LISTA DE EXERCÍCIOS LITERATURA

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Transcrição:

LISTA DE EXERCÍCIOS LITERATURA P1-3º BIMESTRE 8º ANO FUNDAMENTAL II Aluno (a): Turno: Turma: Unidade Data: / /2016 HABILIDADES E COMPETÊNCIAS Ler e interpretar textos de natureza diversa; Analisar as ideias implícitas presentes nos diferentes textos. Leia o texto abaixo e responda às perguntas: T EXTO I O bisavô e a dentadura Sylvia Orthof Eu ouvi esta história de uma amiga, que disse que isso aconteceu, de verdade, em Montes Claros, Minas Gerais. Para contar a história, é preciso imaginar uma velha fazenda antiga. Dentro da fazenda, uma vetusta (socorro, que palavrão!) mesa colonial, muito comprida, de jacarandá, naturalmente. Em volta da mesa, tudo que mineiro tem direito para um bom almoço: tutu, carne de porco, linguiça, feijão-tropeiro, torresminho, couve cortada bem fininha... e eu nem posso descrever mais, porque já estou com excesso de peso, só de pensar: hum, que delícia! A família era enorme e comia reunida, em volta da toalha bordada: pai, mãe, avó, avô, filhos, netos, sobrinhos, afilhados, a comadre que ficou viúva, a solteirona que era irmã da vó da Mariquinha... e o bisavô Arquimedes. O bisavô Arquimedes usava dentadura. Naturalmente, cada integrante tinha à sua frente o seu saboroso prato de tutu, couve, torresmo, feijãotropeiro, carninha de porco, linguiça, etc. e tal. E todos mastigavam e repetiam porque a fartura ali, em Montes Claros, naquele tempo, era um espanto, de tanta! E cada um, evidentemente, tinha o seu copo. Pois os copos e o bisavô Arquimedes, diariamente, sofriam a seguinte brincadeira: Toninho, ocê vai beber desse copo aí, na sua frente? Olha que o bisavô deixou a dentadura dele de molho, bem no seu copo, Toninho, na noite passada! Num foi no meu, não: foi no copo da Maroca! O bisavô deixou a dentadura dentro do copo da Maroquinha! Ó gente, num brinca assim que eu fico cum nojo, uai! O velho bisavô Arquimedes ouvia, sorria, mostrando a dentadura. Quando chegava o doce de leite, o queijinho, a goiabada e uma tal de sobremesa que tem o nome de mineiro de botas, que tem queijo derretido, banana, canela, cravo, sei lá mais que gostosuras, o pessoal comia, comia. E depois de comer tanto doce, a sede vinha forte, e a chateação começava, ou recomeçava, ou não terminava. Tia Santinha, não beba do copo da dentadura do bisavô, cuidado! Tenho certeza de que a dentadura ficou no seu copo, de molho, a noite inteira! O bisavô ouvia e ia mastigando, o olhinho malicioso, nem te ligo para a brincadeira, comendo a goiabadinha, o mineiro de botas, o doce de leite, o queijinho... e mexendo a dentadura pra lá e pra cá, pois a gengiva era velha e a dentadura já estava sem apoio. Mas o bisavô tinha senso de humor... e falava pouco. O pessoal cochichava que ele era mais surdo do que uma porta. Bestagem, porque se existe uma coisa que não é surda, é porta: mesmo fechada, deixa passar cada coisa... 1/7

Um dia, de repente, o bisavô apareceu sem dentadura. E como todos perguntaram para ele o que tinha havido, o velho Arquimedes sorriu, um sorriso bangela, dizendo: Ocês tavam perturbando demais, todos com nojo dela, resolvi não usar, uai! Aí, a família ficou sem jeito, jurando que não iria mais falar da dentadura, que tudo fora brincadeira, que todos adoravam o velho Arquimedes, que ele desculpasse. Tá desculpado, num tem importância. Eu já tava me aborrecendo com a história, mas tão desculpados. Mas até que tô achando bom ficar banguela: vou comer tutu e sopa... e doce de leite mole, ora! A família insistiu, pediu perdão, mas o bisavô botou fim à conversa, dizendo: Ocês num insistam. Resolvi e tá resolvido. O dia que eu deixar de resolver, boto a dentadura outra vez! E passaram-se vários dias. Ninguém mais fazia a brincadeira do copo. De vez em quando, o bisavô lembrava: Tô sentindo falta... Da dentadura, bisavô? Não, da traquinagem de ocês... ninguém tá com nojo de beber água no copo, né? Ora, o senhor não deve levar a mal, foi molecagem, a gente não faz mais, pode usar a dentadura, bisavô. Um dia, de repente, o bisavô voltou a usar a dentadura. Todos na mesa se cutucaram e começaram a rir, muito disfarçado, quando bebiam água, pensando... sem dizer, pois, haviam prometido. Depois da sobremesa, boca pedindo água depois de tanto doce caseiro, o velho Arquimedes disse: Ocês tão bebendo tanta água, sem nojo... Bisavô, era brincadeira! Eu também fiz uma brincadeira: durante todo esse tempo que fiquei banguela, minha dentadura ficou de molho, dentro do filtro! Questão 1 A respeito do texto I, responda às questões a seguir: A. Qual era a chateação que as pessoas da família faziam com o bisavô? Como ele reagia? B. Por causa das brincadeiras, o bisavô decidiu não usar mais a dentadura. Que sentimento a atitude do bisavô provocou na família? Transcreva do texto uma frase que comprove sua resposta. 2/7

Questão 2 Ainda de acordo com o texto I, responda os itens abaixo: A. O que torna esse conto engraçado? B. Qual é o tipo de linguagem utilizada no texto pelo narrador? E pelo bisavô? TEXTO II TOCANDO EM FRENTE (Almir Sater / Renato Teixeira) Ando devagar porque já tive pressa E levo esse sorriso porque já chorei demais Hoje me sinto mais forte, mais feliz, Quem sabe eu só levo a certeza De que muito pouco eu sei Ou nada sei Conhecer as manhas e as manhãs O sabor das massas e das maçãs É preciso amor para poder pulsar É preciso paz para poder sorrir É preciso chuva para florir Penso que cumprir a vida seja simplesmente Compreender a marcha e ir tocando em frente Como um velho boiadeiro levando a boiada Eu vou tocando os dias pela longa estrada, eu sou Estrada eu vou Todo mundo ama um dia Todo mundo chora um dia A gente chega e no outro vai embora Cada um de nós compõe a sua história E cada ser em si Carrega o dom de ser capaz E ser feliz 3/7

Após ler atentamente o texto, responda às questões propostas. Questão 3 Após a leitura da música Tocando em frente, responda: A. Para o poeta, a vida deve ser levada, tocada como uma boiada, pois não conseguimos entender a imprevisibilidade de ambas? Explique. B. O poeta tem hoje um sorriso de serenidade porque nunca levou a vida com ligeireza? Comprove sua resposta. Questão 4 Com base no texto II, responda às questões: A. Nos versos 5 e 6, o compositor demonstra que se considera um homem orgulhoso? Justifique. B. Depois de várias comparações, qual é a conclusão do poeta? Questão 5 A. Como era a vida do eu poético no passado? Comprove sua resposta. B. De acordo com o compositor, só através do choro individual e de outros é que descobrimos o valor de um sorriso? Por quê? 4/7

TEXTO III A bola O pai deu uma bola de presente ao filho. Lembrando o prazer que sentira ao ganhar a sua primeira bola do pai. (...) O garoto agradeceu, desembrulhou a bola e disse Legal!. Ou o que os garotos dizem hoje em dia quando gostam do presente ou não querem magoar o velho. Depois começou a girar a bola, à procura de alguma coisa. - Como é que liga? perguntou. - Como, como é que liga? Não se liga. O garoto procurou dentro do papel de embrulho. - Não tem manual de instrução? O pai começou a desanimar e a pensar que os tempos são outros. Que os tempos são decididamente outros. - Não precisa manual de instrução. - O que é que ela faz? - Ela não faz nada. Você é que faz coisas com ela. - O quê? - Controla, chuta... - Ah, então é uma bola. - Claro que é uma bola. - Uma bola, bola. Uma bola mesmo. - Você pensou que fosse o quê? - Nada não... (Luis Fernando Veríssimo Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001, p. 41-42.) Questão 6 O tema do texto está presente em: A. O pai começou a desanimar e a pensar que os tempos são outros. B. Lembrando o prazer que sentira ao ganhar a sua primeira bola do pai. C. O garoto agradeceu, desembrulhou a bola... D. O garoto procurou dentro do papel de embrulho. Questão 7 O efeito de humor provocado pelo texto nasce, sobretudo, A. do tipo de presente que foi oferecido. B. das diferentes expectativas das personagens. C. da ingenuidade e da timidez do garoto. D. do esforço do pai em se mostrar moderno. 5/7

TEXTO IV O Velho e o Novo Taiguara 1 Deixa o velho em paz Com as suas histórias de um tempo bom Quanto bem lhe faz Murmurar memórias num mesmo tom 5 A sua cantiga revive a vida Que já se esvai Uma velha amiga, outra velha intriga E um dia a mais 9 Vão nascendo as rugas Morrendo as fugas a as ilusões Tateando as pregas Se deixa entregue às recordações 13 Em seu dorso farto Carrega o fardo de caracol Mas espera atento Que o céu cinzento lhe traga o sol 17 Ele sabe o mundo O saber profundo de quem se vai O que não faria Pudesse um dia voltar atrás 21 Range o velho barco Lamento amargo do que não fez E o futuro espelha Esse mesmo velho que são vocês Questão 8 No texto IV o autor, em linhas 1 a 8, afirma que: A. Os velhos gostam de intrigas. B. Os velhos gostam de falar baixo. C. Os velhos gostam de relembrar histórias para passar os dias. D. Os velhos só querem velhos amigos. Questão 9 Nas linhas 9 a 12, o autor quer passar a seguinte ideia: A. As rugas tiram a ilusão e a vontade de viver. B. À medida que nascem as rugas, vão se perdendo as ilusões. C. As rugas que aparecem lembram coisas passadas. 6/7

Questão 10 Em linhas 21 a 24 o autor afirma: A. Que o barco vai afundar. B. O velho lamenta rangendo como um velho barco e mostra a quem o vê que o futuro será igual para todos. C. Que o velho range para incomodar quem passa. D. Existirem vários velhos naquele lugar. 7/7