A POÉTICA DO SÉCULO XVII

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Transcrição:

A POÉTICA DO SÉCULO XVII

O Enterro do Conde de Orgaz (1586) El Greco Igreja de São Tomé, Toledo

São Jerônimo (c. 1605). Caravaggio. Galeria Borghese, Itália

Êxtase de Santa Teresa (1645-52) Igreja de Santa Maria della Vittoria, Roma Gian Lorenzo Bernini

O Rapto de Proserpina (1621-22) Bernini Galleria Borghese, Roma

Interior da igreja de São Francisco, Salvador (BA)

Baldaquino. Basílica de São Pedro Coluna barroca

Características Dualismo: teocentrismo e antropocentrismo Sinuosidade Ornamentalismo (figuração abundante) Antítese Nasce o sol, e não dura mais que um dia, Depois da luz se segue a noite escura, Em tristes sombras morre a formosura, Em contínuas tristezas a alegria.

Características Dualismo: teocentrismo e antropocentrismo Sinuosidade Ornamentalismo (figuração abundante) Paradoxo (...) Que um dia é eternidade da beleza

Características Dualismo: teocentrismo e antropocentrismo Sinuosidade Ornamentalismo (figuração abundante) Oximoro Enquanto, com gentil descortesia

Características Dualismo: teocentrismo e antropocentrismo Sinuosidade Ornamentalismo (figuração abundante) Hipérbato É a vaidade, Fábio, nesta vida, Rosa (...)

Características Dualismo: teocentrismo e antropocentrismo Sinuosidade Ornamentalismo (figuração abundante) Quiasmo (...) neste mundo há muitas misérias que não são ignorâncias e não há ignorância que não seja miséria. misérias (a) ignorância (b) X ignorâncias (b) miséria (a)

Características Dualismo: teocentrismo e antropocentrismo Sinuosidade Ornamentalismo (figuração abundante) Gradação Em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada.

Características Dualismo: teocentrismo e antropocentrismo Sinuosidade Ornamentalismo (figuração abundante) Hipérbole Mil noites padeci de ausência dura Por um só dia (...)

Características Dualismo: teocentrismo e antropocentrismo Sinuosidade Ornamentalismo (figuração abundante) Metáfora É a vaidade, Fábio, nesta vida, Rosa (...)

Características Dualismo: teocentrismo e antropocentrismo Sinuosidade Ornamentalismo (figuração abundante) Metonímia Para a tropa do trapo vazo a tripa

Características Dualismo: teocentrismo e antropocentrismo Sinuosidade Ornamentalismo (figuração abundante) Aliteração e assonância Pa ra a t r o p a d o t ra p o va zo a t r i p a

Características Dualismo: teocentrismo e antropocentrismo Sinuosidade Ornamentalismo (figuração abundante) Alegoria Se uma ovelha perdida e já cobrada Glória tal e prazer tão repentino Vos deu, como afirmais na sacra história, Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada, Cobrai- a; e não queirais, pastor divino, Perder na vossa ovelha a vossa glória.

Características ENGENHO: invenção, capacidade ou talento de criar beleza por meio da linguagem aguda. AGUDEZA: procedimento pelo qual o discurso engenhoso se realiza. Caracteriza-se pela aproximação ou pela fusão de imagens e de conceitos distanciados. Retrato de Baltasar Gracián (1601-1658), autor de Arte de Ingenio: Tratado de la Agudeza (1642)

Estilos CULTISMO (gongorismo) agudeza e engenho descrição sensorialismo Gongora (1561-1627) CONCEPTISMO (quevedismo) agudeza e engenho dissertação (argumentação) intelectualismo Quevedo (1580-1645)

Texto cultista Se as sobrancelhas vejo, Setas despedes contra o meu desejo; Se do rosto os primores, Em teu rosto se pintam várias cores; Vejo, pois, para pena e para gosto As sobrancelhas arco; íris o rosto. Manuel Botelho de Oliveira

Texto conceptista Navegava Alexandre em uma poderosa armada pelo mar Eritreu a conquistar a Índia: e como fosse trazido à sua presença um pirata, que por ali andava, roubando os pescadores, repreendeu-o muito Alexandre de andar em tão mau ofício: porém ele, que não era medroso nem lerdo, respondeu assim: Basta, senhor, que eu, porque roubo em uma barca, sou ladrão, e vós, porque roubais em uma armada, sois imperador? Assim é. O roubar pouco é culpa, o roubar muito é grandeza: o roubar com pouco poder faz os piratas, o roubar com muito, os Alexandres. [...] O ladrão que furta para comer, não vai nem leva ao inferno: os que não só vão, mas levam, de que eu trato, são outros ladrões de maior calibre e

de mais alta esfera; os quais debaixo do mesmo nome e do mesmo predicamento distingue muito bem São Basílio Magno. Não só são ladrões, diz o santo, os que cortam bolsas, ou espreitam os que se vão banhar para lhes colher a roupa, os ladrões que mais própria e dignamente merecem este título, são aqueles a quem os reis encomendam os exércitos e legiões ou o governo das províncias, ou a administração das cidades, os quais já com manha, já com força roubam e despojam os povos. Os outros ladrões roubam um homem, estes roubam cidades e reinos; os outros furtam debaixo do seu risco, estes sem temor nem perigo; os outros se furtam, são enforcados, estes furtam e enforcam. Pe. Antônio Vieira

Temática 1. Angústia mística 2. Angústia existencial 3. Angústia erótica