FOCUS ESCOLA DE FOTOGRAFIA DIREÇÃO DE MODELOS E PADRÕES DE ILUMINAÇÃO KAREN LYNNE DEJEAN Relatório apresentado como parte das exigências para conclusão do Módulo 3 do curso de Fotografia. Joinville, SC Agosto de 2017
Na Fotografia de Moda/Retrato a informação é a pessoa, sendo de extrema importância saber como dirigir um modelo durante o ensaio fotográfico. Como fotógrafos, devemos construir nossas imagens de modo que a figura humana comunique nossa mensagem. Devemos, igualmente, ter o conhecimento da linguagem visual e publicitária do que estamos fotografando. Em um Book de modelo, por exemplo, o alvo/produto a ser vendido é o próprio modelo. Desta forma, devemos priorizar suas melhores qualidades e atitude. A iluminação utilizada no ensaio dependerá, por sua vez, do fato do modelo ser comercial ou fashion, indicando também qual atitude deverá ser trabalhada em termos de expressões e poses, por exemplo. Figura 1: Fotos para Book de modelo. Já em um Catálogo de Produto, o objetivo principal é vender a roupa. Detalhes e a fidelidade em relação às peças são de grande importância. A iluminação deve ser o mais suave possível, e a direção deverá ser a que melhor evidenciar as texturas, cortes e, por vezes, cores. As poses deverão ser simples, de forma a melhor evidenciar o caimento da roupa.
No Catálogo Institucional, deve-se seguir a idéia da coleção das roupas. Aqui, a atitude é mais importante, devendo combinar com a roupa. A idéia é enviar uma mensagem de estilo, sendo mais do que simplesmente apresentar o produto, como no catálogo de produto. Em uma Campanha, por sua vez, temos a presença de poucas imagens, às vezes só uma já define o conceito da coleção e da empresa. Figura 2: Foto de campanha da marca Kenneth Cole. E, finalmente, em um Editorial, há a apresentação de uma sugestão de estilo para o leitor de uma específica publicação. A atitude é o principal elemento e deve comunicar-se com a roupa, o estilo e a linguagem fotográfica. O estilo fotográfico irá variar de acordo com o tipo de revista.
Figura 3: Foto de Editorial. Para dirigir pessoas deve-se ter em mente três regras fundamentais: 1. SABER exatamente o que queremos que seja transmitido. 2. CONHECER como desenvolver esta comunicação através da expressão corporal. 3. CONSEGUIR a expressão desejada do modelo. Em termos de comunicação há, basicamente, dois tipos: a comunicação verbal, mais usada e auto-explicativa, e a comunicação não-verbal, menos
conhecida e muito mais útil e presente no caso da direção em ensaio fotográfico. Esta última é caracterizada pelos seguintes canais: a) Prossêmica: Relativa ao espaço vital individual b) Cinética: Relativa aos gestos. c) Digital: Relativa a percepção de toque. d) Paralinguística: Relativo a percepção de sons que produzem sensações. Em fotografia, os principais elementos são a cinética, prossêmica e o contato visual, sendo este último uma das principais fontes de emoção para o ser humano, uma vez que estamos inconscientemente acostumados a interpretar as mensagens que as outras pessoas transmitem através de seus corpos. Como fotógrafos, precisamos conhecer um pouco desta linguagem e usá-las em nossas imagens. Há três elementos principais que devem ser considerados quanto a este aspecto: a) A quantidade exposta do corpo e sua posição: a depender, pode-se inferir ideias de proteção, minimização, exibição. b) A posição da cabeça: podendo dar uma ideia de paridade, superioridade, submissão ou o ato de agradar. c) A direção do olhar: quando ausente, cria a sensação de tensão menor e voyeurismo; quando estabelecido, pode ter uma função convidativa, agressiva ou de investigação. É importante sabermos exatamente como explicar para o modelo qual é a postura que precisamos, com uma postura de corpo e expressão facial corretos para as fotos. Conseguir a expressão desejada é o objetivo final mais importante da direção. Finalmente, temos uma ferramenta essencial para criar um repertório de poses, atitudes e expressões: a Análise de Imagens. Dedicando-se a analisar grandes quantidades de imagens, será notável o crescimento das habilidades de se
dirigir modelos e pessoas. A seguir, temos questões gerais a serem levadas em consideração quanto à análise de imagens: a) ATITUDE - Postura do corpo: Cabeça, rosto, olhar, boca, pescoço, ombros, braços, cotovelos, mãos, cintura, quadril, pernas, joelhos e pés. Expressão do rosto. b) ILUMINAÇÃO - Qual a direção e qualidade da luz (dura ou suave). Quais os acessórios usados. c) COMPOSIÇÃO - Corte, ponto da câmera, perspectiva, característica de primeiro plano, segundo plano e fundo. Posição do sujeito. d) AMBIENTAÇÃO - Estúdio, externa ou locação. No presente relatório, começaremos a tratar do quesito de Iluminação, cujo estudo é um dos itens que podem diferenciar nosso trabalho de fotografia perante os dos outros profissionais da área. Cada tipo de luz assume um molde diferente e transmite uma sensação. No retrato clássico, existem diversos aspectos que precisamos controlar e observar para se obter boas fotos dos assuntos, incluindo: a proporção da luz, a iluminação padrão, a visão do rosto, e o ângulo de visão. Abordaremos a questão do Padrão de Iluminação, ou seja, o modo como a luz e a sombra atuam por todo o rosto para criar diferentes formas. Em termos simples, é a forma que a sombra tem na face. Os padrões de iluminação mais comuns em retratos são: 1 Luz Frontal, Paramount ou Borboleta: Essa é a luz que melhor reflete as cores, elas ficam mais intensas e saturadas. Quando usada no retrato é a que melhor reduz as imperfeições da pele; se bem utilizada, essa luz pode ser uma arma muito favorável quando aplicada. Mas a luz frontal, ou Paramount, não é uma luz que favorece texturas e volume. Uma curiosidade: o nome Paramount é por conta da distribuidora de filmes com este mesmo nome, que usava este tipo de luz em seus filmes.
Figura 4: Padrão de Iluminação Paramount. 2 Luz Lateral ou Dividida: Esta é uma luz que vai favorecer apenas o lado onde estiver posicionada, tudo vai depender da posição do modelo. Ela acaba escondendo muitas zonas e, por isso, é muito utilizada no nu artístico e nas fotografias de natureza-morta. Para alcançar este tipo de iluminação dividida, simplesmente posicione a fonte de luz em ângulo de 90º à esquerda, ou à direita, de quem será retratado, e possivelmente até mesmo um pouco atrás de sua cabeça. Onde se coloca a luz em
relação ao assunto irá depender do rosto da pessoa. Observe como ela incide sobre ele e ajuste em conformidade. Neste tipo de iluminação, o olho do lado do rosto que está na sombra recebe apenas um leve toque de luz. Se ao girar a face, incidir um pouco mais de luz sobre a bochecha, é possível que o formato do rosto não seja ideal para usar este padrão de iluminação. Figura 5: Padrão de iluminação de Luz Lateral. 3 Luz de Rembrandt: Se há uma luz ideal para realizar retratos clássicos é muito provavelmente esta. A posição dessa luz é zenital o bastante para projetar a sombra do nariz até a boca. Ela é identificada pelo triângulo de luz no rosto, onde a sombra do nariz e a da bochecha se tocam, criando-se um pequeno triângulo de luz, fixo no centro da face. Para criá-lo de forma adequada, certifique-se que o olho do lado do rosto que está na sombra, tem uma ponta iluminada e que há luz no olhar, caso contrário, ele vai
ficar morto, e não terá um bom brilho. Este padrão é mais dramático, e assim como a iluminação dividida, ele cria mais clima e uma sensação mais escura à sua imagem. Use-o quando for realmente apropriado. Para criar a iluminação de Rembrandt, o assunto deve virar ligeiramente para longe da luz. Esta deve estar acima do topo de sua cabeça para que a sombra de seu nariz caia na direção da face. Nem todo rosto é ideal para esse tipo de iluminação. Se for alguém com ossos altos ou proeminentes, ele provavelmente funcionará. Quando se tem um nariz achatado, ou pequeno, pode ser difícil de conseguir criá-lo. Se utilizar luz da janela, e ela for até o chão, pode-se ter que bloquear a parte inferior com um gobo, ou um cartão, para conseguir este efeito. Figura 6: Padrão de iluminação de Luz Rembrandt. 4 Luz Kicker, de Recorte ou de Cabelo:
Diferentemente dos outros tipos de iluminação, essa luz não foi criada para iluminar e sim para criar efeitos, por isso não são utilizadas como luz principal. Figura 7: Padrão de Iluminação de Luz de Recorte. 5 - Contraluz: A luz está localizada atrás da modelo. define o contorno e recorta. Sua medição também difere da luz que simplesmente ilumina.
Figura 8: Padrão de Iluminação de Contra Luz. 6 - Luz Zenital: É a que mais estamos acostumados a ver, pois as lâmpadas das nossas casas e a luz do sol provocam esse efeito. O resultado é bem agradável, porém uma luz Zenital muito concentrada pode gerar sombras em excesso.
Figura 9: Padrão de Iluminação de Luz Zenital. 7 - Luz negativa: A famosa iluminação dos filmes de terror, a luz negativa é o contrário da Zenital. Ela está posicionada de baixo para cima, dando uma sensação sinistra.
Figura 10: Padrão de Iluminação de Luz Negativa. REFERÊNCIAS: PRIMEIRO LIVRO DIDÁTICO SOBRE FOTOGRAFIA DIGITAL 4. Edição. FOTOGRAFIA DIGITAL APRENDENDO A FOTOGRAFAR COM QUALIDADE Autor: Prof. Dr. Enio Leite, Editora Viena, São Paulo, Brasil, 2017 https://focusfoto.com.br/direcao/ https://focusfoto.com.br/o-compasso-da-iluminacao/ https://focusfoto.com.br/ajustando-as-luzes/ http://fotodicasbrasil.com.br/seis-padroes-iluminacao-retrato-fotografo-conhecer/ http://iphotochannel.com.br/iluminacao-fotografia/8-tipos-de-iluminacao-para-voceaprender https://books.google.com.br/books?id=wfy_cqaaqbaj&pg=pa8&lpg=pa8&dq=the +use+of+light+in+classic+movie+actresses+photography&source=bl&ots=3paogjy7
1_&sig=6QNVeqA_Y-5ANK_CWkpD76zMsJ4&hl=en&sa=X&ved=0ahUKEwjsu6mmMHVAhVLh5AKHRscBMYQ6AEIazAP#v=onepage&q=the%20use%20of%20li ght%20in%20classic%20movie%20actresses%20photography&f=false http://www.amateurphotographer.co.uk/technique/portrait_photography/how-toreproduce-hollywood-lighting-in-your-portrait-photography-60422