UM MAPA DO PODER NA PRODUÇÃO CIENTÍFICA NACIONAL RECENTE: UMA ANÁLISE BIBLIOMÉTRICA DO PERÍODO ENTRE 1998 E 2007

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Transcrição:

UM MAPA DO PODER NA PRODUÇÃO CIENTÍFICA NACIONAL RECENTE: UMA ANÁLISE BIBLIOMÉTRICA DO PERÍODO ENTRE 1998 E 2007 AUTORES GUSTAVO COSTA DE SOUZA Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro gustavo@ufrrj.br DIOGO GOMES DIAS Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro diogogdias@ig.com.br Resumo O presente artigo, fruto de um projeto de iniciação científica, teve como objetivo mapear a produção científica nacional dos últimos dez anos (1998 a 2007) relacionada ao tema poder. Com base numa análise de mais de 5000 artigos dos principais congressos e periódicos nacionais, foram identificados 289 artigos que tratam do tema poder, sendo 106 diretamente e 183 indiretamente. A partir da análise destes dois grupos, verificou-se a concentração dos estudos segundo as fontes de publicações (congressos e periódicos) e o ano de publicação, os principais autores brasileiros sobre o tema poder, as principais instituições a que se afiliam e as suas principais referências de pesquisa. O estudo contribui na medida em que organiza e sistematiza o conhecimento científico acerca do tema poder na análise organizacional, o que servirá de subsídios para futuros pesquisadores que se interessam por esta temática. Além desta contribuição, o artigo apresenta recomendações para pesquisas futuras. Palavras chave: Poder; Controle; Análise Bibliomética; Citações; Autores. Abstract This article, based on a project of basic scientific research, aimed to map the scientific production of the last ten years (1998 to 2007) related to the theme "power". Based on an analysis of over 5000 items of major national conferences and journals, we re identified 289 articles dealing with this theme, with 106 direct and 183 indirect relations. From the analysis of these two groups, we re verified the concentration of the studies according to the sources of publications (journals and conferences) and the year of publication, the main Brazilian authors on this subject, the main institutions to which they and their main references to research. The study contributes by providing an organized and systematic basis of scientific knowledge about the subject power in organizational analysis, which serve as subsidies for future researchers who are interested in the topic. In addition to this contribution, the paper presents recommendations for future research. Key-words: Power; Command; Bibliometric Analysis; Citations; Authors.

2 1- Apresentação O presente artigo, fruto de um projeto de iniciação científica, teve como objetivo mapear a produção científica nacional dos últimos dez anos relacionada ao tema poder. Sua realização foi motivada a partir da constatação do crescente número de estudos organizacionais que tratam deste tema; e da inexistência de um mapeamento formal dos estudos sobre o poder. Desta maneira, o presente trabalho contribui na medida em que organiza e sistematiza o conhecimento científico acerca do tema poder na análise organizacional, o que servirá de subsídios para futuros pesquisadores que se interessam pela temática. Além desta apresentação, o artigo está organizado em mais seis partes. Na segunda parte desenvolvemos uma breve revisão da literatura, onde destacamos as principais contribuições e desenvolvimentos teóricos acerca do poder nas organizações. Na terceira parte é apresentada a metodologia bibliométrica empregada no estudo. Em seguida, na quarta parte, são apresentados os resultados da análise, em termos dos (4.1) critérios para composição da amostra, classificação da pesquisa e categorias analisadas; (4.2) distribuição das publicações relacionadas ao conceito de poder por fonte de publicação; (4.3) autores e respectivas instituições; e (4.4) principais referências bibliográficas, em termos autorais. Na quinta parte, apresentamos as considerações finais, à guisa de conclusão; e na sexta, as recomendações para pesquisas futuras, visto que o presente trabalho ilumina novas vias de investigação. Por fim, encerramos o artigo com as referências a que recorremos. 2- Algumas referências sobre o conceito de poder e de sua aplicação nos estudos organizacionais Poder é tema central na análise organizacional. De acordo com Pagès et al. (1987) esta temática pode ser analisada a partir de quatros vieses, quais sejam: o marxista, que analisa o poder como um fenômeno de alienação econômica; o psicanalítico, que o analisa como um fenômeno psicológico de alienação, de dependência, de projeção e introjeção, de formação de sistemas de defesa; o político, que analisa poder como imposições e controle sobre as decisões e sobre a organização do trabalho; e o ideológico, que entende poder como fenômeno de apropriação do significado e de valores. Predomina na análise de organizações a perspectiva política, embora as demais perspectivas não sejam incompatíveis com esta. De acordo com Morgan (1986), entender as organizações como sistemas políticos significa compreendê-las como arenas complexas onde os indivíduos buscam realizar seus interesses particulares por intermédio dos meios, recursos, estruturas, processos e regras burocráticas das organizações. Tais interesses podem ou não ser compatíveis com os ineteresses organizacionais e na busca por realizá-los os atores sociais organizam-se cooperativamente. Para Motta e Vasconcelos (2006:354) a organização como sistema político é um sistema de jogos estruturados onde as regras, estruturas e recursos organizacionais operam de modo indireto e não detreminam o comportamento dos atores sociais, mas induzem jogos de poder e comportamentos. Os atores sociais negociam as condições de inserção no sistema a fim de obterem maior controle de recursos para atender aos seus interesses particulares e objetivos pessoais. Ao lutarem para a realização de seus interesses particulares, os atores sociais jogam o jogo de poder organizacional. Neste jogo podem cumprir mais ou menos para o alcance das finalidades organizacionais. Hardy & Clegg (2001) desenvolveram uma importante revisão da literatura sobre o poder, distinguindo duas correntes de pensamento (vozes) antagônicas e destacando a necessidade da construção de uma ponte entre elas. Segundo os autores, a corrente funcionalista adota uma orientação gerencialista, com um conceito pragmático de poder, adequado ao uso, mas também ao abuso. Na outra ponta, encontram-se os estudos críticos,

que tendem a analisar a temática do poder sob o enfoque da dominação e da exploração. Enquanto a primeira é pragmática, voltada para o desenvolvimento de técnicas de coordenação de ações coletivas, a segunda é menos relevante (em termos práticos), já que não têm função para aqueles que buscam coordenar ações coletivas, dizem os autores. A perspectiva política do poder na análise organizacional privilegia a busca pela cooperação dos atores sociais em interações ao longo do tempo nas organizações. Como as interações sociais não são pontuais, isto é, os atores sociais voltam a se encontrar em outras interações, é preciso que haja uma condição mínima de cooperação entre os atores sociais para que a organização possa realizar suas atividades. Nesta perspectiva a busca da organização, isto é, dos que estão no topo, é pela minimização dos conflitos a fim de que as metas organizacionais sejam concluídas. Uma das críticas à perspectiva política do poder na análise organizacional diz respeito à simplificação da realidade que esta pespectiva pressupõe. Esta perspectiva simplifica demasiadamente as relações sociais e ignora os aspectos mais complexos da realidade (Motta e Vasconcelos, 2006). Os autores críticos mais enfezados vão tratar esta perspectiva como uma forma de mascaramento da realidade que visa justamente embaçar as relações de poder dando um caráter mais ameno para as relações de dominação e exploração que ocorrem na realidade organizacional. Os pragmáticos não enxergam este fenômeno. Nos últimos anos as perspectivas críticas ganharam mais espaço nos estudos organizacionais, embora os estudos de cunho funcionalista continuem a predominar. De acordo com Burrell e Morgan (1982) quatro são os paradigmas sociológicos na análise organizacional: o funcionalista, o interpretativista, o humanista radical e o estruturalista. Segundo Martins (2006), apenas 2% dos artigos publicados nos principais periódicos nacionais de administração durante os anos 1990 apresentam uma visão crítica. Há cerca de três ou quatro décadas, os estudos críticos em teoria organizacional, influenciados por Guerreiro Ramos, Maurício Tragtenberg e Fernando Cláudio Prestes Motta, ganharam adeptos, constituindo-se, hoje, um conjunto relativamente denso de pesquisadores e estudiosos que se dedicam a trabalhar segundo esta perspectiva. Os trabalhos dos teóricos da Escola de Frankfurt apresentam-se, também, como importante fonte de inspiração aos estudiosos críticos da Teoria Organizacional. Basicamente, o que as perspectivas críticas (em maior grau influenciadas pelos enfoques humanista-radical e estruturalista) vem a questionar é a limitação da perspectiva funcionalista quanto ao fato desta ocultar as questões relativas ao caráter opressor e alienante do controle, bem como suas demais consequências prejudiciais ao todo social (Martins, 2006:5). Seu caráter a-histórico e propositalmente descontextualizado são também críticas recorrentes ao enfoque funcionalista. Nota-se, nos últimos anos, relativo crescimento da influência de autores como Foucault e Bourdieu na análise organizacional, ampliando os estudos de perspectiva interpretativista. A crescente importância que a temática da cultura organizacional tomou desde a década de 1970 também contribuiu para o maior recurso às etnometodologias e análise de discurso, contribuindo para o aumento dos trabalhos de cunho interpretativista, ampliando as formas/métodos de acesso ao fenômeno no ambito da pesquisa em organizações. As abordagens foucaultianas para o estudo do poder nas organizações de certa maneira colocam em cheque tanto a corrente funcionalista quanto à corrente crítica, o que amplia, mais uma vez, a fronteira do conhecimento sobre este tema. Segundo Hardy e Clegg (2001) a partir de Foucault o poder deixa de ser entendido como um mero recurso conveniente, manipulável e determinístico. Simplesmente, o poder é inerente às organizações, não se podendo atuar sem que se escape de sua ocorrência, tanto em termos funcionalistas, quanto em termos críticos. Numa organização, todos os atores operam dentro de uma estrutura de 3

4 dominação uma rede dominante de relações de poder dentro da qual as perspectivas de saída eram limitadas tanto para os grupos dominantes quanto para os grupos subordinados. Antes de Foucault, o embate entre funcionalistas e críticos defendiam, respectivamente, os gerentes, com o entendimento de que a resistência ao seu poder era algo ilegítimo; e a própria resistência, esta entendida como uma oportunidade para a ação humana livre, emancipada. Na perspectiva de Foucault e pelos que por ele foram influenciados, tanto uma quanto a outra visão caem. O poder não mais envolve a tomada de uma posição, a identificação de quem detém mais ou menos poder. O que se objetiva é a descrição de seu papel estratégico, isto é, como o poder é utilizado para transformar as pessoas em personagens que articulam um jogo de moralidade organizacional. Daí o cunho interpretativista deste enfoque. A ênfase recai no jogo de símbolos, significações e ações, através das quais os atores organizacionais, todos sem exceção, tentam escrever, dirigir e posicionar todos os demais. 3- Apresentação da Metodologia Bibliométrica A amostra utilizada neste trabalho foi coletada através de métodos bibliometricos. Estes métodos são utilizados para mapear e estruturar o conhecimento de um campo cientifico, e também para analisar o comportamento dos pesquisadores e suas decisões na construção de publicações. A bibliometria utiliza para edificação destas amostras de analises quantitativas, estatísticas e de visualização de dados. Segundo Oliveira et al (1992, p.9) a análise bibliométrica é a aplicação de métodos matemáticos e estatísticos sobre um conjunto de referencias bibliográficas e publicações. Macias-Chapula (1998, p.134) define a bibliometria como: o estudo dos aspectos quantitativos, da produção, disseminação e uso da informação registrada. A bibliometria desenvolve padrões e modelos matemáticos para medir esses processos, usando seus resultados para elaborar previsões e apoiar tomadas de decisões. A Bibliometria estuda a organização dos setores científicos e tecnológicos a partir das fontes bibliográficas e patentes para identificar os autores, as suas relações, e as suas tendências. (SPINAK, 1998, p.143). Os métodos de pesquisa que a bibliometria utiliza para a construção de suas amostras estão em constante evolução. Segundo Okubo (1997) existem 7 diferentes indicadores, estes são: Indicadores de publicação; indicadores de citações; Indicadores de co-publicações; Indicadores de co-citações; Indicadores de patentes e Indicadores de citações de patentes. Neste trabalho serão utilizados os indicadores de publicação e os indicadores de citação. O primeiro tem como objetivo refletir a produção científica, através da identificação da quantidade de trabalho produzido por um cientista, um laboratório, uma universidade, uma equipe de pesquisa, um país, etc. E o segundo avalia o impacto de trabalho publicado na comunidade científica Okubo (1997). 4- Análise Nesta parte do artigo, apresentamos os principais resultados a que chegamos a partir da análise bibliométrica. 4.1- Construção da amostra, critérios utilizados para classificação da pesquisa e análise das categorias O presente trabalho é composto por uma amostra de 244 artigos científicos, publicados em um corte temporal de dez anos (entre os anos de 1998 e 2007), nos principais periódicos e congressos nacionais na área de administração, quais sejam: Anais do Enanpad (1998-2007); Anais do EnEO (2000-2006);

5 Revista de administração de empresas RAE (1998-2007); Revista de administração pública RAP (1998-2007); Revista de administração contemporânea RAC (1998-2007); Cadernos EBAPE (2003-2007); Revista Eletrônica de Administração REAd (1998-2007) Revista Organizações e Sociedade O&S (1998-2007); Os veículos utilizados como base para a construção da amostra utilizada neste estudo foram escolhidos por estarem entre os mais qualificados periódicos / congressos nacionais na área de administração segundo os critérios de seleção da CAPES. Após a análise das publicações foi percebido a existência de artigos clone, ou seja, artigos que foram publicados em mais de um periódico ou em mais de um congresso e possuíam além da mesma autoria o mesmo conteúdo. Esses artigos publicados de forma repetida foram excluídos do meio de publicação mais recente para que não ocorra uma contagem dupla de uma mesma publicação. O primeiro critério de seleção utilizado foi o de relação direta ou indireta que cada obra possui com o conceito de poder. Os artigos que analisaram a temática de forma central foram classificados como diretos e os artigos que não analisaram de forma central como indiretos. Chegou-se a essa conclusão após análise das seções título do artigo, palavraschave e principalmente o resumo. Realizou essa distinção porque os artigos que tratam o tema indiretamente podem ser analisados de várias outras formas mais eficazes que retratariam mais fielmente a sua temática. No total foram encontrados 183 artigos diretos e 106 artigos indiretos. A tabela 1 expõe o número de artigos diretos e indiretos e o congresso / periódico em que foram publicados. Quadro 1 - Total de artigos que tratam o tema poder direta e indiretamente Periódico/ RELAÇÃO congresso direta indireta TOTAL Enanpad 100 69 169 EnEO 34 19 53 O&S 17 6 23 EBAPE 9 3 12 RAE 8 4 12 RAC 3 3 6 REAd 7 0 7 RAE E 5 2 7 TOTAL 183 106 289 4.2- Distribuição das publicações relacionadas ao conceito de poder por fonte de publicação A tabela 2 apresenta uma visualização da distribuição das publicações relacionadas à temática da pesquisa segundo o periódico/congresso em que foram publicadas e o ano de sua publicação. A tabela inclui tanto os artigos que trataram o poder de forma direta quanto os artigos que se referiram a essa temática de forma indireta e exclui os artigos clone identificados. Essa tabela representa um quadro total de publicações relacionadas ao tema poder, nos dez anos de publicação e nas oito fontes analisados.

6 Quadro 2 - Distribuição das publicações relacionadas a temática central da pesquisa. PERIÓDICO Ano 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 TOTAL RAE 1 1 0 0 1 2 1 2 2 1 1 12 RAE E - - - - - 1 2 3 0 1 0 7 EBAPE - - - - - - 2 3 3 4 0 12 RAC 1 1 0 0 1 0 1 0 0 1 1 6 REAd 0 0 3 1 0 0 1 0 2 0 0 7 O&S 0 0 2 6 1 2 3 2 3 2 2 23 EnEO - - - 7-7 - 18-21 - 53 Enanpad - 16 17 10 11 11 6 15 17 21 45 169 TOTAL 2 18 22 24 14 23 16 43 27 51 49 289 A tabela 2 nos permite visualisar a distribuição das publicações sobre poder nos últimos dez anos. Nota-se, a partir daí o crescimento dos estudos sobre o tema do poder nos últimos anos e o relevante papel que o EnEO desempenha em comparação com os demais meios de publicação. Comparativamente, este congresso tem grande representatividade em abrigar estudos sobre este tema. 4.3 Autores e Respectivas Instituições Com uma média de 1,31 autores por artigo percebe-se uma desconcentração na produção científica nacional relacionada ao tema em destaque. Dos 289 artigos selecionados encontrou-se um total de 380 autores, que assim estão distribuídos: 109 foram produzidos por somente um autor; 128 foram produzidos por dois autores; e 52 por três ou mais autores. Os sete autores que mais publicaram sobre essa temática foram: José Henrique de Faria com 11 publicações no período; Clóvis L. Machado-Da-Silva com 9 publicações; José Luis Felício dos Santos de Carvalho, Marcelo Milano Falcão Vieira e Francis Kanashiro Meneghetti com 7 publicações; e Rafael Alcadipani e Mozar José Brito ambos com 6 publicações. Quadro 3 - Os 11 autores nacionais que mais publicaram sobre o poder nos últimos 10 anos. Autores Publicações 1 José Henrique de Faria 11 2 Clóvis L. Machado-da-Silva 9 3 Francis Kanashiro Meneghetti 7 4 José Luis Felicio dos Santos Carvalho 7 5 Marcelo Milano Falcão Vieira 7 6 Mozar José de Brito 6 7 Rafael Alcadipani 6 8 Alexandre de Pádua Carrieri 5 9 Maria Ceci A. Misoczky 5 10 Mônica Carvalho Alves Cappelle 5 11 Rosimeri Carvalho da Silva 5 A fim de rankear as instituições que mais publicaram, foram considerados os dois primeiros autores e as respectivas instituições em que se encontravam no momento de sua publicação. Apesar de muitos destes autores atualmente terem mudado de instituição por vários motivos diferentes (como por exemplo, o término do mestrado ou doutorado em que estavam cursando), essa informação ainda é relevante, pois o objetivo principal dessa triagem é ressaltar a capacidade que cada instituição possui de produzir artigos voltados para a

7 temática central do trabalho. Feito isso, encontrou-se um total de 67 instituições, o que mais uma vez nos mostra a desconcentração de publicações a respeito do tema. As 10 instituições que ocuparam o topo do ranking foram: FGV-EAESP com 40 artigos, UFPR 40, UFMG 37, UNB 32, UFPE 26, UFRGS 26, FGV-EBAPE 25, UFBA com 20, UFLA 17 e UFRJ 15. Quadro 4 - As 10 Instituições nacionais que mais publicaram sobre poder nos últimos 10 anos Instituição Quantidade Instituição Quantidade FGV-EAESP 40 UFRGS 26 UFPR 40 FGV-EBAPE 25 UFMG 37 UFBA 20 UNB 32 UFLA 17 UFPE 26 UFRJ 15 4.4- Principais Referências Bibliográficas Após a apreciação quantitativa de todas as referências bibliografias citadas na construção dos trabalhos selecionados, criou-se um inventario onde foram relacionados os trinta autores mais citados, o que deu origem à tabela 5. Essa tabela destaca quais foram os principais autores utilizados como referência na construção dos trabalhos analisados e identifica as principais idéias que estão sendo empregadas para a construção destes trabalhos. Como também ocorre em outros campos da administração, percebe-se nesta triagem uma forte presença de autores estrangeiros, o que deixa claro a forte dependência da produção nacional ao legado internacional. Quadro 5 - Os 30 principais autores citados como referências Autores Citações Autores Citações 1 CLEGG, Stewart. 57 16LUCKMANN, Thomas. 29 2 MORGAN, Gareth. 51 17YIN, Robert K. 29 3 WEBER, Max. 50 18CARVALHO, Cristina Amélia. 28 4 FOUCAULT, Michel. 47 19DEJOURS, Cristhofer. 26 5 MOTTA, Fernando Prestes. 47 20ENRIQUEZ, Eugène. 26 6 FARIA, José Henrique de. 40 21MACHADO-DA-SILVA, Clóvis. 26 7 MINTZBERG, Henry; 39 22SCOTT, W. Richard. 26 8 VIEIRA, Marcelo Milano Falcão. A 35 23CHANLAT, Jean-François. 24 9 BERGER, P. L.; 31 24FLEURY, Maria Tereza Leme. 24 10 GIDDENS, Antony. 31 25BURRELL, Gibson; 23 11 HARDY, Cynthia;. 31 26ETZIONI. Amitai. 23 12 PAGÈS, M. 31 27MARX, Karl. 23 13 SMIRCICH, Linda. 30 28FREITAS, Maria Ester. 22 14 WOOD Jr., Thomaz. 30 29DIMAGGIO, Paul J. 20 15 BOURDIEU. Pierre. 29 30WILLMOTT, Hugh. 19 5- Considerações Finais No presente trabalho, procuramos desenvolver um mapeamento da recente produção científica nacional sobre o tema poder, nos principais meios disponíveis. Foram analisados

8 mais de cinco mil artigos dos últimos dez anos, a partir dos quais foram identificados um total de 289 artigos que direta ou indiretamente trataram o tema do poder. A partir deste filtro, foi possível identificar os principais meios de publicação onde têm espaço os estudos sobre o poder. O Encontro de Estudos Organizacionais (EnEO), promovido pela Anpad, apesar de ser um congresso ainda bastante recente, destacou-se por abrigar mais estudos acerca desta temática, comparando-se com os demais meios. A presente pesquisa demonstrou que nos últimos anos houve um crescimento significativo de estudos que abordaram a temática do poder. No entanto, um dado importante que e a pesquisa traz à tona é a grande dispersão dos estudos, tanto em termos de autoria quanto de instituições. A produção científica nacional sobre este tema mostrou-se bastante fragmentada, o que pode sugerir que não há pesquisas de fôlego sendo desenvolvidas sobre este tema no Brasil. No entanto, por outro lado, o estudo revelou também que há alguns poucos autores brasileiros publicando estudos sobre o poder de maneira sistematizada. Este dado é de grande valia para os pesquisadores que se interessam pelo tema do poder, pois demonstra com clareza a quem podem recorrer e em quais instituições o tema do poder nas organizações é privilegiado. Outra importante contribuição que este trabalho traz à comunidade acadêmica é a relação das principais referências sobre a temática do poder, isto é, os principais autores do tema a quem os pesquisadores brasileiros recorrem para desenvolver suas pesquisas, os quais estão enumeradas na tabela 5. Vê-se, a partir dali quem são os principais pensadores sobre o poder que influenciam a pesquisa nacional. Este quadro, além de ser um bom diagnóstigo acerca de quem influencia os pesquisadores brasileiros, serve também como bom ponto de partida para estudantes de graduação ou mestrado que desejam enveredar pelos caminhos dos estudos sobre o poder nas organizações, constituindo uma referência básica para pesquisa inicial. 6- Recomendações para pesquisas futuras Como não poderia deixar de ser, o presente estudo apresenta limitações. Cabe, então, explicitá-las. De início, é pertinente reconhecer que este não é um estudo conclusivo. Trata-se de um mapeamento inicial que servirá de base para desdobramentos futuros mais refinados. O objetivo dos autores que ora o expõem foi apenas o de prover um mapa, ainda que rudimentar, da produção nacional recente sobre o poder, sem sofisticações. Assim, portanto, não foram realizadas classificações acerca das abordagens sobre o tema (se crítica, se funcionalista, se interpretativista ou outros critérios) o que enriqueceria a análise e traria mais subsídios para futuras pesquisas específicas. Neste sentido, os autores recomendam o artigo de Hardy e Clegg (2001) como base para quem desejar realizar tais classificações. Outra categorização que poderia ser utilizada é a proposta por Pagès et al. (1993). Uma classificação de tal natureza talvez coubesse ainda melhor numa análise de maior amplitude, onde se pudesse identificar como tais enfoques evoluiram, ganhando e/ou perdendo espaço no decorrer do tempo; e como se difundem as idéias a partir das instituições que patrocinam tais estudos. Outra análise interessante que poderia se feita a partir do presente estudo é uma classificação entre estudos empíricos e teóricos e, dentro destas categorias, seus desdobramentos. Poder-se-ia, a partir de uma análise desta natureza, identificar as estratégias de problematização do tema poder, os principais métodos de acesso aos respectivos problemas e os tipos de conclusões dos estudos sobre o poder. Poder-se-ia mapear também o âmbito em que o poder é analisado: se na esfera pública, se na esfera privada, se no âmbito da sociedade civil, quais níveis hierárquicos são privilegiados, dentre outras classificações.

9 Por fim, o que se pretendeu com este estudo foi um primeiro passo, ou melhor, um pontapé inicial, já que a partir dos resultados obtidos muitas perspectivas se abrem. A importância do tema poder na análise organizacional já foi constatada por diversos autores, hoje consolidados nos estudos organizacionais. Um mapeamento como o que aqui se apresenta é útil pois contribui junto aos que se interessam pelo tema, dando-lhes um norte ou mais de um. Porém, como já se falou, maiores sofisticações seriam benvindas a fim de se aprofundar o conhecimento deste tema. Como é de se esperar no bom debate acadêmico, o presente artigo pode servir como um convite àqueles que desejarem contribuir para a expansão do conhecimento, aprimorando o presente estudo e refinando suas revelações. 7- Referências BURRELL, G. & MORGAN, G. Sociological paradigms and organizational analysis. London: Heinemann Educational Books, 1979. CALDAS, M. P. Paradigmas em estudos organizacionais: uma introdução à série. Revista de Administração de Empresas. V. 45, nº. 1, jan/mar 2005. CLEGG, S. HARDY, C. NORD, W. Handbook de estudos organizacionais: modelos de análise e novas questões em estudos organizacionais. Organizada por Miguel P. Caldas, Roberto Fachin e Tânia Fischer. São Paulo: Atlas, 1999. ETZIONI, A. Organizações modernas. São Paulo: Livraria Pioneira Editora, 1967. FARIA, J. H. O autoritarismo nas organizações. Curitiba: Criar Edições/FAE, 1985. FARIA, J. H. Economia política do poder: as práticas do controle nas organizações. Curitiba: Juruá, 2004a. FARIA, J. H. Poder e participação: a delinquência acadêmica na interpretação tragtenberguiana. Revista de Administração de Empresas. V. 41, nº. 3, jul/set 2001. FOUCAULT, M. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Petrópolis: Vozes, 1987. FOUCAULT, M.. O poder simbólico. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002. SILVA, M. R. da, Análise Bilbliométrica da Produção Cientifica Docente do Programa de Pos Graduação em Educação Especial. UFScar, 2004 MARTINS, F. R. Controle: perspectivas de análise na teoria das organizações. Cadernos EBAPE.BR V.4, nº.1, mar 2006.

10 MEDEIROS, A. P. S. C. Análise Bibliométrica da Produção Cientifica da Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho Dissertação de mestrado. UNESP ano 2005 MORGAN, G. Imagens da organização. São Paulo: Atlas, 1999. MOTTA, F. C. P. Controle social nas organizações. Revista de Administração de Empresas. V. 33, nº. 5, set/out 1993. MOTTA, F. C. P. & VASCONCELOS, I. (2006). Teoria geral da administração. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2006. PAGÈS, M., BONETTI, M., de GAULEJAC, V. & DESCENDRE, D. O poder das organizações. São Paulo: Atlas, 1987. RUAS, R., GHEDDINE, T., DUTRA, J. S., BECKER, G. V., & DIAS, G. B. O conceito de competência de A à Z analise e revisão nas principais publicações nacionais entre 2000 e 2004. Enanpad 2005.