Direito Empresarial Aula 7 Empresário e estabelecimento empresarial Prof. Dr. Érico Hack PUCPR
Evolução - Empresa Teoria subjetiva Corporações de ofício Teoria objetiva atos de comércio lista taxativa Código Comercial de 1850 Figura do comerciante Teoria subjetiva moderna Teoria da empresa Itália adotada pelo Código Civil de 2002
Empresário Art. 966. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa.
Elementos do empresário Profissionalmente habitualidade, não inclui hobbies ou atividade esporádica Atividade empresa é a atividade, não o local Econômica lucro ou patrimônio Organizada mão de obra, insumos, capital e tecnologia (know-how) Impessoalidade atividade não personificada pessoa não interessa
Empresa Empresa e empresário referem-se à FORMA de prestação da atividade, não a pessoa, o local ou a atos específicos Profissionais liberais (intelectuais, artísticas, científicas) não são empresa pela pessoalidade exceto no contexto de uma empresa Médicos, advogados, contadores etc. Podem exercer atividade econômica, mas não será empresária
Empresário Empresário quem exerce a atividade empresária Empresário individual - pessoa física Empresário coletivo - sociedades empresárias (tipos societários Limitada, S/A, sociedade simples) Não confundir atividade empresária ou não, tipo societário e regime tributário são três características distintas
Empresário individual Dois requisitos cumulativos: 1. Capacidade civil plena e 2. Ausência de impedimento (magistrados, MP, servidor público) pode ser sócio de empresa coletiva Impedido que exerce atividade responde pelas obrigações Incapaz pode exercer atividade com representante ou assistente
Empresário Individual Pessoa física que exerce em nome próprio atividade empresária Patrimônio único bens que não estão na empresa respondem por dívidas Precisa de registro, CNPJ etc.
Registro do Empresário Objetivo de dar publicidade do empresário e sua atividade Condição de reguaridade da empresa Registro Público de Empresas Mercantis (RPEM) Juntas comerciais Sociedades não empresárias: RCPJ O que determina é a atividade, não o tipo societário Registro da pessoa independe do registro fiscal (CNPJ, IE, IM)
Registro do Empresário Efeitos Individual eficácia declaratória Coletivo e Eireli constitutivo da pessoa jurídica autonomia patrimonial Filias em outros estados registro no RPEM do local averbação de estabelecimentos e filiais
Estabelecimento Empresarial Art. 1.142. Considera-se estabelecimento todo complexo de bens organizado, para exercício da empresa, por empresário, ou por sociedade empresária. fundo de comércio complexo de bens organizado bens móveis e imóveis, materiais e imateriais Art. 90. Constitui universalidade de fato a pluralidade de bens singulares que, pertinentes à mesma pessoa, tenham destinação unitária.
Estabelecimento Empresarial -fazem parte do estabelecimento a clientela, o ponto, o nome, a marca, patentes, imóveis, contrato de locação, estoque, móveis etc. Estabelecimento valor maior que os bens que o compõe aviamento, goodwill Uma empresa pode ter vários estabelecimentos Estabelecimento físico ou virtual negócio Estabelecimento é uma unidade de negócio da empresa apta a gerar faturamento e lucro
Trespasse do Estabelecimento Trespasse contrato de venda do estabelecimento Não se confunde com a venda do controle da sociedade (pessoa jurídica) O empresário vende um de seus estabelecimentos a um terceiro vendedor e comprador podem ser empresários coletivos ou individuais
Trespasse do Estabelecimento valuation patrimônio avaliado + goodwill = calculado sobre lucro projetado ou passado Valor acima do contabilizado pode gerar tributação sobre o ganho de capital Várias técnicas de valuation do estabelecimento retorno do investimento, valorização do patrimônio, valor estratégico
Trespasse e responsabilidade Trespasse só surte efeitos frente a terceiros se averbado no registro próprio Art. 1.145. Se ao alienante não restarem bens suficientes para solver o seu passivo, a eficácia da alienação do estabelecimento depende do pagamento de todos os credores, ou do consentimento destes, de modo expresso ou tácito, em trinta dias a partir de sua notificação.
Trespasse e responsabilidade Art. 1.146. O adquirente do estabelecimento responde pelo pagamento dos débitos anteriores à transferência, desde que regularmente contabilizados, continuando o devedor primitivo solidariamente obrigado pelo prazo de um ano, a partir, quanto aos créditos vencidos, da publicação, e, quanto aos outros, da data do vencimento. Regra para dívidas cíveis (bancárias, fornecedores etc.). Dívidas tributárias e trabalhistas têm regras próprias
Reestabelecimento e trespasse Art. 1.147. Não havendo autorização expressa, o alienante do estabelecimento não pode fazer concorrência ao adquirente, nos cinco anos subseqüentes à transferência. Parágrafo único. No caso de arrendamento ou usufruto do estabelecimento, a proibição prevista neste artigo persistirá durante o prazo do contrato. Cláusula de não-reestabelecimento obrigação de não fazer do alienante
Transferência de obrigações Art. 1.148. Salvo disposição em contrário, a transferência importa a sub-rogação do adquirente nos contratos estipulados para exploração do estabelecimento, se não tiverem caráter pessoal, podendo os terceiros rescindir o contrato em noventa dias a contar da publicação da transferência, se ocorrer justa causa, ressalvada, neste caso, a responsabilidade do alienante. Transferência de contratos
Trespasse e due diligence due diligence termo que denomina o procedimento do adquirente do estabelecimento para verificação de responsabilidade e conferência de dívidas e patrimônio que possam impactar no valor Procedimento multidisciplinar jurídico, contábil, econômico, etc. Auditoria no que se está comprando
Estabelecimento e ponto Empresário Direito de adesão ao ponto pode resultar em ação de renovação compulsória da locação empresarial Defesa do ponto estabelecido pelo empresário contra intenção do locador Requisitos art. 51 lei 8245/94 contrato por escrito com prazo determinado, prazo mínimo ou soma de prazos de cinco anos e exploração do mesmo ramo por três anos mínimo