SHM Software, Hardware e Manutenção, Lda. Tribunal do Comércio de Lisboa 2ª Juízo Procº 1211/06.0 TYLSB RELATÓRIO Artigo 155º 30 de Janeiro de 2007
Índice 1. Introdução; 2. Análise do documento referido na alínea c) do nº 1 do artigo 24º; 3. Análise do estado da contabilidade do devedor; 4. Perspectivas de manutenção da empresa do devedor; 5. Anexo Lista Provisória de Credores
1- Introdução Pretende-se com esta introdução fazer um resumo da actividade desenvolvida. A notificação com a minha nomeação como administrador de insolvências foi recebida a 07/12/2006, tendo mandado publicar, de imediato, os anúncios no Diário da República e no 24 Horas, tendo as publicações ocorrido a 21/12/2006. Com base nesta data, o prazo para a apresentação das reclamações de crédito terminou em 25/01/2007. Para a recolha dos documentos a que aludem as alíneas a), b), c), d), e) f) do art. 24º do CIRE, desloquei-me à morada da sede, constante da sentença de declaração de insolvência, tendo sido prestados todos os esclarecimentos solicitados, como disponibilizados os documentos requeridos. Estando a laborar, com um número elevado de encomendas em carteira, foi decidido manter a empresa em funcionamento, decisão esta que foi sancionada pela comissão de credores. Foi, ainda, decidido abrir uma conta em nome da Massa Insolvente no BBVA. Pela necessidade de controlar a actividade da empresa decorrente das solicitações dos credores e da movimentação da conta bancária, tive assumir a responsabilidade da gestão corrente, o que fez com que passasse a dedicar, em média, cerca de 20 horas semanais a esta actividade.
2- Análise do documento referido na alínea c) do nº 1 do artigo 24º A gerência da empresa apresenta as seguintes razões para a actual situação: i. Externas: Crise económica e financeira do país; Contenção nos investimentos públicos e privados; Adiamento de vários grandes projectos; Aumento das taxas de juro. ii. Internas Ameaças de penhoras; Cheques devolvidos; Cancelamento da conta corrente caucionada e do empréstimo bancário; Forte redução do crédito de fornecedores Operando a empresa num sector onde a margem de comercialização é bastante baixa hardware-, só a venda em grandes quantidades, aliada à antecipação de cobranças através do factoring, permitiam a manutenção em funcionamento da empresa. O factoring, na minha opinião, ao permitir o funcionamento da empresa, ajudou a encobrir o principal problema da empresa, que era o da fraca rentabilidade dos negócios, ao amortizar o efeito da falta de recursos financeiros, que já era patente no incumprimento nos pagamentos das obrigações fiscais e parafiscais. Esta situação revelou-se desastrosa com a redução das vendas, se eliminarmos uma venda excepcional de cerca de 7 milhões de euros a uma subcontratada para um fornecimento ao Estado, em 2006.
Esta venda veio, também, a revelar-se negativa para empresa quer pela margem reduzidíssima quer pelo prazo de cobrança. À data, a empresa estava ameaçada de penhoras por parte da DGI, que a concretizarem-se paralisava a actividade. Os encargos financeiros aumentavam com o crescimento da taxa de juros anulando a pequena margem do negócio. Uma auditoria contratada pela gerência veio a confirmar a má situação económica da empresa ao propor correcções na ordem de 1,6 milhões de euros, o que originou a que os capitais próprios passassem a negativos, ou seja, revelouse que o passivo era superior ao activo. Perante esta realidade e confrontada com a situação de incumprimento generalizado dos pagamentos, a gerência apresentou a empresa à insolvência. 3- Análise do estado da contabilidade do devedor A contabilidade da devedora encontra-se em dia e espelha a realidade económica e financeira da empresa. Em anexo, junta quadros com as demonstrações financeiras de 2002 a Novembro de 2006. Destas saliento o seguinte: O passivo (11.239.036,14 ) é manifestamente superior ao activo (9.650.179,85 ); Os capitais próprios são negativos em 1.588.856,29 Os resultados líquidos são negativos em 2.117.960,28, que revela um resultado operacional negativo de cerca de 500 mil euros
sendo o restante valor, cerca de 1,6 milhões de euros, resultado das correcções propostas pela auditoria. Da análise dos documentos contabilísticos, queria salientar o recebimento de parte da factura referente à venda dos equipamentos à subcontratada SHM CE: 1. Valor recebido da SHM-CE em 30/10/2006: 7.181.336,93 2. Parte deste valor foi aplicado como segue: Liquidação de conta corrente caucionada no Millennium Bcp: 997.595,79 Pagamento empréstimo bancário no Millennium Bcp: 397.996,02 Pagamento de cheques devolvidos e pré-datados: 1.118.384,74 Pagamento de processos fiscais: 459.654,27 (relacionado no mapa anexo) Pagamentos à Segurança Social: 600.680,85 (relacionado no mapa anexo) 3. Valor depositado na conta da massa insolvente no BBVA: 2.590.000,00 4. O valor remanescente, 1.007.421,29, terá sido aplicado na gestão corrente: pagamentos a fornecedores (relacionados no mapa anexo), impostos e segurança social do mês, salários, etc. Razões para estes pagamentos: Liquidação de conta corrente caucionada no Millennium Bcp: Feita directamente pelo banco, conforme sugestão apresentada no mail enviado por eles em 3/11/2006. O contrato de conta corrente inicial data de 1995. Pagamento de cheques devolvidos e pré-datados: Evitar a inibição de utilização de cheques e registo no Banco Portugal. Pagamento de processos fiscais: Evitar a penhora das contas bancárias e de créditos sobre clientes. Há uma comunicação da DGI a alertar para a execução de penhoras. Em Julho 06 já tinha havido uma penhora de créditos num processo. Necessidade de regularizar a situação fiscal para poder receber de entidades públicas.
Pagamentos à Segurança Social: Necessidade de regularizar a situação com este organismo para poder receber de entidades públicas. 4- Perspectivas de manutenção da empresa do devedor Pelo exposto nos pontos anteriores não vejo qualquer hipótese para a manutenção da empresa. Contudo, existem contratos de prestação de serviços em curso relacionados em anexo, que considero que devem ser cumpridos uma vez que libertam uma margem bruta para a massa insolvente de cerca de 6.000/mês (doc3). 5- Auto de Apreensão O Auto de Apreensão ainda não foi efectuado em virtude de a empresa ainda estar em laboração. 6- Anexos o Demonstrações Financeiras Históricas (docs. 1 e 2); o Relação dos contratos em vigor (doc. 3) o Lista Provisória de Credores, por ordem alfabética (doc.4).
ANEXOS