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Transcrição:

Nome Científico: Zingiber officinale Roscoe Sinônimos Científicos: Amomum zingiber L., Curcuma longifólia Wall, Zingiber aromaticum Noronha, Zingiber majus Rumph., Zingiber missionis Wall, Zingiber sichuanense Z.Y.Zhu et al. Nomes Populares: Gengibre, mangarataia, gengivre, gingibre, mangarataia, mangaratiá. Família Botânica: Zingiberaceae Parte Utilizada: Raízes e Rizomas Descrição: Erva rizomatosa, ereta, com cerca de 50cm de altura. Folhas simples, invaginantes, de 15-30 cm de comprimento. Flores estéreis de cor branco-amarelada. Rizoma ramificado, de cheiro e sabor picante, agradável. É originária da Ásia e cultivada no Brasil. Constituintes Químicos Principais: óleo volátil, citral, cineol, borneol, sesquiterpenos zingibereno, bisaboleno, zingerona, zingiberol, zingiberenol, curcumina, canfeno, linalol, óleo-resina, gingeróis, gingerdióis, gingerdionas, dihidrogingerdionas, shogaóis, açucares, proteínas, vitaminas do complexo B e vitamina C.

Indicação e Usos: Seus rizomas têm uso como especiaria para tempero de carnes e de bebidas desde a época da antiga civilização Greco-romana. Na literatura etnofarmacológica há referência de seu emprego como remédio contra asma, bronquite e menorragia, porém sem comprovação científica. O óleo essencial responde pelo aroma e a ação antimicrobiana, que só aparece no rizoma fresco. Os resultados de inúmeros ensaios farmacológicos citam como sua principal propriedade a ação estimulante digestiva, com indicação nos casos de dispepsia e como carminativo nas cólicas flatulentas; relatam também sua ação antimicrobiana local, que encontra emprego no combate a rouquidão e a inflamação da garganta, além das ações: antivomitiva, anti-inflamatória, anti-reumática, antiviral, uma intensa atividade antitussígena comparável ao de fosfato de diidrocodeína e, ainda propriedades antitrombose, cardiotônica, antialérgica, colagoga e protetora do estômago. Essas propriedades explicam seu uso popular para o tratamento de problemas do estômago, garganta e fígado. Segundo Williamson, foi sugerido que o gengibre apresenta propriedades carminativa, antiemética, anti-inflamatória, antiespasmódica e antiplaquetária. Tanto o gengibre fresco quanto o seco são usados, principalmente, para aliviar dores de estômago, sintomas de doenças de movimento e enjoos matinais. O gengibre também tem sido utilizado no tratamento da osteoartrite, artrite reumatoide e para enxaqueca. O gengibre é também uma importante especiaria culinária, e as suas propriedades pungentes têm sido exploradas para uso em cosméticos e sabonetes. Farmacocinética: Informações detalhadas sobre a farmacocinética do gengibre em humanos são escassas, mas o que tem sido encontrado, em animais, é que o gingerol, principal constituinte do gengibre, é rapidamente removido do plasma e eliminado pelo fígado. O gingerol também é um substrato de várias UDP-glucuronosiltransferases, as principais enzimas metabólicas de fase 2, responsáveis pelo metabolismo de diversos fármacos. A flora intestinal também desempenha um papel importante no metabolismo do gengirol. Contraindicações: Contraindicado para pacientes com cálculos biliares. Revisão de Interação: Existem casos isolados indicando que o gengibre pode aumentar a resposta ao tratamento anticoagulante com varfarina e fármacos afins, mas um estudo controlado não confirmou as interações. Um pequeno estudo mostrou efeitos antiplaquetários sinérgicos do gengibre com aqueles da nifedipina, mas o efeito precisa ser confirmado.

a) Gengibre + Anticoagulantes As evidências farmacológicoas sugerem que o gengibre não aumenta o efeito anticoagulante da varfarina nem altera a coagulação ou a agregação plaquetária. Entretanto, dois relatos de caso descrevera claramente INRs elevadas com femprocumona e varfarina, que foram associadas à ingestão de gengibre seco e chá de gengibre. Um estudo prospectivo longitudinal também relatou um risco aumentado de eventos hemorrágicos em pacientes em tratamento com varfarina e gengibre. Evidências clínicas: Em um estudo randomizado e transversal, realizado com 12 indivíduos saudáveis, a ingestão de três cápsulas de gengibre, 3 vezes ao dia, durante 2 semanas, não afetou nem a farmacocinética nem a farmacodinâmica (INR) de uma dose única de varfarina tomada no sétimo dia. O gengibre isoladamente não afetou a INR ou a agregação plaquetária. No entanto, um relato de caso descreveu um aumento da INR para mais de 10, com epistaxe, em uma mulher tratada com femprocumona, algumas semanas depois de ela começar a ingerir regularmente o gengibre na forma de pedaços de gengibre seco e chá do pó de gengibre. Ela foi novamente reestabilizada com a dose original de femprocumona e aconselhada a parar a ingestão de gengibre. Outro caso muito semelhante foi descrito com uma mulher em tratamento com varfarina. Além disso, em um estudo prospectivo longitudinal de pacientes em tratamento com varfarina e um produto fitoterápico ou suplemento alimentar, verificou-se um risco aumentado estatisticamente significativo de autorrelatos de eventos hemorrágicos em pacientes tratados com varfarina e gengibre (sete hemorragias em 25 semanas, das quais nenhuma foi importante: razão de chances 3,2). O número de pacientes tratados com gengibre não foi relatado; se afirmou apenas que era inferior a 5% de 171 logo, menos de oito pacientes. Além disso, os produtos usados contendo gengibre não foram mencionados, e alguns pacientes estavam tomando mais de um suplemento com potencial para interagir. Mecanismo: O gengibre (Zingiber officinale) tem sido descrito, algumas vezes, como uma planta que interage com a varfarina, com base no fato de que, in vitro, ele inibe a agregação plaquetária. Contudo, esse efeito antiplaquetário geralmente não tem sido demonstrado em estudos clínicos controlados (três dos quais foram revisados), embora em outro estudo o gengibre tenha apresentado efeitos antiplaquetários sinérgicos com a nifedipina. Importância e conduta: As evidências de um estudo controlado sugerem que o gengibre não aumenta o efeito anticoagulante da varfarina, apesar de ser citado como uma planta que inibe a agregação plaquetária. As evidências são limitadas ao aumento da hemorragia quando o gengibre é administrado isoladamente ou com a varfarina, e são apenas dois relatos de casos de INRs consideravelmente elevadas com femprocumona e varfarina que foram associados ao gengibre e ao chá de gengibre. Devido a vários outros fatores que influenciam o controle anticoagulante, não é possível atribuir com

segurança uma mudança na INR especificamente a uma interação com fármaco em um único relato de caso sem outras provas. Pode ser melhor aconselhar os pacientes a discutir o uso de qualquer produto à base de plantas que desejam experimentar e aumentar o monitoramento, se este for aconselhável. Casos de uso sem intercorrências devem ser comunicados, uma vez que são tão úteis quanto eventuais casos de efeitos adversos. b) Gengibre + Cafeína O gengibre reduziu ligeiramente o metabolismo da cafeína em um estudo. c) Gengibre + Nifedipina Um pequeno estudo demonstrou que os efeitos antiplaquetários do gengibre foram sinérgicos aos da nifedipina, mas esse efeito precisa ser confirmado. Evidência, mecanismo, importância e conduta: Em um pequeno estudo realizado em 10 pacientes hipertensos e em outro em 10 indivíduos saudáveis, a administração de gengibre por dia, durante 7 dias, inibiu a agregação plaquetária em até três vezes mais do que a nifedipina sozinha, 2 vezes ao dia, durante 7 dias, inibiu a agregação plaquetária em até três vezes mais do que a nifedipina sozinha. Nesses estudos, o gengibre apresentou efeito antiplaquetário semelhante ao do ácido acetilsalicílico, seja isoladamente ou administrado com a nifedipina. A nifedipina também demonstrou efeitos antiplaquetários, mas estes não foram tão importantes como os do ácido acetilsalicílico. O gengibre usado nesse estudo estava na forma seca, mas nenhum outro detalhe sobre a preparação foi mencionado. Os bloqueadores do canal de cálcio não são vistos, geralmente, como fármacos antiplaquetários, e a constatação dos efeitos antiplaquetários sinérgicos entre a nifedipina e o ácido acetilsalicílico nesse relato de caso e a sua relevância clínica necessitam de estudos adicionais. Além disso, o estudo sugeriu que o gengibre pode ter efeitos antiplaquetários similares aos do ácido acetilsalicílico quando utilizado em baixa dose, no entanto, esse efeito não tem sido geralmente demonstrado em outros estudos clínicos controlados sobre o gengibre. Portanto é difícil fazer quaisquer recomendações clínicas com base nesse pequeno estudo, e estudos adicionais são necessários.

Referências Bibliográficas: 1. LORENZI, Harri; ABREU MATOS, F.J. Plantas Medicinais no Brasil Nativas e Exóticas. Instituto Plantarum, 2ª Edição, Nova Odessa SP - Brasil, 2008. 2. WILLIAMSON, E.; DRIVER, S.; BAXTER, K. Interações Medicamentosas de Stockley: Plantas Medicinais e Medicamentos Fitoterápicos. Editora Artemed, Porto Alegre RS, 2012. 3. GENGIBRE. Disponível em: <http://www.plantamed.com.br/plantaservas/especies/zingiber_officinale.ht m>