ESCOLA MAGNUS DOMINI

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Transcrição:

ESCOLA MAGNUS DOMINI BIOÉTICA E MEDICINA DO FUTURO: A FERTILIZAÇÃO IN VITRO Giovanni Fontana Pecci Deo Lucas Honorato Bezerra Rafael Gonçalves Costa Samira Mohamad Awada MARINGÁ 2016

1. INTRODUÇÃO Entre os métodos existentes para a concepção de um filho de maneira não natural, está a fertilização in vitro (de agora em diante FIV). O procedimento causa grandes discussões populares ou entre instituições, uma vez que, além de diferirse do processo geral de gravidez, envolve a retirada dos óvulos da mulher, sendo fertilizados dentro do laboratório de FIV, com o sêmen do pai da criança. Diante dessa realidade, selecionamos este tema porque, atualmente, o aumento de número de casos que utilizam o método de reprodução assistida FIV vem chamando a atenção para os aspectos éticos envolvidos nessa escolha. Por esta razão, esta pesquisa se faz necessária devido aos inúmeros fatores que abrangem tal procedimento: emocionais, interpessoais, financeiros, éticos, entre outros. Assim, nosso objetivo é discutir a respeito da escolha ética, a partir de relatos de pessoas que optaram por esse método. 2. A HISTÓRIA DA FIV NO BRASIL A FIV foi introduzida, no Brasil, em 1984 pela parceria de Alan Trounson, do Instituto Monash de Reprodução e Desenvolvimento, na Austrália e do Dr. Milton Nakamura. Anna Paula Caldeira foi o fruto desta parceria e marcou a história da medicina reprodutiva no Brasil, que hoje está entre as melhores do mundo. Dois anos depois foi criado no Brasil o primeiro centro privado de pesquisas em reprodução assistida em São Paulo, a clínica Dr. Roger Abdelmassih. Em 2005, a clínica chega à marca de cinco mil bebês nascidos pela FIV e ajuda a medicina reprodutiva brasileira a ser comparada com os melhores centros de reprodução assistida no mundo. Em um levantamento do G1, usando dados da Anvisa, notou-se que entre 2011 e 2014 o número de FIV feitas no Brasil mais que dobrou e a quantidade de embriões congelados cresceu em 700%. Segundo a reportagem, especialistas afirmaram que estes aumentos ocorreram devido à implantação das novas regras

do Conselho Federal de Medicina (CFM), maior distribuição das clínicas e centros embrionários pelo país e a queda do preço do tratamento. 2.1 O procedimento A FIV é um procedimento em que o óvulo é fecundado fora do corpo da mulher e, caso forme um embrião, é recolocado nela. Tal procedimento é indicado para portadores de doenças tubárias, endometriose ou infertilidade sem causa aparente. Segundo o ginecologista e obstetra Geraldo Carreira, primeiro se examina a paciente para descobrir a causa e definir se a FIV é indicada para o caso dela. O procedimento começa no ciclo menstrual, quando a paciente vai até a clínica e faz uma ultrassonografia, para então ser submetida a medicações, por 8 ou 9 dias a paciente recebe injeções subcutâneas para estimular os ovários e são feitas ultrassonografias a cada 3 ou 4 dias para saber o tamanho dos folículos, pois, assim que chegarem a 18 milímetros estarão maduros e a hora de retirar os óvulos estará próxima. Nesse momento é injetada uma medicação na paciente que termina a maduração do óvulo. A coleta acontece 36 horas após a injeção, através de uma punção na paciente e, então, os óvulos coletados vão para a fertilização no laboratório. O pai vai para clínica para fazer a coleta de espermatozoides. Em caso de ele ter passado por uma vasectomia, os espermatozoides são coletados a partir de uma punção no testículo. No método mais comum da FIV, após a coleta, o biólogo coloca o óvulo e os espermatozoides selecionados em um mesmo espaço e espera até que se encontrem, se realizada a FIV por injeção intraplasmática de espermatozoide, ele é colocado diretamente no óvulo. Assim, cinco dias depois da coleta de óvulos, os embriões são colocados no útero da mulher a partir de um cateter colocado no colo da paciente. Cerca de 12 dias depois a mulher volta à clínica e faz um exame de sangue para confirmar a gravidez, se positivo, após uma semana ela faz uma ultrassonografia para uma segunda confirmação e, se realmente deu certo, começa a fazer o acompanhamento normal para a gravidez. Para mulheres de 35 anos só

é permitida a introdução (máxima) de 2 embriões, para mulheres entre 36 e 39 anos é permitida a introdução de até 4 embriões. 3. A BIOÉTICA Em todos os debates científicos devem ser considerados não só os aspectos práticos, mas também os éticos. A crítica a essas novas tecnologias biomédicas a partir do ponto de vista da Bioética questionará os limites da autonomia no que diz respeito à reprodução assistida, defendendo os direitos humanos e garantindo que limites éticos sejam respeitados. Oliveira (2007) afirma que: Em nosso país [Brasil], onde impera a desinformação, a pobreza cresce no terreno fertilizado pela ausência de políticas públicas corajosas [...] a única ética existente e praticada é a da medicina. A ética médica muda conforme o desenvolvimento da sociedade, da tecnologia e do conhecimento médico, mas sempre busca proteger os direitos dos pacientes e sua liberdade, tentando conciliar avanços e tendo respeito aos limites éticos e ao corpo humano. Nos últimos tempos, muitos avanços foram feitos no campo da reprodução assistida, mais especificamente na FIV, e podemos observar os resultados positivos que esse desenvolvimento trouxe ao homem. Para fazermos ainda mais avanços nesses campos é imperativo que incluamos nos debates a ética envolvida nesses assuntos. 4. ENTREVISTA COM CASAL QUE ADOTOU O MÉTODO FIV No que diz respeito aos métodos criados com o avanço da medicina, há maior veracidade em questionar e conhecer as experiências vividas por adeptos da fertilização in vitro. Sendo assim, a seguir apresentamos a entrevista que realizamos com um casal que passou pelo método três vezes, obtendo sucesso apenas na terceira tentativa.

Iniciamos perguntando como foi a escolha do método. Os entrevistados responderam, primeiramente, que foram apresentadas a eles outras escolhas de métodos, como controle de ovulação, entre outros, e mediante a exames realizados com a esposa, foram necessários processos cirúrgicos, o que levou um ano ao total (incluindo pós-operatório), impossibilitando a paciente de engravidar nesse tempo. Após a escolha do método, optaram assim pelo controle de ovulação, que a base de remédios durou seis meses. Ao final dessas primeiras tentativas de tratamento somaram-se três anos. Foi então que o médico jogou a toalha, disse o entrevistado. Após isso, foilhes apresentado o método da fertilização in vitro, por meio do médico que cuidava do caso, já que na situação do casal não era possível a escolha da inseminação artificial com eficiência. Cabe aqui citar que o casal passou pela consulta. Como a maioria dos brasileiros, antes da explicação do médico, como disseram, o entrevistado apenas tinha ouvido falar sobre o método e a entrevistada sabia os mínimos detalhes no que dizia respeito à F.I.V. No total foram seis médicos até que escolhessem aquele que realizaria a fertilização. A pesquisa por conta própria foi crucial para complementação do entendimento de como tal fertilização funcionava. Devido à intimidade do processo, apenas pessoas muito próximas tiveram conhecimento da realização do processo por parte do casal; não era toda a família que acompanhava o caso. Não houve subjeção da família e dos amigos. Todo processo do tratamento, incluindo a coleta do sêmen e a produção de uma grande ovulação, levou um grande tempo, logo, a espera do casal foi proporcionalmente grande e, como disse a paciente, a primeira tentativa é tranquila devido a ansiedade e acreditamos, realmente, que o processo logo dará certo, então qualquer procedimento pedido pelo médico é bem-vindo. Uma vez que a primeira deu negativo, demos início à segunda tentativa, onde a positividade encontra-se menor e todos os efeitos colaterais que não houve na primeira, aconteceram na segunda. O casal conta que a escolha do método apenas foi possível devido a uma certa posse financeira que apresentavam, uma vez que o orçamento durante todo

o processo não é algo barato, além disso, tiveram que abrir mão de coisas materiais e pessoais. De uma maneira que não esperavam, ao se envolverem no processo de uma fertilização in vitro, os pacientes reivindicaram a coisas rotineiras do passado para se dedicarem à tentativa de engravidar, principalmente a mulher, que se encontra em várias situações de exames e procedimentos, como a ovulação e os remédios diários. Outro aspecto importante destacado pelo casal foi a escolha do profissional que executaria o processo, convictos, o casal optou pela ética relacionada aos embriões: não escolheriam um médico que ao término de uma superprodução de óvulos (fecundados) os destacaria e, por escolha e opção própria, não aceitariam aquele que fizesse a doação de tais embriões, e assim fizeram. Todo o processo da FIV não contou com descarte de embriões. O início da gestação se deu na terceira fertilização que fizeram e, devido a problemas médicos não relacionados ao método, tiveram algumas complicações na gravidez, porém, o filho foi concebido com saúde. Após alguns anos, já pensando em um próximo uso do método, a entrevistada engravidou de seu segundo filho naturalmente. O casal afirmou que, mesmo que muitos ainda não saibam do método utilizado para ter seu primeiro filho, não teriam problemas ao contar se perguntado. E se, um dia, o filho os questionasse, contariam a ele sobre o processo. Quando questionados sobre uma outra utilização da fertilização in vitro, caso fosse necessário, a entrevistada nos revelou que mesmo passando por anos de tentativa e três processos, que causam certa exaustão ao seu corpo, a usaria novamente para conceber seu filho. 5. CONCLUSÃO Tomando como base todo o trabalho que desenvolvemos ao longo do ano, que inclui entrevista e revisão bibliográfica, pudemos concluir e compreender muito a respeito da bioética envolvida na fertilização in vitro.

A FIV está crescendo em ritmo acelerado, crescimento de mais de cem por cento entre 2011 e 2014, e muitas técnicas foram implementadas ao método, contribuindo para o aperfeiçoamento do procedimento. Tal crescimento é a principal razão pela qual os debates éticos a respeito da FIV são cada vez mais constantes. Nesses debates são discutidos os aspectos bioéticos e os limites que devem ser impostos aos médicos e pacientes que adotarem o método. Esses aspectos incluem possíveis danos físicos e psíquicos ao paciente, os motivos que envolvem a escolha da FIV, os motivos que envolvem a recusa ao tratamento, as diferentes perspectivas a respeito dele e muitos outros. Em nosso trabalho, constatamos também que, atualmente, a preocupação quanto ao descarte de embriões e o receio por ultrapassar limites éticos ao descartá-los são grandes, assim como a preocupação com a veracidade do procedimento. REFERÊNCIAS AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA - ANVISA. Fertilização In Vittro. Brasil, 2016. BUSSAB, Augusto; PANZAN, Michele. Fertilização In Vitro: o famoso bebê de proveta. São Paulo, 2016. CORREIA, Camila dos Santos Barros; ROZA, Rafaela Carlos; SOUZA, Jamille Fernanda. Direito e Fertilização In Vitro, 2014. CROSS CONTENT. Processo da fertilização In Vitro. Disponível em: <vidaeestilo.terra.com.br> Disponível em: <https://www.minhavida.com.br/amp/familia/tudo-sobre/16499- fertilizacao-in-vitro-o-famoso-bebe-de-proveta > FOUCAULT, 1955. Reprodução humana. REVISTA VEJA. Primeiro bebê de proveta do Brasil; 2016. Disponível em: <https://veja.abril.com.br/saude/ser-o-1o-bebe-de-proveta-do-brasil-sempre-foium-motivo-de-orgulho/amp/> Também disponível em: <http://vidaconcebida.com.br/bioetica-em-reproducao-humana.html>