Roteiro para apresentação do Pequeno Príncipe Grupo de Jovens Rosacruzes Núcleo de Vitória Personagens (em ordem de aparição): Narrador Aviador Pequeno Príncipe Rosa Rei Vaidoso Bêbado Empresário Acendedor de Lampiões Geógrafo Serpente Raposa Capítulos I Apresentação/Pouso de emergência no deserto do Saara II Desenho do carneiro III História sobre o planeta de onde veio o Pequeno Príncipe IV Baobás V A Rosa VI Partida do Pequeno Príncipe VII Planeta do Rei VIII Planeta do Vaidoso IX Planeta do Bêbado X Planeta do Empresário XI Planeta do Acendedor de Lampiões XII Planeta do Geógrafo XIII Encontro com a Serpente XIV Jardim de rosas XV Raposa XVI Sede/Busca pela fonte XVII O poço XVIII Partida do Pequeno Príncipe
I Apresentação/Pouso de emergência no deserto do Saara Cena: Aviador entra, com cara de e agora? Narrador: Um dia, seis anos atrás, um aviador ficou perdido no deserto do Saara. Alguma coisa quebrou no motor de seu avião, e como ele estava viajando sozinho, tinha que consertar por conta própria. Mas ele só tinha água para sobreviver por oito dias! No primeiro dia, ele adormeceu na areia, e foi acordado por uma pessoinha especial. II Desenho do carneiro Cena: Aviador dormindo, Pequeno Príncipe chega e o acorda PP: Por favor, me desenha um carneiro? Aviador: (acordando assustado) O quê? PP: Um carneiro. Pode me desenhar um carneiro? Aviador: Mas o que você está fazendo aqui, no meio do deserto? PP: Por favor, me desenha um carneiro. Aviador: Está bem. (finge que desenha e mostra o primeiro carneiro) PP: Não, esse está muito doente! Desenha outro! Aviador: (finge que desenha e mostra o segundo carneiro) PP: Mas isso não é um carneiro, é um bode! Olha os chifres! Aviador: (finge que desenha e mostra o terceiro carneiro) PP: Ah não, esse está muito velho. Quero um carneiro que viva muito tempo! Aviador: (finge que desenha e mostra o desenho da caixa) Esta é a caixa. O carneiro está dentro. PP: (alegre) Ahh! Era assim mesmo que eu queria! Obrigado! Será que come muito capim esse carneiro? É muito pequeno de onde eu venho... (os dois adormecem) III História sobre o planeta de onde veio o Pequeno Príncipe Narrador: E foi assim que o aviador conheceu o Pequeno Príncipe! Ele estava ali no deserto, mas na verdade veio de outro planeta, um planetinha muito pequeno, um pouco maior do que uma casa! O planetinha de onde o Pequeno Príncipe veio é o asteroide B612. Estou falando o número pra vocês por causa das pessoas grandes. Elas adoram os números! Quando a gente fala de um novo amigo, elas nunca querem saber do essencial. Não perguntam: "Qual é o som da sua voz? Quais os brinquedos que prefere? Será que ele coleciona borboletas? "Mas perguntam: "Qual é sua idade? Quantos irmãos tem ele? Quanto pesa? Quanto ganha seu pai?", e então elas acham que o conhecem.
IV Baobás PP: É verdade que os carneiros comem arbustos? Aviador: Sim. PP: Ah, que bom! Então eles comem também os baobás, né? Aviador: Mas os baobás não são arbustos, eles são árvores enormes! PP: Mas antes de crescer, os baobás são pequenos. Aviador: É verdade. Mas por que você quer que o carneirinho coma os baobás pequenos? (os dois continuam fingindo que conversam, enquanto o aviador faz um desenho) Narrador: No planeta do principezinho existiam ervas boas e ervas más, assim como em todos os planetas. Ervas boas de sementes boas, e ervas más de sementes más. Só que as sementes são invisíveis! Elas ficam dormindo escondidas na terra, até que uma resolva despertar. Se é uma roseira ou um rabanete, podemos deixar que cresça à vontade, mas se for uma planta ruim, temos que arrancá la logo! E o planeta do Pequeno Príncipe tinha uma semente terrível: a semente de baobá! Se a gente não arranca o baobá quando é novinho, ele cresce demais e fica cada vez mais difícil! E se o planeta for muito pequeno e tiver muitos baobás, ele acaba rachando! No planetinha do príncipe, é preciso arrancar regularmente os baobás logo que se diferenciem das roseiras, com as quais muito se parecem quando pequenos. É um trabalho meio chato, mas fácil de fazer. Aviador: (mostra o desenho do planeta com baobás) PP: É isso que pode acontecer se eu não arrancar as ervas más! Mas no meu planeta também tem flores! Tem uma que eu amo, e é única em todo o universo! Espero que o carneiro não coma a flor... V A Rosa Narrador: Vamos conhecer melhor o planeta do Pequeno Príncipe e esta flor que ele ama? Uma manhã, ele viu um broto que não conhecia, e ficou vigiando, porque poderia ser uma nova espécie de baobá. Mas o arbusto logo parou de crescer, e dele saiu um enorme botão! Depois de vários dias, a flor finalmente se abriu. Rosa: Uaaah! Acabei de despertar! Desculpa ainda estou toda descabelada! PP: Como você é bonita! Rosa: Não é? E nasci junto com o sol. Você poderia cuidar de mim? (PP vai buscar um regador) Rosa: Tenho horror às correntes de ar. Você não tem, por acaso, um para vento? PP: Para vento? Rosa: Sim. E à noite, me coloque sob uma redoma. Faz muito frio neste seu planeta.
VI Partida do Pequeno Príncipe Narrador: Um dia, o Pequeno Príncipe resolveu partir de seu planeta. Ele arrancou os últimos brotos de baobá, e deu adeus à sua querida rosa. Não sabia se iria voltar. De lá, ele foi visitar outros planetas. VII Planeta do Rei Narrador: Ele chegou num planetinha habitado por um Rei. Rei: Ah! Um súdito! Chegue mais perto para que eu possa te ver melhor! PP: (se aproxima e boceja) Rei: É falta de educação bocejar na presença do rei! Eu te proíbo! PP: Não consegui evitar. Fiz uma longa viagem e não dormi ainda... Rei: Então, eu te ordeno que bocejes. Faz anos que não vejo ninguém bocejar! Os bocejos são uma raridade para mim. Vamos, boceja! É uma ordem! PP: Assim eu não consigo fico com vergonha! Rei: Hum! Então... então eu te ordeno ora bocejares e ora não... PP: Posso me sentar? Rei: Eu te ordeno que te sentes! PP: Majestade... perdão por te interrogar, mas... Rei: Eu te ordeno que me interrogues! PP: Sobre quem vossa majestade reina? Rei: Sobre tudo, claro! PP: E as estrelas obedecem? Rei: Sem dúvida, eu não tolero indisciplina. PP : Eu queria ver um por do sol... pode me fazer esse favor? Ordena ao sol que se ponha Rei: Você terá seu por do sol, eu o exigirei. Mas vou esperar que as condições sejam favoráveis. Isso será por volta de por volta de seis horas, esta noite! E você verá como sou bem obedecido. PP: (aborrecido) Acho que não tenho mais o que fazer por aqui. Vou continuar minha viagem. Rei: Não, não parta! Posso te fazer ministro! Ministro da Justiça, que tal? PP: Não, obrigado. Adeus. VIII Planeta do Vaidoso Narrador: Seguindo viagem, o Pequeno Príncipe encontrou um planeta habitado por um vaidoso. Vaidoso: Ah! Um admirador vem me visitar! PP: Bom dia. Você tem um chapéu engraçado. Vaidoso: É para agradecer! Para agradecer quando me aclamam. Infelizmente não passa muita gente por aqui
PP: Como assim? Vaidoso: Bate as mãos uma na outra. (PP bate as mãos, e o vaidoso agradece erguendo o chapéu. Repete várias vezes) PP: E para o chapéu cair, o que é preciso fazer? Vaidoso: (ignorando a pergunta) Não é verdade que você me admira muito? PP: Que quer dizer admirar? Vaidoso: Admirar significa reconhecer que eu sou o homem mais belo, mais rico, mais inteligente e mais bem vestido de todo o planeta. PP: Mas só tem você no seu planeta! Vaidoso: Não importa. Me admire mesmo assim! PP: (dando de ombros e indo embora) Eu te admiro. Mas como isso pode te interessar? IX Planeta do Bêbado Narrador: O planeta seguinte era habitado por um bêbado. PP: O que faz aí? Bêbado: Eu bebo. PP: Por que bebe? Bêbado: Para esquecer. PP: Esquecer o quê? Bêbado: Esquecer que eu tenho vergonha. PP: Vergonha de quê? Bêbado: Vergonha de beber! (PP vai embora, desconcertado) X Planeta do Empresário Narrador: Depois disso, o Pequeno Príncipe chegou no planeta do homem de negócios. Ele estava tão ocupado que nem levantou a cabeça para ver quem tinha chegado. PP: Bom dia. Empresário: (fazendo contas em um caderno) Três e dois são cinco. Cinco e sete, doze. Doze e três, quinze. Bom dia. Quinze e sete, vinte e dois. Vinte e dois e seis, vinte e oito. Vinte e seis e cinco, trinta e um. Uf! São pois quinhentos e um milhões, seiscentos e vinte e dois mil, setecentos e trinta e um. PP: Quinhentos milhões de quê? Empresário: Hem? Ainda está aqui? Quinhentos e um milhões de... eu não sei mais... Tenho tanto trabalho. Sou um sujeito sério, não me preocupo com ninharias! Dois e cinco, sete... PP: Quinhentos milhões de quê? Empresário: Faz cinquenta e quatro anos que moro neste planeta e só fui incomodado três vezes. A primeira vez foi há vinte e dois anos, por um besouro caído não sei de onde. Fazia
um barulho terrível, e cometi quatro erros na soma. A segunda foi há onze anos, por uma crise de reumatismo. Falta de exercício. Não tenho tempo para passeio. Sou um sujeito sério. A terceira... é esta! Eu dizia, portanto, quinhentos e um milhões... PP: Milhões de quê? Empresário: Milhões dessas coisinhas que se vêem às vezes no céu. PP: Moscas? Empresário: Não, não. Essas coisinhas que brilham. PP: Abelhas? Empresário: Também não. Essas coisinhas douradas. Mas eu sou um sujeito sério. Não tenho tempo para divagações. PP: Ah, estrelas? Empresário: Isso mesmo. Estrelas. PP: E o que você faz com quinhentos milhões de estrelas? Empresário: Quinhentos e um milhões, seiscentos e vinte e duas mil, setecentos e trinta e uma. Eu sou um sujeito sério. Gosto de exatidão. PP: O que faz dessas estrelas? Empresário: O que eu faço? Nada. Eu as possuo. PP: E pra que serve possuir as estrelas? Empresário: Serve para ser rico. PP: E pra que serve ser rico? Empresário: Para comprar outras estrelas, se alguém achar. XI Planeta do Acendedor de Lampiões Narrador: O quinto planeta que o príncipe visitou era muito curioso. Era o menor de todos. Mal cabia um lampião e um acendedor de lampiões. O principezinho não conseguia entender para que servia um lampião naquele planeta sem casas e sem gente, por isso foi conversar com o acendedor de lampiões. (acendedor apaga o lampião) PP: Bom dia. Por que acaba de apagar seu lampião? Acendedor: Eu executo uma tarefa terrível. É o regulamento. Bom dia. PP: Que é o regulamento? Acendedor: É apagar meu lampião. Boa noite. (acende) PP: Mas por que acaba de acender de novo? Acendedor: É o regulamento. Bom dia. (apaga). Eu executo uma tarefa terrível. Antigamente era razoável. Apagava de manhã e acendia à noite. Tinha o resto do dia para descansar e o resto da noite para dormir... (acendedor continua acendendo e apagando o lampião) PP: E depois disso, mudou o regulamento? Acendedor: O regulamento não mudou. Aí é que está o problema! O planeta gira cada vez mais depresa, e o regulamento não muda! PP: E então?
Acendedor: Agora, que ele dá uma volta por minuto, não tenho mais um segundo de repouso. Acendo e apago uma vez por minuto! PP: Eu sei de um modo para que descanse quando quiser. Seu planeta é tão pequeno, que pode dar a volta com três passos. Então basta andar bem devagar pra ficar sempre ao sol. Acendedor: Isso não adianta muito, o que eu mais gosto na vida é de dormir. PP: Então não há remédio Acendedor: Não há remédio. Bom dia. XII Planeta do Geógrafo Narrador: O sexto planeta era dez vezes maior. Era habitado por um velho que escrevia livros enormes. Geógrafo: Bravo! Um explorador! De onde vem? PP: Que livro é esse? O que o senhor faz aqui? Geógrafo: Sou geógrafo. PP: O que é um geógrafo? Geógrafo: É um sábio que sabe onde se encontram os mares, os rios, as cidades, as montanhas, os desertos. PP: É bem interessante... O seu planeta é muito bonito. Tem oceanos nele? Geógrafo: Como posso saber? PP: (decepcionado) E montanhas? Geógrafo: Como posso saber? PP: E cidades, e rios, e desertos? Geógrafo: Como posso saber? PP: Mas o senhor é geógrafo!! Geógrafo: É claro, mas não sou explorador. Estou com uma falta absurda de exploradores. Não é o geógrafo que vai contar as cidades, os rios, as montanhas, os mares, os oceanos, os desertos. O geógrafo é muito importante para ficar passeando. Não deixa a escrivaninha por um instante. Mas recebe os exploradores, interroga os, anota as suas lembranças. Se a descoberta parece boa, faz uma investigação. PP: Aí você vai ver? Geógrafo: Não. Seria muito complicado. Mas se exige que explorador forneça provas. Tratando se, por exemplo, de uma grande montanha, ele trará grandes pedras. Mas você vem de longe. É um explorador! Vai me descrever o seu planeta! PP: Ah! Onde eu moro não é muito interessante... é muito pequeno. Tenho uma flor. Geógrafo: Mas nós não anotamos as flores. PP: Por que não? É o mais bonito! Geógrafo: Porque as flores são efêmeras. Elas podem desaparecer a qualquer momento. Narrador: Neste momento, o Pequeno Príncipe se sentiu culpado por ter abandonado sua amada flor, tão frágil. Ele resolveu então visitar o planeta Terra, sugerido pelo geógrafo.
XIII Encontro com a Serpente Narrador: Quando chegou na Terra, o principezinho ficou muito surpreso de não ver ninguém. Já estava achando que tinha se enganado de planeta, quando viu uma serpente se remexendo na areia. PP: Boa noite. Em que planeta estou? Serpente: Na Terra, na África. PP: E não tem ninguém na Terra? Serpente: Aqui é o deserto. Não tem ninguém nos desertos. A Terra é grande. PP: As estrelas são todas iluminadas... Não será para que cada um possa um dia encontrar a sua? Olha o meu planeta: está bem em cima de nós... Mas como está longe! Serpente: Teu planeta é belo. PP: Onde estão os homens? A gente está um pouco sozinho no deserto. Serpente: Entre os homens também. PP: Você é um bichinho engraçado, fino como um dedo... Serpente: Mas sou mais poderosa do que o dedo de um rei. PP: Não é tão poderosa assim, não tem nem patas, não pode viajar... Serpente: Eu posso te levar mais longe que um navio. Aquele que eu toco, eu o devolvo à terra de onde veio. Mas você é puro, vem de uma estrela Tenho pena de você, tão fraco, nessa Terra de granito. Posso te ajudar um dia, se tiver muita saudade do seu planeta. PP: Oh! Eu compreendi muito bem. Mas por que sempre fala por enigmas? Serpente: Eu os resolvo todos. XIV Jardim de rosas Narrador: Um dia, depois de andar por muito tempo pela areia, pelas rochas e pela neve, o pequeno príncipe descobriu uma estrada. E as estradas vão todas na direção dos homens. Então ele chegou em um jardim de rosas, e ficou surpreso! Eram todas iguais à sua flor. O principezinho se sentiu extremamente infeliz. Ele achava que sua flor era única, e então viu que havia cinco mil, iguaizinhas, num só jardim! XV Raposa Narrador: Foi então que apareceu a raposa. Raposa: Bom dia PP: Bom dia. Vem brincar comigo, estou tão triste. Raposa: Eu não posso brincar com você. Não me cativaram ainda. PP: Ah! Desculpa!... O que quer dizer "cativar"? Raposa: É uma coisa muito esquecida. Significa "criar laços. Para mim, você ainda é um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de você. E
você também não tem necessidade de mim. Pra você, não passo de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se você me cativa, nós teremos necessidade um do outro. Será para mim o único no mundo. E eu serei para você única no mundo. PP: Começo a compreender. Existe uma flor... eu acho que ela me cativou... Raposa: É possível. Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se você me cativa, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O seu me chamará para fora da toca, como se fosse música. Por favor... me cativa. PP: Eu bem que gostaria, mas não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas para conhecer. Raposa: A gente só conhece bem as coisas que cativou. Os homens não têm mais tempo de conhecer nada. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se você quer um amigo, me cativa! PP: O que eu preciso fazer? Raposa: É preciso ser paciente. Primeiro você vai se sentar um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e você não dirá nada. E, cada dia, se sentará mais perto... Narrador: Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, então, chegou a hora da partida, e os dois tiveram que se despedir. Raposa: Vai rever as rosas. Você vai compreender que a sua é a única no mundo. PP: Sim, ela é única, porque me cativou! Raposa: Adeus, amigo. Tenho um segredo para você. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos. PP: O essencial é invisível para os olhos Raposa: Foi o tempo que perdeu com a sua rosa que fez sua rosa tão importante. Os homens esqueceram essa verdade, mas você não deve esquecer. Você se torna eternamente responsável por aquilo que cativa. Você é responsável pela rosa. PP: Eu sou responsável pela minha rosa... XVI Sede/Busca pela fonte Narrador: Agora vamos voltar para o aviador. O avião ainda estava quebrado, e a água estava quase no fim. Os dois estavam com sede, então resolveram buscar um poço. O aviador estava desanimado, pois não acreditava que iriam encontrar um poço no meio do deserto, mas ele não tinha outra opção senão procurar. Aviador: Você tem sede também? PP: A água pode ser boa para o coração. (pausa) As estrelas são belas por causa de uma flor que não se vê... O deserto é belo, também. O que torna o deserto belo é que ele esconde um poço em algum lugar.
Aviador: Tanto as estrelas quanto o deserto, o que faz a sua beleza é invisível! PP: Fico feliz que concorde com a raposa! XVII O poço Narrador: No raiar do dia, o Aviador e o Pequeno Príncipe finalmente encontraram o poço! Já estava tudo preparado: a roldana, o balde e a corda. PP: Tenho sede dessa água. Me dê um pouco para beber. Narrador: O aviador então entendeu o que ele havia buscado! Essa água era muito mais que um alimento. Tinha nascido da caminhada sob as estrelas, do canto da roldana, do esforço do seu braço. Era boa para o coração, como um presente. PP: Os homens do seu planeta cultivam cinco mil rosas num mesmo jardim e não encontram o que procuram. Aviador: Não encontram. PP: E no entanto o que eles buscam poderia ser achado numa só rosa, ou num pouquinho de água. Aviador: É verdade. PP: Mas os olhos são cegos. É preciso buscar com o coração. XVIII Partida do Pequeno Príncipe Narrador: Já fazia um ano que o Pequeno Príncipe estava na Terra, e estava se preparando para voltar para seu planeta. O aviador conseguiu consertar seu avião e também ia poder voltar para casa. PP: Está noite eu voltarei para minha casa. Mas por favor, não venha me ver. Eu parecerei sofrer, eu parecerei morrer. É assim. Não venha ver. Não vale a pena. Aviador: Eu não te deixarei. PP: Não vai ser bom pra você, você vai sofrer. Eu parecerei morto e não será verdade. Você entende, é longe demais. Eu não posso carregar esse corpo. É muito pesado. Mas será como uma velha casca abandonada. Uma casca de árvore não é triste. Será bonito, sabe? (sentam se) Você sabe... minha flor... eu sou responsável por ela! Narrador: O principezinho então partiu. O aviador ficou na Terra, mas sempre que olha para as estrelas se lembra do seu amigo. Para ele, é como se todas as estrelas estivessem floridas.