P rodução 1 INTRODUÇÃO 2 CONCEITOS BÁSICOS 2.1 A ESCOLHA DO PROCESSO DE PRODUÇÃO

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P rodução 1 INTRODUÇÃO Uma vez discutido o funcionamento do mercado, vamos deter-nos um pouco mais na Teoria da Firma, que está por trás da curva de oferta de mercado. O grande objetivo da firma que opera no setor privado é a maximização de lucros. Do ponto de vista econômico, o Lucro Total (LT) é a diferença entre a Receita Total (RT) e o Custo Total (CT): LT = RT - CT A receita total, por sua parte, se define pelo produto entre o preço de venda (p) e a quantidade produzida (q). Assumindo, por enquanto, que o preço de venda é dado,1 a receita total dependerá da quantidade produzida. Dessa forma, a Teoria da Firma divide-se em Teoria da Produção e Teoria dos Custos. A Teoria da Produção que passaremos a analisar refere-se às relações tecnológicas, físicas, entre a quantidade produzida e as quantidades de insumos utilizados na produção, enquanto a Teoria dos Custos de Produção inclui os preços dos insumos. 2 CONCEITOS BÁSICOS 2.1 A ESCOLHA DO PROCESSO DE PRODUÇÃO Produção é o processo pelo qual uma firma transforma os fatores de produção adquiridos em produtos ou serviços para a venda no mercado. Assim, a 1 Esta suposição será discutida mais em detalhe no Capítulo 7.

110 Economia Micro c Macro VasconceJIos......... ------------------------------------- ----------------------- firma é uma intermediária: compra insumos ( inputs, fatores de produção), combina-os segundo um processo de produção escolhido e vende produtos (outputs) no mercado. O processo de produção pode ser ou mão-de-obra-intensivo, ou capitalintensivo, ou terra-intensivo (Figura 5.1), dependendo do fator de produção utilizado em maior quantidade, relativamente aos demais. Mão-de-obra (N) ------- ------- 1 Capital Físico (K) PROCESSO DE ^ PRODUÇÃO PRODUTO (q ) Área, Terra (T)...1 Matérias-primas (Mp) Figura 5.1 O processo de produção. A escolha do processo de produção depende de sua eficiência. A eficiência pode ser avaliada pelo ponto de vista tecnológico ou pelo ponto de vista econômico. eficiência técnica (ou tecnológica): entre dois ou mais processos de produção, é aquele processo que permite produzir uma mesma quantidade de produto, utilizando menor quantidade física de fatores de produção; eficiência econômica: entre dois ou mais processos de produção, é aquele processo que permite produzir uma mesma quantidade de produto, com menor custo de produção. São conceitos relativos: diz-se que A é mais eficiente relativamente a B (e não que A ou B são eficientes). Esses conceitos também podem ser aplicados para comparação entre firmas assemelhadas, ou ainda entre setores (por exemplo, diferenças de eficiência no setor têxtil entre os vários Estados). Na Teoria Microeconômica, consideramos como dada ou determinada a eficiência tecnológica, que é uma questão mais pertinente à área de engenharia, e preocupamo-nos mais em analisar a questão de eficiência econômica. Ou seja, na teoria da produção, ao analisarmos relações físicas entre insumos e produtos, estaremos assumindo, implicitamente, a existência de eficiência técnica. E interessante observar que existe uma diferença entre os conceitos de tecnologia e de métodos de produção. Tecnologia é um inventário dos métodos de produção conhecidos. É o estado das artes. Nessa análise, supõe-se tecnologia dada. Método ou Processo de Produção diz respeito a diferentes possibilidades

Produção 1 1 1 de combinações entre os fatores de produção, para produzir uma dada quantidade de um bem ou serviço. Na análise que se segue, supõe-se que podemos escolher entre processos alternativos de produção, a um dado nível de conhecimento tecnológico. 2.2 FUNÇÃO DE PRODUÇÃO Um dos conceitos mais relevantes, dentro da Teoria da Produção, é o de função de produção. É a relação técnica entre a quantidade física de fatores de produção e a quantidade física do produto em determinado período de tempo. quantidade produto = / (quantidade fatores de produção) q = f (N, K, MY quantidade mão-de-obra capital físico matérias-primas produzida/t utilizada/t utilizado/t utilizadas/t sendo / t a unidade de tempo (mês, ano etc.). A função de produção supõe que foi atendida a eficiência técnica; ou seja, representa a máxima produção possível, em dados níveis de mão-de-obra, capital e tecnologia. O conceito de função de produção não deve ser confundido com a função oferta, que vimos anteriormente. A função oferta é um conceito econômico, de eficiência econômica, pois relaciona a produção com os preços dos fatores de produção (custos), enquanto a função de produção é um conceito mais físico ou tecnológico, pois se refere à relação entre quantidades físicas de produto e fatores de produção. 2.3 DISTINÇÃO ENTRE FATORES DE PRODUÇÃO FIXOS E VARIÁVEIS E ENTRE CURTO E LONGO PRAZOS Na Teoria Microeconômica, a questão do prazo está definida em termos da existência ou não de fatores fixos de produção. Os fatores de produção fixos são aqueles que permanecem inalterados, quando a produção varia, enquanto os fatores de produção variáveis se alteram com a variação da quantidade produzida. São exemplos de fatores fixos o capital físico e as instalações da empresa, e de fatores variáveis a mão-de-obra e as matérias-primas utilizadas. Define-se curto prazo como o período no qual existe pelo menos um fator de produção fixo; já a longo prazo, todos os fatores variam. Dessa forma, por 2 Nas estimativas empíricas, dependendo do objetivo do estudo, a mão-de-obra pode ser separada de acordo com qualificação, experiência, sexo etc. Para medir o estoque de capital, costuma ser utilizado como aproximação iproxy) o consumo de energia elétrica. Em função de produção para produtos agrícolas, costuma ser incorporada a área cultivada.

1 1 2 Economia Micro c Macro Vasconcellos atlas exemplo, o curto prazo para uma metalúrgica é maior do que o de uma fábrica de biscoitos, dado que as alterações de equipamentos ou instalações de uma metalúrgica demandam mais tempo que as de uma fábrica de biscoitos. 3 PRODUÇÃO COM UM FATOR VARIÁVEL E UM FIXO: UMA ANÁLISE DE CURTO PRAZO Suporemos, por simplificação, apenas dois fatores de produção: mão-deobra (N ) e capital (K), sendo a mão-de-obra variável e o capital (equipamentos e instalações) fixo. A função de produção fica: q = m, K ) Como K é suposto fixo ou constante a curto prazo, a função produção fica: q = / ( AO Ou seja, o nível do produto varia apenas em função de alterações na mãode-obra, a curto prazo, coeteris paribus. 3.1 CONCEITOS DE PRODUTO TOTAL, PRODUTIVIDADE MÉDIA E PRODUTIVIDADE MARGINAL 3.1.1 Produto Total (PT) É a quantidade total produzida, em determinado período de tempo. Representa quanto produz cada fator. PT = q 3.1.2 Produtividade média É a relação entre o nível do produto e a quantidade do fator de produção, em determinado período de tempo. Representa a contribuição média de cada fator de produção. Produtividade Média da Mão-de-obra: Produtividade Média do Capital: PMe N PMe = K PT N P T K (é o produto por trabalhador)

114 Economia Micro e Macro Vasconcelios Btkis Figura 5.2 Curvas de Produto Total, Produtividade Média e Marginal da mão-de-obra. Supondo curvas contínuas e diferenciáveis (isto é, sem bicos ou interrupções), podemos representar as curvas de produto total, marginal e médio da mão-de-obra como na Figura 5.3.

Produção 1 1 5 Figura 5.3 Curvas de Produto Total, Produtividade Média e Marginal da mão-de-obra. Observamos que, no ponto máximo do produto total (PT), a produtividade marginal da mão-de-obra (PM gv) é igual a zero. Antes desse ponto, a produtividade marginal da mão-de-obra é positiva, ou seja, aumentos na absorção de mão-de-obra elevam o produto total. Após o ponto máximo do PT (PMgN = 0), a produtividade é negativa: acréscimos de mão-de-obra diminuirão o produto. Isso ocorre em virtude da lei dos rendimentos decrescentes, que veremos a seguir. 3.2 LEI DOS RENDIMENTOS DECRESCENTES DO FATOR O formato das curvas PMgN e PMeN dá-se em virtude da Lei dos Rendimentos Decrescentes do Fator, cujo enunciado é:

1 1 6 Economia Micro c Macro Vasconcellos Ao aumentar o fator variável (N ), sendo dada a quantidade de um fator fixo, a PMg do fator variável cresce até certo ponto e, a partir daí, decresce, até tomar-se negativa. Essa lei, em sua versão absoluta, só é válida se for mantido um fator fixo (portanto, só vale no curto prazo) que termina tornando-se um gargalo a partir de certo ponto. Exemplo: Consideremos a atividade agrícola, tendo como fator fixo a área cultivada e como fator variável a mão-de-obra. Com o aumento da produção, no início ela cresce substancialmente, porque há poucos trabalhadores para muita terra. Aumentando o número de trabalhadores, e se a área permanece a mesma, chega-se a um ponto em que a produção continua crescendo, mas a taxas decrescentes, em virtude do excesso de trabalhadores. Teoricamente, pode-se chegar a um ponto em que a absorção de mais um trabalhador provocará queda na produção (PMgN negativa). Como dissemos, espera-se, entretanto, que o empresário racional não deixe chegar a esse ponto, dado que o mercado para seu produto está crescendo, e deve aumentar a área cultivada, deslocando a função de produção para cima. O Prêmio Nobel Arthur Lewis estudou uma situação na qual a produtividade marginal da mão-de-obra seria nula. Em países subdesenvolvidos, que praticam a chamada agricultura de subsistência (os agricultores só cultivam para o seu próprio consumo), os filhos de agricultores permanecem na região, ajudando na roça, sem que isso represente aumento do produto agrícola. É a chamada tese do desemprego disfarçado na agricultura, segundo a qual essas pessoas teriam produtividade marginal nula. Essa observação levou Lewis a formular uma estratégia para o crescimento econômico desses países, em processo de industrialização: o deslocamento de mão-de-obra da agricultura para a indústria nas cidades não diminui o produto agrícola, ao mesmo tempo que permite abastecer de trabalhadores a indústria (inicialmente em função de menor qualificação) como na construção civil, limpeza urbana etc., aumentando o produto industrial. 4 PRODUÇÃO A LONGO PRAZO A análise da produção a longo prazo considera que todos os fatores de produção (mão-de-obra, capital, instalações, matérias-primas) variam. Ou seja, a longo prazo, não existem fatores fixos de produção. Supondo apenas dois fatores de produção, a mão-de-obra (AO e o capital (K), temos a função produção q = f(n, K ) com ambos os fatores variáveis. Essa função de produção pode ser representada por uma curva chamada Isoquanta.

Produção 1 1 7 4.1 ISOQUANTAS DE PRODUÇÃO Isoquanta significa igual quantidade e pode ser definida como sendo uma linha na qual todos os pontos representam infinitas combinações de fatores, que indicam a mesma quantidade produzida. Ou seja, a isoquanta expressa um menu de processos produtivos igualmente eficientes, determinado pela tecnologia disponível, capazes de produzir a mesma qualidade do bem ou serviço final. Como vemos, é um conceito análogo ao de curva de indiferença da Teoria da Demanda, aplicado à Teoria da Produção. Graficamente, a isoquanta pode ser representada como na Figura 5.4. Figura 5.4 Isoquanta de produção. Tal como a curva de indiferença, a isoquanta apresenta duas características básicas: 1. Inclinação negativa: na Figura 5.4, 1.000 unidades do produto podem ser obtidas por infinitas combinações de insumos: 2 de K com 150 de N, 4 de K com 80 de N, 6 de K com 50 de N etc. Evidentemente, para uma mesma quantidade produzida, se aumentar a quantidade de um fator de produção, a quantidade do outro fator tem que ser reduzida, daí a declividade negativa da isoquanta. Sua declividade chama-se Taxa Marginal de Substituição Técnica (TMST), e representa a taxa de intercâmbio de um fator pelo outro que, mantém o mesmo nível de produção. 2. Convexa em relação à origem: como pode ser visto na Figura 5.4, à medida que aumentamos a quantidade de trabalhadores e reduzimos a de capital, a TMST diminui. Isso reflete a dificuldade crescente de substituir um fator pelo outro, devido aos rendimentos decrescentes. Aqui, apesar de estarmos no longo prazo, em que nenhum fator é fixo, podemos ter aumentos (ou reduções) na quantidade dos fatores que geram abundância (escassez) relativa. Assim, se a quantidade de N aumenta em relação à quantidade

118 Economia Micro c Macro Vasconcellos de K, teremos trabalhadores menos produtivos (menor PMgN) e máquinas mais produtivas (maior PMgK). Um conjunto de isoquantas, cada qual mostrando um n/vel de produção, representa uma família de isoquantas, ou mapa de produção. Graficamente, temos a Figura 5.5. K ik \ \ \ N. q3= 3.000 q2= 2.000 ^ ------ q, = 1.000 ---------------------------------------------------------------- N Figura 5.5 ê Mapa de isoquantas. A escolha de uma particular isoquanta, que corresponde à escolha da quantidade que o empresário deseja produzir, dependerá dos custos de produção e da demanda pelo produto da firma, como veremos nos próximos capítulos. 4.2 CONCEITO DE ECONOMIAS DE ESCALA A longo prazo, interessa analisar as vantagens e desvantagens de a empresa aumentar sua dimensão, seu tamanho, o que implica demandar mais fatores de produção. Isso introduz o conceito de rendimentos ou economias de escala. O que acontece com a produção quando variamos igualmente todos os insumos? (Portanto, não alteramos a escassez ou abundância relativa de nenhum fator. Por isso, não estamos nos referindo aos rendimentos do fator). Ou seja, o que acontece quando aumentamos o tamanho ou escala da empresa? Podemos definir economias de escala tanto do ponto de vista tecnológico como dos custos (conceito mais econômico ): economia de escala técnica ou tecnológica: quando a produtividade física varia com a variação de todos os fatores de produção. economia de escala pecuniária: quando os custos por unidade produzida variam com a variação de todos os fatores de produção. Podemos ter rendimentos crescentes, decrescentes ou constantes de escala.

Produção 1 1 9 4.2.1 Rendimentos crescentes de escala Se todos os fatores de produção crescerem numa mesma proporção, a produção cresce numa proporção maior. Exemplo: supondo um aumento de 10% na quantidade de mão-de-obra e de capital, a produção aumenta em mais de 10%. Significa que as produtividades médias dos fatores de produção aumentaram. Do ponto de vista tecnológico, as economias de escala acontecem em virtude das indivisibilidades de produção e da divisão do trabalho. As indivisibilidades na produção referem-se ao fato de que certas unidades de produção só podem ser operadas em condições econômicas se possuírem uma escala ou tamanho mínimo. Aumentando a escala de operações, a produção pode aumentar mais que proporcionalmente. Empresas siderúrgicas ou do setor automobilístico são mais produtivas quanto maior a escala de operações. Por outro lado, à medida que a escala aumenta, surge, por exemplo, a possibilidade de operar por meio de linhas de montagem, aproveitando-se das vantagens de especialização do trabalho, o que não era possível com as dimensões anteriores da empresa (divisão do trabalho: é mais eficiente e produtivo cada trabalhador realizar uma tarefa apenas, na qual ele se especialize, do que realizar uma série de tarefas). Do ponto de vista pecuniário, certas operações de pesquisa e marketing só são possíveis com base em determinado nível mínimo de produção, quando então não devem implicar aumentos significativos de custos. Por outro lado, grandes empresas têm maiores facilidades de obter empréstimos em condições mais vantajosas junto aos bancos e de recorrer ao mercado de capitais. Além disso, empresas maiores, comprando fatores de produção em maior quantidade, têm poder de barganha para obtê-los a preços mais baixos. 4.2.2 Rendimentos decrescentes de escala Ocorre quando todos os fatores de produção crescem numa mesma proporção, e a produção cresce numa proporção menor. Exemplo: Supondo um aumento de 10% na quantidade de mão-de-obra e de capital, a produção aumenta em 5%. Significa que as produtividades médias dos fatores de produção caíram. Um provável motivo para que ocorram rendimentos decrescentes de escala reside no fato de a expansão da empresa poder provocar uma descentralização que pode acarretar problemas de comunicação entre a direção e as demais áreas da empresa. O conceito de rendimento decrescente de escala não deve ser confundido com a lei dos rendimentos decrescentes, vista anteriormente. Esta supõe sempre algum fator de produção fixado no processo de produção (portanto, curto prazo), enquanto os rendimentos de escala representam um conceito de longo prazo, em que não há fatores de produção fixos.

1 2 0 Economia Micro e Macro Vasconcellos 4.2.3 Rendimentos constantes de escala Se todos os fatores crescem em dada proporção, a produção cresce na mesma proporção. As produtividades médias dos fatores de produção permanecem constantes. QUESTÕES DE REVISÃO 1. Defina: produto, insumos e função de produção. 2. Defina Produto Total, Produtividade Marginal e Produtividade Média. Mostre graficamente as principais relações entre esses conceitos. 3. Explique o significado da Lei dos Rendimentos Decrescentes. 4. Qual o significado da isoquanta de produção? O que vem a ser mapa de isoquantas? Ilustre graficamente. 5. Defina rendimentos crescentes, descrescentes e constantes de escala, e quais as razões para que ocorram. QUESTÕES DE MÚLTIPLA ESCOLHA 1. Quando o Produto Total cai: a) A produtividade média do trabalho é nula. b) A produtividade marginal do trabalho é nula. c) A produtividade média do trabalho é negativa. d) A produtividade marginal do trabalho é negativa. e) A produtividade marginal é maior que a produtividade marginal do trabalho. 2. Assinale a alternativa correta: a) Produtividade média é a variação do produto sobre a variação da quantidade de um fator de produção. b) Produtividade marginal é a relação entre o produto e a quantidade de um fator de produção. c) No máximo do produto total, a produtividade média é máxima. d) No máximo do produto total, a produtividade marginal é zero.

Produção 121 e) A produtividade média pode tornar-se negativa, após atingir o máximo do produto total. 3. A função produção de uma firma alterar-se-á sempre que: a) Os preços dos fatores de produção se alterem. b) A empresa empregar mais de qualquer fator de produção variável. c) A tecnologia predominante sofrer modificações. d) A firma elevar seu nível de produção. e) A demanda elevar-se. 4. A lei dos rendimentos decrescentes: a) Descreve o sentido geral e a taxa de mudança na produção da firma, quando é fixada a quantidade de recursos. b) Refere-se a produtos extras sucessivamente mais abundantes, obtidos pela adição de medidas iguais de um fator variável a uma quantidade constante de um fator fixo. c) Refere-se a produtos extras sucessivamente mais reduzidos, obtidos pela adição de medidas iguais de um fator variável a uma quantidade constante de um fator fixo. d) É constante, com a observação de que há limites à produção atingível, quando quantidades crescentes de um só fator são aplicadas a quantidades constantes de outros. e) Explica o formato da curva de custo médio de longo prazo. 5. Assinale a alternativa errada: a) A lei dos rendimentos decrescentes prevalece quando tivermos pelo menos um fator de produção fixo. b) Temos rendimentos decrescentes de escala quando, ao aumentarmos todos os fatores de produção, a produtividade média dos fatores se reduz. c) A lei dos rendimentos decrescentes é a mesma que a dos rendimentos decrescentes de escala. d) Rendimentos de escala supõem que nenhum fator de produção se mantém fixado. e) A lei dos rendimentos decrescentes diz que, se tivermos um fator de produção fixo, ao aumentarmos a quantidade do fator variável a produção cresce inicialmente a taxas crescentes, depois decrescentes, para finalmente cair.