MANEJO DO PASTEJO: AVALIAÇÃO AGRONOMICA E ESTRUTURAL

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Transcrição:

MANEJO DO PASTEJO: AVALIAÇÃO AGRONOMICA E ESTRUTURAL Danilo Iurko Martins¹, Emerson Alexandrino² ¹Aluno do curso de Zootecnia da UFT, Campus de Araguaína, e-mail: danilodatao@hotmail.com ²Professor Adjunto III do curso de Zootecnia da UFT, Campus de Araguaína, e-mail: e_alexandrino@yahoo.com.br RESUMO Objetivou-se com o presente trabalho avaliar a influência das características que formam a massa e a estrutura de pastos manejados em lotação intermitente submetido ao pastejo em diferentes alturas de entrada no dossel forrageiro (30, 40 e 50 cm) e seu reflexo sobre a capacidade de suporte da pastagem. O delineamento experimental utilizado foi o inteiramente casualizado, com três tratamentos e quatro repetições e quatro ciclos de pastejo. Foram utilizados 24 animais, manejados em 6,6 ha mais uma área de escape de 2 ha de capim Piatã. Sendo o período de pastejo de sete dias, e o ajuste de carga variável. Foram avaliadas as características agronômicas e estruturais do dossel forrageiro. A maioria das características que compõem a massa total de forragem e a estrutura dos pastos de capim Piatã mostraram-se sensíveis as alturas de entrada, porém insensíveis aos ciclos de pastejo. De maneira geral, a relação folha/colmo e o IAF mantiveram-se estáveis a partir da altura de 40 cm, com mesmo padrão de resposta com o decorrer dos ciclos de pastejo. Com base nas características estruturais do dossel forrageiro e lotação, recomendam-se alturas próximas a 40 cm, com período de descanso de 23 a 28 dias, por estarem relacionadas com maior participação de lâmina foliar, menor participação de colmos e não comprometerem a facilidade de colheita de forragem no horizonte de pastejo. Palavras chave: características; estrutura do pasto; período de descanso; INTRODUÇÃO Apesar do grande potencial de produção de carne bovina, o sistema de produção brasileiro apresenta baixos índices produtivos. Neste cenário, o estado do Tocantins, além, de baixos índices produtivos apresenta ineficiência reprodutiva, contribuindo com apenas 1,8% da carne exportada pelo Brasil (ABRAGRIGO, 2010). Entre os fatores relacionados, destaca-se o monocultivo do capim Marandu, ausência na reposição dos nutrientes do solo, falta de ajuste da carga animal, uso do fogo, e o mau manejo do pastejo. Na tentativa de mudança do cenário atual a Brachiária brizantha cv. Piatã surgiu como uma nova opção para a diversificação das espécies forrageiras utilizadas na

pastagem, e por ter sido lançada recentemente, existe poucas informações para definir as estratégias de seu manejo no ambiente Amazônico. Neste contexto, pode-se atribuir que o conhecimento do comportamento da planta forrageira submetida a regimes de lotação intermitente por bovinos de corte, pode ser de grande importância técnica, tornando possível a melhor utilização do pasto nas condições edafoclimáticas dessa região, levando em conta a representatividade das respostas ao avaliar a planta e animal conjuntamente. Neste sentido, objetivou-se com o presente trabalho avaliar a influência das características que formam a massa e a estrutura de pastos manejados em lotação intermitente submetido ao pastejo em diferentes alturas de entrada no dossel forrageiro (30, 40 e 50 cm) e seu reflexo sobre a capacidade de suporte da pastagem. MATERIAL E MÉTODOS O experimento foi conduzido na Escola de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade Federal do Tocantins, Araguaína-TO, em uma área experimental de 6,6 hectares de capim Piatã (Brachiaria brizantha cv. Piatã), mais uma área de escape de 2 ha, para acomodar os animais de prova e os reguladores, sendo manejados sob lotação intermitente com ajuste de carga animal variável, com período de pastejo de sete dias, e saída dos animais quando fora removido 63% da altura do dossel. O período de descanso também foi variável, tendo a altura do pasto como parâmetro para definir o momento de entrada dos animais. Foram avaliadas três alturas no pré-pastejo, as quais constituíram os tratamentos experimentais (30, 40 e 50), estando o período de descanso em função do tempo gasto para o pasto atingir as alturas pré-determinadas de cada tratamento. A altura do pasto foi medida pela distância entre o solo e a curvatura média das lâminas foliares mais elevadas, usando um bastão graduado (cm) sendo a média de 60 pontos de leitura utilizada para direcionar a amostragem para estimar a disponibilidade de forragem, com auxilio de uma moldura de amostragem de 1,2 x 0,5m (0,6m 2 ). As avaliações foram realizadas em duas faixas alternadas nos dois piquetes de avaliação, totalizando quatro repetições em cada altura testada, sendo as características agronômicas realizadas tanto no pré como no pós-pastejo. Em cada amostra foram retiradas duas alíquotas representativas, uma para a determinação da matéria seca de lâmina foliar, colmo, material morto, e a soma destes compondo a matéria seca total.

Para a determinação da massa seca, as amostras de cada componente morfológico foram secas em estufa de ventilação forçada a 65ºC por 72 horas. Com os dados de massa seca de lâmina foliar e de colmo foi determinada a relação folha/colmo, a segunda alíquota foi utilizada para a determinação do índice de área foliar conforme Alexandrino et al. (2005). A densidade populacional dos perfilhos foi representada pela média de dois pontos por sub-piquete, obtido através da contagem direta no campo em uma moldura de amostragem (0,25m 2 ). A taxa de lotação foi calculada com base nos animais de prova acrescida da carga animal adicional dos animais de equilíbrio ao longo do período de pastejo, ponderando o manejo de área de acordo com o tempo necessário para alcançar as alturas testes na primeira faixa utilizada, ao final de cada ciclo de pastejo foi obtida a taxa de lotação em termos de UA/ha/dia. Realizou-se a análise de variância pelo teste F, sendo as médias comparadas pelo teste Tukey a 5% de probabilidade com auxílio do programa SISVAR Sistema para Análises Estatísticas versão 5.1 (Build 72), Universidade Federal de Lavras. RESULTADOS E DISCUSSÃO A análise de variância revelou maiores valores (P<0,05) de massa seca total (MST) para altura de 50 cm (Tabela 1) na condição de pre-pastejo, devido ao maior período de crescimento destinado a essa estratégia, gerando acúmulo de biomassa. Tabela 1. Caracterização agronômica na condição de pré e pós-pastejo em pastos de capim Piatã manejados em diferentes alturas sob pastejo intermitente CV Médias 30 40 50 % Massa seca total entrada (kg/ha) 4.819,5c 6.567,9b 8.783,2a 6.723,5 13,3 Massa seca total saída (kg/ha) 3.112,7b 3.905,7ab 4.782,5a 3.933,7 24,8 Massa de lâmina foliar entrada (kg/ha) 2.188,7b 2.625,3b 3.414,3a 2.742,8 14,3 Massa de lâmina foliar saída (kg/ha) 633,7a 755,9a 770,8a 720,2 20,6 Massa de colmos entrada (kg/ha) 1.449,1c 2.431,6b 3.177,5a 2.352,8 20,4 Massa de colmos saída (kg/ha) 1.160,9c 1.549,9b 2.214,3a 1.641,7 21,4 Massa de material morto entrada (kg/ha) 1.181,7b 1.511,1b 2.191,3a 1.628,0 26,7 Massa de material morto saída (kg/ha) 1.318,2a 1.584,8a 1.812,3a 1.571,8 41,7 Médias seguidas de letras semelhantes na linha não diferem pelo teste Tukey a 5% de significância. A altura de 50 cm também permitiu maior acumulo de massa seca de lâmina foliar (MSLF), colmo (MSC) e material morto (MSMM), verificando-se queda nos valores de MSC e MSMM entre o momento pré e pós-pastejo, constatando-se desaparecimento destes componentes mediante o processo de pastejo. No entanto, a fração colmo e

material morto são os componentes de menor digestibilidade na massa seca de forragem (CÂNDIDO et al., 2005; SANTOS et al., 2010). Tabela 2. Caracterização da estrutura na condição de pré e pós-pastejo em pastos de capim Piatã para diferentes alturas de entrada no dossel forrageiro CV Médias 30 40 50 % Número de perfilho (m 2 ) 866,30a 807,25a 600,20b 757,91 8,87 Altura de entrada (cm) 31,6c 41,8b 52,1a 41,7 2,8 Altura de saída (cm) 23,2b 24,9b 29,1a 25,8 6,6 Relação folha/colmo entrada 1,55a 1,12b 1,09b 1,25 13,7 Relação folha/colmo saída 0,56a 0,50a 0,35b 0,47 18,5 Índice de área foliar entrada 4,64b 5,77ab 6,07a 5,49 11,5 Índice de área foliar saída 1,42a 1,43a 1,59a 1,50 23,5 Médias seguidas de letras semelhantes na linha não diferem pelo teste Tukey a 5% de significância. Os maiores valores alcançados para o número de perfilhos (NP- Tabela 2) foram encontrados na estratégia de pastejo aos 30 cm de altura do pasto, pois esta estratégia permitiu que a luz chegasse em maior quantidade na base das touceiras, desencadeando o estímulo necessário às gemas basilares, origem do perfilhamento basilar (SBRISSIA et al., 2010). Os maiores valores para o IAF no momento pré-pastejo (Tabela 2) foram obtidos na estratégia de pastejo de 50 cm de altura. Embora o IAF esteja relacionado à capacidade fotossintética do dossel forrageiro, ao atingir valores demasiadamente altos, verifica-se intensificação da senescência e acúmulo de colmo para as gramíneas tropicais, levando ao comprometimento da estrutura dos pastos (CARVALHO et al., 2003). Os pastos manejados a 30 cm de altura apresentaram maior relação folha/colmo (Tabela 2). Deve-se ressaltar que estratégias de pastejo que garantam maior relação F/C devem ser priorizadas, visto que o estreitamento da relação F/C causa queda no desempenho. Tabela 3. Taxa de crescimento cultural (TCC) e capacidade de suporte (CS) do capim Piatã manejado em diferentes alturas sob pastejo intermitente Variável 30 40 50 Médias CV% TCC- kg de MS/ha/dia 87,49b 102,59a 116,62a 102,23 13,65 CS- UA/ha 4,50b 4,98a 4,23c 4,58 1,6 Médias seguidas de letras semelhantes na linha não diferem pelo teste Tukey a 5% de significância. Em razão da TCC (Tabela 3) e o não comprometimento da estrutura do pasto, a capacidade de suporte do pasto (CS Tabela 4) de capim Piatã foi maior na estratégia

de pastejo aos 40 cm de altura, permitindo maior taxa de lotação, podendo gerar maior produtividade animal. De maneira geral, a relação folha/colmo e o IAF mantiveram-se estáveis a partir da altura de 40 cm, com mesmo padrão de resposta com o decorrer dos ciclos de pastejo. Com base nas características estruturais do dossel forrageiro e lotação, recomendam-se alturas próximas a 40 cm, com período de descanso de 23 a 28 dias, por estarem relacionadas com maior participação de lâmina foliar, menor participação de colmos e não comprometerem a facilidade de colheita de forragem no pastejo. LITERATURA CITADA ALEXANDRINO, E.; GOMIDE, C. A. M.; CÂNDIDO, M. J. D.; GOMIDE, J. A. Período de descanso, características estruturais do dossel e ganho de peso vivo de novilhos em pastagem de capim-mombaça sob lotação intermitente. Revista Brasileira de Zootecnia, v.34, n.6, p.2174-2184, 2005. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE FRIGORÍFICOS (ABRAFRIGO), 2010. Exportação Brasileira de Carnes e Derivados de Bovinos - Jan-Dez/2010. Disponível em www.abrafrigo.com.br. (Acesso 23/05/2011). CÂNDIDO, M. J. D.; GOMIDE, C. A. M.; ALEXANDRINO, E.; GOMIDE, J. A.; PEREIRA, W. E. Morfofisiologia do dossel de Panicum maximum cv Mombaça sob lotação intermitente com três períodos de descanso. Revista Brasileira de Zootecnia. Viçosa, v.34, n.2,p.406-415, 2005. CARVALHO, C.A.B.; CARNEVALLI, R.A.; Da SILVA, S.C. Carboidratos não estruturais e acúmulo de forragem em pastos de Cynodon spp. sob lotação continua. Scientia Agrícola, v. 58, n.4, p.667-674, 2003. SANTOS, M. E. R.; FONSECA, D. M.; SILVA, G. P.; PIMENTEL, R. M.; CARVALHO, V. V.; SILVA, S. P. Estrutura do pasto de capim-braquiária com variação de alturas. Revista Brasileira de Zootecnia. v.39, n.10, p.2125-2131, 2010. SBRISSIA, A.F.; SILVA, S.C. da; SARMENTO, D.O.L.; MOLAN, L.K.; ANDRADE, F.M.E.; GONÇALVES, A.C.; LUPINACCI, A.V. Tillering dynamics in palisadegrass swards continuously stocked by cattle. Plant Ecology, v.206, p.349-359, 2010. AGRADECIMENTOS Agradecimento ao grupo NEPRAL