Jornada de trabalho. 1. Conceito: é uma medida de tempo no qual se inclui o labor diário. a) 1ª concepção: teoria do tempo efetivamente trabalhado, sendo o período do dia em que o empregado efetivamente trabalha para o empregador. b) 2ª concepção: teoria do tempo à disposição do empregador, sendo o período do dia em que o empregado fica à disposição do empregador. c) Ordenamento brasileiro adotou a 2ª concepção (art. 4º da CLT). Subordinação contratual. 2. Jornada normal: a) Não superior a oito horas diárias. b) Não superior a quarenta e quatro horas semanais. c) Compensação e redução mediante acordo ou convenção. d) Fundamentação legal: Art. 7º, inciso XII, da CF. 3. Jornada e horário de trabalho: a) Jornada é o tempo que o empregado fica à disposição do empregador. b) Horário é a identificação do início e de término do período no qual se desenvolve a jornada de trabalho.
Ex: João tem uma jornada de trabalho de 8 horas diárias e 44 horas semanais, cumprindo-a de 2ª a 6ª feira, das 9 às 18 horas, com 1 hora de intervalo para repouso e alimentação, e aos sábados das 9 ás 13 horas. 4. Controle de horário: a) Estabelecimento com mais de 10 empregados está obrigado a efetuar (art. 74, 2º, da CLT) b) Manual livro ponto, mecânica relógio ponto, eletrônica cartões magnéticos, conforme instruções do Ministério do Trabalho. (biométrica?). c) Não há obrigatoriedade de anotação do intervalo para repouso e alimentação, bastando que tenha sido pré-assinalado. d) Súmula 338, I e II, do TST. 5. Limites (art. 58, 1º, da CLT): a) Não serão descontadas nem computadas como jornada extraordinária as variações de horário não excedentes de 5 minutos, observado o limite máximo de 10 minutos. b) Ultrapassado esse limite será considerada como extra a totalidade do tempo que exceder a jornada normal (Súmula 366 do TST). c) Cartões britânicos (Súmula 338, III, do TST). 6. Jornada extraordinária: a) Conceito: é aquela prestada além da jornada normal, podendo ser prestada antes do início, após o término ou durante a jornada, quando exista trabalho nos intervalos intrajornada remunerados.
b) Requisitos (art. 59 da CLT e art. 7º, XVI, CF): i. Existência de acordo de prorrogação de jornada necessariamente escrito, podendo ser celebrado individualmente ou coletivamente. ii. Cumprimento de no máximo 2 horas extras, sendo que o empregador não está dispensado do pagamento das demais (Súmula 376, I, do TST). iii. Pagamento das horas extras, com no mínimo 50% de acréscimo, sendo que a base de cálculo das horas extras inclui todas as verbas salariais que o empregado recebe, inclusive outros adicionais (Súmula 264 do TST) Exceção: portuários, o cálculo das horas extras observará somente o salário básico (OJ SDI-1 60, II, do TST). 7. Supressão das horas extras: a) Faculdade do empregador. b) Supressão das horas extras habituais pelo período de 1 ano, dará ao empregado o direito a uma indenização no valor de 1 mês das horas suprimidas para cada ano ou fração igual ou superior a seis meses, calculadas pela média dos últimos 12 meses (Súmula 291 do TST). 8. Compensação de jornada: a) Conceito: quando há acréscimo de horas em um dia, com a devida diminuição em outro dia, desde que não seja ultrapassada a duração da jornada semanal. b) Havendo compensação não será devido o adicional de horas extras. c) Fundamento legal: Art. 7º, XII, da CF.
d) Limite máximo de 2 horas extras. e) formalizado por acordo individual, desde que não haja acordo ou convenção coletiva em sentido contrário (Súmula 85, I e II, do TST). 9. Banco de horas: a) espécie de compensação de jornada. b) período máximo de um ano. c) não podendo neste período ultrapassar a soma das jornadas semanais. d) Fundamento legal: Art. 59, 2º, da CLT. e) Limite máximo de 2 horas extras. f) formalizado por acordo ou convenção coletiva (Súmula 85, V, do TST). 10. Questões pertinente quanto a compensação de jornada: a) prestação de horas extras habituais descaracteriza o acordo de compensação de jornada, sendo que as horas que ultrapassarem a jornada semanal deverão ser pagas como extraordinárias (hora normal + adicional) e em relação àquelas que foram compensadas será pago apenas o adicional de horas extras (Súmula 85, IV, do TST). b) na hipótese de rescisão do contrato de trabalho sem que tenha havido a compensação integral da jornada extraordinária, o empregado fará jus ao pagamento das horas não compensadas (art. 59, 3º, da CLT).
c) quando o trabalho for insalubre há necessidade de autorização do Ministério do Trabalho por meio de inspeção prévia no local de trabalho, além dos demais requisitos legais estabelecidos (Cancelamento Súmula 349, do TST). d) A compensação de jornada dos trabalhadores menores de 18 anos só pode ocorrer mediante convenção ou acordo coletivo (Art. 413, I, da CLT). e) Regimes específicos: i. Semana espanhola: 48 e 40 horas/semanais alternadas (OJ SDI-1 323, do TST). ii. Semana inglesa: supressão das horas trabalhadas aos sábados, desde que seja respeitado o limite máximo de 10 horas/dia. iii. 12hx36h: admitido desde que previsto em lei ou acordo ou convenção coletiva de trabalho (Súmula 444, do TST). 11. Empregados excluídos do direito a horas extras: a) O art. 62 da CLT indica dois tipos de empregados em relação aos quais não é possível ao empregador exercer efetivo controle e fiscalização sobre a jornada realizada, razão pela qual não fazem jus a percepção de horas extras: (i) Exercem atividades externas e (ii) Gerentes (cargo confiança ou gestão). i. Exercem atividades externas: - Incompatível com a fixação de horários. - Anotação na CTPS e no registro de empregado. - Presunção relativa, que pode ser elidida por prova em sentido contrário. ii. Gerentes (cargos de confiança ou gestão):
- Salário do cargo, compreendendo a gratificação de função, não for inferior ao valor do respectivo salário efetivo acrescido de 40% (parágrafo único, art. 62, CLT). - Poder de direção. - Presunção relativa, que pode ser elidida por prova em sentido contrário. 12. Trabalho noturno: a) Trabalho noturno é aquele prestado em horário noturno. i. O trabalho em horário noturno é mais desgastante para o trabalhador, trazendo-lhes inegáveis prejuízos à saúde, além de dificultar-lhe o convívio familiar e social. ii. A remuneração do trabalho noturno será superior à do diurno. Assim, o trabalho noturno é remunerado com o adicional noturno, ou seja, as horas trabalhadas em horário noturno devem ser remuneradas com o adicional noturno (art. 7º, IX, da CF e art. 73, 4º, da CLT). b) Para os trabalhadores urbanos o horário noturno é aquele realizado entre as 22h00 e as 05h00 do dia seguinte (art. 73, 2º, da CLT). i. o adicional noturno dos empregados urbanos é de, pelo menos, 20% sobre a hora diurna (art. 73 da CLT). ii. Hora noturna é considerada reduzida, ou seja, equivale a 52 minutos e 30 segundos (art. 73, 1º, da CLT). c) Para os trabalhadores rurais o horário noturno é aquele realizado entre as 21h00 e as 05h00. i. pecuária horário noturno é aquele realizado entre as 20h00 e as 04h00 (art. 7º, Lei nº 5.889/73). ii. o adicional noturno dos empregados rurais, tanto agrícolas e pecuaristas, é de, pelo menos, 25% sobre a hora diurna (art. 7º, parágrafo único, da Lei nº 5.889/73). d) O empregado que deixa de trabalhar no horário noturno, sendo transferido para o horário diurno, perde o direito ao adicional (Súmula 265 do TST).
e) A previsão do art. 73 da CLT no sentido de inaplicabilidade do adicional noturno nos regimes de revezamento não encontra amparo no texto constitucional, que prevê de forma ampla e genérica, como direito dos trabalhadores urbanos e rurais, a remuneração do trabalho noturno superior à do diurno (art. 7º, IX, da CF). Desta forma, é devido o adicional noturno ao empregado sujeito a regime de revezamento (Súmula 213 da STF). f) O trabalho em horas extras noturnas gera o direito ao empregado de recebimento dos dois adicionais, considerando-se, ainda, para o trabalhador urbano, a hora extra reduzida, sendo que o adicional noturno integra a base de cálculo das horas extras prestadas no período noturno (OJ SDI-1 97 do TST). g) As horas extras prestadas após o integral cumprimento de jornada normal no período noturno serão remuneradas como horas extras noturnas (Súmula 60, II, do TST). h) O trabalho em horário noturno é proibido aos empregados menores de 18 anos, conforme previsão do art. 7º, XXXIII, da CF, art. 404 da CLT e art. 8º da Lei nº 5.889/73.