Principais Temas da Aula. Bibliografia

Documentos relacionados
3.15 As psicoses na criança e no adolescente

A CRIANÇA E O DIVÓRCIO

Índice. Parte I Definição de Psicoterapia 11. Parte II Investigação e Psicoterapia 37

Depressão. Em nossa sociedade, ser feliz tornou-se uma obrigação. Quem não consegue é visto como um fracassado.

MENTAL PARA PROFISSIONAIS DE

i dos pais O jovem adulto

Desnutrição na Adolescência

Redes sociais, afectos e pessoas idosas

SAUDE MENTAL E TRANSTORNO MENTAL. Profa. Keila Ribeiro

ADOLESCÊNCIA PROF. ALBERTO OLAVO ADVINCULA REIS

O Impacto Psicossocial do Cancro na Família

UNIVERSIDADE LUSÍADA DE LISBOA. Programa da Unidade Curricular PSICOPATOLOGIA Ano Lectivo 2017/2018

O Direito de Adoptar?

Comunidade Pastoral ADOECIDOS PELA FÉ?

DUPLO DIAGNÓSTICO: Transtornos Mentais na Síndrome de Down

3.8 Tristeza e depressão na criança e no adolescente

DSM-IV - Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. Lista de Palavras

AntoonVan Dyck, Sansão e Dalila (1630)

UNIVERSIDADE LUSÍADA DE LISBOA. Programa da Unidade Curricular PERTURBAÇÕES DO DESENVOLVIMENTO Ano Lectivo 2010/2011

Portfolio FORMAÇÃO CONTÍNUA

Apresentação dos resultados dos estudos preliminares

CURSO DE CAPACITAÇÃO EM PSIQUIATRIA DA INFÂNCIA E DA ADOLESCÊNCIA 2017

PSICOLOGIA JURÍDICA: RELAÇÃO COM O DIREITO DE FAMÍLIA

28/04/2011. Profa. Dra. Marilene Zimmer Psicologia - FURG

Assistência ao Adolescente com Ênfase em Saúde Sexual e Reprodutiva

Todos os dados serão anónimos e confidenciais, pelo que não deverá identificar-se em parte alguma do questionário.

Portfolio FORMAÇÃO CONTÍNUA

Ansiedade de Separação: O que é isso???

UNIVERSIDADE LUSÍADA DE LISBOA. Programa da Unidade Curricular PSICOPATOLOGIA DO ADULTO E DA TERCEIRA IDADE Ano Lectivo 2011/2012

OBJECTIVOS GERAIS E ESPECÍFICOS DA EDUCAÇÃO AFECTIVO-SEXUAL

Acompanhamento Psicoterapêutico

MEDIDAS DE PREVENÇÃO NA SAÚDE MENTAL. Prof. João Gregório Neto

Objetivos Evolução e diversidade nas famílias monoparentais

Perturbações da Alimentação e da Ingestão. Carlos Marinho

Idade vsriscos Psicossociais. Como actuar?

Alexandre de Araújo Pereira

O estirão Nos meninos, ocorre entre 14 e 16 anos. Nas meninas entre 11 e 12 anos. É a fase que mais se cresce.

Depressão em mulheres

O Papel da Psicologia e dos Psicólogos na Natalidade e no Envelhecimento Activo

GCD_19_Doenças_e_Perturbações_Mentais

Perturbações Afectivas

Escola Secundária de Carregal do Sal

3.5 Medos e ansiedade na criança e no adolescente

VIOLÊNCIA SEXUAL. Capacitação Coordenadores municipais

Decio Tenenbaum

O Papel dos Psicólogos no Envelhecimento

Anorexia/Bulimia. Trabalho realizado por: Ana Margarida Piloto Carla Sofia Veiga Catarina Isabel Cabral Sandra Catarina Dias

Patrícia Poppe XIII Encontro Luso-Brasileiro e XV Congresso Nacional da SPGPAG O Grupo: Espelho de Afetos; Construção de vínculos Lisboa,

PROMOÇÃO DA SAÚDE EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES:

3.11 Os problemas do controle da urina e fezes na criança: a) A criança que molha a cama ou as calças (enurese)

UNIVERSIDADE DA MADEIRA PROVA DE PSICOLOGIA MAIORES DE 23 ANOS

Impacto da falta de recursos no cuidador. Cristina Campos Psicóloga Carlos Filipe Correia Psicólogo

INCOGNUS: Inclusão, Cognição, Saúde. Um olhar sobre as várias formas de demência

ABORDAGEM DA SEXUALIDADE NO CONTEXTO DA VIOLÊNCIA. Marcos Antonio Ribeiro Moraes Coordenação de DST/Aids SPAIS - SMS -GO

Estrutura FAMILIAR E DINÂMICA SOCIAL Sandra Almeida Área de Integração

PROGRAMA. Terapia da Aceitação e Compromisso (ACT): uma abordagem alternativa do sofrimento humano - Mª do Céu Salvador

Ψ AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE OLIVEIRA

Sumário. Parte I VISÃO GERAL. Parte II COMUNICAÇÃO E RELAÇÃO. Introdução A medicina da pessoa...31

Violência de Género: Violência sobre os idosos e as idosas

Agrupamento de Escolas Dr. Vieira de Carvalho P L A N I F I C A Ç Ã O A N U A L D E E D U C A Ç Ã O P A R A A C I D A D A N I A

UNIDADE DE CUIDADOS NA COMUNIDADE DE CASTELO BRANCO. Valor da Sexualidade na Adolescência

Jogo patológico e família. Proposta de um modelo sistémico integrador. Diana Cunha & Ana Paula Relvas

TRANSTORNO AFETIVO BIPOLAR

Caracterização clínica e demográfica dos militares contratados internados no Serviço de Psiquiatria do Hospital Militar Principal em 2007

O Perfil do Psicólogo na Administração Local

Conflito parental. Prevenção do impacto em crianças e adolescentes. Introdução. Objectivos

2 CHAKRA Sexual Localização Cor Cristais relacionados : Parte associadas Informações: Desequilíbrios físicos:

MATERIAL COMPLEMENTAR. Teste Seus Chakras

Gelder M, Mayou R, Geddes J. Psiquiatria. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 1999.

COMORBIDADES PSIQUIÁTRICAS E TRATAMENTO. Centro de Estudos da Clínica Jorge Jaber Psicóloga Simone Leite Especialista na área Clínica CRP 05/21027

COMORBIDADES PSIQUIÁTRICAS E TRATAMENTO. Centro de Estudos da Clínica Jorge Jaber Psicóloga Simone Leite Especialista na área Clínica CRP 05/21027

Sumário 1. As funções mentais superiores (a Síndrome de Pirandello) 2. Perspectivas teóricas (a eterna busca da realidade)

Acção de (in)formação sobre Parentalidade Positiva, Alienação Parental e Igualdade Parental 16 de Março, Montijo

Critério B: Alguns desses sintomas devem estar presentes desde precocemente (para adultos, antes dos 12 anos).

Aspectos psicossociais relacionados ao uso de drogas na adolescência

Dra Rossandra Sampaio Psicóloga Clínica CRP Especialista em Gestão de Sistemas e serviços de Saúde (FIOCRUZ) Mestranda em Psicologia da

DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE

CRIANÇA ABUSADA: SINALIZAR, AVALIAR E INTERVIR

Síndromes Psíquicas. Prof: Enfermeiro Diogo Jacintho

Isolamento e Solidão No envelhecimento

1º Congresso Psicologia do Desenvolvimento

Freud e a Psicanálise

O Ciclo de Vida das Famílias como Ferramenta Importante para o Trabalho em Saúde da Família

2 Ansiedade / Insegurança Comportamento de busca de atenção, medo / ansiedade, roer unhas, fala excessiva

TRABALHO E CICLO VITAL

Integralidade do Cuidado em Saúde I. Profª Drª Ana Carolina Guidorizzi Zanetti DEPCH/EERP- USP

a conversa é quase uma unanimidade a percepção de que o período tem se alongado nos últimos

STRESSOCUPACIONAL E PRÁTICAS MINDFULNESS

IDADE ADULTA TATIANA COMIOTTO

Transcrição:

Desgravadas do 4º Ano 2007/08 Psicopatologia Data: 23 do de Ciclo Outubro de Vida de 2007 I Disciplina: Psiquiatria Prof.: Dr. Daniel Sampaio Tema da Aula: Psicopatologia do Ciclo de Vida I Autor(es): Ana Carolina Ferreira Equipa Correctora: Professor Doutor Daniel Sampaio Principais Temas da Aula 1. Psicopatologia do Ciclo de Vida Ciclo Vital da Família; Etapas do Ciclo Vital da Família; 2. Psicopatologia da Adolescência Bibliografia Gelder, M., Mayou, R., Geddes, J., Psychiatry, 3ª edição, Oxford University Press, 2005. Página 1 de 13

Psicopatologia do Ciclo de Vida Ciclo Vital da Família ou Ciclo de Vida da Família: Pressupõe uma sequência previsível de transformações na organização familiar; Salienta a existência de etapas desde a formação da família até ao fim da família, sendo estas etapas organizativas do desenvolvimento familiar (as famílias organizam-se das etapas); Salienta TAREFAS necessárias ao desenvolvimento; Uma família com crianças pequenas tem tarefas diferentes do que uma família com adolescentes ou de uma família com os filhos a sair de casa; A família tem que organizar-se à volta dessas tarefas para poder passar à fase seguinte; Indica as zonas de passagem como de maior turbulência; Todas as famílias passam por períodos de maior ansiedade, discussão e maior número de conflitos, e essas zonas correspondem à passagem de uma fase do ciclo de vida para outro. Compreende-se que assim seja porque é necessária uma adaptação, e essa adaptação nem sempre é fácil. Define como essenciais o sentimento de pertença ao grupo e a autonomização dos elementos de cada família. As pessoas pertencem a uma família, têm noção de família e sentimento de pertença mesmo quando estão afastadas geograficamente, quando não têm muita intimidade ou quando têm vidas separadas. No caso de uma criança ou adolescente institucionalizado há perda do sentimento de família, quando este é entregue a uma organização/instituição ou a uma família de acolhimento: perde-se o sentimento de pertença em relação à família biológica e tem que se organizar à volta da família de acolhimento. Sentimento de pertença é muitas vezes discutível do ponto de vista jurídico: o sentimento de pertença está na família que a adoptou a Página 2 de 13

criança ou será que ela pode recuperar o sentimento de pertença em relação aos pais biológicos? Nós pertencemos a uma família mas podemos ser autónomos, não devemos ficar dependentes da família e toda a educação deve ser no sentido da autonomia, no sentido da pessoa ser capaz de se organizar com base na sua autonomia. Este aspecto de autonomia é muito importante principalmente na fase da adolescência (época em que o adolescente vai lutar pela sua autonomia e vai ser capaz de se tornar mais independente da família). Não confundir autonomia/autonomização com independência: uma pessoa pode já ser capaz de tomar decisões próprias, mas ainda viver com os pais e depender deles financeiramente. O conceito de autonomia vai aumentando ao longo da vida. Etapas do Ciclo Vital da Família Existem várias subdivisões do ciclo de vida da família, podemos organizar estas fases de modo ligeiramente diferente consoante os autores. A adoptada na aula foi a da subdivisão mais simples, elaborada pela Dr.ª Ana Paula Relvas: Estádio 1. Formação do casal 2. Família com filhos pequenos Descrição A situação mais frequente é a relação heterossexual; Do ponto de vista do ciclo vital da família não é relevante se o casal está casado legalmente ou se vive em união de facto; Refere-se ao movimento de saída das famílias de origem (movimento de autonomia) para viver junto/casar; É uma etapa muito importante, sendo fundamental a autonomização em relação à família de origem; Há também um novo relacionamento com a família do cônjuge e muitas vezes as dificuldades do casal resultam em modelos, tradições e rituais diferentes que têm cada uma das famílias de origem. Etapa que vai desde o nascimento do 1º filho até ao nascimento do último (no caso de haver mais que um); Página 3 de 13

3. Família com filhos na escola 4. Família com filhos adolescentes 5. Família com filhos adultos Esta família tem já uma nova organização; É muito importante o espaço entre a primeira e a segunda gravidez porque permite que o casal se adapte à vida em conjunto e às alterações que um filho implica na dinâmica do casal; famílias com filhos únicos (média de filhos por casal em Portugal = 1,4). Etapa marcada pela ida do filho mais velho para a escola; É o movimento que a família tem de levar o filho à escola, que pode começar muito precocemente (préescola), e a adaptação que necessita de ser feita com este novo acontecimento na vida da criança, em termos de relacionamento com os colegas, transportes, etc; É um movimento centrífugo, a família está centrada na 2ª fase à volta dos seus filhos pequenos e vai começar a deslocar-se para fora no sentido de levar o seu filho mais velho para a escola; Há autores que consideram o final desta fase no fim do primeiro ano escolar, e outros autores que consideram que a 3ª fase termina com a entrada na adolescência. A entrada na adolescência é marcada no sexo feminino pela menarca e no sexo masculino pela primeira ejaculação; A adolescência refere-se ao longo período que vai desde o início da puberdade até ao final da adolescência (difícil de determinar, os critérios do fim da adolescência são critérios psicossociais, não há nenhum acontecimento biológico que determina o início da fase adulta); O período da adolescência está a aumentar porque tem um início mais cedo (ex.: menarca no século XIX ocorria por volta dos 20 anos e no século XX ocorre por volta dos 12 anos, devido a uma melhoria na alimentação e a uma melhoria das condições de vida) e termina mais tarde, porque a escola está ligada ao conceito de adolescência e a entrada no mercado de trabalho é feita mais tarde. A idade adulta é marcada por: autonomia (apesar de não ser independente financeiramente, já é capaz de viver sozinho, passar férias com os Página 4 de 13

amigos/namorado (a), o grau de autonomia mede o inicio da idade adulta), capacidade de decidir (ter um juízo de valores) e participação social (a partir dos 18 anos a pessoa deve ter capacidade de decidir em relação ao futuro do seu país); O casal fica de novo sozinho com a saída de todos os filhos de casa ( empty nest ). Tabela 1 Etapas do Ciclo Vital da Família, Dr.ª Ana Paula Relvas. A etapa do ciclo de vida é marcada sempre pelo filho mais velho do casal, é o filho mais velho que vai marcar a passagem para a etapa seguinte. Neste momento, as famílias não são previsíveis, logo esta sequência de etapas pode não se realizar desta forma. Este conceito de Ciclo Vital da Família não tem em conta a heterogeneidade das Organizações Familiares Igualdade dos géneros (a partir dos anos 60); Divórcios famílias reconstituídas na mesma família encontram-se várias etapas ao mesmo tempo; Famílias monoparentais; Este conceito está muito baseado nos filhos e pressupõe que todas as famílias têm filhos, contudo existem famílias sem filhos (devido a infertilidade ou porque não querem); Conceito é muito baseado na heterossexualidade e não abrange casais homossexuais; Adopção de filhos adolescentes salta várias etapas deste conceito. Página 5 de 13

Estádio Tarefa 1. Casais sem filhos Estabelecimento de uma relação conjugal mutuamente satisfatória; preparação para a gravidez e para a parentalidade. 2. Família com recém-nascido (filho Ajustamento às exigências de mais velho: nascimento -30 meses) desenvolvimento de uma criança dependente. 3. Famílias com crianças em idade pré-escolar (filho mais velho: 2,5-6 anos) Adaptação às necessidades e interesses das crianças no sentido da sua estimulação e promoção do desenvolvimento. 4. Famílias com crianças em idade escolar (filho mais velho: 6-13 anos) Assumir responsabilidades com crianças em meio escolar; relacionamento com outras famílias na mesma fase. 5. Famílias com filhos adolescentes (filho mais velho: 13-20 anos) Facilitar o equilíbrio entre a liberdade e a responsabilidade; partilha desta tarefa com a comunidade; estabelecimento de interesses pós parentais. 6. Famílias com jovens adultos (saída do 1º filho saída do último Permitir a separação e o lançamento dos filhos no exterior, com rituais e assistência filho) adequada (1º emprego ou educação superior); manutenção de uma base de suporte familiar. 7. Casal na meia-idade ( ninho Reconstrução da relação de casal; vazio reforma) redefinição das relações com as gerações mais velhas e mais novas. 8. Envelhecimento (reforma morte de um ou ambos os conjugues) Ajustamento à reforma; aprender a lidar com as perdas (lutos) e a viver sozinho; adaptação ao envelhecimento. Tabela 2 Etapas do Ciclo Vital da Família, identificadas por Duvall. Página 6 de 13

Estádio 1. Entre famílias: o jovem adulto independente 2. Junção de famílias pelo casamento: o novo casal 3. Famílias com filhos pequenos 4. Famílias com adolescentes 5. Saída dos filhos Processo Emocional de Transição Aceitação da separação pais filhos. Compromisso com o novo sistema. Aceitação no sistema dos membros da nova geração. Flexibilização dos limites familiares de modo a aceitar a independência dos filhos. Aceitação de múltiplas entradas e saídas no Mudanças de 2ª Ordem necessárias ao processo de desenvolvimento Diferenciação do self em relação à família de origem; Desenvolvimento de relações intimas com o parceiro; Estabelecimento de uma identidade no mundo laboral. Formação do novo sistema conjugal; Realinhamento das relações com as famílias de origem e os amigos de modo a incluir o cônjuge. Ajustamento do subsistema conjugal: criar espaço para o(s) filho(s); Assumir papéis parentais; Realinhamento das relações com as famílias de origem a fim de nelas incluir os papéis parentais e os avós. Mudanças nas relações pais filhos; possibilitar aos filhos as entradas e saídas no sistema; Recentração nos aspectos da vida conjugal da meia-idade e das carreiras profissionais; Início de suporte à geração mais velha. Renegociação do subsistema conjugal como díade; Desenvolvimento de relações adulto adulto entre os jovens e os pais; Página 7 de 13

6. Última fase da vida da família sistema. Aceitação da mudança dos papéis geracionais Realinhamento de relações para incluir os parentes por afinidade e os netos; Necessidade de lidar com as incapacidades e morte dos pais (avós). Manutenção de interesses, próprios e/ou de casal; exploração de novas opções familiares e sociais; Papel de destaque da geração intermédia (filhos); Aceitação da experiência e sabedoria dos mais velhos; suporte da geração mais velha sem super -protecção; Aceitação da perda do cônjuge, irmãos e outros da mesma geração; preparação para a morte; revisão e integração da própria vida. Tabela 3 Estádios do Ciclo Vital da Família, M. McGoldrick. Situações Patológicas nas várias Etapas do Ciclo de Vida Idade pré-escolar pode manifestar-se: Episódios de supressão da respiração, causados por situações de frustração que conduzem a raiva; Patologias do sono: insónia, pesadelos e terrores nocturnos; Perturbações do comportamento alimentar: recusa em alimentar-se, alimentação exagerada e pica 1 ; 1 Pica: ingestão de coisas que não são alimentos (ex.: terra, papel); está muitas vezes associado a problemas comportamentais e por vezes a dificuldades de aprendizagem. Página 8 de 13

Criança em idade escolar pode manifestar-se: Quadros de ansiedade, relacionados com a ida para a escola; Quadros de fobia (a fobia escolar relacionada com estados de ansiedade e angústia pela separação dos pais traduz desadaptação); Patologias do sono: pesadelos, terrores nocturnos e sonambulismo; Hiperactividade e défice de atenção; Quadros depressivos. Adolescência pode manifestar-se: Perturbações de ansiedade; Perturbações depressivas; Psicoses da adolescência (esquizofrenia, doença bipolar); Abuso de substâncias; Doenças do comportamento alimentar; Perturbações do comportamento (conduct disorders). Idade adulta podem estar presentes todas as patologias da psiquiatria, mais frequentemente quadros de depressão e ansiedade (a esquizofrenia é rara depois dos 35 anos). Terceira Idade há um declínio fisiológico, e juntamente com os quadros depressivos e de ansiedade, pode manifestar-se demência (com maior frequência a Doença de Alzheimer). Página 9 de 13

Adolescência A adolescência deve ser considerada o início da idade adulta e não uma fase de passagem. Entrada na adolescência é marcada no sexo feminino pela menarca e no sexo masculino pela primeira ejaculação. Fases da Adolescência: 1ª Fase: puberdade ou pré -adolescência (11-13/14 anos) o que me está a acontecer? 2ª Fase: fase média da adolescência (15/16 anos) procura da identidade; importância do GRUPO 3ª Fase: fase final da adolescência (17 anos final da adolescência é difícil de determinar critérios psicossociais prolongamento da adolescência). Adolescência começa mais cedo devido a: Melhoria das condições de vida; Melhoria da alimentação Condicionam um aumento do desenvolvimento do eixo hipotálamo hipófise gónadas. O facto central do processo maturativo da adolescência é a desarmonia evolutiva desencadeada pela puberdade: à maturação sexual não corresponde a maturação psico -afectiva. Pelas profundas modificações que põe em marcha e pela mobilização das capacidades adaptativas, esta desarmonia constitui o elemento crucial para o desenvolvimento. Página 10 de 13

A maturação dos órgãos genitais, a intensidade dos desejos e fantasias, a brusca mudança para um corpo de mulher ou de homem, alteram completamente a representação mental do adolescente, não só aos seus próprios olhos como aos dos outros. A puberdade e a adolescência constituem um verdadeiro organizador da vida psíquica: todo o passado vai, não apenas recapitulando, mas revivido e actualizado tendo como base as modificações instintivas sexuais que obrigam a integrar a imagem sexualizada dos pais e do seu próprio corpo. A família constitui o primeiro intermediário entre a criança e o mundo exterior, e tem como função prover as suas necessidades fisiológicas e fazê-la evoluir para uma personalidade autónoma. Embora o grupo familiar varie de cultura para cultura, a matriz familiar funciona como referência permanente ao longo da vida. Muitas das dificuldades dos jovens actuais resultam da ausência da capacitação por parte de adultos significativos, sobretudo pais e professores. Tarefas Fundamentais da adolescência: 1. Definição da personalidade (por volta, aproximadamente, dos 18 anos); 2. Autonomia ( independência); 3. Identidade. Página 11 de 13

Situações Patológicas na Adolescência: Perturbações de ansiedade (excessiva ou prolongada), ex.: fobias; A ansiedade normal é adaptativa, apenas quando se torna muito intensa e prolongada no tempo é que se considera patológica; A fobia social começa a manifestar-se frequentemente nos primeiros anos da adolescência, e em alguns casos agorafobia desenvolve-se no final da adolescência; Também se podem manifestar desordens obsessivas. Perturbações depressivas (incapacidade de ter prazer e tristeza prolongada e intensa); São geralmente caracterizadas por falta de energia, dificuldades nos relacionamentos em casa, afastamento de outros contactos sociais e diminuição do rendimento escolar; Humor profundamente depressivo e sentimentos de culpa extrema são menos frequentes, e quando presentes sugerem que a perturbação depressiva é a primeira fase de doença bipolar; Psicoses da adolescência (esquizofrenia, doença bipolar); Há um aumento da incidência de doença bipolar durante a adolescência; A esquizofrenia pode ter inicio na adolescente, mais frequentemente em rapazes do que em raparigas; Abuso de substâncias; Pode ocorrer abuso de cannabis e álcool; Os factores que conduzem ao abuso destas substâncias são complexos e não totalmente compreendidos; podem incluir: adversidades familiares ou sociais, abuso de substâncias pelos pais, perturbações depressivas e perturbações do comportamento; Doenças do comportamento alimentar, ex.: anorexia nervosa, bulimia (doenças menos frequentes, mas mais mediatizadas); Página 12 de 13

Perturbações do comportamento (conduct disorders), ex.: agressividade, impulsividade. Cerca de metade das perturbações do comportamento dos adolescentes iniciam-se durante a infância; Pode haver co-morbilidade: uma depressão/ perturbação da ansiedade pode ser acompanhada pelo abuso de substâncias. Os adolescentes devem ser acompanhados por um técnico de saúde mental quando os sintomas são muito intensos e se prolongam no tempo. Página 13 de 13