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ACIDENTES COM ANIMAIS PEÇONHENTOS

ACIDENTES COM ANIMAIS PEÇONHENTOS

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PAMPA CAMPUS SÃO GABRIEL

É sempre melhor previnir. Mas ao ser picado por animais peçonhentos (venenosos), aja com cautela e sem desespero. É importante não perder tempo.

ACIDENTES COM ANIMAIS PEÇONHENTOS

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Transcrição:

ANIMAIS PEÇONHENTOS DEFINIÇÃO Prof. Fabio Azevedo São acidentes provocados por picadas ou mordeduras de animais que possuem glândulas secretoras e aparelhos inoculadores de veneno, como dentes ocos e ferrões. Na natureza, existem outros animais que produzem veneno; porém, são incapazes de injetá lo de maneira ativa porque não possuem aparelho inoculador. 1

As serpentes venenosas no Brasil pertencem a dois grupos: Crotalíneos e Elapíneos. Os Crotalíneos são representados pelos gêneros Bothrops (jararacas), Crotalus (cascavéis) e Lachesis (surucucus). Os Elapíneos são representados pelo gênero Micrurus (corais verdadeiras). Grupo Gênero Sinais e sintomas Crotalídeo Bothrops: Dor imediata jararacas Edema Calor, rubor, equimose e sangramento no local da picada Podem aparecer bolhas, acompanhados ou não de necrose Hemorragia no local da picada ou distante dele (nariz, gengivas, ferimentos preexistentes) Casos mais graves podem apresentar hipotensão arterial, insuficiência renal aguda, abscesso e gangrena Lachesis: Reações semelhantes às descritas no acidente botrópico, surucucus predominando a dor e o edema Crotalus: Não há alterações importantes no local da picada cascavéis Dificuldade em abrir os olhos (queda de pálpebra) "Cara de bêbado" Visão turva e/ou visão "dupla" Dores musculares Urina avermelhada e seu escurecimento após 6 a 12 horas Insuficiência renal aguda Elapíneo Micrurus: Não há alterações importantes no local da picada corais Dificuldade em abrir os olhos (queda das pálpebras) verdadeiras "Cara de bêbado" Falta de ar Dificuldade em engolir Insuficiência respiratória aguda 2

A vítima deve ser removida o mais rápido possível para o serviço de saúde mais próximo, pois o único tratamento eficaz no caso é a aplicação de soro antiofídico específico para o gênero de serpente que provocou o acidente. Enquanto se providencia a remoção da vítima, o socorrista pode prestar os seguintes cuidados: Medidas de Primeiros Socorros conversar com a vítima procurando acalmá la; colocá la em repouso, na posição deitada, pois a locomoção pode acelerar a absorção do veneno e o agravamento dos ferimentos. Se a picada for na perna ou no braço, colocar a parte afetada em posição mais elevada em relação ao resto do corpo; localizar as lesões da mordedura e lavar com água e sabão, fazendo uma limpeza ampla de toda a área. Em seguida, cobrir com um pano limpo; remover objetos como anéis, bracelete e relógio, que possam garrotear caso ocorra edema do membro afetado; e levar, se possível, o animal que causou o acidente pois a sua identificação possibilita que a vítima recebaosoroespecífico. 3

Atenção: Não faça torniquete, pois ao impedir a circulação do sangue no membro afetado pode causar gangrena ou necrose. Não faça perfurações ou cortes no local da ferida, pois alguns venenos ofídicos provocam hemorragias. Não faça sucções da ferida, pois não se consegue retirar o veneno inoculado. Não aplique folhas de plantas, pó de café ou terra sobre a ferida para não provocar infecção. São os acidentes causados por aranhas e escorpiões. Os acidentes escorpiônicos de importância médica no Brasil são causados principalmente pelas espécies T serrulatus (amarelo), T bahiensis (preto) e T stigmurus, pertencentes ao gênero Tityus. As picadas atingem predominantemente os membros superiores. Os acidentes com aranhas que se destacam sob ponto de vista médico pertencem aos gêneros Phoneutria, Loxosceles e Latrodectus. As picadas pelas aranhas do gênero Lycosa (aranha de grama) apesar de frequentes não têm importância médica significativa, pois não representam ameaça à saúde da vítima. Da mesma forma, os acidentes provocados pela caranguejeira, também são destituídos de importância médica. 4

Sinais e sintomas de picadas de aranhas e escorpiões Os sinais e sintomas de acidentes provocados por picadas de aranhas e escorpiões variam de acordo com a espécie. Gênero: phoneutria (armadeira) Hábitos/Esconderijo: Bananeiras, troncos de árvores caídas, próximo e dentro do domicílio. Não fazem teia e assumem posição de defesa quando se sentem ameaçadas. Sinais e sintomas: Dor intensa após a picada, edema, eritema, parestesia e sudorese no local da picada; Acidente grave só ocorre em crianças, podendo apresentar: sudorese, náuseas e vômitos, hipertensão ou hipotensão arterial, aumento ou diminuição dos batimentos cardíacos, diarreia. Sinais e sintomas de picadas de aranhas e escorpiões Gênero: Loxosceles (aranha marrom) Hábitos/Esconderijo: Pilha de tijolos/telhas, fendas de muros, entulhos, cavernas, cascas de árvores, próximo e dentro de domicílio. Pica quando é comprimida contra a pele. Sinais e sintomas: Leve dor no momento da picada; após algumas horas eritema e mescladas com áreas pálidas (placa marmórea), evoluindo com edema, equimose e necrose. Nos primeiros dias depois da picada, podem aparecer vermelhidão pelo corpo, febre, malestar, náuseas e vômitos. Anemia e urina escura são sinais mais raros. 5

Sinais e sintomas de picadas de aranhas e escorpiões Gênero: Lycosa (aranha de jardim, aranha de grama, tarântula) Hábitos/Esconderijo: Gramado, plantas. Não fazem teia. Reação de fuga. Sinais e sintomas: Dor local pouco intensa havendo a possibilidade de evoluir para necrose superficial e no local da picada. Sinais e sintomas de picadas de aranhas e escorpiões Gênero: Latrodectus (viúva negra, Flamenguinha) Hábitos/Esconderijo: Constroem teias tridimensionais em áreas de plantações, beiras de barrancos, em arbustos, e nas moradias. Sinais e sintomas: Dor local, sudorese local ou generalizada, edema discreto no local, eritema, parestesia em membros, tremores e contraturas. Em casos mais graves, podem ocorrer taquicardia ou bradicardia, dispneia, dificuldade de deambulação, cefaleia, tontura, náuseas e vômitos, hipertermia. 6

Medidas de primeiros socorros lavar o local da picada com água e sabão; aplicar compressas mornas para o alívio da dor; não colocar pomadas, pó de café, folhas ou qualquer outra substância sobre o ferimento; não dar bebida alcoólica para a vítima tomar; capturar se possível a aranha ou o escorpião que provocou o acidente e levá lo junto coma vítima para facilitar o diagnóstico e o tratamento; procurar o serviço de saúde o mais rápido possível, pois, dependendo do acidente, o tratamento é feito com soro específico; e não fazer torniquete, incisão ou sucção no local da picada. ANIMAIS PEÇONHENTOS Prof. Fabio Azevedo 7