Modernismo Brasileiro

Documentos relacionados
Modernismo Brasileiro Palavras em liberdade

Modernismo no Brasil Primeira geração: ousadia e inovação. Literatura Brasileira 3ª série EM Prof.: Flávia Guerra

Unidade III Trabalho- A trajetória humana, suas produções e manifestações

Semana de Arte Moderna SÃO PAULO, 1922.

Colégio Santa Dorotéia

Poemas comentados. Mário de Andrade. Lundu do escritor difícil

DATA: / /2017 NOME: N Literatura- Recuperação TURMA 232 PROFª CRISTINA 1º BIMESTRE PONTUAÇÃO NAS QUESTÕES - 2, 4,5,6,9,11,14,18 (VALE DOIS PONTOS)

Semana de Arte Moderna e Modernismo 1ª Fase

Pernambuco comum de dois

1ª fase modernista ( )

Art déco. Art déco = arte decorativa. Sinônimo de moderno, industrial, cosmopolita e exótico

Conferências e palestras sobre diferentes escultura, literatura, poesia e música.

Vanguardas Europeias Semana de Arte Moderna 1ª fase do Movimento: Tentativas de solidificação Divulgação de obras e ideias modernistas.

Bárbara da Silva. Literatura. Modernismo I

A Semana de Arte Moderna, também conhecida como Semana de 1922, aconteceu no Teatro Municipal de São Paulo, de 11 a 18 de fevereiro de 1922.

Linguagens, códigos e suas tecnologias

Vanguarda europeia Modernismo português

Primeira Geração. Publicação de Alguma poesia, do Drummond. Contexto Histórico. Aula 25

MODERNISMO BRASILEIRO SÉC. XX

POESIA: LEITURA PERFORMÁTICA PARA O TRABALHO COM OS ALUNOS DO ENSINO FUNDAMENTAL

Nome: Nº: Turma: Este caderno contém questões de: Português Matemática História Geografia Ciências - Espanhol

Caderno 2. b. Observe as fotos 1 e 2 abaixo. Qual delas sugere que o curso d água foi preservado. Por quê?

Movimento Modernista no Brasil

Conceitos básicos para arrasar!

OBJETIVOS PROGRAMA DO CURSO PROGRAMA DO CURSO PROGRAMA DO CURSO PROGRAMA DO CURSO. Segurança do Trabalho Módulo I - Comunicação e Expressão

7. CULTURA E ARTE NO BRASIL REPUBLICANO

Aula 20 A LÍNGUA LITERÁRIA DO SÉCULO XX E A CONSTITUIÇÃO DA NORMA LINGÜÍSTICA DO PORTUGUÊS DO BRASIL. Antônio Ponciano Bezerra

Disciplina: Manejo de Resíduos Sólidos. 2 Introdução ao Problema / Conceitos. Professor: Sandro Donnini Mancini. Sorocaba, Agosto de 2016.

Disciplina: Manejo de Resíduos Sólidos. 2 Introdução ao Problema / Conceitos. Professor: Sandro Donnini Mancini. Sorocaba, Agosto de 2018.

Escola do SESI Jundiaí

SEMANA DE ARTE MODERNA CONTEXTO HISTÓRICO A Semana de 1922 é uma consequência do nacionalismo emergente da 1ª GM e do entusiasmo dos jovens

MODERNISMO. Profa Giovana Uggioni Silveira

(PUC-Rio/2005 Adaptada) Texto para as questões 2 e 3:

AULA 22 LITERATURA MODERNISMO NO BRASIL

LANDESKUNDE 32 TÓPICOS 1/2004. Flávio de Carvalho Portrait of composer Camargo Guarnieri, 1953 Oil on canvas, 100 x 70 cm

ARTES 7 ANO PROF.ª ARLENE AZULAY PROF. LÚCIA REGINA ENSINO FUNDAMENTAL

BRASIL REPÚBLICA (1889 )

INTRODUÇÃO À LITERATURA. Professora Michele Arruda

UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ

Como você leu vários artistas participaram da Semana de Arte Moderna de 1922.

EMILIANO DI CAVALCANTI

MODERNISMO 1ªgeração poética: ªgeração poética: Profa. Elisângela Lopes

Manuel Bandeira

PROCESSO SELETIVO EDITAL Nº

Primeira Geração ( )

*Elza Ajzenberg A SEMANA DE ARTE MODERNA DE 1922 THE MODERN ART WEEK OF 1922 RESUMO

ATIVIDADES 9º ANO. Do texto, depreende-se que a Rússia

Lista de exercícios de recuperação Aluno (a):

A SEMANA DE ARTE MODERNA. O sapo-tanoeiro/parnasiano aguado/diz: - Meu cancioneiro/ É bem martelado.

DATA: 18/12/2017 VALOR: 20,0 NOTA:

A dança do jacaré quero ver quem sabe dançar. A dança do jacaré, quero ver quem sabe dançar. Rebola para lá, rebola para cá E abre o bocão assim.

PANORAMA DO MOBILIÁRIO NO BRASIL. ARTE MODERNA BRASILEIRA Séc. XX

As Vanguardas Europeias. e o Modernismo no Brasil

ANÁLISE SEMIÓTICA DO POEMA OS SAPOS, DE MANUEL BANDEIRA A SEMIOTIC ANALYSIS OF OS SAPOS, BY MANUEL BANDEIRA

Prof. Abimael Luiz de Souza (org.)

ARTE DOS SÉCULOS XIX E XX

A SEMANA DE ARTE MODERNA FEVEREIRO DE 1922

LITERATURA BRASILEIRA I. Sistematização

Colégio XIX de Março Educação do jeito que deve ser

Brasilidade e Modernismo

DATA: 04 / 05 / 2016 I ETAPA AVALIAÇÃO ESPECIAL DE LÍNGUA PORTUGUESA 1.º ANO/EM ALUNO(A): N.º: TURMA: Muribeca:

Revisão aprofundada: Modernismo 1ª fase

MODERNISMO NO BRASIL. O modernismo no Brasil teve início com

Semana de Arte Moderna. Profª Neusa

MODERNISMO. História da Arte Profº Geder 1ª Série Ensino Médio (2012)

Matéria: literatura Assunto: pintura - tarsila do amaral Prof. IBIRÁ

VITAMINAS AMINAS FUNDAMENTAIS PARA A VIDA 1911 CASIMIR FUNK

Jimboê. História. Avaliação. Projeto. 5 o ano. 2 o bimestre

Sapo-cururu, Na beira do rio, Quando o sapo canta, Oh maninha, É que está com frio.

Após a Semana de Arte Moderna e a agitação que ela provocou nos meios artísticos, aos poucos foi surgindo um novo grupo de artistas plásticos, que se

Unidade I Tecnologia Corpo, movimento e linguagem na era da informação.

LUZ, Angela Ancora da. O século XX. In: OLIVEIRA, Myriam Andrade Ribeiro de. (org). História da Arte no Brasil: Textos de síntese.

Ensino Médio - Unidade Parque Atheneu Professor (a): Aluno (a): Série: 3ª Data: / / LISTA DE LITERATURA

O Brasil moderno - Semana de Arte Moderna

DOMINGO SEGUNDA TERÇA QUARTA QUINTA SEXTA SÁBADO

LISTA DE EXERCÍCIOS ARTE

Aulas Multimídias Santa Cecília. Professor André Araújo Disciplina: Literatura Série: 2º ano EM

CÉLIA EUVALDO Born in São Paulo, Brazil, 1955 currently lives and works in São Paulo Colagens e pinturas. Paço Imperial, Rio de Janeiro, Brazil

Introdução. Volume 2 Módulo 4 Língua Portuguesa e Literatura Unidade 7. Material do Professor. Língua Portuguesa e Literatura 75. Olá, professor(a)!

Variedades Linguísticas

Valter Cesar Pinheiro. René Thiollier. Obra e Vida do Grão-Senhor da Villa Fortunata e da Academia Paulista de Letras

WANDA PIMENTEL 1943, Rio de Janeiro, Brasil

POEMAS DO MODERNISMO BRASILEIRO

LITERATURA ROTEIRO DE RECUPERAÇÃO

Língua Portuguesa Literatura Brasileira O Brasil de 1922 a 1930

1ª GERAÇÃO MODERNISTA FASE HEROICA. Oswald de Andrade Manuel Bandeira Antônio de Alcântara Machado Mário de Andrade

ARTES 7 ANO PROF.ª ARLENE AZULAY PROF. LÚCIA REGINA ENSINO FUNDAMENTAL

Lista retirada da edição especial 100 Livros Essenciais da Revista Bravo! em Imagem da bandeira retirada do site Freepik.

Semana de Arte Moderna/ Primeira Fase do Modernismo

Professor(a): Luciana Daudt dos Santos Aluno (a): Série: 3ª Data: / / 2019.

Colégio Santa Dorotéia

Da década de 30 em diante, além da atividade docente, a artista estaria engajada nos movimentos de classe dos artistas plásticos, ajudando a fundar a

Carga Horária: 50 horas Período: 1º semestre de 2017

Transcrição:

Modernismo Brasileiro Semana de Arte Moderna 13, 15, 17 de fevereiro de 1922 Teatro Municipal de São Paulo Antecedentes da Semana A Exposição de Lasar Segall (1913) Revista O Pirralho (1911), dirigida por Oswald de Andrade e Emílio de Menezes Participação de Ronald de Carvalho, em 1915, na fundação da Revista Orpheu que deu início ao Modernismo em Portugal. Lasar Segall - Aldeia russa, 1912 1

A Exposição de Anita Malfatti (1917) Anita Malfatti A boba (1915-16). A estudante (1915-1916) O homem amarelo. 1915 A Pintura Modernista Tarsila do Amaral Abapuru (1928), Museu de Arte Latino-americana de Buenos Aires (MALBA). A negra (1923), Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro. Antropofagia (1929), Estação Pinacoteca, em SP. 2

Di Cavalcanti - Samba (1925). O quadro valia, em 2012, US$ 10 milhões e era de propriedade do marchand Jean Boghici, quando na noite de 13 de agosto de 2012, foi destruído por um incêndio no apartamento de Jean Tarsila do Amaral operários (1933) A Escultura e a Música Modernista Vítor Brecheret - Monumento às bandeiras (1936-1953). Heitor Villa Lobos (1887-1959) No Dimensões 50m comprimento, 16m de largura, 10m de altura, Brasil, sua data de nascimento (5 de 37 figuras, Parque do Ibirapuera, São Paulo março) é celebrada como Dia Nacional da Música Clássica. 3

Modernismo 1ª Fase (1922-1930) Destruidora e Heroica Da esquerda para direita e de cima para baixo: o jornalista italiano Francesco Pettinati, René Thiollier, Manuel Bandeira, Afonso Shimidt, Paulo Prado, Graça Aranha, Manoel Vilaboin, Goffredo da Silva Telles, Couto de Barros, Mário de Andrade, Cândido Mota Filho. Sentados: Rubens Borba de Morais, Luiz Aranha, Tácito de Almeida, Oswald de Andrade. Representantes Oswald de Andrade Pau Brasil (1924) Mário de Andrade Macunaíma (1928) Manuel Bandeira Libertinagem (1930) Alcântara Machado Brás, Bexiga e Barra Funda (1927) 4

Os sapos Enfunando os papos, Saem da penumbra, Aos pulos, os sapos. A luz os deslumbra. Em ronco que aterra, Berra o sapo-boi: - "Meu pai foi à guerra!" - "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!". O sapo-tanoeiro, Parnasiano aguado, Diz: - "Meu cancioneiro É bem martelado. Vede como primo Em comer os hiatos! Que arte! E nunca rimo Os termos cognatos. O meu verso é bom Frumento sem joio. Faço rimas com Consoantes de apoio. Clame a saparia Em críticas céticas: Não há mais poesia, Mas há artes poéticas..." Urra o sapo-boi: - "Meu pai foi rei!"- "Foi!" - "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!". Brada em um assomo O sapo-tanoeiro: - A grande arte é como Lavor de joalheiro. Ou bem de estatuário. Tudo quanto é belo, Tudo quanto é vário, Canta no martelo". Outros, sapos-pipas (Um mal em si cabe), Falam pelas tripas, - "Sei!" - "Não sabe!" - "Sabe!". Longe dessa grita, Lá onde mais densa A noite infinita Veste a sombra imensa; Lá, fugido ao mundo, Sem glória, sem fé, No perau profundo E solitário, é Que soluças tu, Transido de frio, Sapo-cururu Da beira do rio... (Manuel Bandeira) O Bicho Vi ontem um bicho Na imundície do pátio Catando comida entre os detritos. Quando achava alguma coisa, Não examinava nem cheirava: Engolia com voracidade. O bicho não era um cão, Não era um gato, Não era um rato. O bicho, meu Deus, era um homem. (Manuel Bandeira) Pronominais Ode ao Burguês Dê-me um cigarro Diz a gramática Do professor e do aluno E do mulato sabido Mas o bom negro e o bom branco Da Nação Brasileira Dizem todos os dias Deixa disso camarada Me dá um cigarro. (Oswald de Andrade) As meninas da Gare Eram três ou quatro moças bem moças e bem gentis Com cabelos mui pretos pelas espáduas E suas vergonhas tão altas e tão saradinhas Que de nós as muito bem olharmos Não tínhamos nenhuma vergonha Eu insulto o burguês! O burguês-níquel, o burguês-burguês! A digestão bem-feita de São Paulo! O homem-curva! o homem-nádegas! O homem que sendo francês, brasileiro, italiano, é sempre um cauteloso pouco-a-pouco! Morte à gordura! Morte às adiposidades cerebrais! Morte ao burguês-mensal! ao burguês-cinema! ao burguês-tílburi! Padaria Suissa! Morte viva ao Adriano! "- Ai, filha, que te darei pelos teus anos? - Um colar... - Conto e quinhentos!!! Mas nós morremos de fome!" (Mário de Andrade) (Oswald de Andrade) 5