CISTICERCOSE EM SUÍNOS

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Transcrição:

CISTICERCOSE EM SUÍNOS CAVALINI, Antonio Carlos Discente da Faculdade de Medicina Veterinária de Garça / SP FAMED/ ACEG NEVES, Maria Francisca ZAPPA, Vanessa Docentes da Faculdade de Medicina Veterinária de Garça / SP FAMED/ ACEG RESUMO A cisticercose é uma doença causada pela fase larval da Taenia solium, o Cysticercus cellulosae. Os suínos que são os hospedeiros intermediários da T. solium albergam a forma larval desse cestóide após a ingestão de ovos que são eliminados com as fezes humanas. A maior incidência desta doença ocorre em áreas com falta de saneamento básico, trazendo um grande prejuízo para os criadores, e algumas doenças que estão para o homem. O objetivo deste trabalho foi fazer uma revisão de literatura sobre esta doença enfocando seu agente etiológico e sua importância para saúde pública. Palavra chave: Cisticercose, Cysticercus cellulosae, Taenia solium, suínos Tema central: Medicina Veterinária ABSTRACT Cisticercosis is an illness caused for the larval phase of the Taenia solium, the Cysticercus cellulosae. The swine that are the intermediate hosts of the T. solium they lodge the larval form of this after cestoidean the egg ingestion that is eliminated with excrements human beings. The biggest incidence of this illness occurs in areas with lack of basic sanitation, bringing a great damage for the creators, and some illnesses that are for the man. The objective of this work was to make a literature revision on this illness being focused its etiologic agent and its importance for public health. Keywords: Cisticercosis, Cysticercus cellulosae, Taenia solium, swine 1. INTRODUÇÃO A cisticercose suína é doença ocasionada pelas larvas da Taenia solium, que pode se localizar nos tecidos musculares e em vários órgãos como, pulmões e coração de seu hospedeiro..

O homem atua como principal hospedeiro definitivo, desenvolvendo o cisticerco em seus tecidos sendo de forma mais grave e freqüente, a neurocisticercose, podendo causar difusão neurológica e até mesmo a morte. Os suínos acabam adquirindo a cisticercose pelo contato direto ou indireto com as fezes humanas. No Brasil, as regiões mais acometidas são do Mato Grosso, São Paulo, Goiás, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais devido o consumo de carne suína crua ou mal cozida. O objetivo deste trabalho foi fazer uma revisão de literatura sobre esta doença enfocando seu agente etiológico e sua importância para saúde pública. 2. Revisão de literatura A espécie Taenia sollium é um helminto achatado, em forma de fita medindo habitualmente de 2 a 3 metros de comprimento, mas podendo atingir até 9 metros. O corpo deste cestóide é dividido em escólex ou cabeça, colo e estróbiolo ou corpo formado pelas proglótides (FORTES, 2004). O escólex da Taenia sollium é pequeno, globuloso, medindo aproximadamente 1mm de diâmetro, possui quatro ventosas conspícuas e orbiculadas e um rostélo situado em posição central e anterior entre as ventosas. O escólex é guarnecido de um número variável de ganchos (25 a 50) dispostos circularmente com as pontas voltadas para a periferia (MORAES et al., 1971). O estróbilo é formado por proglótides em diferentes estágios de maturação, as proglótides imaturas estão mais próximas ao colo de onde se originam e ainda não possuem aparelho reprodutor desenvolvido; as proglótides maduras estão numa posição mais central ao corpo e são aquelas em que o aparelho reprodutor está totalmente desenvolvido; as proglótides grávidas estão na porção final do corpo e nelas estão contidos os ovos do cestóide (FORTES, 2004). A cor deste platyhelminto, geralmente é branca de aspecto leitoso, outras vezes amareladas ou rosadas, devido as substâncias diversas absorvidas pelo verme (REY, 1973). O homem é o hospedeiro definitivo da Taenia sollium, albergando em geral um único parasita adulto no intestino, que libera proglotes nas fezes

(SOBESTIANSKW, 1999). Quando os ovos são ingeridos pelo hospedeiro intermediário, como os suínos, assim que chegam ao estomago se rompem liberando o embrião que penetra na mucosa gástrica, que pela circulação geral é levado até a sede de sua localização definitiva. E a partir do embrião desenvolve-se a forma larval, o Cysticercus cellulosae, constituído de cabeça e colo envaginados dentro de uma vesícula. A vesícula é clara e semi-transparente e mede cerca de 10 a 15mm de diâmetro, e o seu interior é preenchido por líquido cristalino (VERONESI et al., 1991; FORTES, 2004). O fato do porco ser um alimento usualmente consumido por humanos faz dele a principal fonte de infecção para a população, porque é principalmente em seus tecidos que se desenvolve os cisticercos (VERONESI, et al., 1991). No hospedeiro definitivo, o homem, em condições favoráveis o escólex fixa a mucosa no intestino delgado, onde inicia-se a proglotização (MORAES et al., 1971; FORTES, 2004). Ao fim de uns três meses o paciente começa a expulsar proglotes maduros em suas fezes dando fim ao ciclo evolutivo da Teniose-Cisticercose (MORAES et al., 1971). Na teniose os sinais clínicos, na maioria das vezes, são inaparentes. Em suínos portadores de cisticercos também em geral são assintomáticos, entretanto, quando o homem é infectado por ovos, podem ocorrer vários sinais clínicos mais graves, os cisticercos podem se desenvolver no sistema nervoso central produzindo distúrbios mentais ou sinais clínicos de epilepsia ou hipertenção intracraniana também podem desenvolver-se nos olhos causando perda da visão (REY, 1973; URQUHART et al., 1987). Nos suínos os músculos mais comumente atingidos são língua, pescoço, quartos anteriores, intercostais, psoas, os quartos posteriores e os da região posterior. Os órgãos internos cérebro, rins, coração, fígado e pulmões também podem ser atingidos (MORAES et al.; 1971). No Brasil os casos mais freqüentes são nos estados do Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Santa Catarina, devido ao maior consumo de carne suína crua ou mal cozida (REY, 1973).

O controle da infecção por Taenia sollium deve basear-se no tratamento dos homens contaminados e em medidas de saneamento básico, a fim de que os suínos não tenham acesso aos dejetos do homem (SOBESTIANSKY, 1999). Além disso, toda carne consumida deve ser inspecionada rotineiramente nos matadouros e frigoríficos por médicos veterinários e técnicos. Essa inspeção é feita nos músculos mastigadores, da língua, faringe, esôfago e coração. As carcaças com poucos cisticercos são reaproveitadas, a rejeição total se dá quando a infecção é intensa (REY, 1973). 3. CONCLUSÃO A cisticercose é uma doença que pode ser evitada facilmente mantendo a higiene nas granjas de suínos, e conscientizando as pessoas a não criarem seus animais livremente evitando o ciclo da Taenia solium. Estas medidas melhoram as condições da saúde publica e evitam maiores prejuízos aos criadores. 4. REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS FORTES E., Parasitologia Veterinária 3 ed., Ícone: São Paulo, 2004. p. 686. MORAES, R. G.; LEITE, I.C. ; GOULART, E. G., Parasitologia médica. São Paulo: Atheneu S.A., p 204, 1971. REY, L. Parasitologia. Rio de Janeiro : Guanabara Koogan, p.695, 1973. SOBESTIANSKY, J. Clinica e Patologia Suína. 2 ed, Goiana p.464, 1999. URQUHART, G.M. Parasitologia Veterinária. Rio de Janeiro. Guanabara Koogan. p.306. 1997.

VERONESI, R.; FRANÇA NETTO, A.S.; FOCACCIA R. Doenças infecciosas e parasitárias. 8 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1991.