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Exercícios de Morfossintaxe 1. (UNICAMP 2007 2ª Fase Questão 1) Matte a vontade. Matte Leão. Este enunciado faz parte de uma propaganda afixada em lugares nos quais se vende o chá Matte Leão. Observe as construções abaixo, feitas a partir do enunciado em questão: Matte à vontade. Mate a vontade. Mate à vontade. a) Complete cada uma das construções acima com palavras ou expressões que explicitem as leituras possíveis relacionadas à propaganda. b) Retome a propaganda e explique o seu funcionamento, explicitando as relações morfológicas, sintáticas e semânticas envolvidas. 2. (UNICAMP 2007 2ª Fase Questão 5) Em 26 de outubro de 2006, um jornal de S. Paulo veiculou a seguinte propaganda: Se no Brasil ninguém paga caro por mentir, por que você vai pagar caro pela verdade? Assine o Jornal X a partir de R$ XX,XX. a) A propaganda explora dois sentidos de pagar caro. Quais? b) A propaganda procura construir certas imagens para o jornal. Quais? c) Para construir essas imagens, a propaganda torna natural uma imagem estereotipada do Brasil. Comente a importância da construção sintática se (...), por que (...) e do pronome ninguém nesse processo. Texto I Tempo da camisolinha Toda a gente apreciava os meus cabelos cacheados, tão lentos! e eu me envaidecia deles, mais que isso, os adorava por causa dos elogios. Foi por uma tarde, me lembro bem, que meu pai suavemente murmurou uma daquelas suas decisões irrevogáveis: É preciso cortar os cabelos desse menino. Olhei de um lado, de outro, procurando um apoio, um jeito de fugir daquela ordem, muito aflito. Preferi o instinto e fixei os olhos já lacrimosos em mamãe. Ela quis me olhar compassiva, mas me lembro como si fosse hoje, não aguentou meus últimos olhos de inocência perfeita, baixou os dela, oscilando entre a piedade por mim e a razão possível que estivesse no mando do chefe. Hoje, imagino um egoísmo grande da parte dela, não reagindo. As camisolinhas, ela as conservaria ainda por mais de ano, até que se acabassem feitas trapos. Mas ninguém percebeu a delicadeza da minha vaidade infantil. Deixassem que eu sentisse por mim, me incutissem aos poucos a necessidade de cortar os cabelos, nada: uma decisão à antiga, brutal, impiedosa, castigo sem culpa, primeiro convite às revoltas íntimas: é preciso cortar os cabelos desse menino. Tudo o mais são memórias confusas ritmadas por gritos horríveis, cabeça sacudida com violência, mãos enérgicas me agarrando, palavras aflitas me mandando com raiva entre piedades infecundas, dificuldades irritadas do cabeleireiro que se esforçava em ter paciência e me dava terror. E o pranto, afinal. E no último e prolongado fim, o chorinho doloridíssimo, convulsivo, cheio

de visagens próximas atrozes, um desespero desprendido de tudo, uma fixação emperrada em não querer aceitar o consumado. Me davam presentes. Era razão pra mais choro. Caçoavam de mim: choro. Beijos de mamãe: choro. Recusava os espelhos em que me diziam bonito. Os cadáveres de meus cabelos guardados naquela caixa de sapatos: choro. Choro e recusa. Um não conformismo navalhante que de um momento pra outro me virava homem-feito, cheio de desilusões, de revoltas, fácil para todas as ruindades. De noite fiz questão de não rezar; e minha mãe, depois de várias tentativas, olhou o lindo quadro de Nossa Senhora do Carmo, com mais de século na família dela, gente empobrecida mas diz-que nobre, o olhou com olhos de imploração. Mas eu estava com raiva da minha madrinha do Carmo. E o meu passado se acabou pela primeira vez. Só ficavam como demonstrações desagradáveis dele, as camisolinhas. Foi dentro delas, camisolas de fazendinha barata (a gloriosa, de veludo, era só para as grandes ocasiões), foi dentro ainda das camisolinhas que parti com os meus pra Santos, aproveitar as férias do Totó sempre fraquinho, um junho. MÁRIO DE ANDRADE Contos novos. São Paulo: Martins; Belo Horizonte: Itatiaia, 1980. 3. (UERJ 2010 2ª Fase (LP/LIT) Questão 1) Observe o fragmento: As camisolinhas, ela as conservaria ainda por mais de ano, (l. 8-9) Indique o termo ao qual o pronome pessoal oblíquo se relaciona. Em seguida, classifique sintaticamente esse pronome. Texto III O comprador de fazendas O acaso deu a Trancoso uma sorte de cinquenta contos na loteria. Não se riam. Por que motivo não havia Trancoso de ser o escolhido, se a sorte é cega e ele tinha no bolso um bilhete? Ganhou os cinquenta contos, dinheiro que para um pé-atrás daquela marca era significativo de grande riqueza. De posse do bolo, após semanas de tonteira deliberou afazendar-se. Queria tapar a boca ao mundo realizando uma coisa jamais passada pela sua cabeça: comprar fazenda. Correu em revista quantas visitara durante os anos de malandragem, propendendo, afinal, para a Espiga. Ia nisso, sobretudo, a lembrança da menina, dos bolinhos da velha e a ideia de meter na administração ao sogro, de jeito a folgar-se uma vida vadia de regalos, embalada pelo amor de Zilda e os requintes culinários da sogra. Escreveu, pois, a Moreira anunciando-lhe a volta, a fim de fechar-se o negócio. Ai, ai, ai! Quando tal carta penetrou na Espiga houve rugidos de cólera, entremeio a bufos de vingança. É agora! berrou o velho. O ladrão gostou da pândega e quer repetir a dose. Mas desta feita curo-lhe a balda¹, ora se curo! concluiu, esfregando as mãos no antegozo da vingança. No murcho coração da pálida Zilda, entretanto, bateu um raio de esperança. A noite de sua alma alvorejou ao luar de um Quem sabe? Não se atreveu, todavia, a arrostar² a cólera do pai e do irmão, concertados ambos num tremendo ajuste de contas. Confiou no milagre. Acendeu outra velinha a Santo Antônio... O grande dia chegou. Trancoso rompeu à tarde pela fazenda, caracolando o rosilho³. Desceu Moreira a esperá-lo embaixo da escada, de mãos às costas. Antes de sofrear 4 as rédeas, já o amável pretendente abria-se em exclamações.

Ora viva, caro Moreira! Chegou enfim o grande dia. Desta vez, compro-lhe a fazenda. Moreira tremia. Esperou que o biltre 5 apeasse e mal Trancoso, lançando as rédeas, dirigiu-se-lhe de braços abertos, todo risos, o velho saca de sob o paletó um rabo de tatu e rompe-lhe para cima com ímpeto de queixada 6. Queres fazenda, grandissíssimo tranca 7? Toma, toma fazenda, ladrão! e lepte, lepte, finca-lhe rijas rabadas coléricas. O pobre rapaz, tonteando pelo imprevisto da agressão, corre ao cavalo e monta às cegas, de passo que Zico lhe sacode no lombo nova série de lambadas de agravadíssimo ex-quasecunhado. Dona Isaura atiça-lhe os cães: Pega, Brinquinho! Ferra, Joli! O mal azarado comprador de fazendas, acuado como raposa em terreiro, dá de esporas e foge à toda, sob uma chuva de insultos e pedras. Ao cruzar a porteira inda teve ouvidos para distinguir na grita os desaforos esganiçados da velha: Comedor de bolinhos! Papa-manteiga! Toma! Em outra não hás de cair, ladrão de ovo e cará!... E Zilda? Atrás da vidraça, com os olhos pisados do muito chorar, a triste menina viu desaparecer para sempre, envolto em uma nuvem de pó, o cavaleiro gentil dos seus dourados sonhos. Moreira, o caipora 8, perdia assim naquele dia o único negócio bom que durante a vida inteira lhe deparara a Fortuna: o duplo descarte da filha e da Espiga... MONTEIRO LOBATO Urupês. São Paulo: Globo, 2007. Vocabulário: 1 balda - defeito habitual, mania 2 arrostar - encarar sem medo 3 rosilho - cavalo de pelo avermelhado 4 sofrear - conter 5 biltre - homem vil, infame 6 queixada - espécie de porco-do-mato 7 tranca - indivíduo ordinário, de mau caráter 8 caipora - indivíduo azarado 4. (UERJ 2010 2ª Fase (LP/LIT) Questão 8) Observe a oração: Desta vez, compro-lhe a fazenda. (l. 23) Classifique sintaticamente o pronome pessoal. Em seguida, reescreva a oração, substituindo-o por outra palavra de igual valor, mantendo o sentido original. 5. (UFRJ 2011 Questão 03) SONETO [Moraliza o poeta nos ocidentes do sol a inconstância dos bens do mundo] Nasce o Sol, e não dura mais que um dia, Depois da Luz se segue a noite escura, Em tristes sombras morre a formosura, Em contínuas tristezas a alegria.

Porém se acaba o Sol, por que nascia? Se formosa a Luz é, por que não dura? Como a beleza assim se transfigura? Como o gosto da pena assim se fia? Mas no Sol, e na Luz, falte a firmeza, Na formosura não se dê constância, E na alegria sinta-se tristeza. Começa o mundo enfim pela ignorância, E tem qualquer dos bens por natureza A firmeza somente na inconstância. (MATOS, Gregório. Obras completas de Gregório de Matos. Salvador: Janaína, 1969, 7 volumes.) De forma recorrente, o Barroco lança mão de figuras de sintaxe como recurso expressivo. a) Considerando o terceiro e o quarto versos da primeira estrofe do soneto, explicite as duas figuras de sintaxe que, nesses versos, estão relacionadas aos termos oracionais classificados, tradicionalmente, como essenciais ou básicos. b) Classifique, quanto à função sintática, os constituintes do último verso da primeira estrofe.

Gabarito 1. a) Nas três construções elaboradas pela banca a partir da propaganda há diversos dados elípticos, presentes na situação de comunicação. Assim, reforça-se a idéia de que num texto os sentidos são sempre solidários, nunca solitários, ou seja, de que o sentido sempre se estabelece por meio das relações entre texto e contexto. Mantendo a coerência, há casos em que seria possível completar as construções de mais de uma maneira, entre as quais as seguintes: Beba Matte Leão à vontade; Temos Matte Leão à vontade. Mate a vontade de beber Matte Leão. Mate sua sede de beber Matte Leão à vontade. b) Além de explorar, do ponto de vista sintático, as elipses e, sob a perspectiva da semântica, os sentidos implícitos que dela decorrem, a propaganda mostra como, sem alterar a pronúncia de uma frase, é possível tomar as palavras que a constituem como pertencentes a classes gramaticais diferentes e, por conseqüência, obter mais de uma organização sintática e vários sentidos. Sob a perspectiva da morfologia, a forma verbal mate (imperativo afirmativo da 3ª- pessoa do singular) é pronunciada da mesma forma que o substantivo comum mate (derivado de erva mate) e o substantivo próprio Matte (que repete a marca registrada do Matte Leão); analogamente, a pronúncia da expressão a vontade admite a classificação de artigo definido feminino singular a seguido de substantivo vontade (formando um grupo nominal), ou a de preposição a seguida de substantivo vontade, formando uma locução adverbial. Sintaticamente, a forma verbal Mate teria a função de núcleo do predicado, já o substantivo mate teria a função de complemento de um verbo implícito possivelmente, beba; o grupo nominal a vontade teria a função sintática de objeto direto do verbo mate; a locução adverbial à vontade, a de adjunto adverbial desse verbo. Semanticamente, o texto publicitário explora a ambiguidade, ou seja, as múltiplas possibilidades de interpretação da mensagem. Esta pode ser entendida como um convite para consumir o Matte Leão e saciar a sede de bebê-lo ou como uma oferta da quantidade de Matte Leão que o leitor queira consumir, sem nada que limite sua vontade. 2. a) No trecho ninguém paga caro por mentir, a expressão paga caro equivale a sofrer uma dura punição. Já em pagar caro pela verdade, a mesma expressão tem sentido de gastar uma elevada quantia em dinheiro. b) O Jornal X anuncia-se como um veículo comprometido com a verdade. Num contexto em que a mentira vigora, mostra-se audaz por contrariar essa ordem estabelecida, denunciando-a. Além disso, cria a imagem de um jornal justo, pois cobra preços adequados pela divulgação de notícias verdadeiras. Mesmo apresentando-se como uma exceção num contexto de impunidade que propicia a mentira, não explora seus leitores ao vender um produto tão raro como a verdade. c) O trecho se no Brasil ninguém paga caro por mentir apresenta em forma de condição uma idéia tida como verdadeira pelo senso comum, segundo a qual a impunidade é constante no país, o que se reforça com a generalização presente no pronome indefinido ninguém. Uma vez que a condição é vista como verdade, entendemos por que você vai pagar caro pela verdade? como

uma pergunta retórica (isto é, que nem precisa ser respondida), afirmando que a verdade não pode custar caro. 3. As camisolinhas Objeto direto pleonástico 4. Objeto indireto Desta vez, compro a sua fazenda. 5. a) As duas figuras de construção sintática são as seguintes: hipérbato (inversão da ordem canônica dos termos sintáticos em tristes sombras e a formosura, no terceiro verso, e dos termos em contínuas tristezas e a alegria, no quarto verso); elipse/zeugma (omissão do verbo morre no quarto verso). b) O constituinte Em contínuas tristezas exerce função de adjunto adverbial, e o constituinte a alegria, função de sujeito.