Julho de 2014 - V.2 N.6 Toque de Africanidade Informativo Mensal Na luta contra o Racismo pág. 8 Notas Contemporâneas pág. 2 Templo Sagrado Solidariedade Nossas Raízes pág. 3 pág. 5 pág. 6
Notas Contemporâneas Tatalorixá Luiz Carlos D Onira Ancestralidade Já percebeu como esquecemos os mais velhos rapidamente quando estes partem para o O- rum. Alem do esquecimento, o desrespeito ao legado deixado tratando por babalorixas e Yalorixa é constante. Mãe Ida passou ser a Velha Ida ou a Guilhermina Barcelos ; Pai Evaldo passa ser o Evaldo ; Mãe Hilca passa por a Hilca do Santa Rosa e tantos outros... Que barbaridade como diria Mestre Paulo: Desrespeito e falta de educação é no mínimo o que podemos chamar tais menções. Desrespeito pela pessoa que foi, pelas lutas desempenhadas, etc... Falta de educação é algo que se traz de pequeno, que se aprende com a família, escola vivenciais. Sugiro repensar nossa falas quando tratamos da ancestralidade religiosa. Sincretismo Tava pensando... Se nossa Umbanda fora construída através da associação de várias outras religiões, destacando-se as de matrizes africanas, o kardecismo e a religião católica. Esta ultima através do sincretismo necessário inicialmente e conseqüentemente como referencia dos orixás e entidades. Deste modo, creio que a retirada das imagens católica do congar ou altar como algumas correntes contemporâneas ou neo-liberais começam a professar é no mínimo uma perda de identidade. Considerando que ainda encontramos, mesmo após a liberdade religiosa, imagens de santos católicos na primeira casa de candomblé do Brasil Casa Branca- e na casa mais famosa do Gantois. Considerando ainda, que as casas de umbandas sempre foram dotadas de tais representações como lugar principal ou elemento nuclear do templo, não seria conveniente nem interessante a retirada sem justificativa plausível. Não é questão de misturar ou legitimar a religião e sim preservar a construção originaria desta, onde elementos do cristianismo foram importantes para esta iniciação religiosa e não tem porque a retirada por ideologias excêntricas. Informativo Toque de Africanidade é uma publicação em prol do Ritual de Almas e Angola. Editor Responsável: Wagner Brian. Conselho Editorial: Giovani Martins, Kátia Regina Luz, Luiz Carlos Peres e Wagner Brian. Jornalista Responsável: Vanessa Pedro. Revisão: Luiz Carlos Peres. Produção - Projeto Gráfico e Diagramação: Wagner Brian. E-mail: almaseangola@gmail.com Telefone: (48) 9914-1601 Site: almaseangola.webnode.com/informativo/ Página 2 Toque de Africanidade
Templo Sagrado Tatalorixá Kátia Regina Luz D Omulú Tenda Espírita Pai Roberto de Angola Com um Sacerdote carismático, generoso e gentil a Tenda Espírita foi fundada no dia 05 de setembro de 1998. A TEPRA começou suas atividades espirituais como um simples congá dentro da casa do Sacerdote Alexandre de Ogum, mais conhecido como pai Buiu, desde suas primeiras iniciações dentro da filosofia doutrinaria do ritual de Almas e Angola com o preto-velho pai Roberto de Angola. Diante do trabalho amoroso e dedicado do mentor espiritual, Pai Roberto de Angola, recebeu da avó carnal do sacerdote, dona Maria Cardoso, um espaço físico para ser a sede da tenda que levou o seu nome a fim de desenvolver seus trabalhos com os filhos. Inicialmente a sede da tenda foi no bairro Procasa e, com o desencarne da dona Maria Cardoso, a sede permanente da TEPRA passou a ser na servidão Topázio, no bairro Monte Cristo, em Florianópolis, onde acontece todas as quintasfeiras o toque dos atabaques para louvar os orixás e em beneficio dos médiuns cumprindo assim seus objetivos primordiais. A estrutura física do templo é a básica exigida pela tradição e os assentamentos do templo são os tradicionais: no altar simbolizando a tríade de Almas e Angola: Oxalá, Obaluaê e Beijada, no salão sua hierarquia espiritual: Oxum, Ogum, Iansã, Oxossi e Xangô. A tenda é composta por uma corrente mediúnica com 14 homens e 20 mulheres, desses 75- % são negros, 06 médiuns possui iniciação no 4º grau (Ialorixá ou babalorixá), 07 no 5º grau, 03 no 6º grau, 02 são pai pequeno (3º grau hierárquico), 20 borizados e 14 são médiuns iniciantes ou no 1º grau, além do pai Alexandre que é um Tatalorixá 7º Grau de Iniciação. O Tatalorixá Alexandre de Ogum pai Buiu iniciou seu desenvolvimento mediúnico na casa da mãe Malvina passando pelo ritual das sete linhas e logo após foi iniciado no ritual de Almas e Angola pelo saudoso pai Evaldo de Oxalá. Posteriormente foi frequentar o axé do pai Ricardo de Oxossi onde recebeu as feituras de pai pequeno e de babalorixá, entretanto seus Reforços de 07 e 14 anos foi pelas mãos de pai Jaime de Oxaguiam que também teve a honra de assentar a TEPRA. Porem a ascensão ao último grau hierárquico, de Tatalorixá de Almas e Angola foi pelas mãos de mãe Milka de Ogum. O templo, além do Tatalorixá pai Alexandre de Ogum a TEPRA tem como segundo zelador o Babalorixá Jorge de Obaluaê e Oxum. Axé de Paz e Luz! Volume 2, número 6 Página 3
Solidariedade Wagner Brian Pelo segundo ano consecutivo o site Almas e Angola - Nossa Fé, Nossa Crença, realizou a Campanha do Agasalho. Contando com a participação de 9 terreiros de Almas e Angola que arrecadaram mais de 800 peças de roupas e agasalhos, mais de 50 pares de calçados, 18 cobertores e alguns alimentos não perecíveis. As arrecadações foram encaminhadas para dois grupos. Uma parte foi ao SESC do bairro Estreito para serem entregues às vítimas das fortes chuvas que atingiram as regiões Oeste de Santa Catarina e Vale do Itajaí entre os dias 26, 27 e 28 de junho deste ano corrente e que deixaram desalojados e desabrigados. Foi entregue também aos membros da Ocupação Amarildo, onde algumas crianças e adultos não possuíam roupas de inverno. Leia abaixo algumas frases deixadas por participantes da Campanha do Agasalho 2014. A espiritualidade resgatando a filantropia. Ajudar é preciso! Tatalorixá Pai Luiz D Iansã, Sacerdote da Tenda Espírita Reino de Iansã Menina. Que minhas orações por um mundo melhor sejam atendidas à medida que conseguimos agasalhar um irmão. Tatalorixá Pai Elmer D Iansã, Sacerdote da Tenda Espírita Caboclo Girassol. A Campanha de Agasalho 2014 é um sucesso de arrecadação e uma alegria imensurável na distribuição à população carente que sempre expressa sua gratidão. Tatalorixá Mãe Kátia D Omulu, Sacerdotiza da Casa Luz de Omulu. Página 4 Toque de Africanidade
Campanhas do Agasalho 2014 Agradecemos a todos que no muito ou no pouco ajudaram, através desta campanha, aquecer não só fisicamente mas também sentimental a vida de muitas pessoas. Paralelamente a Campanha organizada pelo site Almas e Angola - Nossa Fé, Nossa Crença, diversas outras campanhas de arrecadações de roupas, cobertas, calçados, também foram feitas em diversas Casas de Santo de nosso ritual. Que neste inverno Iemanjá a Mãe de todos os Orixás possa acolher a todos confortando e acalentando. Que neste inverno ninguém passe nem frio nem fome. Que Assim Seja. 1 Na foto o Tatalorixá Pai Geninho D Xapanã com os 300 kg de roupas, cobertores e sapatos arrecadados, pela Tenda Espírita Santa Rosa de Lima, para o Projeto Mesa Brasil, do SESC, onde serão beneficiadas muitas famílias atingidas pelas chuvas dos últimos dias. 2 A Ialorixá Mãe Beta D Iemanjá com algumas médiuns da Fraternidade Espírita Ogum Narue, templo do Babalorixá Pai Zenildo D Ogum, onde também arrecadaram dezenas de roupas. 3 Tatalorixá Pai Elmer D Iansã com alguns médiuns de sua Tenda Espírita Caboclo Girassol e várias doações que arrecadaram. 4 A comunidade da tapera também coletou várias roupas, cobertores e calçados, no comando da Tatalorixá Mãe Kátia D Omulu, que foram selecionadas e lavadas pela Casa Luz D Omulu. 5 A arrecadação da Casa Luz D Omulu. 2 4 5 1 3 Volume 2, número 6 Página 5
Nossas Raízes Mãe Hilca, Flor de Almas e Angola Tatalorixá Kátia Regina Luz D Omulú A Umbanda do ritual de Almas e Angola é um seguimento de grande axé na nossa vida e seu fundamento é muito antigo; é a Árvore da Vida na sua criação cabalística bem como na sua simbologia; é u- ma gigantesca e forte Árvore Ancestral que tem uma Raiz segura por Xangô mãe Ida, a precursora, um Tronco grande como Oxalá a criação da Lei, o codificador pai Evaldo; esta árvore ramificou e floresceu e a mais bela flor, mãe Hilca de Iansã. Este reconhecimento sobreveio devido ao seu papel social dentro da ritualística, muito antes de seu desencarne, devido ao numero de templos, a- xés, casas assentadas pelas mãos segura e fértil dessa Sacerdotisa que primeiramente fundou e coordenou durante anos o Axé Santa Rosa de Lima. Mãe Hilca foi uma mãe de santo amorosa, exigente, flexível, rigorosa, alegre, séria, compro- Página 6 metida, preparada, disposta, benevolente, misericordiosa, fraterna, generosa, líder, uma verdadeira Sacerdotisa e u- ma grande MESTRA. Deu a Luz do Orixá em cada Ori que tratou na fundamentação de cada orixá nos seus filhos de santo bem como em todos que necessitaram de seu auxilio espiritual e amoroso. Mãe Hilca, nasceu em 04/- 02/1927, no município de Biguaçu e desencarnou em 21/02/1997. Sendo a primeira sacerdotisa de Almas e Angola que abalou e deu novos rumos aos procedimentos fúnebres da tradição. Teve 04 filhos e mesmo com a iniciação de um deles, nenhum escolheu seguir sua vida religiosa, tanto que o seu axé foi entregue ao seu filho de santo e sobrinho carnal pai Geninho de Obaluaê- Xapanã. Mãe Hilca conheceu a vida espiritual através do kardecismo, passando alguns anos depois para o Centro de Umbanda Arranca-Toco de mãe Luiza e pelo Centro Espírita São Jorge de mãe Malvina. Entretanto foi na década de 1970 que foi iniciada no ritual de Almas e Angola no chão do Centro Espírita Jesus de Nazaré pelas mãos do pai Evaldo de Oxalá, sendo em 1974 a iniciação de Mãe Pequena e em 1977 de Ialorixá de Umbanda do ritual de Almas e Angola. Portadora de uma espiritualidade singular e além de Iansã e o Ogum Estrela, seu mentor era o Caboclo Cajá que é o responsável pela diretriz do sacerdócio, a preta velha vó Rosa de Minas, Ibeji o Joãozinho da praia, Xangô Sete Faísca, Pomba Gira Tranca Gira e o Exu Brasa. Toque de Africanidade
Vó Rosa de Minas (em Mãe Hilca) e Vó Sofia (em Mãe Dilma) Mãe Hilca fundou a Tenda Espírita Santa Rosa de Lima em 1981. Recebeu a 5ª iniciação em 1984 com o seu pai de santo, o baluarte pai Evaldo e a 6ª iniciação pelas mãos da mãe Ida e fez seu rito de passagem quando se preparava para receber a 7ª iniciação. Mesmo sem o titulo de Tatalorixá devido ao seu desencarne, mãe Hilca sempre foi a Dama de Almas e Angola reconhecida pelo CEUCASC e por todos os adeptos do ritual. Durante os 16 anos de sacerdócio, mãe Hilca realizou inúmeras iniciações de 1º e 2º grau hierárquico; mais de 20 iniciações de 3º grau Pai Casamento da Mãe Kátia em 1987 Mãe Pequenos, 25 iniciações de 4º grau (Ialorixá e Babalorixás; 08 iniciações de 5º grau; 04 de 6º grau, dentre esses o primeiro Ogã Kalofé e 01 casamento em 1988 desta que lhes escreve. Assentou, no mínimo, dez templos na Grande Florianópolis, sendo eles: Centro Espírita Caboclo Tupiniquim de pai Carlinhos D Oxalá, Terreiro de Umbanda Reino de Iemanjá de mãe Dilma D Iemanjá (in memorian), Centro Espírita Caboclo Cobra Verde de mãe Terezinha D Oxalá (in memorian), Tenda Espírita Oxossi Caçador de pai Alex D Oxossi, Tenda Espírita Oxossi Cachoeira de pai Alan D Oxum, Tenda Espírita Caboclo Estrela de pai Sílvio D Oxum (in memorian), Centro Espírita de Umbanda São Lazaro de pai Mozart D Obaluaê, Tenda Espírita Estrela Do Oriente de pai Francisco de Xangô, Tenda Espírita Reino dos Orixás de mãe Nadir D Iemanjá além do templo de mãe Izolete D Xangô. Mãe Hilca abrilhantou nossa ritualística com a feitura de várias sacerdotisas e sacer- dotes, dentre deles citaremos em ordem nominal: Mãe Dilma d Iemanjá, Mãe Tereza d Oxalá, Mãe Shirley d Iansã, Mãe Nadir d Iemanjá, Mãe Nilva d Oxalá, Mãe Dina d Iansã, Mãe Iara d Obaluaê, Mãe Bete d Xangô, Mãe Kátia Regina d Omulú, Mãe Rita d Obaluaê, Mãe Neide d Obaluaê, Mãe Heloni d Oxalá, Mãe Célia d Xangô, Mãe Sonia d Iansã, Pai Geninho d Xapanã, Pai Carlinhos d Oxalá, Pai Luiz d Onira, Pai Nazareno d Iansã, Pai Alex d Oxossi, Pai Cesar d Ogum, Pai Francisco d Xangô, Pai Célio d Obaluaê, Pai Milko d Ogum, Ogã Toninho d Ogum, e tantos outros que buscaram em seus ensinamentos dar continuidade ao legado dessa maravilhosa mãe. Sua vida e morte inspiraram a autora Vanessa Pedro a escrever seu primeiro livro: Almas e Angola Ritual e Cotidiano na Umbanda. Hoje, celebramos sua vida e morte, com muita honra porque acreditamos que seu propósito foi cumprido e da Aruanda-Lorum nos inspira a fazer o melhor. Axé de paz e luz! Volume 2, número 6 Página 7
Informação Wagner Brian Para combater o racismo, o governo federal, com o tema Copa sem Racismo, preparou diversas ações publicitárias para conscientizar a sociedade de que racismo é crime e intolerável. As propagandas estão sendo vinculadas em diversos sites de notícias e portais dos Ministérios e órgãos públicos. A campanha também traz um movimento nas redes sociais com a hashtag #copasemracismo. O objetivo é fazer da Copa do Mundo no Brasil um símbolo mundial contra o racismo. A FIFA também na sua batalha para erradicar o racismo, já recebeu o apoio de diversas personalidades futebolísticas falando através de entrevistas para o site da FIFA.com e através da campanha nas redes sociais a fim de promover a conscientização a respeito dessa importante questão. A Força-Tarefa da FIFA contra o Racismo e a Discriminação foi criada no ano passado e o Congresso da FIFA aprovou uma resolução severa, com uma série de novas sanções - incluindo dedução de pontos, expulsão de competições e rebaixamento. Todos os torcedores nos quatro cantos do planeta foram convocados a se juntarem a FIFA nes-.. sa luta enviando selfies uma seleção aleatória delas será mostrada nos telões dos estádios antes do apito inicial das partidas válidas pelas quartas de final da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014 (Estádio Nacional, Arena Fonte Nova, Castelão e Maracanã). A campanha da FIFA é similar com a do governo federal, mudando apenas o hashtag que na FIFA é #SayNoToRacism e a do governo brasileiro é #copasemracismo. Para participar da campanha da FIFA basta publicar uma foto sua com a mensagem #SayNoToRacism no Facebook, Twitter ou Instagram até o dia 4 de julho, quando terão início os Dias Anti-discriminação da FIFA. Para mais informações entre no site FIFA.com. Nós umbandistas, sendo uma religião trazida por africanos, devemos lutar contra qualquer forma de racismo e preconceito. Ações contra a Religião de matriz africana também podem ser consideradas RACISMO. Devemos criar campanhas semelhantes a esta e propagar o amor ao próximo independente de cor, de etnia e raça. Devemos ser mais ativos e participativos em nossas comunidades, seja através de campanhas ou simplesmente conversas instrutivas.