Emissão especial na Renascença



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DESTAQUE 02 Ajustamento português FMI alerta para consideráveis desafios da economia Fundo Monetário Internacional considera que a diminuição dos spreads da dívida soberana é um bom augúrio para o regresso aos mercados. O Fundo Monetário Internacional (FMI) elogia as reformas iniciadas pelo Governo, mas alerta para a perspectiva de incerteza a curto prazo e anuncia consideráveis desafios a médio prazo para a economia portuguesa. As autoridades devem prosseguir os esforços para (...) impulsionar o crescimento a longo prazo e reforçar a consolidação orçamental, declarou ontem o FMI, numa nota assinada pela vice-directora-geral Nemat Shafik. O FMI considera necessário um debate público sobre a melhor forma de concretizar o que resta do ajustamento orçamental. Como a carga fiscal já é elevada, a organização aponta para a revisão das despesas e o aumento da base tributável como factores que podem proporcionar uma descida dos impostos, sobretudo para as empresas. Neste comunicado, que acompanha a aprovação de uma nova tranche do empréstimo a Portugal - mais 838,8 milhões de euros - o FMI considera que a diminuição dos spreads da dívida soberana é um bom augúrio para o regresso aos mercados. OCDE não garante análise sobre reforma Uma equipa da OCDE reuniu-se esta semana com o secretário de Estado Adjunto do Primeiro-ministro e está analisar a possibilidade de ajudar na reforma do Estado, mas não é certo que venha a colaborar com uma análise própria. O economista-chefe e líder da equipa que acompanha Portugal, Jens Arnold, explicou ontem à Lusa que os técnicos estiveram em Portugal no âmbito do acompanhamento regular que fazem do país e têm mantido contactos com o Governo. A equipa reuniu-se com Carlos Moedas, onde foi discutida a hipótese de poderem ajudar na reforma do Estado no plano para cortar à volta de 4 mil milhões de euros na despesa pública - para o qual o FMI contribuiu com um relatório. No entanto, a equipa da OCDE ainda está a analisar de que forma poderá contribuir para este processo, não sendo para já completamente certo que existirá uma colaboração formal com um relatório ou uma análise escrita, nem qual o âmbito ou os temas que serão abordados, já que o processo se encontra ainda numa fase muito preliminar, explicou Jens Arnold. Na sexta-feira, fonte governamental disse à Lusa que Moedas se reuniria com técnicos da OCDE no início desta semana, e que este encontro acontecia na sequência de contactos já mantidos com responsáveis da organização a propósito do corte de despesas que o Governo pretende fazer até ao final de Fevereiro. Nemat Shafik A questão levantou-se após o Primeiro-ministro ter dito que já teria sido pedida a contribuição da OCDE neste processo, mas, depois, fonte oficial da organização revelou completo desconhecimento sobre tal pedido. Documento de fraco aluno Luísa Cerdeira, pró-reitora da Universidade de Lisboa, diz que o relatório do FMI está mal elaborado e dá mostras de ter sido feito à pressa. Luísa Cerdeira detectou erros no documento encomendado pelo Governo que poderiam ter sido feitos por um fraco aluno principiante de Economia de Educação. As contas com os gastos nas universidades não batem certo e Cerdeira diz ainda que a proposta em aumentar significativamente as propinas não faz sentido. Para o ensino superior, aquele documento é completamente mal elaborado e vou chamar-lhe indigente, ou seja, tem dois parágrafos sobre o ensino superior e um é para dizer que deve subir substancialmente as propinas, quando nós já temos o nível de participação das famílias e dos estudantes dos mais elevados da Europa, argumenta. A pró-reitora sublinha que estas medidas não estão sequer fundamentadas e há erros técnicos. Sobre a despesa do ensino superior, devem ter-se enganado, porque foi um trabalho à pressa, provavelmente, e fala de 1,6 mil milhões de euros de despesa do ensino universitário público. É errado. Quanto muito, aquilo será o ensino superior: universidades e politécnicos, afirma Luísa Cerdeira. DR Jorge Sampaio: Mais ricos podem pagar mais pela saúde Alguns portugueses com mais rendimentos poderiam pagar mais pela saúde, defendeu Jorge Sampaio, ontem, num debate organizado por socialistas para debater a reforma no sector. Na reforma do Estado, em geral, e na da saúde, em particular, não se pode invocar, a torto e a direito, choques com a Constituição. O ex-presidente da República diz que a lei fundamental não pode ser vista como um obstáculo, até porque dá muito espaço de manobra. Na visão de Sampaio, a Constituição pode permitir aumentar os encargos de alguns cidadãos com a saúde, desde que dentro do princípio da proporcionalidade e sem ser como taxa moderadora. Sampaio defende que é preciso reorganizar os hospitais, porque não se pode ter tudo, em todos. Os médicos vão ter de escolher entre o público e o privado e os problemas das farmácias devem ser resolvidos sem aumentar os encargos para o Estado ou para os utentes. Neste debate da Fundação para Defesa do Serviço Nacional de Saúde, criada por socialistas e que pretende organizar um congresso em Setembro, Sampaio criticou a forma como o debate da reforma do Estado está a decorrer. O Governo deveria ter feito antes o trabalho de casa e balizar, com objectivos claros, a discussão, disse.

OPINIÃO Fernando J. Regateiro Professor catedrático, Faculdade de Medicina Universidade de Coimbra Passos Coelho acredita! 03 A mensagem de Passos Coelho é a de que a retoma económica está à vista. Para ele, o sucesso da colocação dos Bilhetes do Tesouro assinala um ponto de não retorno da crise! Jogará também a favor da sua crença, a retoma dos mercados financeiros, com a assinalável valorização bolsista registada desde o princípio do ano. Face a isto, diz que está afastado o espectro de uma continuada espiral recessiva. Na sua avaliação, choca frontalmente com a do Presidente da República, do governador do Banco de Portugal e de analistas encartados. Ao cidadão comum resta acreditar. Em quem? Num Governo que tem dado o dito por não dito, com uma frequência estonteante, e que precisa de criar almofadas que o sustentem e lhe dêem tempo para mostrar que tem razão? Os actos de fé nos mercados, na ausência de sustentabilidade económica, não fazem a retoma do bem-estar dos cidadãos! E é esta retoma que verdadeiramente interessa! É certo que chegámos aqui devido à forma desadequada como foram utilizados os financiamentos da União Europeia para o desenvolvimento do País. Não houve a necessária focagem no fortalecimento de uma economia sustentável, no incentivo à produção de bens transaccionáveis, no acautelar da reserva estratégica e na reforma do Estado. Os actos de fé nos mercados, na ausência de sustentabilidade económica, não fazem a retoma do bem-estar dos cidadãos Agora, há que aprender com os erros do passado e nivelar o grau de destruição provocado pela austeridade, parando a tempo de ser usada como destruição criativa e não como cemitério da esperança. Os sucessos apontados pelo Primeiro-Ministro poderão fazer a diferença se houver apoio ao trabalho e se os juros favoráveis, já conseguidos para o financiamento das grandes empresas, forem estendidos às PME e às micro empresas, de modo a irrigarem todo um tecido empresarial de proximidade com os cidadãos e com as famílias. Por outro lado, o Estado terá de iniciar uma reforma profunda, para deixar de se endividar. O que vai além das medidas que o FMI aponta para a poupança imediata de 4 mil milhões de euros. Estas cortam demais nas funções sociais do Estado e na despesa dirigida para a coesão social, para serem mantidas em anos subsequentes. Uma verdadeira reforma do Estado, não tendo efeitos imediatos, é garantia de sustentabilidade financeira e das funções sociais indispensáveis à sua legitimação. Por isso, não antevejo qualquer oásis. Aliás, sou contra a teoria dos oásis à la carte! Só servem para manter saudáveis os consumidores, na estrita medida em que sirvam os interesses dos mercados e da especulação financeira. Mudanças no IRS, salários em 2013 Renascença promove emissão especial A Renascença promove amanhã, a partir das 13h00, uma emissão especial com o objectivo de esclarecer os ouvintes sobre os rendimentos para 2013. Será melhor receber os subsídios em duodécimos ou de uma só vez como até aqui? Quem é mais penalizado com a sobretaxa? As retenções na fonte estão bem calculadas ou o acerto final do IRS irá pesar nas contas de 2014? Estas são algumas das perguntas que os contribuintes colocam neste momento em que começam a receber os primeiros salários e pensões do ano. Martim Gomes, especialista da consultora PricewaterhouseCoopers (PWC), estará em antena para tirar as dúvidas colocadas por ouvintes e utilizadores do site da Renascença. As perguntas podem ser enviadas por e-mail, para o endereço online@rr.pt, ou por telefone, através do número 213 239 248. Disponível, no site da Renascença, continua, para o caso de trabalhadores do sector privado, o simulador lançado esta semana pela Renascença.

NACIONAL 04 Crédito à habitação Caiu o número de casas entregues ao banco. Instituições bancárias estão mais disponíveis para negociar» Henrique Cunha A entrega de casas ao banco em dação em pagamento desceu 21% no ano passado, de acordo com a Associação Portuguesa de Empresas de Mediação Imobiliária (APEMIP). A sentença inédita do Tribunal de Portalegre (que determinou que a entrega de uma casa ao banco liquidava o empréstimo em dívida) e as previsões da associação obrigaram, na opinião do presidente da APEMIP, Luís Lima, a banca a demonstrar mais receptividade na negociação com as famílias endividadas. DR O sector financeiro, a partir do momento em que a APEMIP divulgou aquele aumento de 74% [de casas para entrega à banca], chegou à conclusão de que, em vez de ir receber seis mil ou sete mil imóveis como recebeu no ano passado, iria receber 30 mil. Então, passou a optar pela negociação. É uma crise excepcional, têm de dar condições excepcionais. E [o sector bancário] começou a dar. Há pessoas, neste momento, que estão a pagar juros, há pessoas que têm uma prestação mais baixa, disse Luís Lima à Renascença. O presidente da APEMIP considera que a redução de entrega de casas à banca não aumentou mais porque promotores e mediadores não conseguiram seguir o exemplo das famílias. Mais de 70% dos imóveis são de promotores/construtores. Ao contrário das famílias, o sector financeiro da parte das empresas continua a optar pela dação e não pela negociação ou, pelo menos, por nos dar condições para podermos vender em igualdade de circunstâncias os imóveis, sendo de promotores ou do sector financeiro, lamenta. Em 2012, os portugueses entregaram 5.500 imóveis à banca. Lisboa Start Up Me ajuda desempregados a prestar serviços a quem precisa» Manuela Pires A Start Up Me é uma plataforma que faz a ponte entre quem precisa de trabalho e quem procura serviços em áreas como limpezas, apoio a idosos, engomadoria e pequenas obras em casa. Estas pessoas têm competências nas áreas das limpezas, da engomadoria, do apoio a idosos, do babysitting e acompanhamento de crianças e também numa vertente mais de obras, reparações, manutenção e ainda temos dois motoristas habilitados para fazer transporte, explica à Renascença a coordenadora do projecto, Marta Romana. O projecto, que conta com o apoio da Câmara de Lisboa e da Santa Casa da Misericórdia, vai funcionar na freguesia da Ameixoeira, onde há casos de exclusão social e muito desemprego. São 20 prestadores de serviços. Entre eles, está a Sónia, de 34 anos. Ficou desempregada e a falta de resposta aos currículos que enviou fez com que procurasse uma alternativa. Começou a engomar roupa em casa. Agora, espera que a criação da bolsa de serviços aumente a carteira de clientes. Quando somos apoiados, há referências e as pessoas acreditam um bocadinho mais no nosso serviço, conta. Com o 12º ano, já foi assistente administrativa. O dinheiro que hoje faz a engomar roupa não chega para as despesas da casa. Por isso, está disposta a fazer mais: Eu adapto-me a tudo. Menos as obras, mas adaptome. Ouça a reportagem em rr.sapo.pt. DR Ano do Envelhecimento Activo Região Centro quer ser referência A região Centro vai ser a única candidata portuguesa ao galardão de Região Europeia de Referência para o Envelhecimento Activo e Saudável. Trata-se de um projecto que visa melhorar a qualidade de vida dos idosos e garantir a sustentabilidade do sistema de saúde. O protocolo com os vários parceiros envolvidos foi hoje assinado em Bruxelas. Já foi entregue a candidatura e abrange uma série de actividades, sendo transversal a uma série de instituições, disse à Renascença o director da Faculdade de Medicina de Coimbra, Joaquim Murta. Numa segunda fase, é que haverá candidatura a fundos monetários da comunidade europeia, adiantou. O projecto é liderado pela Universidade de Coimbra e envolve, entre outros parceiros, a Administração Regional de Saúde do Centro, o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra e a Câmara Municipal da cidade.

NACIONAL Fim da crise 2014. Passos Coelho encontra nova data para a chegada dos amanhãs que cantam 05 José Sena Goulão/LUSA» Matilde Torres Pereira O Primeiro-ministro defendeu ontem, no discurso de encerramento de uma conferência sobre a reforma do Estado, que o ciclo recessivo deve abrandar em 2013, dando início a um ciclo de expansão económica. Depois de ter dito, em Agosto de 2012, que este ano de 2013 seria de inversão da crise para Portugal, Passos Coelho aponta a necessidade de olhar para o período pós-troika, em 2014, como o início de uma nova fase. Essa nova fase, na pespectiva do Primeiro-ministro, põe de lado os receios de enfrentar uma espiral recessiva que poderia pôr em causa todos os esforços que temos vindo a desenvolver. O país continuará a precisar de manter políticas de grande exigência orçamental e económica, mas deixará a situação de emergência que temos conhecido desde meados de 2011 e reganhará importantes graus de automonia e reconhecido estatuto de maior autoconfiança, assegurou. Na intervenção feita no Palácio Foz, em Lisboa, o chefe de Governo sublinhou, por várias vezes, a necessidade de manutenção, durante largos anos, de políticas de grande rigor orçamental. Passos Coelho defendeu que não se pode manter o nível fiscal hoje alcançado, mas que, para isso, estamos condenados a ser bem-sucedidos neste processo de reformas. Este processo não pode deixar de ser relevantíssimo nos governos dos próximos 20 anos, insistiu. O abandono desta ideia de cumprimento, associado à incerteza do caminho do futuro sem o controlo da troika, levaria à quebra de confiança em Portugal e sem dúvida a um segundo resgate, prosseguiu. Aí, sim, seríamos conduzidos a uma espiral recessiva e a uma perpetuação, por muitos e muitos anos, de uma situação de menorização externa que não seria patriótico favorecer por qualquer via. Ninguém tem o direito de ficar de fora Em resposta às críticas ao corte de quatro mil milhões na despesa do Estado, o Primeiro-ministro reiterou que só não erra quem não decide, apontando, de seguida, ao PS: Ninguém tem o direito de ficar de fora deste debate. Por mais escasso que seja o consenso, o país não pode ficar parado ou paralisado por falta de consensos ou por medo. Passos Coelho sustentou que a redução da despesa pública vai fazer-se maioritariamente à custa da despesa social, referindo que o Governo pretende estabelecer um critério duplo fundamental para a maximização de recursos e a sua mobilização para aqueles que se encontram em maior risco. A finalizar, o chefe de Governo indicou que as conclusões da conferência sobre a reforma do Estado vão ser anunciadas no início da próxima semana, para dar a todos os intervenientes a oportunidade de verificar aquilo que defenderam ao longo das sessões. Quanto à aplicação do trabalho realizado em prol da reforma do Estado Social, Passos Coelho afirmou que, em última instância, será o Governo a decidir.

NACIONAL 06 Redução de freguesias Comissão Nacional de Eleições preocupada com actualização dos cadernos eleitorais O porta-voz da Comissão Nacional de Eleições (CNE), Nuno Godinho de Matos, está preocupado, depois da promulgação, pelo Presidente da República, da Lei da Reorganização Administrativa das Freguesias, que diminui o número destas unidades territorais. Godinho de Matos teme que seja escasso o tempo até às eleições autárquicas para proceder à actualização dos cadernos eleitorais de acordo com o novo mapa de freguesias. Nós temos uma alteração da grelha das freguesias do país muito significativa, muito profunda. O recenseamento está todo ele montado com base nas freguesias que existem até à alteração [da lei], disse o porta-voz da CNE à Renascença. De Fevereiro a Outubro, decorrem nove meses e nove meses é um período de tempo bastante escasso para o trabalho que tem de ser feito, porque é um trabalho que começa em Trás-os-Montes, porque começa a extinguir freguesias em Trás-os-Montes, e que acaba no Algarve. Se esse trabalho não se conseguir fazer, está de facto criado um problema grave, advertiu Godinho de Matos. Para o responsável da CNE, boa parte do sucesso neste trabalho dependerá da capacidade informática do Ministério da Administração Interna. O novo mapa prevê a redução de 1.165 freguesias, das 4.259 actualmente existentes, sendo esta alteração a faceta mais polémica da reforma que o Governo iniciou em Setembro. No decreto de promulgação, o Presidente da República sublinhou ser imperiosa a adaptação do recenseamento eleitoral, de forma a que as eleições autárquicas decorram em condições de normalidade e transparência. Macário Correia 24 de Janeiro é a primeira data limite O presidente da Câmara de Faro, Macário Correia, pode perder mandato a partir do próximo dia 24 de Janeiro. Essa é a data em que o acórdão do Tribunal Constitucional que confirma a condenação pelo crime de violação do direito urbanístico transitará em julgado. O autarca social-democrata pode, no entanto, pedir ainda uma aclaração ou rectificação dos erros materiais do seu recurso ou do processo. A data limite para este efeito é 24 ou, em último caso, o dia 29 de Janeiro, mas ficando sujeito ao pagamento de multa. Nestas circunstãncias, a decisão de perda de mandato pode não entrar de imediato em vigor. Macário Correia foi condenado a perda de mandato por violação dos regulamentos de urbanismo e ordenamento do território quando era presidente da Câmara de Tavira. LUSA Casa Pia de Lisboa Advogado diz que Carlos Silvino poderá ser libertado a meio da pena» Liliana Monteiro O advogado de Carlos Silvino da Silva, um dos condenados no âmbito do processo Casa Pia de Lisboa, poderá ser libertado a meio da pena. A opinião é do advogado do réu, Pedro Dias Pereira, em declarações à Renascença. Sete anos depois de ter saído da prisão preventiva, Caros Silvino regressou ontem à cadeia para começar a cumprir a pena a que foi condenado. O Supremo Tribunal de Justiça já tinha confirmado a pena de 15 anos de prisão. O Tribunal Constitucional indeferiu uma reclamação. Findos os recursos, as autoridades foram buscar Carlos Silvino a casa. Bibi, nome pelo qual também é conhecido, foi transferido dos calabouços anexos à Polícia Judiciária, em Lisboa, para o estabelecimento prisional da Carregueira, onde se encontra também João Vale e Azevedo. O antigo motorista da Casa Pia de Lisboa esgotou a possibilidade de recurso sobre a pena a que foi condenado pelo abuso de menores da instituição e, esta quarta feira, foi cumprido o mandado de detenção. A pena inicial era de 18 anos e foi depois reduzida pelo Tribunal da Relação para os 15 anos, aos quais agora se têm de retirar os três anos em que ficou preso preventivamente. Estamos a falar de uma prisão de 12 anos ainda a cumprir, mas, depois, a meio da pena inicia-se o processo de liberdade condicional. O senhor Carlos Silvino poderá ser libertado a meio da pena, afirma Pedro Dias Pereira. No entanto, Carlos Silvino pode ver a pena ainda aumentar, caso seja condenado no processo que foi novamente julgado relativo à casa de Elvas. A leitura do acórdão do julgamento está marcada para 22 de Fevereiro. O TC tem em mãos, desde Março de 2012, os recursos dos restantes arguidos do processo Casa Pia de Lisboa que foram condenados e ainda nada decidiu, enquanto Carlos Silvino já passou por dois tribunais que lhe responderam. Nestas declarações à Renascença, o advogado Pedro Dias Pereira não considera a demora estranha e refere que nada está perdido. Na sua opinião, a decisão que se aguarda do Tribunal Constitucional ainda podem resultar benefícios para Carlos Silvino.

INTERNACIONAL 07 Sarkozy incentivou a intervenção ocidental na Líbia. O seu opositor e actual Presidente, F. Hollande, defendeu na campanha eleitoral ser preferível não envolver a França em conflitos armados no estrangeiro, nomeadamente em África, onde as intervenções foram frequentes nas últimas décadas. No entanto, Hollande interveio militarmente no Mali, a pedido do governo deste país e com a bênção da ONU. Uma intervenção que implica combates terrestres, e não apenas aéreos, contra forças islamistas radicais bem treinadas e bem equipadas. Hollande quer defender milhares de franceses que vivem no Mali. Mas o principal objectivo desta aposta arriscada é eliminar uma grande base de captação e treino de terroristas no Norte do Mali. Espera-se que outros países da África Ocidental se envolvam nesta operação. Os Estados Unidos oferecem apoio logístico. Mas os países europeus, a maioria dos quais tem vindo a reduzir as despesas militares, não parecem dispostos a mandar soldados para o Mali. É mais um sintoma da crise da integração europeia. Desemprego Ponto de vista A França regressa a África Francisco Sarsfield Cabral Jornalista Cirque Du Soleil vai despedir 400 pessoas O Cirque du Soleil vai despedir 400 funcionários para reduzir custos. A companhia explica que não está em crise nem com intenções de vender a empresa, mas refere que, em 2012, não teve saldo positivo. Que fique claro: o Cirque não está em crise, afirmou em conferência de imprensa o porta-voz da companhia, Renee-Claude Menard. O problema é que os 763 milhões de euros facturados em 2012 não chegaram para obter lucro. Menard afirmou mesmo que o ano passado foi um dos melhores, com a companhia a vender mais de 14 milhões de bilhetes para os 19 espectáculos realizados na América do Norte, na Europa e na Ásia. A empresa tem cinco mil funcionários e os despedimentos vão centrar-se na sede, em Montreal (Canadá), onde trabalham dois mil funcionários. DR Bruxelas União Europeia decide envio de missão ao Mali» Daniel Rosário Enviar já ou mais tarde uma missão da União Europeia ao Mali é a questão que os ministros dos Negócios Estrangeiros dos 27 discutem, hoje, em Bruxelas. O envio de militares está previsto há muito tempo sobretudo, para treino e aconselhamento do Exército maliano mas, para já, a França é o único país europeu com militares no terreno, a apoiar os militares malianos no combate aos rebeldes islamitas que ocupam o norte do país. Hoje, os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia devem hoje dar luz verde à missão de treino do Exército do Mali, uma decisão cuja execução será acelerada pelos combates no terreno. Este deverá ser o único envolvimento militar por parte da União, que deslocará 450 militares para o país, entre instrutores, pessoal de apoio e de segurança, com um mandato explícito para não intervir em acções de combate. Além disso, e apesar de afirmar ter um interesse vital no que acontece no país e naquela região de África, a União Europeia não deve ir muito além do apoio político à intervenção militar francesa e do apoio financeiro à força multinacional africana que se espera que comece a chegar brevemente ao país. No encontro, em que vai estar presente o chefe da diplomacia do Mali, deve também ser aprovado o apoio financeiro ao Governo maliano, para fazer face às consequências humanitárias do conflito. Posteriormente, no plano militar, vai ser criada uma estrutura para coordenar o apoio logístico que vários países europeus poderão prestar à missão militar africana. O objectivo é travar a expansão dos grupos islamistas a partir do Norte e criar condições que permitam às autoridades malianas restabelecer a integridade territorial do país. Apesar do apoio político e logístico declarado a Paris, nenhum outro país da União se comprometeu com o envio de tropas, o que significa que os militares franceses são e continuarão a ser os únicos europeus no terreno

INTERNACIONAL 08 Estados Unidos Obama anuncia plano para travar acesso a armas O Presidente dos Estados Unidos aprovou um pacote legislativo para reforçar o controlo de acesso a armas de fogo. Barack Obama anunciou, ontem, 23 medidas, incluindo a proibição da venda de armas de assalto, bem como a obrigatoriedade de verificação dos antecedentes criminais dos potenciais compradores de armas. Se houver uma única coisa que possamos fazer para reduzir a violência, se houver uma vida que possa ser salva, então temos a obrigação de tentar, declarou Barack Obama. O Presidente falava na Casa Branca, perante uma audiência onde estavam familiares de algumas das 20 crianças assassinadas no massacre de 14 de Dezembro, na escola primária de Newtown, no Connecticut. Não podemos adiar esta questão por mais tempo, disse Obama, que prometeu fazer tudo para que este plano seja aprovado e desafiou o Congresso a agir rapidamente. O Presidente norte-americano quer dificultar o acesso a armas de fogo, mas a questão não é consensual entre os congressistas republicanos e democratas e ainda há o poderoso lobby das armas. Michael Reynolds / EPA Aviação Boeing 787 Dreamliner proibidos de voar na Europa» João Cunha A Agência Europeia para a Seguranca da Aviação proibiu, hoje, todos os Boeing 787 Dreamliner de voar em espaço aéreo europeu. Uma decisão que está em sintonia com a que foi tomada, ontem, pelos Estados Unidos. A empresa norte-americana está a enfrentar a desconfiança geral. O avião começou a ser fornecido há pouco tempo às companhias aéreas que o adquiriram, mas desde o início do ano que começou a registar uma série de incidentes. Pequenos incêndios a bordo, fugas de combustível inexplicáveis, problemas com as baterias que provocam fumo na cabine de pilotagem e até vidros de cockpit que se partiram são alguns exemplos. Um dos incidentes levou mesmo à aterragem de emergência de um avião da Japan Airlines, pouco depois de descolar, com 130 passageiros a bordo. Face aos problemas, o Governo norte-americano ordenou uma inspecção rigorosa tanto do desenho como do processo de produção daquele modelo da Boeing. Logo após o anúncio da decisão, as companhias aéreas japonesas All Nippon Airways e a Japan Airlines, a Air India e a chilena LAN suspenderam as operações com os 787 Dreamliner. Em desenvolvimento durante uma década, os aparelhos têm uma estrutura leve e prometem economizar 20% de combustível - razão pela qual foi adquirido por muitas companhias. Face à procura, o construtor aeronáutico - que tem ainda cerca de 800 pedidos de entrega a cumprir - acelerou a linha de produção do modelo. Mas a Boeing garante que a rapidez não coloca em causa a segurança do 787 Dreamliner nem está na origem dos incidentes. EPA

INTERNACIONAL Argélia Fuga de reféns após rapto de trabalhadores por grupo radical islâmico 09 Perto de 30 reféns conseguiram escapar ao rapto levado a cabo por um grupo radical islâmico, ontem, num complexo de exploração de gás, na Argélia. Durante manhã de hoje, o exército argelino mantinha todo o complexo cercado. O grupo extremista - cujo líder se supõe ser o argelino Moktar Belmoktar - acusa as forças militares de terem bombardeado o local do rapto, tendo ferido dois reféns. Os raptores garantem, ainda, ter o perímetro armadilhado, e ameaçam matar todas as pessoas que ainda mantêm em cativeiro. Ao príncipio da tarde, o canal de televisão Al Jazeera dava conta da morte de 35 reféns e 15 raptores. Algo que terá ocorrido quando o grupo extremista tentava mudar os sequestrados de lugar. O grupo com ligações à rede terrorista Al-Qaeda raptou cerca de 40 trabalhadores estrangeiros, e 150 trabalhadores argelinos num campo de produção de gás natural, na Argélia. Para libertar os reféns, o grupo radical islâmico exige o fim da intervenção militar em curso no Norte do Mali, avança a agência de notícias da Mauritânia, ANI. O Governo da Argélia rejeita negociar com os responsáveis por este ataque contra um campo operado pela petrolífera britânica BP e pela norueguesa Statoil, no Sul do país. As instalações ficam situadas em Amenas, a cerca de 1300 quilómetros a sudeste da capital Argel. As autoridades argelinas não vão responder às exigências dos terroristas e não vão negociar, declarou o ministro argelino do Interior, citado pela agência APS. Entre os reféns há 13 trabalhadores noruegueses e vários norte-americanos. O Governo norueguês pede às autoridades argelinas que coloquem a vida e a saúde dos reféns acima de tudo. EPA Londres Estação de metro evacuada após incêndio Depois do acidente com o helicóptero, Londres volta a ser notícia, desta vez, devido a um incêndio numa das estações de metro. As chamas eclodiram no motor de um comboio em Victoria Station, ontem, em plena hora de ponta (7h00).Tratase de uma das mais centrais e importantes estações da capital inglesa. Deslocaram-se ao local cinco equipas de bombeiros, que apagaram o fogo. O comboio encontrava-se vazio na altura. A estação teve de ser evacuada, causando atrasos na circulação. Ontem, a queda de um helicóptero no sul de Londres, sobre a movimentada estação de comboios de Vauxhall. O aparelho voava a baixa altitude e terá embatido numa grua e despenhando-se em seguida. O acidente causou dois mortos. EPA Reino Unido Libertado português suspeito de terrorismo Foi libertado o homem que tinha sido detido no aeroporto de Londres, suspeito de terrorismo na Síria. A notícia foi avançada pelo canal de televisão SIC Notícias. Além deste homem, de 33 anos, foram detidos também outros três indivíduos, que também já estão em liberdade. Nenhum destes três homens detidos tinha passaporte português. As autoridades britânicas garantem, contudo, que a investigação vai continuar apesar destas libertações. O homem com passaporte português foi detido no aeroporto de Gatwick, em Londres, quando se preparava para embarcar para a Síria.

RELIGIÃO 10 Debate na Renascença Direitos do animais não são comparáveis aos direitos humanos porque direito pressupõe consciência» Ângela Roque O direito pressupõe consciência e responsabilidade. Por isso, não se pode falar em direitos dos animais para defender a vida do cão que matou uma criança de ano e meio, em Beja, nem equiparar esses direitos aos direitos humanos. A tese foi defendida pelo jurista Pedro Vaz Patto, no habitual espaço de debate das quartas-feiras, na Edição da Noite, da Renascença. Hoje, temos uma sensibilidade maior à questão dos maus-tratos aos animais. Já não há a concepção de que se pode fazer tudo a um animal. Há um limite em relação à forma como tratamos os animais, mas daí a falarmos em direitos dos animais, como é costume, penso que não podemos assumir essa perspectiva, sublinhou Vaz Patto. Desde sempre, considerámos que o Direito supõe consciência e liberdade e não há direitos sem deveres. O Direito supõe a responsabilidade. Este é um exemplo evidente: ninguém vai pedir responsabilidades ao cão pitbull que matou a criança, como se se tratasse de uma pessoa humana. Essa responsabilidade terá que ser pedida aos donos, defendeu o jurista. Milhares de pessoas mobilizaram-se na última semana, via Internet, para defender a vida do cão e o seu abate foi adiado. Pedro Vaz Patto sublinha, no entanto, que a decisão de matar o animal não pode ser vista como um castigo, uma vez que tem a ver com a segurança das pessoas. Para Pedro Vaz Patto, está em causa um princípio de civilização. A decisão do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem sobre casos de violação da liberdade religiosa e de consciência no Reino Unido e a manifestação contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo em França foram outras das questões analisadas no debate de ontem. O destaque foi, no entanto, para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, que começa amanhã, com o testemunho de Rita Monteiro, de 27 anos, que esteve na Renascença para falar da sua experiência na comunidade ecuménica de Taizé. Liberdade Religiosa Vaticano critica sentença do TEDH A Santa Sé reagiu, ontem, às recentes decisões do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, relacionadas com a liberdade de consciência e de religião. O tribunal de Estrasburgo rejeitou três queixas de cidadãos britânicos que alegavam discriminação religiosa no local de trabalho. Só a uma quarta queixosa, uma ex-funcionária da British Airways, foi dada razão. Nadia Eweida tinha sido despedida quando se recusou a retirar o seu crucifixo, apesar de mais tarde a empresa ter alterado as suas normas, passando a permitir esse tipo de adereços religiosos. Chaplin perdeu o seu emprego de enfermeira quando se recusou a retirar um crucifixo do pescoço. Ladele foi despedida quando disse não querer presidir a cerimónias de união entre homossexuais e McFarlane, terapeuta sexual, perdeu o emprego quando se recusou a fazer o seu trabalho com homossexuais. Todos invocaram as suas crenças religiosas para defender as suas posições, mas o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem não lhes deu razão. O Secretário para as Relações com os Estados veio a público afirmar que o relativismo moral começa a imporse como nova norma social e está a minar os alicerces da liberdade individual, de consciência e de religião. Monsenhor Mamberti explicou que assuntos controversos relacionados com o aborto, a homossexualidade e a liberdade de consciência devem ser respeitados pelas legislações de toda e qualquer sociedade pluralista, em nome do respeito pela liberdade de consciência, de religião e do bem comum. Neste campo, a Igreja não pede privilégios do género zona franca de direitos, para as suas comunidades religiosas, o que a Igreja pede é a defesa da liberdade religiosa na dimensão social e colectiva, ou seja, que sejam reconhecidas como espaços de liberdade, com base no direito à liberdade religiosa e no respeito da ordem pública. O Vaticano defende que esta doutrina deve ser de aplicação geral e não exclusiva da Igreja Católica, porque se baseia em critérios de justiça para todos. Edifício do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem DR PUB

CULTURA 11 Centro de Arte Moderna Gulbenkian duplica verba para aquisição de arte» Maria João Costa Numa altura de aperto de cinto, a Fundação Calouste Gulbenkian aumentou a verba para a aquisição de obras de arte, avançou à Renascença a directora do Centro de Arte Moderna (CAM) da Gulbenkian, Isabel Carlos. O CAM, que celebra em Julho 30 anos de vida, vê duplicar a verba para aquisições de obras de arte. São mais 150 mil euros por ano para engrossar o acervo do museu, nos próximos três anos. Já tínhamos anualmente 150 mil e agora durante três anos teremos este reforço e penso que são razões - numa altura em que quase não temos razões para sorrir - para que o CAM e a Fundação Calouste Gulbenkian sejam uma casa para todos virem e para todos celebrarmos num ano que sabemos que é difícil, diz Isabel Carlos à Renascença. A colecção do CAM reúne actualmente cerca de nove mil peças de artistas portugueses e internacionais, com um enfoque especial sobre arte portuguesa das primeiras décadas do século XX. A comemorar 30 anos, o Centro de Arte Moderna fará a festa, em Julho, centrada neste acervo e em particular na obra de Amadeo de Souza Cardoso. Mostraremos pela primeira vez todo o acervo que o CAM tem de Amadeo, que são 196 obras, entre pintura e desenho, revela. Em Outubro, haverá uma segunda etapa de comemorações com performances artísticas. Amanhã, o Centro de Arte Moderna abre ao público três novas exposições. A obra da afegã Lida Abdul e a australiana Narelle Jubelin reflectem sobre o mundo de hoje, mas o CAM também põe um pé no passado com a obra do poeta e pintor português Júlio dos Reis Pereira (1902-1983), com pintura e desenho. Um ciclo para celebrar 30 anos da performance portuguesa (a partir de 17 de Outubro), com performances semanais à hora do almoço e às 17h00, de artistas como Alberto Pimenta, Joana Bastos e Isabel Carvalho. Em Abril, será apresentada a exposição Galápagos, que resulta de uma residência naquelas ilhas por dez artistas britânicos e dois artistas portugueses, Filipa De cima para baixo: obras de Lida Abdul, Narelle Jubelin e Júlio dos Reis Pereira no CAM César e Paulo Catrica. Até ao final do ano, o CAM exibirá ainda uma mostra de 500 desenhos de Emmerico Nunes (1888-1968), uma exposição de desenho, serigrafia e colagem de Fernando Azevedo (1923-2002) e outra da finlandesa Raija Malka. Manuel de Almeida/LUSA Exposição Joana Vasconcelos leva cultura portuguesa a Nova Iorque Joana Vasconcelos apresenta, a partir de hoje, cinco obras ligadas à cultura portuguesa, numa exposição colectiva numa galeria de arte de Nova Iorque. A exposição How to Tell the Future from the Past e ficará na galeria galeria Haunch of Venison, em Manhattan, até 2 de Março. A mostra colectiva inclui trabalhos de pintura, escultura e vídeo de cinco artistas, que sugerem uma trajectória da humanidade, não como um desenvolvimento contínuo, mas sim como um eterno retorno à natureza. Participam também nesta exposição Yang Jiechang, Justin Mortimer, Patricia Piccinini e Eve Sussman. O trabalho da artista portuguesa é descrito pela galeria como tendo formas não naturais que sugerem uma relação difícil entre quem somos e aquilo que queremos. Vasconcelos incorpora objectos do dia a dia e têxteis em readymades que exploram o papel das tradições numa sociedade mecanizada e tecnologicamente avançada.

CULTURA 12 Lisboa Uma casa para os agentes do cinema Nove entidades ligadas ao cinema ocupam a partir de hoje um edifício no Bairro Alto cedido pela Câmara de Lisboa, um exemplo de partilha e criatividade que pode ser uma saída da crise, destacou o presidente da autarquia. A Casa do Cinema, na Rua da Rosa, acolhe as sedes da Academia Portuguesa de Cinema, da Associação Portuguesa dos Realizadores, da Apordoc - Associação pelo Documentário (DocLisboa), da Duplacena (Temps d Image e FUSO), da ASCULP - Associação Cultura e Cidadania de Língua Portuguesa (FESTin), da Zero em Comportamento (Indie Lisboa), da Associação Janela Indiscreta (Queer Lisboa) e da Monstra - Festival de Animação de Lisboa. Em Portugal, é muito difícil juntar duas entidades, juntar dois projectos, mas cada vez mais temos de ser capazes de combinar isso, porque a partilha dos recursos que existem e a sua conjugação têm um efeito multiplicador muito superior. O que esta crise revela é que o maior défice que existe é o défice de imaginação, de criatividade e de atitude para mudar isto. A prioridade das prioridades tem de ser convocar e activar tudo o que seja criatividade e inovação, que é daí que vão surgir as saídas para esta crise, afirmou o presidente da câmara da capital, António Costa, na inauguração do espaço. Questionado sobre se, com esta iniciativa, a Câmara de Lisboa está a colmatar eventuais faltas de apoio ao cinema, António Costa recusou que o município tenha capacidade para se substituir ao Estado. O presidente da Academia Portuguesa de Cinema, Paulo Trancoso, realçou a importância desta atribuição de espaços num ano tão difícil para o cinema português, muito de vacas magras para a produção, que esteve encerrada. O produtor referiu que cerca de 800 mil pessoas viram filmes portugueses no ano passado. Se houvesse mais produção portuguesa, com certeza que os portugueses irão mais ao cinema e irão ver o seu próprio cinema. Cada entidade pagará uma renda simbólica, de 56 euros, sendo a atribuição do espaço por tempo indeterminado. Num local inteiramente dedicado ao cinema, não foi esquecido o maior antigo realizador português: na sala atribuída à Associação Portuguesa de Realizadores, está exposto o cartaz original do filme Aniki-Bóbó, de Manoel de Oliveira, destacou a sua presidente, Margarida Gil. Manuel de Almeida/LUSA Gulbenkian Ópera com mãos internacionais» Maria João Costa Sobe ao palco do Grande Auditório da Gulbenkian, hoje e amanhã, a ópera Emilie. O espectáculo gira em torno da vida de Emilie du Châtelet, aristocrata francesa do século XVIII que manteve uma relação amorosa com o escritor e filósofo Voltaire. O libreto da ópera foi escrito pelo libanês Amin Maalouf e a música composta pela finlandesa Kaija Saariaho. Os últimos meses da vida da Emilie du Châtelet foram tão dramáticos que pensei que poderiam dar a história para uma ópera, conta Saariaho, acrescentando DR que ela e Maalouf leram muitas cartas da Emilie, leram sobre o seu trabalho científico e entraram em mais pormenores da sua biografia e sobre a sua vida com Voltaire. A ópera tem a encenação dos portugueses André Teodósio e Vasco Araújo e conta com a voz da soprano canadiana Barbara Hannigan no principal papel. A orquestra é da Gulbenkian sob a batuta do maestro Ernest Martinez-Izquierdo. Emilie sobe ao palco do Grande Auditório da Gulbenkian, hoje às 21h00, e amanhã, às 19h00. Os bilhetes custam entre 11 e 22 euros.

DESPORTO 13 Ponto Final Mercado de Inverno Ribeiro Cristóvão Jornalista Com o aproximar do fim de Janeiro estão a acentuar-se os movimentos tendentes a garantir as últimas contratações. Dirigentes, treinadores e jogadores andam assim numa roda-viva à espreita de boas oportunidades que revertam em benefício de todas as partes. Curiosamente, as mudanças que se vão registando não têm visado apenas os atletas, havendo também técnicos envolvidos em aquisições e dispensas, nalguns casos rodeadas de grande espectacularidade. É o caso de Pep Guardiola, que depois de muitos anos de sucesso à frente do Barcelona, acaba de vincular-se, através de um acordo de três anos, ao maior clube alemão, o Bayern de Munique. Não espanta a visão do clube bávaro, criteriosamente dirigido em exclusivo por homens do futebol, como são os casos de Beckenbauer, Hoeness, Rummenigge e Sammer, os quais não deixarão de proporcionar a Guardiola todas as condições para conseguir levar o clube ao topo do futebol europeu e mundial. Na Catalunha, o tema tem sido dominante nestes dias, avolumando-se as interrogações sobre como irá ser o novo desafio do extreinador do Barcelona. Começam também já a surgir as primeiras dúvidas quanto à hipótese de, com Guardiola, poderem seguir para a Alemanha jogadores com os quais trabalhou até há pouco tempo e, sobretudo, o fenómeno brasileiro Neymar, possivelmente desviado do compromisso que terá já assumido há largo tempo com o Barça. Pep Guardiola tem assim pela frente a grande oportunidade de confirmar se é realmente um treinador de grande gabarito. Tendo já ganho tudo ao serviço dos catalães, resta-lhe provar se, noutro clube, é capaz de continuar esse êxito. José Mourinho, que tem sido o seu grande quebra-cabeças, conta com títulos de campeão em quatro países. Optar pelo Bayern, em detrimento de vários clubes ingleses que lhe haviam acenado com propostas fabulosas, significa ter todas as condições para chegar ao sucesso. Mas, para lá chegar, Guardiola tem ainda um longo caminho a percorrer. Ouça a crónica de Ribeiro Cristóvão às 22h30, em Bola Branca Taça de Portugal Paços e Guimarães à espera dos adversários O quadro das meias-finais da Taça de Portugal fica hoje definido, com a realização dos jogos Arouca-Belenenses (18h45) e o Académica-Benfica (20h45). Ontem, ficou consumado o apuramento de Paços de Ferreira (espera Académica ou Benfica) e do Vitória de Guimarães (vai defrontar o sobrevivente da II Liga). Os castores bateram o Gil Vicente, por 2-1. Igual resultado registouse no derby do Minho, com Vitória e Sporting de Braga a decidirem o desafio somente em tempo de prolongamento. Nos 90 minutos, houve um empate a uma bola. As meias-finais disputam-se a duas mãos, a 30 de Janeiro e a 17 de Abril. Os jogos dos quartos-de-final têm informações na antena da Renascença e acompanhamento ao minuto em rr.sapo.pt. Ranking da FIFA Portugal mantém o sétimo lugar Portugal mantém-se, em Janeiro, como a sétima melhor selecção do mundo, no ranking da FIFA. A equipa liderada por Paulo Bento está atrás da Inglaterra e à frente da Holanda. Face a Dezembro, não houve grandes mudanças entre os primeiros classificados da tabela. Os primeiros onze, inclusivamente, mantêm as posições do mês anterior. A selecçãode Espanha lidera o ranking da FIFA, seguida da Alemanha, da Argentina e da Itália. O Equador, selecção que Portugal defronta num amigável, a 6 de Fevereiro, subiu uma posição, ocupando o 12º posto. O top-10 é o seguinte: 1. Espanha 1606 pontos 2. Alemanha 1437 3. Argentina 1290 4. Italia 1165 5. Colômbia 1164 6. Inglaterra 1151 7. Portugal 1144 8. Holanda 1124 9. Rússia 1070 10. Croácia 1064.

ONTEM E HOJE 14 A 17 de Janeiro de 1929... Popeye surge em BD, ainda sem o vício dos espinafres» Marília Freitas Ei, tu aí! És marinheiro? - pergunta Castor Palito. Pensavas que eu era um cowboy? - responde um homem com uniforme de marinheiro. Popeye apresenta-se assim ao mundo da banda desenhada, a 17 de Janeiro de 1929. Nesta história, publicada no New York Journal, o irmão de Olívia Palito, Castor Palito, regressava de uma viagem de navio, onde procurara uma galinha mágica que podia dar força e invulnerabilidade a qualquer um que esfregasse as suas penas. Castor resolve contratar mais um marinheiro e, ao chegar ao cais, aborda um homem com uniforme correspondente. Esta é a primeira vez que Popeye aparece na banda desenhada, mas as histórias da família Palito já existiam desde 1919. Olívia Palito era uma das protagonistas e até tinha outro namorado, antes da chegada de Popeye, chamado Ham Gravy. Com o desenrolar da história, Ham Gravy foi substituído por Popeye, tornando-se, assim, no companheiro de Olívia. Esta série de banda desenhada, criada por Elzie Crisler Seagar, chamava-se The Thimble Theatre ( Teatro em Miniatura ) e Popeye, rapidamente, tomou o lugar de protagonista. A personagem é peculiar: um marinheiro zarolho, sem dentes e com grandes músculos nos antebraços. Nunca se separa do seu cachimbo e anda sempre com o fato de marinheiro. É inevitável associar a Popeye a latas de espinafres. No entanto, nas tiras diárias de BD, a personagem raramente aparecia a abrir latas de espinafres. A cena torna-se mais frequente quando a história é adaptada para desenhos animados. Aliás, enquanto nos desenhos animados Popeye precisa de abrir uma lata de espinafres para poder enfrentar os adversários, na BD a sua força é natural. Os produtores de espinafres não ficaram alheios ao potencial publicitário do marinheiro e ergueram uma estátua ao Popeye na cidade de Crystal City, no Texas, em 1937, como reconhecimento pelo contributo que teve nas vendas do vegetal. Em Portugal, a estreia de Popeye em banda desenhada deu-se a 3 de Novembro de 1939, no primeiro número da revista Pirilau. Nessa altura, já a história tinha sido adaptada ao cinema. Popeye tinha surgido no grande ecrã seis anos antes, num desenho animado produzido pelos Fleischer Studios, com a participação da personagem Betty Boop. Olhar O histórico presidente do FC Infesta entre os troféus conquistados pelo popular clube de Matosinhos. Manuel Ramos decidiu deixar o emblema no dia em que fez 80 anos e a seis meses de completar 39 de mandato. É descrito como um dirigente cumpridor, solidário e apaixonado. Foto: osé Coelho/LUSA

ÚLTIMAS 15 ONU Há risco de recessão se desemprego não for combatido A Organização das Nações Unidas (ONU) alertou, hoje, para o grave risco de uma nova recessão se não forem adoptadas medidas de combate ao aumento do desemprego no mundo. O agravamento da crise na Zona Euro, o abismo orçamental nos Estados Unidos e um abrandamento brusco da economia chinesa poderão causar uma nova recessão global, avisou o director do relatório da ONU sobre a Situação e Perspectivas da Economia Mundial 2013, Rob Vos. Cada um desses riscos poderá causar perdas produtivas globais entre 1% e 3%, sublinhou. A ONU considera que as actuais políticas económicas baseadas na austeridade fiscal e nos cortes orçamentais não conseguem oferecer o que é necessário para incentivar a recuperação económica e conter a crise do emprego. INE Quase duplicou o número de portugueses que emigrou A emigração cresceu 85% entre 2010 e 2011, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística. A faixa etária em que mais se registou a saída foi entre os 25 e 29 anos. Os números do INE sobre estimativas anuais de emigração indicam que, em 2011, emigraram 43.998 pessoas, incluindo cidadãos de Portugal e estrangeiros, ou seja mais 20.238 do que em 2010, ano em que emigrou um total de 23.760 pessoas. O registo é de um aumento de 85% em apenas um ano. Do total de 43.998 pessoas que abandonaram Portugal, estima-se que 41.444 seriam portugueses e 2.554 nacionalidades estrangeiras. Há milhares de crianças e adolescentes neste lote dos que saíram do país. Carnaval Não haverá tolerância de ponto O Governo confirma que não será concedida tolerância de ponto no Carnaval este ano, adiantando que esse princípio vai manter-se, pelo menos, durante a aplicação do Programa de Assistência Económica e Financeira a Portugal. O secretário de Estado da Presidência, Luís Marques Guedes, disse hoje, no final do Conselho de Ministros, que o mesmo princípio se aplicará, na Páscoa, à tarde da Quintafeira Santa. Em Fevereiro do ano passado, o ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, anunciou que este ano o Governo voltaria a não conceder tolerância de ponto no Carnaval. Este ano, a terça-feira de Carnaval é no dia 12 de Fevereiro. A fechar... Passos promete medidas para rápido regresso ao mercados O Primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, prometeu, hoje, em paris, o anúncio, a breve prazo, de medidas para que o país regresse aos mercados TEMPO SEXTA LISBOA 16ºC/15ºC SÁBADO 13ºC/12ºC Seguro volta a ameaçar com moção de censura PORTO 15ºC/13ºC 12ºC/10ºC O secretário-geral do PS, António José Seguro, voltou hoje a ameaçar com a apresentação de uma moção de censura, caso o Governo opte por concretizar as propostas contidas no relatório do FMI sobre a reforma do Estado Social. FARO COIMBRA 17ºC/14ºC 15ºC/14ºC Liedson gostaria de regressar 15ºC/13ºC 11ºC/10ºC Marcelo Robalinho, da empresa Think Ball, que gere a carreira de Liedson, dissse hoje que o jogador gostaria de voltar, porque gosta de muito de Portugal. Sem confirmar que o FC Porto será o próximo clube de Liedson, Robalinho sublinhou que nenhum jogador pode deixar de ser opção para um clube com a grandeza do FC Porto. MADEIRA AÇORES 23ºC/14ºC 17ºC/15ºC 21ºC/18ºC 17ºC/15ºC Página1 é um jornal registado na ERC, sob o nº 125177. É propriedade/editor Rádio Renascença Lda, com o nº de pessoa colectiva nº 500725373. O Conselho de Gerência é constituído por João Aguiar Campos, José Luís Ramos Pinheiro, Luís Manuel David Soromenho de Alvito e Luiz Gonzaga Torgal Mendes Ferreira. O capital da empresa é detido pelo Patriarcado de Lisboa e Conferência Episcopal Portuguesa. Rádio Renascença. Rua Ivens, 14-1249-108 Lisboa.