Orçamento do Estado para 2013 No contexto de crise, as alterações à legislação fiscal no Orçamento de Estado (OE) para 2013, são disso o seu reflexo. Quer seja pelo aumento de impostos, redução dos benefícios fiscais ou introdução de normas que visam um maior combate à fraude e evasão fiscal, tudo converge no mesmo sentido. Por: Dr.ª Maria Mestra Dir. Assessoria Técnica Grupo NUCASE Para nós contabilistas, todas estas alterações implicam uma constante atualização e uma redobrada atenção, para os empresários a necessidade de um acompanhamento adequado por uma equipa técnica que consiga dar resposta e ajudar a enquadrar adequadamente a sua atividade aos normativos em vigor. Na NUCASE, estaremos sempre disponíveis para o ajudar e em conjunto estudarmos as melhores soluções. Se tem dúvidas não hesite. Pergunte ao seu contabilista. Analisaremos algumas das principais alterações, ou das mais correntes: IRS Imposto sobre as Pessoas Singulares Categoria A Trabalho dependente A atribuição de ajudas de custo só poderão ser possíveis para deslocações diárias que ultrapassem os 20 Km do domicilio, ou 50 Km no caso de dias sucessivos, ao invés dos atuais 5 Km e 20 Km, respetivamente. Categoria B Trabalho independente Os sujeitos passivos prestadores de serviços, enquadrados no regime simplificado de tributação, passam a ser tributados por 75% dos rendimentos, aumentando o valor tributado que agora era de 70 %. Taxas de retenção na fonte Categoria B As retenções na fonte das atividades de profissionais liberais previstas no art.º 151.º do código do IRS (normalmente designados por atividades a recibo verde) passam para 25% (atualmente 21,5%). Se é certo que este valor é apenas uma retenção na fonte que vai operar em posterior dedução ao IRS a pagar, também é uma antecipação do pagamento do imposto à data em que se recebe o rendimento. Categoria E rendimentos de capitais Todos os rendimentos de capitais incluindo juros e dividendos, sujeitos a taxa liberatória vão ver essa taxa aumentada de 25% para 28%. Sempre que o banco lhe propuser uma determinada taxa de juros não se esqueça de calcular os 28% que será o imposto que lhe vão reter e que funciona neste caso como tributação definitiva, ficando sempre a possibilidade de se optar pelo englobamento.
Categoria F Rendimentos prediais A retenção na fonte sobre os rendimentos prediais passa para 25%. Mas estes rendimentos passam a ser tributados a uma taxa autónoma de 28%, podendo no entanto optar-se pelo englobamento. Esta tributação autónoma pretende ser um incentivo ao mercado do arrendamento, já que deixando de acrescer aos outros rendimentos para efeitos de IRS, as rendas passam a ser tributadas com a mesma taxa dos juros de depósitos bancários. Categoria G Mais valias O saldo positivo entre as mais valias e as menos valias resultantes da transmissão de partes sociais passa a ser tributado a uma taxa de 28%. A isenção existente até agora para os pequenos investidores cujo valor não ultrapassasse os 500 foi revogada. Não residentes Todos os rendimentos obtidos por pessoas singulares não residentes estão sujeitos a uma taxa liberatória de 25%. Os rendimentos de mais valias e outros rendimentos não sujeitos a retenção na fonte às taxas liberatórias, são tributados à taxa autónoma de 28%. Taxas Taxas - Escalões Os escalões de IRS foram reduzidos para cinco, atualmente eram oito, e o último escalão que se aplicava para valores de rendimentos superiores a 153 300, foi reduzido para 80 000. Assim a taxa máxima do IRS passa incidir sobre cerca de metade do rendimento coletável. Rendimento coletável em Euros Taxas em percentagem Normal Média Até 7.000 14,50 14,500 De mais de 7.000 até 20.000 28,50 23,600 De mais de 20.000 até 40.000 37,00 30,300 De mais de 40.000 até 80.000 45,00 37,650 De mais de 80.000 48,00 *** Taxa adicional de solidariedade Ao quantitativo do rendimento coletável superior a 80.000 incidem as seguintes taxas adicionais de solidariedade: Rendimento coletável em Euros Taxa (em percentagem) De Mais de 80.000 até 250.000 2,5 Superior a 250.000 5 Sobretaxa de IRS À totalidade dos rendimentos englobados é aplicada uma sobretaxa de 3,5%, que abrange todos os contribuintes e incide sobre a importância que exceda a retribuição mínima mensal garantida. As entidades devedoras dos rendimentos de trabalho dependente e pensões são obrigados a efetuar a retenção de 3,5% no momento do pagamento das retribuições.
Obrigações declarativas Declaração Mensal de Remunerações (AT) O modelo 10 relativa a rendimentos de trabalho dependente, passou a designar-se Declaração Mensal de Remunerações (AT) e terá de ser entregue até ao dia 10 do mês seguinte, mantendo-se a obrigatoriedade do final de fevereiro do ano seguinte para os restantes rendimentos. Opção pelo regime de contabilidade organizada Até 30 de janeiro de 2013, os sujeitos passivos de IRS enquadrados no regime simplificado podem livremente optar pelo regime de contabilidade organizada. IRC Imposto sobre as Pessoas Coletivas Pagamentos por conta O cálculo dos pagamentos por conta dos sujeitos passivos com um volume de negócios no ano anterior inferior a 500 000, passa a ser efetuado sobre 80% da coleta (atualmente 70%) deduzido das retenções na fonte efetuadas por terceiros. Para os sujeitos passivos com um volume de negócios superior a 500 000 os pagamentos por conta passam a ser efetuados sobre 95% do valor (atualmente 90%). Limitação aos pagamentos por conta A limitação aos pagamentos por conta passa a só ser possível na terceira prestação, tornando o pagamento da segunda sempre obrigatório. Até agora só a primeira tinha esse caráter de obrigatoriedade. Se o contribuinte pela análise das suas contas constatasse que o pagamento já tinha excedido o montante do IRC que iria pagar nesse ano poderia suspender as restantes duas prestações. Derrama Estadual O pagamento da derrama estadual de 5% passa a incidir sobre lucros tributáveis superiores a 7 500 000 (atualmente 10 000 000 ), mantendo-se a taxa de 3% para os valores de lucro tributável superior a 1 500 000 ) Limite à dedução de encargos financeiros As empresas, com exceção das entidades sujeitas à supervisão do Banco de Portugal, com elevados encargos financeiros de montantes superiores a 3 000 000 ou 30% do resultado antes de depreciações, não poderão deduzir fiscalmente esses montantes, podendo o remanescente ser considerado nos 5 exercícios posteriores. Despesas com equipamento e software de faturação eletrónica As desvalorizações excecionais decorrentes do abate de programas e equipamentos informáticos substituídos por programas de faturação eletrónica, bem como as despesas de aquisição dos novos, podem ser consideradas gasto fiscal em 2013. IVA Imposto Sobre o Valor Acrescentado A acrescer às profundas alterações ao regime de faturação, comunicação das faturas à Autoridade Tributária, que se inicia em 1 de janeiro, à comunicação antecipada à Autoridade Tributária dos documentos de transporte que se iniciará a 1 de maio, e que já foram objeto de legislação, vêm agora ser revistos mais algumas disposições deste código.
Revogação de isenções para a produção agrícola A partir de abril, as operações relacionadas com as atividades de produção agrícola deixam de estar abrangidas pela isenção prevista no código do IVA e passam a estar sujeitas a IVA à taxa reduzida, como sejam: a agricultura em geral, incluindo a viticultura, fruticultura e horticultura floral e ornamental, mesmo em estufas, produção de cogumelos, exploração de viveiros e a criação de animais, avicultura, culturas aquícolas e piscícolas, apicultura, silvicultura. As prestações de serviços que contribuem normalmente para a realização da produção agrícola, designadamente: as operações de sementeira, plantio, colheita, debulha, ceifa, recolha e transporte, armazenamento de produtos agrícolas; a guarda, criação e engorda de animais; a destruição de plantas e animais nocivos e o tratamento de plantas e de terrenos por pulverização; a exploração de instalações de irrigação e de drenagem e a poda de árvores, corte de madeira e outras operações silvícolas. Pequenos agricultores Só beneficiarão da isenção os pequenos agricultores que tenham um volume de vendas inferior a 10 000 anuais. Recuperação de créditos incobráveis Passa a ser possível a recuperação do IVA em créditos considerados incobráveis ainda que não tenha havido recurso judicial. Dentro de determinadas condições, deverá ser efetuado o pedido por via eletrónica que será apreciado pela Autoridade Tributária. Sujeitos passivos isentos de IVA por volume de negócios Os sujeitos passivos isentos que no ano de 2012 tenham ultrapassado o volume de negócios de 10 000, devem entregar uma declaração de alterações até ao final do mês de Janeiro. Os agricultores isentos até agora têm um regime transitório e a declaração de alterações será entregue no primeiro trimestre de 2013 ficando sujeitos ao regime geral a partir de abril de 2013. Imposto do Selo Foi aditada à Tabela do Imposto do Selo uma verba segundo a qual sobre os prémios dos jogos sociais do Estado: Euromilhões, Lotaria Nacional, lotaria Instantânea, Totobola, Totogolo, Totoloto e Joker, de montante superior a 5 000, será aplicada uma taxa de 20%, ou seja, um quinto do prémio é devolvido ao Estado. Como o valor dos prémios dos jogos quando anunciados têm de ser já líquidos de impostos, e existem em Portugal jogos de âmbito europeu, este valor terá, em nosso entender, de ser retirado ao montante que até agora fica disponível para a Santa Casa da Misericórdia. IMI O IMI passa a poder ser pago do seguinte modo: Montante do imposto em n.º de prestações prazos Inferior a 250 1 Abril Superior a 250 e inferior a 2 Abril e novembro 500 Superior a 500 3 Abril, julho e novembro
Regime Geral das Infrações Tributárias O montante a partir do qual a não entrega por parte da entidade patronal, dos trabalhadores independentes e dos beneficiários que visem a não liquidação das prestações devidas à segurança social, passa a constituir fraude fiscal foi reduzido de 7.500 para 3.500. Caixa Postal Eletrónica A não comunicação, ou fora de prazo da adesão à caixa postal eletrónica é punível com coima de 50 a 250. Lembramos que o prazo é de: 30 dias a contar da data do início de atividade ou do enquadramento no regime normal do IVA. Programas informáticos Para além da falta de utilização de programa ou equipamentos informáticos de faturação devidamente certificados, a utilização de programas que não os adequados também passou a ser punível com coima variável entre 375 e 18 750. DESTAQUE Os escalões de IRS foram reduzidos para cinco, atualmente eram oito, e o último escalão que se aplicava para valores de rendimentos superiores a 153 300, foi reduzido para 80 000