Técnicas de Gravação e Mixagem de Audio. Apostila 5. Audio Digital. 1. PCM Pulse Code Modulation

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Transcrição:

Técnicas de Gravação e Mixagem de Audio Apostila 5 Audio Digital AC 1. PCM Pulse Code Modulation PCM é uma sigla para Pulse-Code Modulation, que é uma representação digital de um sinal analógico onde a magnitude do sinal é sampleado em intervalos regulares, e então quantizado e armazenado como uma informação binária em um ambiente digital. PCM se tornou o standard em audio para o sistema telefônico e para a maioria das utilizações de audio digital. Apesar do nome conter a palavra pulse, não há nada medido em pulsos quando se trabalha com samplers, a não ser o fato dos números binários de um código PCM ser representados como pulsos elétricos. Portanto, PCM é simplesmente um termo técnico para ser descrever samples. Representação de um sample de uma sine wave 1

2. Samplers Introdução à Teoria de Amostragem em Áudio Sampling A expressão inglesa sampling significa amostragem. Ou seja, é a técnica que se emprega quando desejamos capturar uma parte de um som qualquer. Isto só se tornou popular com a introdução da tecnologia digital na engenharia de som. Mas bem antes disso já era empregada em instrumentos analógicos ou eletro-mecânicos como o Mellotron 400D por exemplo. Não sendo parte do escopo principalm deste curso, analisaremos a teoria de digitalização em áudio superficialmente. Inicialmente, consideremos uma forma de onda qualquer, como a do Sax Alto da figura abaixo. O conversor A/D é um dispositivo que traduz em uma palavra digital um determinado sinal analógico. No exemplo acima, nosso sinal está representado em mv (mili-volts) e podemos afirmar que neste trecho em questão sua variação dinâmica é de +/- 100 mv. 2

Antes de ser submetido a um conversor A/D este sinal deve passar por um estágio conhecido como conversor ou detetor de Ordem Zero que fotografa a onda em pequenos intervalos fixos de tempo conhecidos como período de amostragem. A partir daí a tensão para cada intervalo de tempo é convertida num número binário pelo conversor A/D que vai ser a representação digital da tensão da onda naquele momento. A freqüência de amostragem do Detector de Ordem Zero (sample rate SR) será responsável pela precisão na escala de tempo, por exemplo, quanto mais alta a freqüência de amostragem, mais alta poderá ser a freqüência da nossa onda na entrada visto que a variação de um sinal para um mesmo espaço de tempo é maior nas freqüências altas. O teorema de Nyquist estabelece que para uma determinada onda periódica é necessário uma freqüência de amostragem no mínimo duas vezes maior para que se haja uma correta conversão digital, livre de erros mais conhecidos como distorção Alias ocasionados pela baixa freqüência de amostragem (Undersampling). Isto não é difícil de se intuir considerando-se que para a senóide mais alta do espectro alvo precisamos de no mínimo duas medidas: uma para cada semi-ciclo. O padrão CD comercial utiliza SR (sample Rate) de 44.1 KHz, ou seja, podemos converter na teoria até 22,05 KHz no espectro alvo, o que é um padrão bem acima do melhor ouvido humano, segundo se afirma. 3

Nosso sax alto após o Conv. de Ordem Zero ficaria mais ou menos assim: Esse conversor também é conhecido como Sample-and-Hold (S&H). Caso fosse possível uma tradução seria Amostrar-e-Segurar e o processo é simples: uma medição do nível da onda a cada espaço do período de amostragem resultando nesta aparência de escada. Isto é conhecido como quantização. Com os níveis de tensão bem definidos para cada intervalo de tempo o conversor A/D transmite a cada momento de leitura uma palavra digital correspondente a tensão do sinal naquele instante. O número de bits desta palavra digital é responsável pela precisão da conversão em termos de amplitude ou variação dinâmica. Em termos práticos, ele determina qual a menor variação entre níveis adjacentes do sinal quantizado. Uma regra aproximada é a de se considerar um valor de 6 db para cada bit. O padrão CD de áudio é de 16 bits, ou seja, 96 db divididos em 65.536 degraus de variação dinâmica o que é um valor bem abaixo da percepção auditiva humana. A tendência na industria profissional de áudio é estabelecer o padrão de 24 bits (144 db 16.777.216 steps) e 96 KHz (aprox. 10 micro segundos de amostragem). Este exagero no SR é o que chamamos de Oversampling, que determina uma fiel reprodução da forma de onda original e elimina a necessidade de implementação de software adicional de correção nos estágios digitais, o que encarece o custo do projeto. 4

O processo inverso é conhecido como conversão D/A Digital/analógico. A onda original é obtida a partir da onda quantizada por filtros passa-baixas num processo resumido abaixo (exemplo de 16 bits): Agora, considere a seguinte hipótese: conhecendo a forma de onda original, se no processo de conversão D-A por intermédio de software alterarmos os dados de modo que se antecipe ou se atrase a seqüência de bytes (ou por truncagem ou interpolação), a freqüência da onda analógica resultante pode ser maior ou menor que a original, porém, mantendo a mesma forma e relação de harmônicos. Este é o princípio da síntese por amostragem ou Sampling. O instrumento processador deste tipo de síntese é o Sampler, que é um instrumento que, a partir de um modelo de ondas, tentará reproduzir a partir de um controlador (na maioria dos casos, um teclado) a sonoridade sampleada originalmente. Samplers são instrumentos que reproduzem um som gravado de forma a se comportar como um instrumento musical real. Gravadores digitais de audio utlizam o mesmo processo, mas apenas tocam os samples. Na figura mostrada, tirada de de um programa de gravação para computador, cada parte colorida é um sample que é tocado exatamente como foi gravado. O programa de gravação simplesmente monta os samples de audio na ordem e na localização que queremos. 5

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Os programas de gravação tem inúmeras interfaces, como a que mostra os tracks, que vimos na figura anterior. Podemos também abrir uma janela onde só temos acesso aos faders, abrindo como um mixer. Esse tipo de plataforma vem substituindo completamente os gravadores analógicos e com o aperfeiçoamento de plataformas e processadores de audio, os antigos gravadores magnéticos tendem a desaparecer completamente. Para gravação de diálogos em cena de som direto tanto no cinema como em propaganda, etc, também se utiliza tecnologia digital atualmente, porém, em hardware próprio, gravadores multitracks de gravação digital, como o Sound Device 744. 7

Sound Device 744 8