BOLETIM EPIDEMIOLÓGICO SÍFILIS

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Transcrição:

27 de julho de 2016 Página 1/8 DEFINIÇÃO DE CASO Sífilis em gestante Caso suspeito: gestante que durante o pré-natal apresente evidencia clínica de sífilis, ou teste não treponêmico reagente com qualquer titulação. Caso confirmado: Gestante que apresente teste não treponêmico reagente com qualquer titulação e teste treponêmico reagente, independentemente de qualquer evidência clínica de sífilis, realizados durante o pré-natal; Gestante com teste treponêmico reagente e teste não treponêmico não reagente ou não realizado, sem registro de tratamento prévio. EM GESTANTE No Ceará, entre os anos de 2007 a 2016*, foram notificados 5.703 casos de sífilis em gestante. Na figura 1 é possível observar o cenário de crescimento em sua taxa de detecção ao longo dos anos, passando de 2,6 em 2007 para 7,4 por 1.000 mil nascidos vivos em 2015, aumento de 184%. Em 2016, até a SE 25, foram notificados 379 casos da doença com incidência de 1,8 por mil recém-nascidos. A incidência de sífilis em gestante aparece de forma heterogênea no território cearense chegando a 58,8 casos por mil nascidos vivos em alguns municípios da região central do Estado (Figura 2). Figura 1. Taxa de detecção de Sífilis em Gestante, por ano de notificação, Ceará 2007 a 2016*. Figura 2. Taxa de detecção de Sífilis em Gestante por município de residência, Ceará, 2014 e 2015. 2015

27 de julho de 2016 Página 2/8 Sífilis Congênita DEFINIÇÃO DE CASO Primeiro critério: Criança cuja mãe apresente, durante o pré-natal ou no momento do parto, teste para sífilis não treponêmico reagente com qualquer titulação. E teste treponêmico reagente, que não tenha sido tratada ou tenha recebido tratamento inadequado; Criança cuja mãe não foi diagnosticada com sífilis durante a gestação e, na impossibilidade de a maternidade realizar o teste treponêmico, apresente teste não treponêmico reagente com qualquer titulação no momento do parto; Criança cuja mãe não foi diagnosticada com sífilis durante a gestação e, na impossibilidade de a maternidade realizar o teste não treponêmico, apresente teste treponêmico reagente no momento do parto; Criança cuja mãe apresente teste treponêmico reagente e teste não treponêmico não reagente no momento do parto, sem registro de tratamento prévio. Para a análise da oportunidade de tratamento das gestantes com sífilis, se faz necessário observar em qual período gestacional o diagnóstico ocorreu. Entre os anos de 2007 e 2016*, observou-se predominância do diagnóstico entre 2º e o 3º trimestre, ocorrendo em 72,3% dos casos, em média. Em 2015, 47,5% (303/638) e 52,5% (335/638) dos diagnósticos ocorreram no 2º e 3º trimestres de gestação, respectivamente. Em 2016*, 50,5% (135/267) dos diagnósticos ocorreram no 2º trimestre e 40,4 (132/267) nos últimos três meses gestacionais. (Figura 3). Figura 3. Percentual de gestantes diagnosticadas com Sífilis, segundo o trimestre gestacional, Ceará, 2007 a 2016*. 100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016* 1º Trimestre 2º Trimestre 3º Trimestre Idade gestacional Ignorada A Rede Cegonha, instituída em 2011, é a estratégia do Ministério da Saúde que visa implementar uma rede de cuidados para assegurar às mulheres o direito ao planejamento reprodutivo e à atenção humanizada à gravidez, ao parto e ao puerpério, bem como assegurar às crianças o direito ao nascimento seguro e ao crescimento e desenvolvimento saudáveis. O Ministério da Saúde, por meio da publicação do Caderno de Atenção ao pré-natal de baixo risco em 2012, recomenda que a primeira testagem para sífilis seja realizada ainda no 1º trimestre da gestação, para que o diagnóstico da infecção ocorra precocemente visando efetividade no tratamento da gestante e do parceiro evitando assim a sífilis congênita.

27 de julho de 2016 Página 3/8 O tratamento é o meio mais eficaz de evitar a transmissão vertical da doença. É importante que a gestante e o parceiro sejam tratados. Destaca-se na série histórica, que em 2007 mais que 90% das notificações de sífilis em gestante traziam a variável parceiro tratado como item ignorado. A partir de 2012 observa-se que o número de parceiros tratados (39,4%) aumentou e quase que se igualou ao percentual de não tratados (37,9%) em 2015. Em 2016* é possível observar a mesma tendência com 40,7% tratados e 36,3% não tratados.(figura 4). Figura 4. Percentual de parceiros tratados para sífilis, Ceará, 2007 a 2016*. Em 2016*, até a SE 25, 63,4% das gestantes realizaram tratamento com penicilina G benzantina, 28% realizaram outro tipo de tratamento e 5,3% não realizaram nenhum tipo de tratamento. Em 2015 foram 59,8% de gestantes tratadas com penicilina, 28,7% outros esquemas e 6,4 não realizaram. (Figura 5). O alto percentual de gestantes tratadas não é garantia de evitar a transmissão da sífilis para o bebê, visto que faz parte do tratamento que o parceiro também receba a medicação.

27 de julho de 2016 Página 4/8 Sífilis Congênita (cont.) DEFINIÇÃO DE CASO Segundo critério: Todo individuo com menos de 13 anos de idade, com pelo menos uma das seguintes evidencias sorológicas: Titulações ascendentes (testes não treponêmicos); Testes não treponêmicos reagentes após seis meses de idade (exceto em situação de seguimento terapêutico); Testes treponêmicos reagentes após 18 meses de idade; Títulos em teste não treponêmico maiores do que os da mãe, em lactentes; Teste não treponêmicos reagente com pelo menos uma das alterações: clínica, liquórica ou radiológica de sífilis congênita. Terceiro critério: Aborto ou natimorto cuja mãe apresente teste para sífilis não treponêmico reagente com qualquer titulação ou teste treponêmico reagente, realizados durante o pré-natal, no momento do parto ou curetagem, que não tenha sido tratada ou tenha recebido tratamento inadequado. CONGÊNITA Em 2016, até 20 de junho, 399 crianças foram detectadas com sífilis congênita. Ao comparar os últimos dois anos, vê-se que, em 2014 foram notificados 1.212 casos da doença em crianças menores de 1 ano de idade, com taxa de detecção de 9,0 por mil nascidos vivos, e que em 2015 a taxa subiu para 9,6 e o número de casos aumentou em 4,2% passando para 1263. (Figura 4). Figura 4. Taxa de detecção de sífilis congênita em menores de 1 ano, segundo ano diagnóstico, Ceará, 2007 a 2016*. Em 2014, 56% (103/184) dos municípios cearenses apresentaram casos de sífilis congênita, em 2015 esse percentual aumentou para 62,3% (113/184), e em 2016, até a SE 25, 44% (80/184) já notificaram casos da doença em menores de um ano de idade. Quarto critério: Toda situação de evidência de infecção pelo Treponema pallidum em placenta ou cordão umbilical e/ou amostra da lesão, biopsia ou necrópsia de criança, aborto ou natimorto. Taxa de detecção de sífilis congênita em menores de 1 ano, por município de residência da mãe, Ceará, 2014 e 2015. 2014 2015 Fonte: SESA/COPROM/NUVEP SINAN

27 de julho de 2016 Página 5/8 TRATAMENTO A penicilina é o medicamento de escolha para todas as apresentações da sífilis e a avaliação clínica do caso indicará o melhor esquema terapêutico. Resumo do esquema terapêutico para sífilis na gestação: Sífilis Primária: Dose total: 2.400.000 UI ( Dose única) Sífilis Secundária ou latente com menos de 1 ano de evolução: Dose total: 4.800.000 UI (1 semana) Sífilis com duração ignorada ou com mais de 1 ano de evolução ou terciária: Dose total: 7.200.0000 UI(1 semana) Tratamento inadequado Entende-se por tratamento inadequado: Tratamento realizado com qualquer medicamento que não seja a penicilina; ou Tratamento incompleto, mesmo tendo sido feito com penicilina; ou Tratamento inadequado para a fase clínica da doença; ou Instituição de tratamento dentro do prazo de até 30 dias antes do parto; ou Parceiro(s) sexual(is) com sífilis não tratado(s) ou tratado(s) inadequadamente. Na série histórica de 2007 a 2016* o número de sífilis congênita aparece sempre superior ao de sífilis em gestante, em média 28% dos casos da doença durante a gestação não são notificados no SINAN. Número de casos de sífilis em gestante e sífilis congênita, Ceará, 2007 a 2016*. De 2007 a 2016* foram notificados no SINAN 5.703 casos de sífilis em gestantes no Ceará. Esse número representa 65% dos 8.692 casos de sífilis congênita no mesmo período. EQUIPE DE ELABORAÇÃO GT DST/HIV/Aids Telma Alves Martins Anuzia Lopes Saunders Danielle Martins Rabelo Gurgel Revisão Daniele Rocha Queiroz Lemos Márcio Henrique de Oliveira Garcia Sarah Mendes D Angelo

27 de julho de 2016 Página 6/8 Tabela 1. Casos, taxa de detecção e óbitos por sífilis em gestante e sífilis congênita, por município de residência, Ceará, 2014 a 2016*.

27 de julho de 2016 Página 7/8 Tabela 1. Casos, taxa de detecção e óbitos por sífilis em gestante e sífilis congênita, por município de residência, Ceará, 2014 a 2016*.

27 de julho de 2016 Página 8/8 Tabela 1. Casos, taxa de detecção e óbitos por sífilis em gestante e sífilis congênita, por município de residência, Ceará, 2014 a 2016*.