Balanço 2016 Perspectivas Hortaliças

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Transcrição:

Hortaliças 99

100 Balanço 2016 Perspectivas 2017

Perspectivas 2017 DESTAQUE PARA MAIS INVESTIMENTOS EM SISTEMAS DE CULTIVO DAS HORTALIÇAS Com área cultivada de aproximadamente 837 mil hectares e volume de produção em torno de 63 milhões de toneladas, a produção de hortaliças contempla mais de uma centena de espécies cultivadas em todas as regiões do país. Os problemas enfrentados pelo setor em 2016 não foram suficientes para desanimar os produtores. É provável que 2017 seja marcado por investimentos em inovações tecnológicas no sistema de cultivo e, consequentemente, pelo aumento da competitividade no setor. A continuidade dos investimentos em inovação tecnológica na horticultura, iniciado na década passada, deverá trazer melhoria nos índices de produtividade em grande parte das culturas, a exemplo da batata, tomate, cebola, cenoura e beterraba. Tais investimentos foram feitos por médios e grandes produtores em regiões, como Cristalina (GO), São Gotardo (MG) e Chapada Diamantina (BA), e servirão de exemplo para a adoção de novas tecnologias por outros produtores em regiões onde o cultivo de hortaliças já é tradicional, porém, com baixo nível tecnológico. No que se refere ao consumo de hortaliças no Brasil, 2017 deverá ser um ano de forte demanda por produtos de tamanhos, sabores, cores e processamento diferenciados. De olho nas tendências de mercado que indicam busca por praticidade no consumo de hortaliças e frutas, as indústrias processadoras vêm ampliando a oferta de produtos minimamente processados, sem conservantes químicos, disponíveis em embalagens pequenas, atrativas e prontas para serem consumidas. Essa diversificação vai permitir aumento gradual do consumo no próximo ano. Além disso, dever ser consolidada a preferência do consumidor pela compra desses produtos em supermercados, firmando a tendência dos últimos anos. 101

Gráfico 1. Principal local de compra de hortifruti (%) 2012 Outros 2% Mercado municipal 1% Quitanda 3% Feiras livres 8% Sacolão 6% Supermercados 80% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Fonte: Pesquisa CNA. Outra tendência para 2017 será o aumento da produção e comercialização de hortaliças orgânicas. Esse segmento tem atendido uma pequena parcela de consumidores, em geral, dos médios e grandes centros urbanos do país, e tem crescido de forma significativa, nos últimos anos. Os produtores de hortaliças orgânicas tem buscado a redução dos custos de produção com foco na melhoria da gestão e adoção tecnologias, tais como o manejo integrado de pragas e compostagem. Essas práticas compõem os dois principais itens do custo de produção das hortaliças orgânicas, tratos culturais e plantio (34%) e adubo orgânico (23%). Em razão dos limites à utilização de defensivos e fertilizantes e da baixa produtividade, os produtos orgânicos, em sua grande maioria, são oferecidos por preços, em média, 40% mais caros, na comparação com as culturas produzidos de forma convencional. As questões relacionadas à logística e comercialização das hortaliças deverão ser tratadas de forma mais incisiva em 2017. Espera-se aumento da informatização das operações e da racionalização das tarefas de movimentação e armazenagem das hortaliças no atacado e no varejo. Tal modelo facilitará o processo de rastreabilidade exigidos nos pontos de comercialização e consumidores. A cadeia produtiva das hortaliças tem conquistado avanços consideráveis, porém, ainda existem desafios e gargalos que precisam ser superados em 2017 a tais como: aumento do consumo; a expansão da base técnico-científica em temas, como a mitigação de riscos ambientais e biológicos e olericultura de precisão; o aprimoramento de normas e mecanismos de garantia de oferta de defensivos para culturas com suporte fitossanitário insuficiente (minor crops); e a redução de perdas nos processos de pós-colheita de hortaliças. A superação desses desafios só será possível por meio da construção de uma sólida parceria entre o setor público e o privado, facilitando que as demandas prioritárias do campo cheguem ao governo e às instituições de pesquisa, permitindo que soluções e novas tecnologias sejam transferidas com maior agilidade aos produtores. 102

Balanço 2016 PROBLEMAS CLIMÁTICOS ELEVARAM OS PREÇOS DAS PRINCIPAIS HORTALIÇAS NO PRIMEIRO SEMESTRE DE 2016 O cultivo de hortaliças no Brasil é caracterizado como uma atividade realizada prioritariamente em micro e pequenas propriedades, localizadas em sua grande maioria nas proximidades dos grandes centros urbanos. As culturas exigem mão-de-obra desde a sua semeadura até a comercialização, o que torna a atividade uma grande geradora de empregos. Em 2016, a produção de hortaliças no Brasil sofreu com problemas climáticos como excesso de chuvas, frio e geada na região Sul e estiagem no Nordeste. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Hortaliças (Ibrahort), nos estados do Sul, as perdas devido às baixas temperaturas e geadas chegaram a 30% nas hortaliças cultivadas em campo aberto. Já no Nordeste, a estiagem prolongada causou uma perda média de 20%. Essas adversidades climáticas influenciaram diretamente os preços das principais hortaliças comercializadas na Companhia de Entrepostos e Armazéns da Gerais de São Paulo (Ceagesp), exemplo da batata que, devido à queda da produção no primeiro semestre de 2016, registrou preço muito superior ao praticado no mesmo período do ano anterior. Gráfico 2. Preço médio da batata comercializada no Ceagesp (R$/saca de 50kg) R$ 250 R$ 200 R$ 150 R$85,00 R$ 100 R$ 50 R$87,00 R$ 0 Jan fev mar abr mai jun jul agos set out nov dez 2016 2015 Fonte: Cepea/Elaboração CNA. Outro fator negativo que afetou diretamente a rentabilidade dos horticultores em 2016 foi o aumento do custo dos insumos utilizados na produção, em especial devido à alta do dólar no primeiro semestre. Os custos com fertilizantes, defensivos e sementes, que, em sua grande maioria, são cotados em dólar, ficaram mais caros e aumentaram, em média, 20% os custos de produção. Dados da revista Hortifruti/Cepea mostram que, em 2016, os preços pagos ao produtor se mantiveram em bons níveis e, em poucos casos, a receita auferida pelos produtores não foi suficiente para cobrir os custos de produção das lavouras. 103