Tribunal de Contas da União



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OFÍCIO Nº /2008/PR/CAPES. Brasília, 20 de outubro de Senhor Diretor,

Transcrição:

Tribunal de Contas da União Dados Materiais: Acórdão 227/97 - Plenário - Ata 38/97 Processo nº TC 575.315/96-2 Responsável: Geraldo Di Biase Filho (Diretor-Geral) Órgão: Hospital de Ipanema - RJ Vinculação: Ministério da Saúde Relator: MINISTRO ADHEMAR PALADINI GHISI. Representante do Ministério Público: Dr. Jatir Batista da Cunha Unidade Técnica: SECEX-RJ Especificação do "quorum": Ministros presentes: Paulo Affonso Martins de Oliveira (na Presidência), Adhemar Paladini Ghisi (Relator), Carlos Átila Álvares da Silva, Bento José Bugarin e os Ministros-Substitutos José Antonio Barreto de Macedo e Lincoln Magalhães da Rocha. Assunto: Tomada de Contas Acórdão: VISTOS, relatados e discutidos estes autos que tratam de Tomada de Contas do Hospital de Ipanema - RJ relativa ao exercício de 1995. Considerando que o exame realizado pelo Controle Interno apontou impropriedades, que entretanto não foram suficientes para conduzir à irregularidade do Certificado de Auditoria por ele emitido; Considerando que no âmbito do Tribunal as impropriedades levaram à audiência prévia do responsável, que logrou êxito em elidir as diversas ocorrências apontadas, acenando para a cessação das práticas tidas como indevidas; Considerando que não restou caracterizado qualquer dano ao Erário, ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em Sessão Plenária, com fulcro nos arts. 1º, I, 16, II, 18 e 23, II, todos da Lei nº 8.443/92, em: a) julgar regulares com ressalva as presentes contas e dar quitação ao Sr. Geraldo Di Biase Filho, Diretor-Geral do Hospital de Ipanema; b) determinar à Direção do Hospital de Ipanema que interrompa a prática de incluir, nos contratos de manutenção predial,

percentuais do custo mensal a título de fornecimento de material de reposição, ante o disposto no 4º do art. 7º da Lei nº 8.666/93, bem assim a contratação indireta de mão-de-obra para a execução de serviços contemplados em seu quadro próprio de pessoal; c) arquivar o presente processo. Ementa: Tomada de Contas. Hospital de Ipanema RJ. Inclusão, nos contratos de manutenção predial, de percentuais do custo mensal à título de fornecimento de material de reposição e contratação indireta de mão-de-obra. Contas regulares com ressalva. Quitação. Determinação. Arquivamento. Data DOU: 14/10/1997 Página DOU: 23209 Data da Sessão: 29/09/1997 Relatório do Ministro Relator: GRUPO II - Classe IV - Plenário TC 575.315/96-2 Natureza: Tomada de Contas - Exercício de 1995 Responsável: Geraldo Di Biase Filho (Diretor-Geral) Órgão: Hospital Geral de Ipanema Apenso: TC 018.153/95-0 Ementa: Tomada de Contas relativa ao exercício de 1995. Ocorrências relacionadas a erros procedimentais, evidenciando deficiências de controle. Falhas de caráter formal. Regularidade com ressalvas e determinação. Trata-se de Tomada de Contas do Hospital de Ipanema relativa ao exercício de 1995. A Auditoria do Controle Interno certificou as contas regulares com ressalva, apontando, entretanto, diversas impropriedades relacionadas às áreas de almoxarifado, bens móveis, contratos e licitações. Em síntese, foram as seguintes as ocorrências destacadas, no Certificado de Auditoria, pelo Controle Interno:

a) falta de inventários relativos às existências físicas em Almoxarifado e de materiais permanentes; b) desconhecimento das normas de gerenciamento de estoques; c) utilização de enfermarias como depósito de materiais; d) inventário de medicamentos não condizente com as reais existências físicas; e) sistemas irregulares de abastecimento da farmácia, através de adiantamentos de medicamentos por fornecedores e de pagamentos antecipados; f) inutilização das fichas de controle de estoques relativas ao exercício de 1995; g) aquisições de medicamento com cotações que sugerem manipulação de preço; h) inexistência de Termos de Responsabilidade dos materiais permanentes em uso; i) existência de diversos materiais inservíveis, sem que tenham sido adotadas providências para o desfazimento; j) não utilização de ambulância adquirida no final do exercício anterior, por falta de providências quanto ao licenciamento da mesma; l) divergência entre registros contábeis e Relatórios de Movimentação de Bens Móveis - RMB, relativos aos meses de novembro e dezembro/95; m) não realização de pesquisa de mercado para contratação de serviços; n) classificação orçamentária de serviços incorreta; o) inclusão no valor contratual (por força do disposto no respectivo edital) de valor relativo a 25% do custo mensal a título de fornecimento de material de reposição, contrariando o disposto no parágrafo 4º do artigo 7º da Lei nº 8.666/93; p) contratação de mão-de-obra indireta, em desacordo com as Decisões TCU/Plenário nºs 153 e 228/94; q) falta de critérios para avaliação da economicidade dos contratos de manutenção de equipamentos; r) indicação de marca do material a ser adquirido; e s) não publicação, no Diário Oficial da União, dos atos de reconhecimento de inexigibilidade de licitação e respectiva ratificação. 2. No âmbito do Tribunal, a análise a cargo da SECEX-RJ destacou, ante a existência nos autos de manifestação do Sr.

Diretor-Geral do Hospital, que diversas das impropriedades restavam esclarecidas. Entretanto, considerou não elididas, de plano, as ocorrências relatadas nas alíneas "e", "f", "g", "i", "j". "m", "o", "p", "q" e "s". Em consonância com a proposta da Unidade Técnica, autorizei, então, a promoção de audiência prévia do Sr. Geraldo Di Biase Filho, Diretor-Geral do Hospital de Ipanema, acerca dos respectivos fatos. 3. A nova análise a cargo da SECEX-RJ considerou satisfatórias as justificativas apresentadas para grande parte das ocorrências apontadas. Contudo, entendeu-as insatisfatórias em relação aos quesitos a seguir destacados: a) sistemática irregular de abastecimento da farmácia, através de adiantamentos de medicamentos por fornecedores, e de pagamentos antecipados. O Responsável alegou que tais procedimentos eram adotados como decorrência do hábito adquirido ao longo período em que o Hospital esteve jurisdicionado ao Governo Estadual. Ademais, invocou o desconhecimento do procedimento correto ou mais eficiente por parte da chefia da Farmácia. Após o questionamento do Controle Interno, entretanto, adotou as seguintes providências: 1) substituiu a Chefia da Farmácia; 2) adequou o sistema de controle às prescrições da IN/SEDAP nº 205/88, na gerência de estoques; 3) providenciou os cartões de autógrafo; 4) implantou um sistema informatizado de controle de medicamentos; 5) inventariou os medicamentos e elaborou relatório detalhando as compensações relativas às cartas de crédito efetuadas pela Chefia da Farmácia; e 6) interrompeu a prática do abastecimento irregular na Farmácia. A instrução da SECEX-RJ destacou que o Diretor do Hospital de Ipanema foi designado para o cargo em 23 de março de 1994. Já tinha, portanto, experiência de quase uma ano, naquele cargo, quando iniciou o período que estamos analisando. Ressaltou que o procedimento irregular constituiu uma rotina ao longo do ano de 1995, e que a primeira licitação para compras de material de consumo somente ocorreu a partir de junho/95. Comentou, ainda, que as aquisições processadas dessa forma montaram a mais de R$ 7 milhões. Por fim, concluiu que os procedimentos adotados feriram simultaneamente a Constituição Federal e diversos artigos da Lei nº 8.666/93 e da 4.320/64. Seus procedimentos licitatórios para aquisição de medicamentos, em conseqüência, padeceram de obséquios e favores dos fornecedores, perdendo a impessoalidade, a igualdade

entre os licitantes e a independência, princípios básicos para o gerenciamento correto, legal e moralmente aceitável dos recursos públicos colocados à sua disposição; b) inutilização das fichas de controle de estoque relativas ao exercício de 1995. O Responsável alegou que a inutilização era prática antiga, e que o setor não possuía nenhum funcionário com formação ou treinamento em controle de estoques. Asseverou, entretanto, que tal prática já foi interrompida. A SECEX-RJ entende que as justificativas (...) são frágeis, não havendo condições de acatá-las, apesar de não haver nada que possa sanar o problema. Reflete (...) fragilidade nos controles internos do Órgão. c) inclusão no contrato de manutenção predial de valor relativo a 25% do custo mensal, por força do disposto no respectivo edital, a título de fornecimento de material de reposição, tais como equipamentos, uniformes, etc., contrariando o disposto no parágrafo 4º do art. 7º da Lei nº 8.666/93 e contratação de mão-de-obra indireta, em desacordo com as Decisões TCU/Plenário nºs 153 e 228/94, para cargos previstos no quadro de pessoal próprio. O Responsável destacou que os prédios do nosocômio são antigos, que exigem uma manutenção permanente. A previsão de fornecimento de material de reposição agiliza os reparos necessários e minimiza os transtornos no atendimento à população. Quanto à contratação de mão-de-obra, alegou que a Unidade não dispõe de profissionais para a realização dos diversos serviços, que foram tercerizados, e que a falta destes profissionais inviabilizaria o funcionamento do Hospital. A SECEX-RJ, por seu turno, menciona que foi contrariado o disposto no 4º do art. 7º da Lei nº 8.666/93, bem como as já citadas Decisões do Tribunal. Assim, entende que, em que pesem as dificuldades encontradas pelo Responsável, suas explicações são insuficientes para justificar as impropriedades praticadas, que não observou os preceitos legais reguladores da espécie. 4. Conclusivamente, a SECEX-RJ, em pareceres uniformes, endossada pelo Ministério Público, propôs a irregularidade das presentes contas, aplicando-se ao Sr. Geraldo Di Biase Filho a multa prevista no art. 58, II, da Lei nº 8.443/92, determinando-se ao Hospital de Ipanema que interrompa a prática de incluir, nos contratos de manutenção predial, percentuais do custo mensal, a

título de fornecimento de material de reposição - vedado pelo 4º do art. 7º da Lei nº 8.666/93 e ainda a inclusão, nesses contratos, de custos indiretos, caracterizando contratação de mão-de-obra indireta, em desacordo com as Decisões do TCU - Plenário nº 153 e 228/94, para cargos previstos no quadro de pessoal próprio. É o Relatório. Voto do Ministro Relator: A auditoria realizada pelo Controle Interno relativa à gestão do Hospital de Ipanema, exercício de 1995, apontou diversas ocorrências, todas retratadas no início do Relatório que antecede a este Voto. Consoante assinalado pela própria SECEX-RJ, a grande maioria das falhas foi devidamente esclarecida, e consistiam em deficiências de controle. Aliás, o Controle Interno, quando da emissão do Certificado de Auditoria, já destacava a inexistência de dano ao Erário. 2. Quanto às três impropriedade destacadas pela Unidade Técnica como ensejadoras da irregularidade das contas, penso caracterizarem, igualmente, falhas procedimentais, de natureza formal, que já foram, em sua maioria, também sanadas, senão vejamos: a) em relação à sistemática de abastecimento da farmácia, mediante adiantamentos, foram adotadas as seguintes medidas: 1) substituição da Chefia da Farmácia; 2) adequação do sistema de controle às prescrições da IN/SEDAP nº 205/88, na gerência de estoques; 3) providenciados os cartões de autógrafo; 4) implantado um sistema informatizado de controle de medicamentos; 5) inventariados os medicamentos e elaborado relatório detalhando as compensações relativas às cartas de crédito efetuadas pela Chefia da Farmácia; e 6) interrompida a prática do abastecimento irregular na Farmácia; e b) no que concerne à inutilização das fichas de controle de estoque, tal prática foi interrompida; c) relativamente à inclusão, em contrato de manutenção predial, de percentual a título de fornecimento de material de reposição, creio que a determinação alvitrada nos pareceres será suficiente para adequar os procedimentos adotados pela Entidade aos rigores da Lei. 3. Ante o exposto, permito-me dissentir dos pareceres, considerando, outrossim, que os fatos destacados não possuem relevância suficiente para macular a gestão de um nosocômio que

realizou, no exercício em exame, mais de quatro mil cirurgias e prestou mais de duzentos e cinqüenta e sete mil consultas ambulatoriais, e VOTO no sentido de que o Tribunal adote a deliberação que ora submeto ao Colegiado. Indexação: Tomada de Contas; Hospital; Contrato; Custo; Contratação Indireta de Pessoal; Serviços de Manutenção e Reparo; Material;