Ação Penal continuação 7. Peças acusatórias A. Requisitos (art. 41 do CPP): Essenciais: narração do fato delituoso e qualificação do acusado; Acidentais: classificação legal do delito e rol de testemunhas (deve obs. o número para cada rito); Observação (art. 39 do CPP): procuração com poderes especiais, caso contrário o querelente deve assinar conjuntamente. B. Rejeição: art. 395 do CPP. Manifesta inépcia: ausência dos requisitos essenciais; Falta de condições; Falta de pressupostos; Falta de justa causa. Observação: criptoimputação: quando a peça acusatória tiver grave defeito na narração dos fatos delituosos, que conduz a rejeição da denúncia ou queixa. B.1. Recursos: Regra: RSE (art. 581, I, do CPP); JECRIM: apelação (art. 82 da lei n. 9099/95); Observação: No TJRS ainda há entendimento pela apelação. C. Possibilidade de correção da capitulação no juízo de admissibilidade: questiona-se a possibilidade de o juiz promover o corretivo da capitulação atribuída pelo MP no momento do recebimento da denúncia em face de inegáveis reflexos na competência, legitimidade de partes, rito e extinção da punibilidade. Embora alguns autores o admitam, o CPP reserva o término da instrução para esse fim pelos institutos da emendatio (art. 383 do CPP) e da mutatio libelli (art. 384 do CPP), este último em respeito aos princípios da correlação entre acusação e sentença, inércia da jurisdição, contraditório, ampla defesa e acusatório. D. Reconsideração ou retratação do recebimento: há precedentes isolados admitindo reconsideração posterior a resposta à acusação. 8. Ação Penal Pública: A. Titular: MP; B. Classificação: Incondicionada Condicionada à representação Condicionada à requisição do ministro da justiça 1
8.1. Ação Penal Pública condicionada à representação: A. Conceito, finalidade e forma: é uma manifestação de vontade da vítima; autorização para ingresso da ação penal, mediante manifestação oral, reduzida a termo ou escrita, com reconhecimento da firma, ou por terceira pessoa, com procuração com poderes especiais (relato sucinto do fato delituoso na procuração); B. Natureza Jurídica: condição de procedibilidade da ação; B. 1: condição de prosseguibilidade condição para dar seguimento à ação. C. Eficácia objetiva: dois entendimentos: I. Vincula a atuação do MP ao representado; II. Diz respeito ao fato. Assim, o MP podem adicionar todos os agentes envolvidos no fato. D. Prazo para representação: 6 meses Art. 38 do CPP E. Retratação: Regra: até o oferecimento da denúncia (art. 25 do CPP); Violência doméstica contra mulher: até o recebimento da denúncia (audiência retratação em juízo) art. 16 da lei Maria da Penha. F. Renúncia à representação: I. Art. 74, único da lei n, 9099/95: homologação da composição civil dos danos; II. Art. 16 da Lei Maria da Penha. G. Lesão corporal G.1. Dolosa leve ou culposa: ação pública condicionada à representação (art. 88 da lei n. 90999/95). G.2. Culposa de trânsito (art. 303 do CTB): Regra: condicionada à representação art. 88 da lei n. 9099/95; Pública incondicionada: art. 291 do CTB: embriaguez, racha e velocidade 50 Km/h acima da permitida. G.3. Violência doméstica contra a mulher: art. 41 da lei Maria da Penha pública incondicionada (ADI 4424 a AD C 19 artigo constitucional); G.4. Contravenção de vias de fato (art. 21 do DL 3688/41): duas interpretações: I. Literal ou gramatical: texto de lei. É pública incondicionada, por que o art. 17 da LCP. Vide HCs 86058 e 80.607, ambos do STFII. II. Interpretação sistemática: é pública condicionada à representação (Enunciado 76 do FONAJE). 2
G.5. Estupro: Regra: pública condicionada à representação - art. 225, caput do CP; Pública incondicionada: menos de 18 anos vulnerável: I. Ser vulnerável: estado duradouro ação pública incondicionada; II. Estar vulnerável: estado temporário STJ entende ser ação pública condicionada à representação. H. Legitimados: Regra: ofendido (maior e capaz mental). Se menor ou enfermo mental (representante legal). Sem representante legal ou ocorrer colidência entre o interesse do ofendido e do representante nomeia-se um curador especial (pode decidir se representa ou não maior parte da doutrina). Se houver a morte ou declaração judicial de ausência da vítima (CCA- DI art. 31 do CPP). Se pessoa jurídica art. 37 do CPP. 8.2. Ação Penal Pública condicionada à requisição do Ministro da Justiça: A. Hipóteses: crime praticado por estrangeiro contra brasileiro no exterior (art. 7º, 3º, b, do CP). A.1. Crime contra a honra do presidente da república ou de chefe de governo estrangeiro (art. 141, I c/c 145, ú, do CP); B. Prazo: enquanto não se operar a prescrição; C. Retração: há dois posicionamentos: I. Não - ausência de previsão legal; II. Sim, em analogia ao art. 25 do CPP e por se tratar de ato administrativo, que pode invalidar o ato. D. Vinculação do MP: em face do princípio da independência funcional, o MP não está vinculado. 9. Ação Penal Privada: A. Titular: ofendido A1. Objeto de transferência: a possibilidade de um privado aplicar pena: cultural defense. Essa teoria é utilizada como justificativa para o evento de incisão clitoriana (extirpação do clitóris). O jus puniendi continua do Estado, que apenas transfere a titularidade da ação, jus accusationis jus ou persequendi in juditio, a própria vítima para evitar o streptus judicii ou estreptus fori (desgaste com o processo). A.2. Posição do MP Na ação penal exclusiva ou personalíssima: MP como custus legis (art. 257 do CPP) Subsidiária: MP como interveniente adesivo obrigatório B. Prazo: 6 meses art. 38 do CPP C. Legitimados (vide 8H) 3
9.1. Ação Penal Privada Personalíssima A. Hipótese: art. 236 do CP. B. Condição: trânsito em julgado da sentença anulatória do casamento. C. Prazo: 6 meses do trânsito em julgado. D. Morte da vítima: extinção da punibilidade 10. Ação Privada Subsidiária ou Supletiva da Pública: A. Previsão constitucional: art. 5º LIX da CRFB. B. Previsão infraconstitucional: art. 29 do CPP, art. 100 do CP, art. 80 do CDC... C. Cabimento: inércia do MP. Deveria ter procedido a: Denúncia: Novas diligências Arquivamento Remessa a outro juízo D. Prazo: 6 meses (art. 38 do CPP) E. Incompatibilidade: crimes vagos (o sujeito passivo é indeterminado ou sem personalidade jurídica). Salvo art. 80 c/c art. 82, I III do CDC. F. Possibilidades do MP: F1. Antes do recebimento da queixa (art. 29 do CPP) Aditamento pelo MP: I. Subjetivo: pessoas II. Objetivo: fatos Repúdio: quando não configurar inércia Denúncia substitutiva (caso de erro crasso na queixa) 10. Causas impeditivas extintivas da ação penal privada: I. Impeditivas: A. decadência: A.1 Termo a quo: Regra: do conhecimento da autoria; Personalíssima: do trânsito em julgado da sentença anulatória do casamento. Subsidiária: do término do prazo do MP. 4
A.2. Natureza e forma de contagem: Prevalece a natureza penal ou material: forma de contagem (art. 10 do CPP): considera o primeiro dia e despreza o último. B Renúncia: B.1 características: ocorre antes do início da ação penal (justificado pelo princípio da oportunidade); ato unilateral; a renúncia em relação a um se estende aos demais (princípio da indivisibilidade); a renúncia de uma vítima não prejudica o direito da outra. B1.1. Recebimento de indenização acarreta renúncia? Não (art. 104, ú do CP); Sim - Homologação da composição: art. 74, ú da lei n. 9099/95. 5