GÊNERO CHARGE: DO PAPEL AOS BYTES

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Transcrição:

GÊNERO CHARGE: DO PAPEL AOS BYTES Anderson Menezes da Silva Willame Santos de Sales Orientadora: Dra. Maria da Penha Casado Alves Departamento de Letras UFRN RESUMO A charge é um gênero recorrente nos mais diversos meios de comunicação (jornais, revistas, internet, televisão). Inicialmente veiculada apenas em mídias impressas, hoje em dia, com o advento das chamadas novas tecnologias, a charge passou a ser veiculada também em outros suportes: a internet tem se tornado o principal deles. Partindo do pressuposto de que o gênero discursivo é histórico e situado (Bakhtin, 1997), convém investigar as possíveis mudanças ocorridas na apresentação desse gênero, tendo em vista as transformações pelas quais vem passando a sociedade sejam elas de ordem econômica, cultural ou tecnológica. A fim de fazer tal investigação, tomamos como objetos de análise charges tradicionais (veiculadas em mídia impressa ou sem auxílio de recursos audiovisuais) e charges animadas (veiculadas na internet e com auxílio de recursos audiovisuais). A pesquisa é embasada nos pressupostos teóricos propostos por Bakhtin (1997), acerca dos gêneros discursivos, e por Cavalcanti (2008), que aborda as características do gênero em análise. PALAVRAS-CHAVE: Gêneros discursivos, suportes, charge, tecnologia INTRODUÇÃO O mundo não pára de se transformar. Com essa constante transformação, alteram-se também os usos e os modos de lidar com a linguagem. Os gêneros discursivos, utilizados nos mais diversos ambientes lingüísticos, retratam/refratam de forma dinâmica, histórica e situada essa transformação da/na linguagem. O avanço da tecnologia permite o surgimento de novos gêneros discursivos, a adaptação de alguns e a transformação de muitos outros. Este trabalho é resultado de um processo de investigação sobre gêneros discursivos, em especial o gênero charge, realizada sob a perspectiva da linguagem como construção social e dialógica. A partir desse olhar começamos a buscar as evidências de que o gênero é de fato histórico e situado, e como isso influenciaria na apresentação e estruturação para essa análise da charge. A partir desse momento, iniciou-se uma busca por duas charges que apresentassem o mesmo tema. Como requisitos para a escolha, além de abordarem o mesmo tema, concluímos que seria necessária a configuração de dois tipos de charge para análise: uma tradicional (termo que designamos para as charges veiculadas em mídia impressa ou sem auxílio de recursos audiovisuais) e uma animada (que designamos para as charges veiculadas na internet e com auxílio de recursos audiovisuais), partindo do pressuposto de que o gênero discursivo é histórico e situado (Bakhtin, 1997). Escolhidas as charges, partimos para a leitura do corpus, essa leitura, além de interpretativa teve como objetivo estabelecer uma análise comparativa entre as charges:

a tradicional e a animada. Na leitura foram observadas, com bastante atenção, as possíveis mudanças ocorridas na apresentação do gênero, tendo em vista as transformações pelas quais vem passando a sociedade sejam elas de ordem econômica, cultural ou tecnológica. Tais transformações influenciam diretamente na configuração, estruturação e apresentação do gênero. PRESSUPOSTOS TEÓRICOS Bakhtin (1997) define o gênero discursivo como um tipo relativamente estável de enunciado. Este tipo de enunciado reflete as condições específicas e as finalidades das esferas da atividade humana que estão relacionadas com a utilização da língua. Essas esferas de atividades são quase infinitas, e cada uma delas nos remete a um ou mais gêneros discursivos. À medida que a esfera fica mais complexa, o gênero relacionado a ela a acompanha. Quanto à heterogeneidade dos gêneros discursivos, eles se alteram, mudam e acompanham os tempos e a dinâmica das esferas sociais onde são produzidos e onde circulam. Bakhtin fala a respeito da diferença entre gênero de discursivo primário (simples) e secundário (complexo). Alguns gêneros se apresentam mais complexos e mais evoluídos que outros, como é o caso do romance, teatro, palestras etc. Dentre desses gêneros mais complexos, apresentam-se alguns discursos mais simples, que são características da comunicação verbal espontânea. Mas é preciso fazer uma distinção mais minuciosa sobre este fato. Assim diz Bakhtin: Os gêneros discurso primários, ao se tornarem componentes dos gêneros secundários, transformam-se dentro destes e adquirem uma característica particular: perdem sua relação imediata com a realidade existente e com a realidade dos enunciados alheios por exemplo, inseridas no romance, a réplica do diálogo cotidiano ou a carta, conservando sua forma e seu significado cotidiano apenas no plano do conteúdo do romance, só se integram à realidade existente através do romance considerando como um todo, ou seja, do romance concebido como fenômeno da vida literário-artística e não da vida cotidiana. (BAKHTIN, 1997: 281). Cada época é marcada por alguns gêneros predominantes, na relação sócio-cultural. Não só os gêneros secundários estão presentes nestes recortes. Os primários, incluindo, principalmente, os relativos aos diálogos orais, incluem-se. A ampliação da língua escrita que incorpora diversas camadas da língua popular acarreta em todos os gêneros (...) a aplicação de um novo procedimento na organização e na conclusão do todo verbal e uma modificação do lugar que será reservado ao ouvinte ou ao parceiro etc., o que leva a uma maior ou menor reestruturação e renovação dos gêneros do discurso. (BAKHTIN, 1997: 286). Em suma, Bakhtin (1997) aborda os gêneros do discurso na perspectiva de enunciados relativamente estabilizados e tipificados ideológica e dialogicamente nas

diversas situações sociais de interação, considerando que todas as esferas da atividade humana estão efetivamente relacionadas com o uso da linguagem. Em que o gênero discursivo seria: qualquer enunciado considerado isoladamente é, claro, individual, mas cada esfera de utilização da língua elabora seus tipos relativamente estáveis de enunciados, sendo isso que denominamos gêneros do discurso (Bakhtin, 1997, 279). O CORPUS Charge tradicional Disponível em: http://www.jornalpequeno.com.br/blog/linhares/wp-content/uploads/2009/07/1- charges_dilma_lula2.jpg. Acesso em: 21 de maio de 2010. Charge tem como intenção comunicativa provocar o riso a partir de uma crítica contundente aos fatos do cotidiano com o auxílio de imagens e palavras. É um gênero que articula harmoniosamente as duas linguagens a verbal e a não-verbal, demonstrando que o sentido dele é construído na oscilação entre o já-dito e o não-dito. A charge não se limita apenas a ironizar, mas acrescenta ao cômico, criado pela deformação da imagem, um dado singular: a crítica, que visa levar o leitor a solidificar sua posição acerca de um determinado aspecto da realidade, sendo o foco principal os fatos políticos.

Charge Animada Disponível em: http://charges.uol.com.br/2008/10/21/cotidiano-o-homem-do-pac. Acesso em: 29 de maio de 2010. Diferentemente da charge normal, a charge animada utiliza efeitos visuais de animação e efeitos sonoros em sua apresentação. O foco da charge animada também é a mesma que a charge normal: a política, os fatos sociais, acontecimentos esportivos etc. Porém, como todo gênero que ganha uma versão eletrônica, a charge animada é mais interativa e divertida, pois quando as personagens reais são retratadas nela, as vozes, os gestos são igualmente representados. Músicas e efeitos sonoros são incorporados e a animação, recursos que ajudam ao expectador a fazer uma melhor interpretação dos acontecimentos. Mas ainda assim, é preciso que se faça a leitura entre o dito e o nãodito na charge animada, porque da mesma forma, essa outra roupagem do gênero requer que o expectador saiba o fato político-social a que a charge faz analogia. A ANÁLISE Após as leituras e comparações devidamente estabelecidas percebe-se que um leitor proficiente seria aquele que é capaz de perceber as marcas deixadas pelo autor para chegar à formulação da suas idéias e concepções. Essas marcas estão no texto, geralmente, de maneira intertextual. Assim sendo, constrói-se o sentido estabelecendo inferências a partir da relação entre a imagem que vê e a retomada do fato a que ela alude. Para isso, o leitor deverá saber o fato que origina a charge e suas circunstâncias históricas, políticas, ideológicas e sociais. CONCLUSÃO A partir da análise realizada, chegamos à conclusão de que o gênero discursivo de fato é situado e histórico, pois no século XIX o gênero em análise se manifestava da

forma tradicional devido aos recursos disponíveis, porém com o advento da tecnologia, esse gênero se apresenta com uma nova roupagem (características formais, conteudísticas e estilísticas). Entretanto, ambos abordam o cotidiano e por meio do humor fazem uma crítica. REFERÊNCIAS BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 1997.. VOLOSHINOV, V. N. Marxismo e Filosofia da Linguagem. Trad.Michel Lahud e Yara F. Vieira. 11 ed: São Paulo: Hucitec, 2004. MARCUSCHI, L. A..; A. R.; BEZERRA, M. A. (Orgs). Gêneros textuais e ensino. Rio dejaneiro: Lucerna, 2003. SILVA, ALESSANDRA AUGUSTA PEREIRA DA. A Formação Discursiva Através De Charges. UFPR