 2010). A espécie, na Paraíba, foi encontrada habitando em solo arenoso e argiloso de tabuleiro, tendo sido coletada florida de Maio a Setembro e frutificada de Setembro a Março. Figura 10. Imagem digital do Holótipo de Licania octandra (Hoffmanns. ex Roem. & Schult.) Kuntze 32
4.4 Licania rigida Benth. Journal of Botany, being a second series of the Botanical Miscellany 2: 220. 1840. Tipo: Ceará, Brasil, 1892, fl, G. Gardner 1592 (Isótipo, BM, imagem digital!) Figs. 11 e 13. G Árvores 8,0-10,0 m alt., ramos lanosos quando jovens e glabros quando adultos. Folhas elípticas, base obtusa, ápice obtuso, 6,2-8,5 cm compr., 4,5-6,5 cm larg., pilosa na face adaxial. Estípulas decíduas. Pecíolo cilíndrico, lanoso, 3,0-5,0 mm compr. Inflorescências terminais em panículas, brácteas e bractéolas pilosas. Flores diclamídeas; corola campanulada, sépalas pilosas em ambas as faces, ápice acuminado; pétalas oblongas, pilosas, ca. 1,0 mm compr.; estames-7, reduzidos, soldados na base, filete em forma de fita; ovário bicarpelar, bilocular, estilete piloso, em forma de fita. Fruto drupa cilíndrica, 3,0-3,5 cm compr., 1,0-1,5 cm larg. Material Examinado: BRASIL, PARAÍBA: Souza, Vale dos Dinossauros, 06.VIII.2000, fl., Gadelha Neto596 (JPB); 06.VIII.2000, fl., Gadelha Neto 610 (JPB); Santa Terezinha, 13.X.1997, fr., Barbosa 1606 (JPB). Catolé do Rocha, Parque Sítio das Pedras, 13.X.2007, fl., fr., Gadelha Neto et. al 1904 (JPB). Nazarezinho, Rio Piranhas, 12.X.2007, fr., Gadelha Neto et. al 1899 (JPB); 02.VIII.1982, fl., fr., Souza et. al 1323 (JPB). Seridó, 15.IX.2005, fr., Agra 6528 (JPB); Santa Luzia, 28.IV.2007, Gadelha Neto 1657 (JPB). Areia, 29.I.1947, Xavier (JPB 1343). Souza, Sítio Lamarão, 06.XI.1994, fl., fr., Moreira 05 (JPB); Riacho Seco, 31.VII.1982, fl., Souza et. al 1285 (JPB). Fazenda Nova Canaã, 20.X.1952, fr., Carneiro (JPB 1640). Patos, fr., Xavier (JPB 1265). Nome Vernacular: oiticica (em exsicatas). Licania rigida Benth. é uma espécie endêmica do Brasil, ocorrendo nos domínios Cerrado e Caatinga (Prance & Sothers 2010). Na Paraíba, a espécie tem distribuição predominantemente na região semi-árida do Estado, estando quase sempre associada às margens de rios e açudes, com ocorrência nos 33
municípios de Catolé do Rocha, Nazarezinho, Santa Luzia, Santa Terezinha e Souza, onde foi encontrada em floração e frutificação entre os meses de Julho a Outubro. Na zona rural, a sua madeira costuma ser usada na produção de rodas para carro de boi. Além disso, seus frutos são comestíveis e as sementes são usadas na extração de óleos, próprios para vernizes e fabricação de sabão. Figura 11. Imagem digital do Isótipo de Licania rigida Benth. 34
4.5. Licania tomentosa (Benth.) Fritsch., Ann. K.K. Naturhist. Hofmus. 4: 52. Tipo: Pernambuco, Brasil, 1837, fl., Gardner 992 (Isótipo BM, Imagem digital!) Moquilea tomentosa Benth., J. Bot. (Hooker) 2: 215. 1840. Figs. 12 e 13. H-L Árvore 15-20 m alt., ramos lanosos. Folhas elípticas a obovadas, base acunheada, ápice mucronado, 7,0-10,0 cm compr., 2,5-3,5 cm larg., coriáceas, lanosa nas duas faces quando jovens. Estípulas lineares, lanosas, decíduas, ca. 5,0 mm compr. Pecíolo cilíndrico, lanoso, 2,0-4,0 mm compr. Inflorescências axilares ou terminais, racemos, 7,0-9,0 cm compr., brácteas e bractéolas lanosas. Flores diclamídeas, ca. 3,0 mm compr.; cálice campanulado densamente piloso por dentro, sépalas (5)-6, ápice agudo, pilosas nas duas faces, ca. 2,0 mm compr.; pétalas (5)-6, oblongas, margens ciliadas, levemente pilosa externamente, 1,0-1,5 mm compr.; estames (30-40), levemente soldados na base, curtos, ca. 2,0 mm compr., filetes em forma de fita, formando um círculo fechado; ovário unicarpelar, unilocular; estilete densamente piloso até quase o ápice, cilíndrico, ca. 2 mm compr. Fruto drupa, globoso, piloso, 6-8 cm compr., 3-4 cm larg. Material Examinado: BRASIL, PARAÍBA: João Pessoa, Praia da Penha, 18.X.1992, fl., Moura 847 (JPB). Bananeiras, Campus da UFPB, 23.XI.1997, fr., Barbosa 1674 (JPB). João Pessoa, 23.X.1958, fl., Coutinho (JPB 1911); Mata do Buraquinho, 26.I.2007, fr., Gadelha Neto 1623 (JPB). Material Adicional Examinado: BRASIL, AMAZONAS: Manaus, 29.VI.1977, fl., Luis (INPA 1286). PERNAMBUCO: Recife, Apipucos, 28.IX.2006, fl., Schimdt & Gomes 522 (IPA); Cidade Universitária, 29.IX.1976, fl., Clerocluzi (IPA 4378). Nome Vernacular: oiti (em exsicatas). Esta espécie é endêmica do Brasil, ocorrendo em estados da região Nordeste, CentroOeste e Sudeste (Prance & Sothers 2010). Na Paraíba ela tem registro de ocorrência nos 35
municípios de Bananeiras, Campina Grande e João Pessoa, tendo sido encontrada no interior de mata com solo argiloso e coletada florida e frutificada nos meses de Outubro e Janeiro. Nesta espécie, as flores mostraram variação quanto ao perianto, podendo ser pentâmeras ou hexâmeras na mesma inflorescência, fugindo ao encontrado no padrão do gênero. Xavier (1979), estudando esta espécie na Mata Atlântica de João Pessoa, se referiu a um exemplar, encontrado no Altiplano Cabo Branco, em breves palavras Magnífico exemplar de Oiti, possivelmente centenário e testemunho do que foi a primeira Mata Atlântica. Hoje, toda a vegetação nativa daquela área encontra-se fragmentada e reduzida pelo acelerado crescimento urbano, ficando a espécie mais conhecida pelo seu uso na arborização de praças e ruas. Figura 12. Isótipo de Licania tomentosa (Benth.) Fritsch. 36
L H 3cm J I I G F B A C D E Figura 13. A: Licania apetala (E. Mey.) Fritsch; flor (Gadelha Neto 1043). B-D: L. littoralis Warm.; B-hábito, C-botões, D-flor (Moura 1065). E-F: L. octandra (Hoffmanns. ex Roem. & Schult.) Kuntze; E-folha - face abaxial, F-flor (Gadelha Neto 998).G: L. rigida (Benth); flor (Gadelha Neto 610). H-L: L. tomentosa (Benth.) Fritsch.; H-flor e botão, I-pétala, J-estames, L-gineceu (Moura 847). 37
Discussão Na Paraíba, a família Chrysobalanaceae tem representantes em todo o Estado. Licania é o gênero melhor representado com cinco espécies, distribuídas na faixa litorânea, principalmente na Mata de Tabuleiro e no Semi-árido paraibano, está representado pela espécie, Licania rigida (Benth.), ocorrendo nos municípios de Nazarezinho, Souza, Santa Luzia, Santa Terezinha e Catolé do Rocha. Restritos à faixa litorânea estão os gêneros Couepia e Chrysobalanus. Enquanto, Hirtella ocorre no litoral, ao longo de várias formações do bioma Mata Atlântica e nos Brejos de Altitude. No material estudado foram observadas poucas variações morfológicas em relação aos padrões registrados para a família, apenas em Licania tomentosa (Benth) Fritsch., foram encontradas flores hexameras, padrão não comum para o gênero, nem para a família, que é apresentar flores pentâmeras. A presença de glândulas no pecíolo das espécies de Licania octandra (Hoffmanns. ex Roem. & Schult.) Kuntze e Licania rigida Benth., assim como a presença de glândulas na base das folhas de Licania tomentosa (Benth) Fritsch., documentadas por Prance (1972), não foram observadas no material estudado neste trabalho. Prance & Sothers (2010) citaram a ocorrência da espécie H. ciliata Mart. & Zucc. para a Caatinga e o Cerrado, entretanto, durante este trabalho não foi localizado nenhum indivíduo que tenha sido coletado na Caatinga. Até o momento, esta espécie era conhecida apenas de coleções de herbário, sendo esta é a sua primeira citação para o Estado. Apesar das formações vegetais no Bioma Mata Atlântica da Paraíba terem sofrido fragmentação ao longo dos anos, nas áreas remanescentes as espécies da família foram encontradas formando grandes populações não demonstrando qualquer sinal de ameaça. Agradecimentos As autoras agradecem aos Curadores de herbário e aos amigos Cínthia Menezes Lima Ramos Araújo e a Ariclenes de Almeida Melo Araújo pela colaboração durante todo o trabalho. 38
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5. CONCLUSÕES A partir deste trabalho, estão sendo disponibilizadas as primeiras informações sobre as espécies, que representam a família Chrysobalanaceae na Paraíba, ampliando conhecimentos para a flora do Estado e subsidiando futuros estudos. Antes conhecidas apenas de coleções de Herbário, as espécies da família, aqui receberam descrições e ilustrações de forma a facilitar seu reconhecimento. Particularmente Couepia, que é conhecida para o Estado apenas por uma exsicata de Herbário, mostrando a necessidade de mais estudos sistemáticos para a família, que oportunizem a intensificação de coletas, a fim de enriquecer as coleções e de produzir mais conhecimentos sobre este grupo. 6. REFERÊNCIAS Agra, M. F.; Barbosa, M. R. V. & Stevens, W. D. 2004. Levantamento Florístico Preliminar do Pico do Jabre, Paraíba, Brasil. Brejo de altitude em Pernambuco e Paraíba, história natural, ecologia e conservação. Brasília, p122-138. Amazonas, N. T. 2006. Levantamento das Angiospermas presentes em um remanescente de mata atlântica na bacia hidrográfica do Rio Timbó, João Pessoa, Paraíba. (Curso de Bacharelado em Ciências Biológicas CEEN/UFPB) Angiosperm Phylogeny Group, 2009. An update of the Angiosperm Phylogeny Group classification for the orders and families of flowering plants: APG III. Botanical Journal of the Linnean Society, 161, 105 121. Andrade, K.V.S.A. & Rodal, M.J.N. 2004. Fisionomia e estrutura de um remanescente de floresta estacional semidecidual de terras baixas no nordeste do Brasil. Revista Brasil. Bot., V.27, n.3, p.463474 Aquino, F. G.; Walter, B. M. T. e Ribeiro, J. F. 2007. Espécies Vegetais de Uso Múltiplo em Reservas Legais de Cerrado - Balsas, MA. Nota científica. Revista Brasileira de Biociências, Porto Alegre, v. 5, supl. 1, p. 147-149. Assis, M. C. 2003. Flora de Grão-Mogol, Minas Gerais: Chrysobalanaceae. Bol. Bot. Universidade de São Paulo 21(1): 169-172 Aublet, F. 1775. Histoire des plantes de la guiane français. Vols I e II. 40
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