Indicadores Anefac dos países do G-20 O Indicador Anefac dos países do G-20 é um conjunto de resultantes de indicadores da ONU publicados pelos países: África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coréia do Sul, Estados Unidos, França, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Reino Unido, Rússia e Turquia. A partir da aplicação do método Sigmark, que traduz o significado dos números e permite a geração de resultantes de medidas de diferentes naturezas onde cada número apresentado pelo país é comparado com os demais números, para a mesma variável publicada na página da ONU, e transformado em uma escala de 0 a 10 conforme a distância contada em desvios padrões de afastamento em relação à média, sendo o número 5 a posição central, resultando na escala Sigmark: Essa graduação é utilizada para a formação das resultantes que compõem o Indicador Anefac, sendo que no estudo dos países do G-20 cada variável tem por peso a correlação da própria variável em relação ao IDH, de forma a mantermos a coerência com os indicadores da ONU em termos de relevância das medidas. Para cada grupo de variáveis foi estabelecido um ranking a partir da resultante do grupo, de forma que podemos comparar a posição relativa de cada país em cada tema do estudo. A análise do indicador Anefac dos países do G-20 passa a partir de agora a fazer parte dos trabalhos da ANEFAC, com freqüência anual, que também visa contribuir com o desenvolvimento do nosso país, apontando os problemas onde o governo e a sociedade deverão ter um foco maior se quisermos nos tornar, um dia, uma nação desenvolvida, onde os problemas atuais de violência e distribuição de renda não sejam tão gritantes. As comparações com os países do G-20, onde temos os países desenvolvidos e países em fase de desenvolvimento, no nosso entender, nos permite focar em todos os indicadores onde precisamos melhorar para atingirmos o nível de um país desenvolvido. Este trabalho da Anefac é coordenado pelo Gianni Ricciardi e Roberto Vertamatti. O principal indicador é a Resultante Sigmark Geral, aderente ao IDH, no entanto vários outros indicadores são apresentados em categorias com sua resultante Sigmark correspondente, o que permite estabelecer um ranking de países para cada categoria, o que torna a análise bastante completa. As categorias de indicadores são: IDH, Saúde, Educação, Renda, Desigualdade, Pobreza, Desigualdade de Gênero, Sustentabilidade e
Segurança Humana. Não temos dúvida que estes indicadores de desempenho de vários países, nos permitem inferir onde deveremos nos esforçar mais para atingirmos o nosso desenvolvimento. A comparação com os países do chamado G-20 também é importante no sentido de que é com estes que devemos nos comparar na busca de melhores indicadores. Todos os números foram fornecidos pelos países individualmente à Organização das Nações Unidas, que tem a responsabilidade de compilação dos dados. O quadro resumo demonstrando de forma colorida cada um dos números, sendo que a coloração segue o seguinte padrão de informação: - Violeta totalmente satisfatório. - Azul satisfatório. - Verde parcialmente satisfatório. - Amarelo requer atenção para a busca de melhoria. - Vermelho insatisfatório. Resumidamente nesta análise chamam a atenção alguns indicadores, os quais demonstram a necessidade de muito empenho, além das providências que temos tomado hoje, em especial do governo, para mudarmos este quadro, sem estas principais alterações nós nos manteremos na situação atual, onde temos um PIB da ordem de US$ 2,1 trilhões, nos colocando como a 8ª economia do mundo, mas no item mais importante que é este mesmo PIB per capita, hoje ao redor de US$ 10.847 por habitante / ano, nos leva à 15ª posição entre os países do G-20, atrás de países como: México, Turquia e Argentina. Em termos do IDH o Brasil está em uma situação desconfortável, pois ocupa o 14º lugar em relação ao G-20, no entanto em relação ao contexto de todas as nações estamos na 73ª posição, um nível que vai requerer muito esforço para evoluirmos. Outra análise que também chama bastante a nossa atenção é o coeficiente de Gini que mede a distribuição de renda da população. Em relação ao G-20 ocupamos a 18ª posição, somente à frente da África do Sul, no entanto no contexto das nações ocupamos o 73ª posição, mostrando efetivamente que a distribuição de renda continua muito deficiente em nosso país, apesar da melhoria ocorrida nos anos recentes. Com relação à desigualdade de gênero ( Gender ) onde se analisa a situação da mulher em relação ao homem, em particular o indicador que mede a quantidade de crianças nascidas de jovens dos 15 aos 19 anos, é o maior dos países do G-20. Em 2010 a cada mil crianças nascidas, 76 foram nascidas de mães ainda muito jovens. Um indicador em que o Brasil tem destaque positivo é o de sustentabilidade, em que são apresentadas baixas taxas de emissão de carbono, assim como um alto percentual do território protegido. Com relação à segurança é outro indicador onde o Brasil se situa muito mal, sendo que morreram em 2010 por homicídio 22 pessoas a cada 100.000 habitantes. Pior do que o Brasil no grupo do G-20, somente a África do Sul onde ocorreram 36 homicídios a cada 100.000 habitantes. A seguir analisaremos detalhadamente os indicadores em cada um dos seus grupos:
Ranking Geral: O ranking geral mostra o Brasil em relação ao G-20 na posição 14, atrás de países como Argentina, México e Arábia Saudita, com uma pontuação parcialmente satisfatória, mas bem inferior às nações desenvolvidas. Como analisaremos a seguir, particularmente com relação ao IDH e à distribuição de renda, o Brasil está em uma posição bastante desconfortável no contexto das nações, estando classificado na 73ª posição. Para evoluirmos definitivamente nesta próxima década e transformarmos o Brasil em um país desenvolvido, ações coerentes, profundas e consistentes terão que ser adotadas com relação à educação e a distribuição de renda. Sem dúvida que as dificuldades são grandes e desafiadoras, como mostram os indicadores analisados neste estudo. No entanto, já suplantamos vários obstáculos ao longo dos últimos 20 anos, mas sabemos que os ajustes precisam continuar acontecendo. Neste sentido todos temos que dar nossa contribuição e apoio a todas as medidas que forem adotadas no sentido de uma maior distribuição de renda e na ampliação forte do nosso sistema educacional, lembrando que não basta educar, mas precisamos educar com qualidade. Nesta grande tarefa todos tem sua parte a contribuir, governo, industriais, associações, igrejas, pois construir uma nação desenvolvida, significa desenvolver o cidadão.
Ranking IDH: Hoje o IDH, um índice criado no início da década de 90, é considerado mundialmente como o melhor indicador para definir o grau de desenvolvimento de um país. O índice combina a longevidade, o nível de educação e a renda, para sinalizar a situação de um país com relação ao seu desenvolvimento humano. Com relação ao G-20 o Brasil está em 14º lugar, atrás da Argentina, Arábia Saudita, México e Rússia. No contexto geral das nações a posição é a 73ª classificada. Para a posição brasileira melhorar substancialmente vai depender de um esforço maior, principalmente, com relação à melhoria da nossa educação e da saúde.
Ranking Saúde: Neste conjunto de indicadores sobre a saúde, o Brasil hoje gasta com a saúde algo como 3,5% em relação ao PIB. Nos países desenvolvidos o gasto é o dobro do brasileiro e, além disto, como a renda per capita dos países desenvolvidos é muito mais expressiva do que a brasileira, o valor gasto para a saúde é significativamente maior. Por outro lado a mortalidade infantil está em 22 crianças a cada 1.000 nascidas, índice que tem melhorado ao longo das últimas duas décadas, mas que ainda é muito distante dos países desenvolvidos onde a mortalidade está ao redor de 6 criança a cada 1.000 nascidas. Neste quesito a Argentina está em situação melhor do que o Brasil pois hoje a mortalidade está em 16 crianças. Quanto à expectativa de vida, o Brasil hoje está com 72,9 anos, enquanto que nos países desenvolvidos esta expectativa está ao redor de 81 anos.
Ranking Educação: Com relação ao conjunto de indicadores de educação, o Brasil se localizou na 12º posição considerando os países do G-20, em especial se destaca o percentual de 5,2 % aplicado na educação. No entanto este indicador, melhor analisado, demonstra que o investimento efetivo por cidadão no Brasil é 1/3 do que é investido em educação nos países desenvolvidos. Lembramos também que estes indicadores não conseguem inferir a qualidade da educação e, no Brasil, pela percepção geral, esta qualidade está aquém dos padrões dos países desenvolvidos, apesar dos esforços do nosso governo. Com relação ao uso de internet no Brasil são 37,5 usuários a cada 100, enquanto que nos
países desenvolvidos os usurários são em torno de 75 cidadãos a cada 100. Enquanto no Brasil as crianças ficam 13,8 anos na escola, em média, nos países desenvolvidos as crianças ficam na escola ao redor de 16 anos. No Brasil, em média, os adultos passaram 7,2 anos na escola, enquanto que nos países desenvolvidos a média está próxima dos 12 anos. Ranking Renda: Os indicadores de renda posicionam o Brasil em 15º lugar em relação ao G-20, com uma renda per capita de US$ 10,847, bastante inferior à renda da Coréia do Sul que é de US$ 29,326 e, praticamente 1/3 da renda per capita dos países desenvolvidos.
Ranking Desigualdade: Estes indicadores mostram as desigualdades com relação à distribuição de renda e situam o Brasil no 15º lugar com relação ao G-20. No entanto, nestes itens o Japão e a Arábia Saudita não passaram as informações para a ONU e, desta forma, não foram qualificados neste quesito. Particularmente o coeficiente de Gini é o indicador mais importante deste ranking e mostra o Brasil em situação bastante desconfortável com relação à distribuição de renda, onde os menores números significam uma distribuição melhor. No caso a indicação Sigmark vermelha indica como insatisfatório.
Ranking Pobreza: A situação do Brasil com relação à pobreza indica que estamos em pior situação do que Rússia, Argentina, México e Turquia. Aproximadamente 8,5% da população brasileira, algo como 17 milhões de habitantes vivem na miséria e destes, 10 milhões vivem com US$ 1,25 por dia.
Ranking Desigualdade de Gênero: Neste conjunto de índices, onde apontam as diferenças entre os sexos, onde o feminino acaba sendo inferiorizado em diversos aspectos, o Brasil está entre os países do G-20 na posição 16. O indicador mais preocupante é o das crianças nascidas de mulheres com idade entre 15 e 19 anos que está em 75,5 crianças a cada 1.000 mulheres.
Ranking Sustentabilidade: Estes indicadores mostram o Brasil em situação confortável, estando classificado em 1º lugar entre os países do G-20, com destaque para a baixa emissão de carbono e o percentual de território protegido contra o desmatamento.
Ranking Segurança Humana: Quanto à segurança o Brasil está rankiado em 14º lugar, destacando o número totalmente insatisfatório de 22 homicídios a cada 100.000 habitantes; neste quesito somente a África do Sul está em situação pior se comparada com os países do G-20. Outro indicador não informado pelo Brasil: a quantidade de roubos a cada 100.000 habitantes que, estatísticamente acompanham o quadro de homicídios e, neste sentido indica que temos realmente valores absurdos de roubos, se seguirmos a proporção entre estes dois delitos nos demais países.