Logística Reversa. Resumo

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Transcrição:

Logística Reversa Autora: Joyce Bustamante Teixeira Shiraishi Resumo Neste trabalho será abordado o tema Logística Reversa, área que planeja, opera e controla o fluxo, e as informações logísticas correspondentes ao retorno dos bens de pós-venda e de pós-consumo ao ciclo de negócios ou ao ciclo produtivo, através dos Canais de Distribuição Reversos, agregando-lhes valor de diversas naturezas: econômico, ecológico, legal, competitivo, de imagem corporativa, dentre outros. A Logística Reversa de Pós Venda que é o retorno de produtos na cadeia de distribuição, Logística Reversa de Pós Consumo que é o descarte e a reciclagem de resíduos, principais destinos aos produtos de pós-consumo local onde é feito o descarte de resíduos que não pode ser mais reutilizados ou reciclados, ciclo de vida do produto que é constituído pela extração, processamento da matéria prima, manufatura, transporte, distribuição, uso, reuso, manutenção e disposição final. Palavra Chave: Pós venda, Pós consumo, Logistica..

Introdução O artigo tem como objetivo mostrar a Logística Reversa e sua ação na sociedade atual, mostrando a importância do pós venda e pós-consumo para a sociedade e as empresas. A Logística Empresarial é responsável por enorme geração de vantagens competitivas, em constante evolução vem sendo considerado um dos principais elementos na elaboração do planejamento estratégico, a partir da década de 90 com a constante preocupação sobre a utilização dos recursos naturais, assim como o acúmulo de produtos industrializados nos grandes centros as grandes empresas passaram a serem as culpadas por este problema; Com isso elas passaram a se questionar de como seria possível encontrar a solução para esta situação sem agravar mais do que o ocorrido; Com esta análise surgiu o conceito de Logística Reversa. Podemos definir Logística Reversa como uma área que planeja, executa e controla os fluxos de produtos, e as informações logísticas correspondentes ao retorno dos bens de pós-venda e de pós-consumo ao ciclo produtivo, através dos canais de distribuição reversos, agregando-lhes valor de diversas naturezas: econômico, ecológico, legal, competitivo, dentro outros. Logística reversa: em uma perspectiva de logística de negócios, o termo refere-se ao papel da logística no retorno de produtos, redução na fonte, reciclagem, substituição de materiais, reuso de materiais, disposição de resíduos, reforma, reparação e remanufatura [...]. (STOCK, 1998, apud LEITE, 2003, p.15). Enquanto a Logística Tradicional trata do fluxo dos produtos fabrica x cliente, a logística reversa trata do retorno de produtos, materiais e peças do consumidor final ao processo produtivo da empresa. Devido à severa legislação ambiental e também por grande influência da sociedade e organizações não governamentais, as empresas estão adotando a utilização de um percentual maior de material reciclado ao seu processo produtivo, assim como também passaram a adotar procedimentos para o correto descarte dos produtos que não possam ser reutilizados ou reciclados. Autora: Joyce Bustamante Teixeira Shiraishi, Formada em Administração de Empresas Universidade de Taubaté/UNITAU e Pós Graduação em Administração e Logística na FATEC/FACINTER Orientadora: Ana Carolina Resende de Melo Bustamante, FATEC/FACINTER

3 Este trabalho está estruturado em 3 capítulos sendo o primeiro sobre a introdução a logística reversa, sua criação e evolução empresarial. O segundo capítulo será a revisão literária que esta estruturada da seguinte forma, a Logística Reversa de Pós Venda, Logística Reversa de Pós Consumo, principais destinos aos produtos de pós-consumo, Ciclo de Vida do Produto, Gestão Ambiental e seus métodos e objetivos principais, Importância para as empresas, Sustentabilidade. No último capítulo constará a conclusão mais importante deste trabalho.

Desenvolvimento Logística A logística existe desde os tempos mais antigos. Na preparação das guerras, líderes militares desde os tempos bíblicos, já se utilizavam da logística. As guerras eram longas e nem sempre ocorriam próximo de onde estavam as pessoas. Por isso, eram necessários grandes deslocamentos de um lugar para outro, além de exigir que as tropas carregassem tudo o que iriam necessitar. Para fazer chegar carros de guerra, grandes grupos de soldados transportavam armamentos pesados aos locais de combate, era necessária uma organização logística das mais fantásticas, envolvia uma preparação dos soldados, o transporte, a armazenagem e a distribuição de alimentos, munição e armas, entre outras atividades. Durante muitos séculos, a Logística esteve associada apenas à atividade militar. Por ocasião da Segunda Guerra Mundial, contando com uma tecnologia mais avançada, a logística acabou por abranger outros ramos da administração militar. Assim, a ela foram incorporados os civis, transferindo a eles os conhecimentos e a experiência militar. Segundo LEITE 2003 pode-se definir Logística como um processo de planejamento, organização e controle do fluxo de produtos a fim de se obter o máximo de eficiência e com menor custo possível através de um canal direto de distribuição, ou seja, desde o ponto de aquisição de matérias primas até o consumidor final. A figura 1 apresenta os principais elementos da Logística. Autora: Joyce Bustamante Teixeira Shiraishi, Formada em Administração de Empresas Universidade de Taubaté/UNITAU e Pós Graduação em Administração e Logística na FATEC/FACINTER Orientadora: Ana Carolina Resende de Melo Bustamante, FATEC/FACINTER

5 Figura 1 : Elementos da Logística Fonte: Leite, 2003. É possível agregar valor ao produto, de tempo e lugar, com o emprego da logística desde que todas as necessidades dos clientes sejam atendidas. É o que faz com que, por exemplo, o mercado tenha que adquirir ovos de páscoa para suprir as necessidades dos consumidores que desejem obter a mercadoria em boas condições, antes da data comemorativa em um mercado próximo a sua casa a fim de serem consumidos no dia da Páscoa. A logística agrega valor ao produto no sentido de tempo e lugar, pois, um produto não terá valor a menos que ele esteja no lugar certo na hora certa, na quantidade certa e em boas condições. BALLOU (2006, p. 33). Logística Reversa A Logística Reversa é uma área relativamente nova para as empresas e sociedades no Brasil e no mundo. Segundo Leite (2003), o aumento do interesse nesse ramo se deu pela crescente preocupação com o meio ambiente e acima disso, com a preocupação de atender aos desejos dos clientes e reduzir custos.

Com relação ao meio ambiente, através das legislações ambientais, as empresas têm obrigação em fazer estudos de descarte de materiais para não haver degradação do mesmo. Diante disso, elaboram políticas e programas para descartes do lixo industrial e administrativo, e um dos meios para isso é através da logística reversa. Já para atender aos anseios dos clientes e à legislação de defesa do consumidor, a logística reversa é aplicada quando há problemas no produto vendido e a empresa deve estudar a melhor maneira de recolhê-lo, independente de ser problema com relação à garantia, avaria no transporte, ou prazo de validade expirado. Ao ter um programa para isso, as empresas ganham mais credibilidade na visão dos clientes, podendo ter um retorno com o aumento das vendas dos produtos e podem, também, ganhar destaque no mercado. Os principais fatores que impulsionam uma empresa a implantar a logística reversa são melhorias na imagem da empresa, responsabilidade socioambiental, melhor competitividade e uma revalorização econômica entre outros, pois atualmente a sociedade esta mais preocupada com o meio ambiente, contudo essa facilidade permite as empresas se relacionarem com outras empresas que tenham essa mesma preocupação ambiental LEITE 2003. Ao longo dos últimos anos, temos observado empresas atuando no Brasil buscando integrar novas atividades no campo da Logística Reversa, realizando joint-ventures, buscando novas tecnologias de reaproveitamento de produtos, especializando-se em atividades típicas de Logística Reversa, bem como novas empresas procurando investimentos nas áreas de promissores negócios, entre outros movimentos empresariais. Pode-se dizer que existe certa corrida para melhor se preparar para essa avalanche de negócios que está se concretizando. Por sugestão de empresas atuando no Brasil, profissionais e acadêmicos, com interesse em incrementar o conhecimento nos diversos segmentos da Logística Reversa, melhorar suas praticas operacionais compartilhando e contribuindo com a sua difusão, capacitação profissional e soluções em nosso país, propiciando network empresarial especializado foi criado o conselho de logística reversa no Brasil. Autora: Joyce Bustamante Teixeira Shiraishi, Formada em Administração de Empresas Universidade de Taubaté/UNITAU e Pós Graduação em Administração e Logística na FATEC/FACINTER Orientadora: Ana Carolina Resende de Melo Bustamante, FATEC/FACINTER

7 A CLRB tem a missão de oferecer oportunidades de aumento de competitividade empresarial através da logística reversa. Motivos para o uso da Logística Reversa Devido a legislações ambientais cada vez mais rígidas, a responsabilidade do fabricante sobre o produto esta se ampliando. Portanto, não é suficiente o reaproveitamento e remoção de refugo que fazem parte diretamente do seu próprio processo produtivo, o fabricante está sendo responsabilizado pelo produto até o final de sua vida útil. Logo a logística reversa está ganhando importância nas operações das empresas quer seja devido à recalls efetuados pela própria empresa, responsabilidade pelo correto descarte de produtos perigosos após seu uso, produtos defeituosos e devolvidos para troca, vencimento do prazo de validade dos produtos ou desistência da compra por parte dos consumidores. Lacerda (2002) destaca três causas básicas: a) Questões ambientais: prática comum em alguns países, notadamente na Alemanha, e existe no Brasil uma tendência de que a legislação ambiental caminhe para tornar as empresas cada vez mais responsáveis por todo ciclo de vida de seus produtos. Isto significa ser legalmente responsável pelo seu destino após a entrega dos produtos aos clientes e do impacto que estes produzem ao meio ambiente; b) Diferenciação por serviço: os varejistas acreditam que os clientes valorizam mais, as empresas que possuem políticas mais liberais do retorno de produtos. Aliás, é uma tendência reforçada pela legislação de defesa do consumidor, garantindo-lhe o direito de devolução ou troca. Isto envolve uma estrutura para recebimento, classificação e expedição de produtos retornados. c) Redução de custo: iniciativas relacionadas à logística reversa têm trazido retornos consideráveis para empresas. Economias com a utilização de embalagens retornáveis ou com o reaproveitamento de materiais para a produção têm trazido ganhos que estimulam cada vez mais novas iniciativas de fluxo reverso.

Logística Reversa de Pós Venda Segundo Leite (2003, p. 206), o retorno de produtos ao centro produtivo ou de negócios, ou logística reversa de pós-venda, como pode ser chamada, é definida da seguinte maneira: [...] específica área de atuação da logística reversa que se ocupa do planejamento, da operação e do controle do fluxo físico e das informações logísticas correspondentes de bens de pós-venda, sem uso ou com pouco uso, que por diferentes motivos retornam aos diferentes elos da cadeia de distribuição direta, que constituem uma parte dos canais reversos pelos quais fluem esses produtos. Podemos concordar que do ponto de vista deste autor a logística reversa de pós-venda tem por determinação acrescentar valor ao produto, reintegrando-o no ciclo produtivo. Segundo LEITE, 2003 e BALLOU, 2001 (OLIVEIRA e RAIMUNDINI, 2005, p. 3), Os valores agregados são, principalmente, de ordem econômica, ambiental, social, legal e de imagem corporativa. A partir destes conceitos, podemos compreender que a logística reversa de pós-venda visa, possibilitar o retorno de produtos aos centros produtivos ou de negócios, conciliando dentro este processo, valor aos mesmos. A crescente preocupação ecológica dos consumidores, as novas legislações ambientais, os novos padrões de competitividade de serviços ao cliente e as preocupações com a imagem corporativa tem incentivado cada vez mais a criação de canais reversos de distribuição que solucionem o problema da quantidade de produtos descartados no meio ambiente; Já afirmam que a logística de fluxos de retorno, ou logística reversa, visa à eficiente execução da recuperação de produtos. Os bens de pós-venda geralmente são embalagens que voltam para a cadeia produtiva para que possam ser reutilizadas, como por exemplo, a Coca- Cola que reutiliza os vasilhames de vidro entre outros. Autora: Joyce Bustamante Teixeira Shiraishi, Formada em Administração de Empresas Universidade de Taubaté/UNITAU e Pós Graduação em Administração e Logística na FATEC/FACINTER Orientadora: Ana Carolina Resende de Melo Bustamante, FATEC/FACINTER

9 O foco da logística reversa de pós venda é efetuar a revalorização financeira do produto, porem, isso somente é possível se houver a integração, agilidade e conectividade logística. As diferentes possibilidades de revalorização financeira são: Revenda no mercado Primário; Venda no mercado Secundário; Desmanche; Remanufatura; Reciclagem Industrial; Disposição Final. Fluxo de Pós-Venda Figura 2: Fluxo pós venda Fonte: Leite 2003. Logística Reversa de Pós-Consumo Segundo Guarnieri (2005), a logística reversa de pós-consumo se caracteriza pelo planejamento, controle e disposição final dos bens de pósconsumo, que são aqueles bens que estão no final de sua vida útil, devido ao uso. Essa vida útil pode ser prolongada se as pessoas se conscientizarem que

este bem possui outras utilidades por um determinado tempo, e somente após isso ele será destinado à coleta de lixo urbano, podendo ser reciclado ou simplesmente depositado em aterros sanitários, causando sérios impactos ao meio ambiente. Esses bens ou materiais transformam-se em produtos denominados de pós-consumo e podem ser enviados a destinos finais tradicionais, como a incineração ou os aterros sanitários, considerados meios seguros de estocagem e eliminação, ou retornar ao ciclo produtivo por meio de canais de desmanche, reciclagem ou reuso em uma extensão de sua vida útil. Leite (2003), afirma que em algum momento os bens produzidos serão de pós - consumo, portanto é necessário que se viabilizem meios controlados para o descarte desses bens no meio ambiente. Esses produtos podem ter uma disposição final segura ou insegura, dependendo de como for descartado. Para o Leite (2003), disposição final segura é o desembaraço dos bens usando um meio controlado que não agrida, de alguma maneira, o meio ambiente e que não atinja, direta ou indiretamente, a sociedade. Já a disposição não segura é o desembaraço dos bens de maneira não controlada, tal como em locais impróprios (terrenos baldios, riachos, rios, mares, lixões, etc.), em quantidades indevidas. O sistema de reciclagem agrega valor econômico, ecológico e logístico aos bens de pós-consumo, criando condições para que o material seja reinserido ao ciclo produtivo e suprindo as matérias-primas novas, gerando uma economia reversa; o princípio de reuso agrega valor de reutilização ao bem de pós-consumo; e o sistema de incineração agrega valor econômico, pela transformação dos resíduos em energia elétrica. Os bens de pós-consumo são bens que já não tem mais utilidades para o consumidor da primeira aquisição, mais que de alguma maneira ainda possam ser reutilizados ou reaproveitados. Autora: Joyce Bustamante Teixeira Shiraishi, Formada em Administração de Empresas Universidade de Taubaté/UNITAU e Pós Graduação em Administração e Logística na FATEC/FACINTER Orientadora: Ana Carolina Resende de Melo Bustamante, FATEC/FACINTER

11 Figura 3 : Retorno do Ciclo Produtivo Fonte: Leite 2003. Os Bens de pós consumo são classificados em relação a duração de sua vida útil que é tida como o tempo transcorrido desde a sua produção até o momento em que o primeiro possuidor se desfaz dele. Para a logística reversa e canais reversos de pós consumo considera se três grandes categorias de bens produzidos LEITE 2003. a) Produtos Duráveis: produtos ou bens que apresentam duração de vida útil média variando de alguns anos a algumas décadas, um exemplo significativo são os automóveis. b) Produtos Semiduráveis: produtos ou bens que apresentam duração de vida útil média de alguns meses, raramente superior a dois anos, um exemplo seria computadores, baterias de celulares entre outros. c) Produtos Descartáveis: produtos ou bens que apresentam duração de vida útil média de algumas semanas, raramente superior a 6 meses, tomamos como exemplo materiais de escritório, fraldas, jornais etc. Principais destinos aos produtos Pós Consumo segundo LEITE 2003 são: Os mercados de segunda mão, que são produtos em condições de uso que são destinados aos mercados mais carentes;

Canibalização: extração de partes perfeitas de um produto para a fabricação de um novo; Reciclagem, reaproveitamento de materiais de produtos como novo ou em utilização menos nobre; Remanufatura: volta de produtos revisados ao mercado por um preço inferior; Aterros Sanitários Públicos: descarte dos produtos em locais administrado pelo poder público; Aterros Clandestinos: descarte dos produtos em locais impróprios, sem fiscalização e podem trazer danos ao meio ambiente; Ação Institucional: doações. Ciclo de Vida do Produto O Ciclo de vida de um produto e composto pela extração, processamento, manufatura, transporte, distribuição, uso, reuso, manutenção e disposição final KOTLER 2006. Os bens industriais apresentam ciclos de vida útil que variam de algumas semanas a algumas décadas, classificando-se em bens descartáveis, semiduráveis ou duráveis, que são disponibilizados pela sociedade ao término de sua utilidade original. O ciclo de vida do produto se encerra quando seu descarte final (de forma segura) é feito mesmo depois de um produto já ter sido reaproveitado, recuperado, remanufaturado e/ou reutilizado. Kotler (2006) utiliza o conceito de que a curva do CVP é dividida em quatro estágios: 1- Desenvolvimento de produto ou introdução ou lançamento do produto: período de baixo crescimento das vendas e alto custo de produção associado, já que o volume de produção/vendas não permite economia de escala. Nesta fase, o produto requer altos investimentos em tecnologia, propaganda, distribuição e embalagem/design. O lucro é negativo. 2- Crescimento: período em que uma significativa parcela dos consumidores toma conhecimento da existência do produto o que eleva seu volume de Autora: Joyce Bustamante Teixeira Shiraishi, Formada em Administração de Empresas Universidade de Taubaté/UNITAU e Pós Graduação em Administração e Logística na FATEC/FACINTER Orientadora: Ana Carolina Resende de Melo Bustamante, FATEC/FACINTER

13 vendas e favorece o surgimento da economia de escala. Começam a surgir os concorrentes, o que faz com que a empresa invista em diferenciação para não perder a parcela de mercado que já conquistou. Com o aumento da oferta, os preços caem. Nesta fase, a empresa recupera todos os investimentos e o lucro aumenta. 3- Maturidade: período caracterizado por baixa no crescimento das vendas, já que os consumidores potenciais já foram conquistados. Os lucros diminuem ou se estabilizam no final deste estágio em função do aumento da concorrência. 4- Declínio: o produto atinge sua obsolescência e é substituído pelo concorrente mais inovador. Neste momento a empresa para de investir em distribuição, propaganda e desenvolvimento e começa a discutir qual o melhor momento de retirar o produto do mercado ou reposicioná-lo em outro nicho. Figura4: Ciclo de vida do produto Fonte: Kotler 2006.

Gestão Ambiental A preocupação com o meio ambiente, nos últimos anos, vem crescendo tanto nas sociedades desenvolvidas quanto nas em desenvolvimento. Esta preocupação com a qualidade ambiental pode manifestar-se principalmente pelo repúdio dos consumidores em adquirir bens que ao longo de seu ciclo de vida causem degradação ambiental. A gestão ambiental não é um conceito novo nem mesmo uma necessidade nova, o homem sempre teve de interagir responsavelmente com o meio ambiente. Nos casos em que tal não ocorreu, o homem teve de enfrentar as consequências nefastas da sua atuação. A acumulação indiscriminada de resíduos que se verificou na Idade Média, com a consequente poluição da água e do ar, resultou em gravíssimos problemas de saúde pública. A industrialização veio agravar este problema ao contribuir de forma bastante acentuada para a poluição do meio ambiente. Gestão ambiental é um sistema de administração empresarial que dá destaque na sustentabilidade. Desta maneira, a gestão ambiental propõe o uso de práticas e procedimentos administrativos para diminuir ao máximo o impacto ambiental das atividades econômicas nos recursos da natureza MUELLER 2005. Segundo MUELLER 2005 a prática da gestão permite a diminuição de custos diretos pela redução do desperdício de matérias-primas e de recursos cada vez mais escassos e trabalhosos, como água e energia e de custos indiretos representados por indenizações relacionadas a danos ao meio ambiente ou à saúde de funcionários e da população de comunidades que tenham aproximação geográfica com as unidades de produção da empresa. Um exemplo prático de políticas para a inserção da gestão ambiental em empresas tem sido a criação de leis que obrigam a prática da responsabilidade pós-consumo. A implementação das praticas da gestão ambiental ajuda a controlar as atividades humanas para que não agridam o meio ambiente, com métodos e objeivos economicos e estratégicos. Autora: Joyce Bustamante Teixeira Shiraishi, Formada em Administração de Empresas Universidade de Taubaté/UNITAU e Pós Graduação em Administração e Logística na FATEC/FACINTER Orientadora: Ana Carolina Resende de Melo Bustamante, FATEC/FACINTER

15 Importância para as empresas As empresas estão implementando mudanças nos seus processos produtivos, principalmente, após introdução das normas de gestão ambiental no sentido de buscar a qualidade ambiental através de certificações, como exemplo os da série ISO 14000 que foi criado pela International Organization for Starda dization, uma organização internacional fundada em 1946 para desenvolver padrões de manufatura, do comércio e da comunicação a fim de facilitar o comércio internacional aumentando a confiabilidade e a eficácia dos bens e serviços. A finalidade da ISO é desenvolver e promover normas e padrões mundiais que traduzam o consenso dos diferentes países do mundo de forma a facilitar o comércio internacional. A ISO tem 119 países membros. A ABNT é o representante brasileiro. A ISO trabalha com 180 TC s e centenas de subcomitês e grupos de trabalho. A ISO 14001 é uma norma internacionalmente reconhecida que determina o que deve ser feito para estabelecer um SGA efetivo. A norma é desenvolvida com objetivo de criar o equilíbrio entre a conservação da rentabilidade e a diminuição do impacto ambiental; com o comprometimento de toda a organização. A Gestão Ambiental inclui uma série de atividades que partem de um compromisso da alta direção através de uma política ambiental da empresa no sentido de implementar um Sistema de Gestão Ambiental. Nesse contexto, a política de gestão ambiental deve programar ações como treinamento, prevenções e controle, medir os resultados dessas ações, monitorar, avaliar e redefinir objetivos, aperfeiçoando ou corrigindo essas ações. Considerações Finais

A conscientização quanto à importância das questões ambientais vem crescendo em todo o mundo, haja vista dados e acontecimentos catastróficos divulgados nos últimos tempos sobre o planeta. As pessoas, aos poucos, observam que a preservação do Planeta Terra significa também a preservação da própria vida, esta consciência coletiva vem crescendo dia a dia ainda que de forma tímida, na mudança dos hábitos e costumes da população, através da prática da educação ambiental. O consumidor interfere de forma importante nesse processo com a utilização responsável de mercadorias e serviços para satisfação das suas necessidades por meio da atitude crítica no momento de sua aquisição, o que significa avaliar a necessidade de obtenção de um produto, sua origem e destinos ambientalmente corretos. Diante dos acontecimentos, as empresas começam a acompanhar a inquietude que seus clientes demonstram com os danos ambientais causados e simultaneamente os governos têm estabelecido fiscalização mais rígida sobre legislações ambientais, como forma de obrigar as empresas a se responsabilizarem pelo lixo produzido. Neste contexto, as empresas estão implementando sistemas de gestão ambiental tais como a ISO, no sentido de apresentar uma postura ambientalmente correta através de processos logísticos reversos fazendo o planejamento, implementando e controlando o fluxo inverso ao produtivo, como forma de minimizar o prejuízo ambiental causado. Nesse trabalho, procurou-se demonstrar a importância da logística reversa e a necessidade de incluí-la nos planos estratégicos das empresas. Compreendeu-se que os consumidores interferem substancialmente na natureza através de uma postura correta relativa à utilização da água, energia, descarte do subproduto, consumo racional, enfim, com a prática da educação ambiental. Nesse raciocínio é possível concluir que, todos somos responsáveis pela preservação do Planeta e que ações positivas têm sido observadas nos últimos tempos com o objetivo de resguardar a Terra e a vida de todos os seres vivos. Autora: Joyce Bustamante Teixeira Shiraishi, Formada em Administração de Empresas Universidade de Taubaté/UNITAU e Pós Graduação em Administração e Logística na FATEC/FACINTER Orientadora: Ana Carolina Resende de Melo Bustamante, FATEC/FACINTER

17 Referências Bibliográficas BALLOU, Ronald H. Logística Empresarial: transportes, administração de materiais e distribuição física. 1a.ed. São Paulo: Atlas, 1993. BARBIERI, José Carlos. DIAS, Marcio. Logística Reversa como instrumento de programas de produção e consumo sustentáveis. Revista Tecnologística, São Paulo, Ano VI, nº 77. Abril 2002. LACERDA, Leonardo. Logística Reversa, uma visão sobre os conceitos básicos e as práticas operacionais. Centro de Estudos em Logística COPPEAD UFRJ 2202. www.cel.coppead.efrj.br LEITE, Paulo R. Logística Reversa: Meio ambiente e competitividade. Disponível_em:<http://pessoal.facensa.com.br/girotto/files/Logistica_de_Distrib uicao/logistica_reversa.pdf.> Acesso em: 10 de jun. de 2012. LEITE, Paulo Roberto. LOGÍSTICA REVERSA: Meio ambiente e competitividade. São Paulo: Prentice Hall, 2003. Logística Reversa. Disponível em <www.logweb.com.br/artigos/arquivo/art0001703.htm>. Acesso em: 10 de jun. de 2012. MALINVERNI, Cláudia. Tomra Latasa: A logística da reciclagem. Revista tecnologística, São Paulo, Ano VIII, nº 80. Julho 2002. MUELLER, C. F. Logística Reversa Meio-ambiente e Produtividade. 2005, Disponível em: <http://pessoal.facensa.com.br/girotto/files/logistica_de_distribuicao/ logistica_reversa.pdf> Acesso em: 10 de jun. de 2012.